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Analise o trecho a seguir, retirado de “A Razão na História”, de Hegel

( 2004 ): “O único pensamento que a filosofia traz para o tratamento da história é o conceito simples de Razão, que é a lei do mundo e, portanto, na história do mundo as coisas aconteceram racionalmente. Essa convicção e percepção é uma pressuposição da história como tal; na própria filosofia a pressuposição não existe. A filosofia demonstrou através de sua reflexão especulativa que a Razão – esta palavra poderá ser aceita aqui sem maior exame da sua relação com Deus – é ao mesmo tempo substância e poder infinito, que ela é em si o material infinito de toda vida natural e espiritual e também é a forma infinita, a realização de si como conteúdo. Ela é substância, ou seja, é através dela e nela que toda a realidade tem o seu ser e a sua subsistência. Ela é poder infinito, pois a Razão não é tão impotente para produzir apenas o ideal, a intenção, permanecendo em uma existência fora da realidade – sabese lá onde – como algo característico nas cabeças de umas poucas pessoas. Ela é o conteúdo infinito de toda a essência e verdade, pois não exige, como o faz a atividade finita, a condição de materiais externos, de meios fornecidos de onde extrair-se o alimento e os objetos de sua atividade; ela supre seu próprio alimento e sua própria referência. E ela é forma infinita, pois apenas em sua imagem e por ordem sua os fenômenos surgem e começam a viver. É a sua própria base de existência e meta final absoluta e realiza esta meta a partir da potencialidade para a realidade, da fonte interior para a aparência exterior, não apenas no universal natural, mas também no espiritual, na história do mundo. Que esta Ideia ou Razão seja o Verdadeiro Poder Eterno e Absoluto e que apenas ela e nada mais, sua glória e majestade, manifeste-se no mundo – como já dissemos, isto já foi provado em filosofia e aqui está sendo pressuposto como demonstrado”. Com base no trecho acima e nos conhecimentos sobre a filosofia da história em Hegel, analise as assertivas abaixo:

I. Hegel entende que a Razão é a substância, forma e conteúdo de tudo que é real, manifestando-se no tempo por meio do processo histórico.

II. A história do mundo é racional apenas quando guiada por princípios morais universais, sendo irracional quando determinada por interesses particulares ou conflitos.

III. Para Hegel, a história deve ser compreendida como a manifestação progressiva da liberdade do Espírito, sendo a filosofia capaz de apreender racionalmente esse desenvolvimento necessário.

IV. Os acontecimentos históricos, ainda que pareçam caóticos, fazem parte da manifestação necessária do Espírito no tempo.

V. Hegel rejeita qualquer abordagem que pretenda aplicar a reflexão racional à história, pois considera que isso comprometeria a fidelidade aos dados empíricos. Quais estão corretas?

A Apenas I, II e V.
B Apenas I, III e IV.
C Apenas I, IV e V.
D Apenas II, III e IV.
E Apenas I, III, IV e V.

A ideia de beleza é central ao longo da história da estética filosófica. Entre as teorias a tratar desse conceito, há aquelas denominadas “teorias funcionais da beleza”. Estão entre essas teorias as ideias abaixo, EXCETO:

A O que é bom e o que é belo não têm qualquer correspondência.
B Uma teoria funcional da beleza aponta as obras de arte como artefatos feitos para servirem a um propósito.
C Não há qualquer distinção fundamental entre as belas-artes e as artes úteis.
D Uma teoria funcional da beleza aponta que, se uma coisa for feita para funcionar bem, essa coisa será bela.
E A adequação ao propósito é condição de que alguma coisa seja bela, mas não é, em si mesma, garantia da beleza.

O existencialismo é uma das correntes filosóficas mais influentes do século XX. São pensadores associados, por sua produção ou vínculos intelectuais, ao existencialismo, EXCETO:

A Gabriel Marcel.
B Simone de Beauvoir.
C Martin Heidegger.
D Charles Sanders Peirce.
E Maurice Merleau-Ponty.

Na tradição filosófica hermenêutica, a circularidade é objeto de reflexão importante. Nesse sentido, o círculo hermenêutico deve ser compreendido como:

A O princípio basilar que guia a lógica da experiência hermenêutica.
B Uma forma de petição de princípio criticada por Martin Heidegger.
C A aplicação de um instrumental matemático às teses da hermenêutica.
D Uma incorporação da perspectiva filosófica analítica pela tradição hermenêutica.
E O grande equívoco filosófico a ser evitado em esforços de intepretação textual.

Analise o trecho abaixo, retirado de “História da Filosofia”, sobre a dialética hegeliana: “Dialética: O único método em grau de garantir o conhecimento científico do absoluto e de elevar assim a filosofia à ciência, é, segundo Hegel, o método dialético, por meio do qual a verdade pode finalmente receber a forma rigorosa do sistema da cientificidade. A dialética nascera no ambiente da Escola de Eléia, principalmente com Zenão, e na grecidade havia alcançado seus vértices com Platão; na era moderna, fora retomada por Kant, que, porém, a privara de verdadeiro valor cognoscitivo. Hegel se remete à dialética clássica, mas conferindo movimento e dinamicidade às essências e aos conceitos universais que, já descobertos pelos antigos, haviam, porém, permanecido com eles em uma espécie de repouso rígido, quase solidificados. O coração da dialética se torna, assim, o movimento, e precisamente o movimento circular ou em espiral, com ritmo triádico. Os três momentos do movimento dialético são: 1) a tese, que é o momento abstrato ou intelectivo; 2) a antítese, que é o momento dialético (em sentido estrito) ou negativamente racional; 3) a síntese, que é o momento especulativo ou positivamente racional” (Reale; Antiseri, 2005, v. 5). Com base no trecho da obra de Reale e Antiseri e na compreensão sobre a filosofia hegeliana e a dialética, assinale a alternativa correta.

A A dialética hegeliana consiste em uma sucessão formal de conceitos que se opõem mutuamente, sem implicar relação ontológica com a realidade, como ocorria na lógica formal aristotélica.
B A tríade dialética hegeliana (tese, antítese, síntese) expressa um processo mecânico e externo à realidade, útil apenas como método de exposição conceitual.
C Para Hegel, a dialética é simultaneamente lógica, ontológica e histórica, pois exprime o modo real como o Ser se desenvolve por meio da negação e superação interna, rumo à realização do Absoluto.
D Na perspectiva hegeliana, o conceito de Aufhebung indica a destruição completa do estágio anterior do desenvolvimento do espírito, que deve ser negado para dar lugar ao novo.
E Ao contrário de Kant, Hegel sustenta que a razão humana está limitada à experiência sensível, e que a realidade última permanece inacessível ao pensamento racional.

A partir do entendimento das bases conceituais da “Teoria do Agir Comunicativo”, de Jüngen Habermas, analise o trecho a seguir: “Para Habermas, a modernidade é marcada por um processo ambivalente de racionalização. Enquanto o(a) ____________ constitui o espaço simbólico de socialização, cultura e construção de sentido, está progressivamente ameaçado pela ____________, processo pelo qual os mecanismos sistêmicos — como dinheiro e poder — passam a organizar as relações interpessoais. A proposta habermasiana para resistir a esse processo patológico está ancorada na noção de ____________, forma de interação na qual os participantes, por meio da linguagem, buscam um entendimento mútuo orientado por pretensões de validade como verdade, correção normativa, sinceridade e inteligibilidade”. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

A sistema – racionalização formal – agir teleológico
B espaço público – burocratização normativa – agir dramatúrgico
C mundo objetivo – reificação sistêmica – agir regulado por normas
D tradição cultural – tecnificação comunicativa – ação estratégica
E mundo da vida – colonização – agir comunicativo

A crítica histórico-materialista – de autores como David Harvey e Frederic Jamenson – ao pós-modernismo propõe que as transformações culturais e estéticas associadas a esse termo não devem ser compreendidas de forma isolada ou autônoma, mas como manifestações ideológicas de mudanças estruturais no capitalismo. Com base nessa perspectiva, analise as afirmações a seguir: 1. O pós-modernismo é interpretado como a face cultural de um regime de acumulação marcado pela flexibilidade produtiva, fragmentação do consumo, obsolescência acelerada e deslocamento dos centros de decisão econômica. 2. A cultura contemporânea passa a privilegiar a repetição de estilos e a combinação superficial de signos, suprimindo o aprofundamento histórico e a crítica social em favor de uma lógica de mercado voltada ao consumo de imagens. 3. A pluralidade estética, a diversidade de linguagens e a quebra de hierarquias culturais são vistas, nessa abordagem, como fenômenos genuinamente emancipatórios e desvinculados das dinâmicas do capital. 4. A substituição da temporalidade narrativa por uma simultaneidade espacial e fragmentada reflete não apenas uma mudança de gosto artístico, mas uma reorganização da experiência social sob a lógica da circulação rápida de mercadorias e signos. 5. A estetização da vida cotidiana, a mercantilização da diferença e a dissolução das fronteiras entre arte e publicidade integram um processo de neutralização política das formas culturais. O resultado da somatória dos números correspondentes às afirmações corretas é:

A 10.
B 12.
C 13.
D 14.
E 15.

As correntes feministas contemporâneas têm promovido uma revisão crítica dos fundamentos da tradição filosófica ocidental, apontando não apenas a exclusão sistemática de vozes dissidentes, mas também a normatividade embutida nas formas de produção e validação do saber. Com base nas discussões filosófico-feministas, analise as assertivas a seguir:

I. A crítica à pretensão de neutralidade do pensamento filosófico moderno denuncia a constituição de uma razão normativa e excludente, historicamente comprometida com uma lógica de universalidade que obscurece sua inscrição em relações de poder e dominação.

II. A ênfase na experiência concreta e situada como fonte legítima de produção de conhecimento propõe uma ruptura com modelos epistêmicos fundados na abstração e na separação sujeitoobjeto, deslocando a centralidade da filosofia para o reconhecimento do corpo, da afetividade e das práticas cotidianas.

III. A reivindicação por igualdade formal e representatividade institucional tem sido amplamente defendida como estratégia final e suficiente pelas perspectivas feministas contemporâneas, que visam inserir os sujeitos historicamente oprimidos nos espaços de poder já consolidados, sem questionar suas estruturas.

IV. A noção de sujeito do conhecimento é tensionada pelas abordagens feministas contemporâneas, que rejeitam concepções unitárias, abstratas e despolitizadas da subjetividade, propondo em seu lugar formas múltiplas, relacionais e instáveis de constituição do eu.

V. As contribuições feministas contemporâneas à filosofia sustentam que a descolonização epistêmica e o reconhecimento dos saberes subalternizados são processos periféricos diante das demandas centrais por paridade entre os sexos no campo jurídico e educacional. Quais estão corretas?

A Apenas I, II e IV.
B Apenas I, II e V.
C Apenas I, III e IV.
D Apenas II, III e V.
E Apenas III, IV e V.

Com base nas proposições desenvolvidas por Judith Butler em “Problemas de Gênero”

( 2018 ) e “Desfazendo Gênero”

( 2022 ), assinale a alternativa que melhor expressa a articulação entre performatividade, crítica ontológica e política do reconhecimento na constituição do sujeito de gênero no interior da teoria queer .

A A performatividade de gênero, tal como formulada por Butler, implica a recusa de toda forma de agência subjetiva, uma vez que o sujeito é integralmente constituído pelas normas discursivas que o precedem, não havendo fissura possível entre norma e repetição.
B Em sua virada ética e política posterior, Butler abandona a crítica ontológica da identidade e adota uma concepção universal de humanidade baseada na coabitação dos corpos e na solidariedade abstrata entre sujeitos já reconhecidos como inteligíveis.
C A teoria queer formulada por Butler converge com o humanismo existencialista ao propor que o sujeito se constitui pela liberdade radical de se autodefinir, sendo a identidade de gênero uma escolha existencial que se realiza fora das mediações normativas.
D Butler propõe que o gênero, embora performativo e historicamente construído, deve ser fixado por parâmetros reconhecíveis pelo Estado para que a luta política por cidadania plena possa ser eficaz, mesmo que isso implique certa renaturalização estratégica da identidade.
E A crítica butleriana à ontologia do gênero revela que a inteligibilidade do sujeito não decorre de um fundamento anterior à linguagem, mas da repetição reconfigurável de normas reguladoras, sendo que a agência se exerce precisamente na possibilidade de reinscrever e subverter tais normas.

Suponha que você seja o motorneiro de um bonde desgovernado avançando sobre os trilhos a quase 100 quilômetros por hora. Adiante, você vê cinco operários em pé nos trilhos, com as ferramentas nas mãos. Você tenta parar, mas não consegue. Os freios não funcionam. Você se desespera porque sabe que, se atropelar esses cinco operários, todos eles morrerão. (Suponhamos que você tenha certeza disso.) De repente, você nota um desvio para a direita. Há um operário naqueles trilhos também, mas apenas um. Você percebe que pode desviar o bonde, matando esse único trabalhador e poupando os outros cinco. O que você deveria fazer? SANDEL, Michael J. Justiça : o que é fazer a coisa certa?. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. O excerto de Michael Sandel descreve o conhecido “dilema do bonde desgovernado”. Dilemas como esse apresentam como característica a

A tomada de decisão entre alternativas conflitantes entre si.
B prevalência automática do interesse coletivo sobre o individual.
C aplicação imediata de leis universais que eliminam a incerteza moral.
D neutralidade axiológica do agente diante das possíveis consequências.
E impossibilidade de formular critérios éticos válidos diante de situações extremas.