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Texto CB1A1

A regulamentação do direito quilombola — reconhecido no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988 (CF) — passou anos sem qualquer instrumento legal de abrangência nacional que guiasse sua efetivação. Em 2001, o Decreto n.º 3.912 delimitou o período entre 1888 até 5 de outubro de 1988 para a caracterização das comunidades “remanescentes de quilombos”, utilizando uma noção de quilombo vinculada à definição colonial da Convenção Ultramarina de 1740. Tal decreto foi revogado pelo de n.º 4.887/2003, que, por sua vez, aboliu a exigência de permanência no território e, com base no critério de autodefinição previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para povos indígenas e tribais, definiu a categoria “remanescentes de quilombos” como “grupos étnico-raciais, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida” (Decreto n.º 4.887/2003, art. 2.°). O decreto também estabeleceu a necessidade de desapropriação das áreas reivindicadas por particulares, bem como a titulação coletiva das terras dos quilombos, e impediu a alienação das propriedades tituladas.
A previsão de autodefinição é de suma relevância porquanto parte do pressuposto de que não cabe ao poder público, nem a nenhum pesquisador, imputar identidades sociais. Esse princípio vai de par com o Decreto Federal n.º 6.040/2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, definindo-os como “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”.

F. Vieira et al . Sob o rufar dos ng’oma : o judiciário em disputa pelos quilombolas. Revista Direito e Práxis , v. 8, jan. 2017, p. 560–1 (com adaptações).

Considerando os mecanismos de coesão e coerência textuais e as relações de sentido estabelecidas no texto CB1A1, julgue os próximos itens.

A coerência e a correção gramatical do texto seriam mantidas caso o segundo parágrafo fosse assim iniciado: No entanto, a previsão (...).

C Certo
E Errado
Órgão: Conselho Nacional do Ministério Público Cargo: Analista do CNMP - Área Apoio Técnico Especializado - Área Comunicação Social Prova: CESPE/CEBRASPE - CNMP - Analista do CNMP - Área Apoio Técnico Especializado - Área Comunicação Social - 2023

“Texto é uma unidade linguística
concreta (perceptível pela visão ou
audição), que é tomada pelos usuários da
língua (falante, escritor/ouvinte, leitor),
em uma situação de interação
comunicativa específica, como uma
unidade de sentido e como preenchendo
uma função comunicativa reconhecível e
reconhecida, independentemente de sua
extensão.” (Koch & Travaglia, 1992, p. 08-09).
De acordo com essa definição, assinale a
alternativa que apresenta incoerência no
conteúdo.

A CIRCUITO FECHADO

Chinelo, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água.
Escova, creme dental, água, espuma, creme de
barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina,
sabonete, água fria, toalha. Pente. Camisa,
abotoadura, calça, meias, sapatos, paletó.
Carteira, documentos, caneta, chaves, relógio.
Jornal. Mesa, cadeiras, xícara. Pasta, carro. Mesa
e poltrona, cadeira, papéis, telefone, agenda,
telefone. Bandeja, xícara pequena. Papéis,
telefone, relatórios, cartas, notas, vale, cheques,
memorando. Relógio, mesa, cadeiras, esboços de
anúncios, fotos, bloco de papel, caneta, projetor de
filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo,
quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi.
Mesa, toalha, cadeira, copo, pratos, talheres,
garrafa, guardanapo, xícara. Escova de dentes,
pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone,
revista, e caneta. Carro. Paletó. Poltrona, copo,
revista. Quadros. Mesas, cadeiras, prato,
talheres,copos, guardanapos. Xícaras. Poltrona,
livro. Televisor, poltrona. Abotoaduras, camisa,
sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental,
espuma, água. Chinelos. Coberta, cama,
travesseiro. (Ricardo Ramos, texto adaptado).
D Minha infância no Cabetuvê do Norte

Por Maria Sualina Oliveira

Era meia-noite. O Sol brilhava. Pássaros,
cantavam pulando de galho em galho. O homem
cego, sentado na mesa de roupão, esperava que
lhe servissem o desjejum. Enquanto espera,
passava a mão na faca sobre a mesa como se
acariciasse tendo ideias, enquanto olhava
fixissamente a esposa sentada à sua frente.

Essa menina de apenas 06 anos queria muito
estudar, pois tinha o sonho de ser mãe. De
repente, começou a chorar, pois o telegrama lhe
trazia a notícia de que o irmão se enforcara num
pé de alface.

A Terra é uma bola quadrada que gira em torno do
Sol. Ela se queixa de que ele ficou impassível,
porque não é o irmão dele que vai receber as
honrarias.
E “O importante não é vencer todos os dias,
mas lutar sempre.” Waldemar Valle Martins
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 8.
1 A influência das emoções na saúde humana, já apontada pelo grego Hipócrates no século IV a.C., recebe atenção
cada vez maior na área médica. Em várias pesquisas, observa‐se a associação das condições emocionais dos pacientes ao
aparecimento e tratamento de doenças. Há linhas de investigação, por exemplo, em que é destacada a relação existente
4 entre o câncer e mulheres com problemas como estresse, distúrbios familiares e conjugais. Há trabalhos também nos quais
se analisa como o sistema imunológico humano é afetado pelos sentimentos.
A psicóloga Carmen Neme, docente da Faculdade de Ciências da Unesp, campus de Bauru, enfatiza que o câncer é
7 determinado por complexas relações genéticas, psicológicas, imunológicas e ambientais, mas assinala que um dos fatores
mais significativos nesse processo é o chamado estresse crônico, provocado por um ritmo de vida desgastante e pequenas
e frequentes frustrações, responsáveis por uma elevada excitação emocional, que, por sua vez, leva ao desequilíbrio
10 psíquico e fisiológico. Ela se baseia em três estudos que promoveu sobre o tema, apresentados no II Congresso Brasileiro
de Estresse, em setembro de 2005, na cidade de São Paulo.
O imunologista José Mauricio Sforcin, do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Botucatu, trabalha, em uma
13 de suas linhas de investigação, com a associação do estresse com o sistema de defesa do corpo. “Muitos trabalhos
têm sugerido essa relação, nos últimos anos, principalmente a partir da descoberta da interligação dos sistemas
imunológico, nervoso e endócrino”, comenta o docente.
16 Sforcin ressalta que indivíduos depressivos costumam apresentar baixa produção de citocina IL‐3 – uma proteína
que regula as respostas do sistema imunológico às ameaças ao organismo – e reduzido número de células de defesa, os
linfócitos, que combatem infecções específicas. “A resposta imunecelular é mais afetada durante o estresse, o que pode
19 levar à progressão do câncer”, completa o imunologista.
O infectologista Domingos Alves Meira, responsável pelo Hospital‐Dia da Faculdade de Medicina em Botucatu, que
atende pacientes com AIDS no município, também acentua que doenças infectocontagiosas como herpes e AIDS podem
22 ter origem psicossomática. “Como há uma relação íntima entre o estresse e os sistemas imunológico e endócrino, os
estados emocionais alterados se transformam em portas de entrada para essas doenças”, afirma.
A mudança de ênfase na compreensão e no enfrentamento das doenças é destacada pelo antropólogo Cláudio
25 Bertolli, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Autor de vários livros
sobre saúde, Bertolli enfatiza que, durante séculos, a atividade médica foi dominada por uma concepção de caráter
materialista, que encara a saúde e a doença como fenômenos biológicos, sem influência de fatores psíquicos.
28 No entanto, segundo o antropólogo, em decorrência de processos como o surgimento da contracultura, na década
de 1960, ganhou força uma tendência que existe desde a Antiguidade, a medicina psicossomática. “O grande desafio da
medicina psicossomática é estabelecer relações causais claras entre a manifestação da saúde e da doença e fatores mais
31 complexos, sejam aqueles de ordem exclusivamente psicológica, sejam os que integram corpo, mente e sociedade”,
destaca Bertolli.
Internet: (com adaptações).

Assinale a alternativa em que o trecho apresentado complementaria o texto com coerência e correção gramatical.

A Portanto, o enfrentamento de doenças como o câncer não dependem das boas condições de assistência médica, mas da atitude psicológica, como confiança, determinação, coragem e convicções religiosas.
B As conclusões dos especialistas comprovam, pôr fim, que as dores emocionais dos seres humanos são as principais causas do aparecimento de doenças como o câncer.
C A despeito das tendências atuais da medicina, o espírito, hierarquicamente superior ao corpo, impõem‐se a ele e determinando os estados de saúde e doença.
D Sem dúvida, essa mudança de ênfase na compreensão e enfrentamento das doenças demonstra a importância da atuação de uma equipe multidisciplinar de saúde no tratamento das moléstias humanas.
E Devido o acúmulo de funções na família e no trabalho, as mulheres são as que mais sofrem com o estresse crônico e, consequentemente, mais sujeitas à patologias como o câncer.

O comentário associado apropriadamente à frase indicada é o que se encontra em:

A Depois da interferência de alguém da plateia, retomou a palavra e voltou a falar. / Presença de repetição como recurso estilístico, de valorização da ideia.
B A cuidadosa descriminação dos itens que compõem o acervo garantirá que nenhuma tela será extraviada. / Há incoerência no enunciado.
C Às pessoas invejosas falta- lhes amor próprio. / O pronome oblíquo está empregado com valor de possessivo.
D Vossa Excelência deve estar orgulhoso da homenagem recebida. / O adjetivo destacado concorda não com a forma gramatical da expressão, mas com o ser a que remete; no caso, esse fenômeno incide sobre concordância de número.
E Sendo sempre o último a se pronunciar, o presidente da mesa elogiou a iniciativa do jovem ao assumir de imediato a tribuna. / Frase cuja ambiguidade é facilmente superada pelo contexto.
Órgão: Tribunal Superior do Trabalho Cargo: Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia Prova: FCC - TST - Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia - 2017
Texto associado
TEXTO I

Vida de Acompanhante

Ana teve que fazer uma pequena
intervenção cirúrgica e me convidou para ser
seu acompanhante na casa de saúde. Bem,
normalmente evito passar até na porta de um
hospital (atravesso sempre para o outro lado
da rua, receoso de apagar diante de um bafo
mais forte de éter). Aquela situação, porém,
não me permitia simplesmente bater em
retirada. Mesmo assim, o medo falou mais alto
e bem que tentei cair fora.

- Escuta, Ana, quero lhe dizer que me sinto
profundamente honrado com o convite que
você me faz para ser seu partner no hospital
mas... Será que vai pegar bem? Será que o
pessoal do hospital não vai reparar de você
ter o próprio marido como acompanhante?
Você sabe como é esse pessoal de hospital,
fala demais. Vão dizer que você é uma mulher
absorvente, ciumenta, que não larga o marido
nem para ser operada.

- Se você não quiser ir - disse ela muito
segura - eu chamo outra pessoa.

- Não, Ana. Que é isso? Eu vou, claro. Tamos
aí, firme e forte. O problema é que não tenho
muita experiência. Talvez pudéssemos chamar
outra pessoa para ir com a gente. Na minha
vida, só entrei como acompanhante em baile
de formatura. O convite do hospital dá direito
a levar quantos acompanhantes?

- Um. Um só. E vai ser você. Ou será que
você está com medo?

- Quem, eu? - dei aquela do machão. - Você
não me conhece... Sou uma fera braba dentro
de um hospital.

- Tenho a impressão de que você está com
medo.

Não adianta fingir, pensei. Resolvi me
entregar:

- Morrendo, Ana. Tô morrendo de medo. Não
sei se vou agüentar. Tenho pavor de entrar em
hospital, aquele clima, aquele cheiro... Veja, já
estou suando só de pensar.

- Fique tranqüilo - disse ela me afagando
- não precisa se preocupar. Não vou deixá-lo
sozinho.

- Você jura? Mas e quando você estiver na
sala de cirurgia, quem vai tomar conta de mim?

- Fique calmo, bobinho. Deixo minha
irmã tomando conta de você. Eu volto logo.
Qualquer coisa, estarei ao seu lado.

A conversa foi muito reconfortante. Ana
procurou me dar força e, depois de ouvila
durante três horas, senti que já estava
psicologicamente preparado para enfrentar a
situação de acompanhante. [...]

NOVAES, Carlos Eduardo. Vida de acompanhante. In: A cadeira do
dentista. Coleção Para gostar de ler. 8.ed.. São Paulo: Ática, 2005,
p. 26-27.


As questões de 1 a 7 referem-se ao TEXTO I.

Releia o seguinte fragmento, retirado do
1º parágrafo do texto.
“Bem, normalmente evito passar até na
porta de um hospital (atravesso sempre
para o outro lado da rua, receoso de
apagar diante de um bafo mais forte de
éter).”.

A ideia presente nesse fragmento entra
em contradição com qual dos trechos a
seguir?

A “[...] e me convidou para ser seu
acompanhante na casa de saúde.”
B “Talvez pudéssemos chamar outra pessoa
para ir com a gente.”
C “Você não me conhece... Sou uma fera
braba dentro de um hospital.”
D “Tenho a impressão de que você está com
medo.”
E “Fique calmo, bobinho. Deixo minha irmã
tomando conta de você.”
Órgão: Secretaria de Estado de Administração do Pará Cargo: Agente de Segurança Prisional (Polícia penal) Prova: Instituto AOCP - SEAD PA - Agente de Segurança Prisional (Polícia penal) - 2017