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Há quase um século, os antropólogos estudam outras formas de vida, como Bronislaw Malinowski e os jardins, Edward Evans-Pritchard e o gado, Gregory Bateson e os golfinhos. Contudo, nas últimas décadas, os praticantes da antropologia têm ampliado as perspectivas que embasam suas etnografias, decentrando análises sobre agência e poder e advogando por uma antropologia mais-que-humana. Uma das viradas teóricas responsáveis por esse decentramento é a virada ontológica. Uma das contribuições feitas pela virada ontológica é:

A a crítica decolonial;
B a defesa da universalidade humana;
C o abandono de etnografias multiespécie;
D a tese da multiplicidade de mundos;
E a tese da similaridade dos sistemas de parentesco.

No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação na Amazônia , Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos, conservacionistas, governantes e as próprias populações tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em torno do que se pode chamar de essencialização do relacionamento entre as populações tradicionais e o meio ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:

A da evolução cultural humana;
B da superioridade das raças;
C da identidade étnica;
D do bom selvagem ecológico;
E do progresso tecnológico.

Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os Kisêdjê , Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade e posse. A autora argumenta que: " A despeito do possessivo na expressão nossa terra , não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123). A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:

A um espaço sagrado e intocável, onde a intervenção humana é proibida;
B uma propriedade individual de cada membro da comunidade Kisêdjê, que pode ser herdada e alienada de acordo com regras simbólicas de sucessão;
C um território definido por limites fixos e marcos geográficos, passível de ser delimitado em um mapa;
D uma área delimitada para a prática da agricultura intensiva, garantindo a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico da comunidade;
E um entrelaçamento dinâmico de relações, histórias e memórias, fundamental para a identidade e a continuidade cultural do povo Kisêdjê.

Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou, em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos de ‘cultura’”. (Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os anos 60. In: Mana , 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são objeto de análise antropológica para:

A identificar o conjunto de oposições binárias que estruturam universalmente a percepção do tempo;
B compreender como padrões de significados dão sentido à conduta e às relações sociais de um grupo;
C explicar como a cultura legitima ações racionais com relação a fins, como no caso da divisão do tempo balinesa, voltada para uma maior produtividade agrícola;
D demonstrar a objetividade dos fenômenos culturais, que podem ser analisados por antropólogos não pertencentes à comunidade investigada;
E exemplificar a determinação biológica e a transmissão genética de estruturas culturais como a percepção do tempo entre os balineses.

No que se refere à produção de alimentos, identidade cultural e territórios, julgue o item a seguir. Compreende-se patrimônio imaterial como um bem de natureza intangível, de caráter dinâmico e intimamente associado às práticas e representações culturais, definido na Constituição Federal de 1988 como os modos de criar, fazer e viver, expressos em rituais, celebrações, entre outros.

A Certo
B Errado

No início do seu ensaio “Mercadorias e a política de valor”, o antropólogo Arjun Appadurai explicita um dos seus objetivos: “[…] propor uma nova perspectiva sobre a circulação de mercadorias na vida social. Tal perspectiva pode ser sintetizada da seguinte forma: a troca econômica cria o valor; o valor é concretizado nas mercadorias que são trocadas; concentrar-se nas coisas trocadas, em vez de apenas nas formas e funções da troca, possibilita a argumentação de que o que cria o vínculo entre a troca e o valor é a política, em seu sentido mais amplo.” Com esse argumento, Arjun Appadurai propõe como novo objeto de análise da antropologia:

A as mercadorias;
B a troca;
C a dádiva;
D a vida social das coisas;
E os rituais de comércio.

No prefácio do livro “Trecos, troços e coisas”, o antropólogo Daniel Miller propõe o seguinte: “O leitmotiv deste livro é um questionamento da oposição, vigente no senso comum, entre pessoa e coisa, animado e inanimado, sujeito e objeto. Em alguma medida, a ciência tem conseguido evitar isso. […] Aqui, em contraste, estou interessado em desenvolvimentos na ciência social, e não na ciência natural, e no encontro qualitativo da antropologia com a diversidade dos povos e a crescente diversidade das coisas.” O objeto de estudo proposto por Daniel Miller é(são):

A as humanidades;
B a estrutura social;
C a cultura material;
D a ciência;
E os rituais.

Em seu artigo “O futuro nos laudos antropológicos”, o antropólogo Paulo Santini afirma: “Com respeito ao reconhecimento oficial de direitos territoriais indígenas — em que a delimitação substantiva de um território é exigida para o cumprimento do artigo 231 da Constituição —, a primeira, senão a única atribuição legal de antropólogos é a de empreender e coordenar os estudos dos grupos técnicos instituídos para proceder à identificação e à delimitação das terras ocupadas tradicionalmente pelos índios; requere-se dos especialistas que tracem e demonstrem a continuidade entre povos pré-colombianos e populações atuais.” A realização de um laudo antropológico pressupõe o emprego de técnicas de pesquisa consagradas pela disciplina. A técnica de pesquisa antropológica, indispensável na produção de laudos, que permite ao técnico acessar a realidade social em questão, entrar em contato com o grupo pesquisado e conhecer suas singularidade é(são) o(s):

A levantamento bibliográfico;
B registros sonoros;
C registros museológicos ;
D grupo focal;
E trabalho de campo.