Leia com atenção a história mítica “La Loba” escrita por Clarissa Pinkola Estés, com tradução de Waldéa Barcellos, para responder a questão. La Loba (Adaptado) Existe uma velha que vive num lugar oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Como nos contos de fadas da Europa oriental, ela parece esperar que cheguem até ali pessoas que se perderam, que estão vagueando ou à procura de algo. Ela é circunspecta, quase sempre cabeluda e invariavelmente gorda, e demonstra especialmente querer evitar a maioria das pessoas. Ela sabe crocitar e cacarejar, apresentando geralmente mais sons animais do que humanos. (...) O único trabalho de La Loba é o de recolher ossos. Sabe-se que ela recolhe e conserva especialmente o que corre o risco de se perder para o mundo. Sua caverna é cheia dos ossos de todos os tipos de criaturas do deserto: o veado, a cascavel, o corvo. Dizem, porém, que sua especialidade reside nos lobos. Ela se arrasta sorrateira e esquadrinha as montanhas (...), leitos secos de rios, à procura de ossos de lobos e, quando consegue reunir um esqueleto inteiro, quando o último osso está no lugar e a bela escultura branca da criatura está disposta à sua frente, ela senta junto ao fogo e pensa na canção que irá cantar. Quando se decide, ela se levanta e aproxima-se da criatura, ergue seus braços sobre o esqueleto e começa a cantar. É aí que os ossos das costelas e das pernas do lobo começam a se forrar de carne, e que a criatura começa a se cobrir de pelos. La Loba canta um pouco mais, e uma proporção maior da criatura ganha vida. Seu rabo forma uma curva para cima, forte e desgrenhado. La Loba canta mais, e a criatura-lobo começa a respirar. E La Loba ainda canta, com tanta intensidade que o chão do deserto estremece, e enquanto canta, o lobo abre os olhos, dá um salto e sai correndo pelo desfiladeiro. Em algum ponto da corrida, quer pela velocidade, por atravessar um rio respingando água, quer pela incidência de um raio de sol ou de luar sobre seu flanco, o lobo de repente é transformado numa mulher que ri e corre livre na direção do horizonte. Por isso, diz-se que, se você estiver perambulando pelo deserto, por volta do pôr-do-sol, e quem sabe esteja um pouco perdido, cansado, sem dúvida você tem sorte, porque La Loba pode simpatizar com você e lhe ensinar algo — algo da alma.
(Fonte: ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos. Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem . Tradução Waldéa Barcellos. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1994, pg. 43-44.)
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Analise os enunciados e assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas abaixo.
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De acordo com o texto e a Norma Culta da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta:
Texto associado
Leia o texto e responda às perguntas. Infestação de escorpiões no Brasil pode ser imparável A infestação de escorpião no Brasil é o exemplo perfeito de como a vida moderna se tornou imprevisível. É uma característica do que, no complexo campo de problemas, chamamos de um mundo “VUCA” (Volatility, uncertainty, complexity and ambiguity em inglês) – um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Escorpiões, como as baratas que eles comem, são uma espécie incrivelmente adaptável. O número de pessoas picadas em todo o Brasil aumentou de 12 mil em 2000 para 140 mil no ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde. A espécie que aterroriza os brasileiros é o perigoso escorpião amarelo, ou Tityus serrulatus. Ele se reproduz por meio do milagre da partenogênese, significando que um escorpião feminino simplesmente gera cópias de si mesma duas vezes por ano – nenhuma participação masculina é necessária. A infestação do escorpião urbano no Brasil é um clássico "problema perverso". Este termo, usado pela primeira vez em 1973, refere-se a enormes problemas sociais ou culturais como pobreza e guerra – sem solução simples ou definitiva, e que surgem na interseção de outros problemas. Nesse caso, a infestação do escorpião urbano no Brasil é o resultado de uma gestão inadequada do lixo, saneamento inapropriado, urbanização rápida e mudanças climáticas. No VUCA, quanto mais recursos você der para os problemas, melhor. Isso pode significar tudo, desde campanhas de conscientização pública que educam brasileiros sobre escorpiões até forças-tarefa exterminadoras que trabalham para controlar sua população em áreas urbanas. Os cientistas devem estar envolvidos. O sistema nacional de saúde pública do Brasil precisará se adaptar a essa nova ameaça. Apesar da obstinada cobertura da imprensa, as autoridades federais de saúde mal falaram publicamente sobre o problema do escorpião urbano no Brasil. E, além de alguns esforços mornos em nível nacional e estadual para treinar profissionais de saúde sobre o risco de escorpião, as autoridades parecem não ter nenhum plano para combater a infestação no nível epidêmico para o qual ela está se dirigindo. Temo que os escorpiões amarelos venenosos tenham reivindicado seu lugar ao lado de crimes violentos, tráfico brutal e outros problemas crônicos com os quais os urbanitas no Brasil precisam lidar diariamente. * Hamilton Coimbra Carvalho é pesquisador em Problemas Sociais Complexos, na Universidade de São Paulo (USP). T e x t o a d a p t a d o d e R e v i s t a G a l i l e u ( h t t p s : / / r e v i s t a g a l i l e u . g l o b o . c o m / C i e n c i a / M e i o - Ambiente/noticia/2019/02/infestacao-de-escorpioes-no-brasil- pode-ser-imparavel-diz-pesquisador.html)
Observe o emprego do acento grave indicador de crase nas seguintes frases:
I. A Secretaria de Saúde ofereceu um curso gratuito ______ que moram nas áreas mais afetadas pelo aumento do número de escorpiões.
II. Ainfestação chegou ____ cidade onde nasci.
III. No documento também se fazia referência ____ crianças picadas por cobras. A opção que completa corretamente as lacunas é:
Texto associado
Pedro Nava expõe lado humano da medicina MOACYR SCLIAR Estudante de medicina, assisti em Porto Alegre a uma conferência de um então famoso reumatologista, o doutor Pedro Nava (1903-1984). Àquela altura eu já escrevia, e julgava-me razoavelmente familiarizado com a literatura brasileira. Mas eu não conhecia Nava como escritor. Explicável: era o típico poeta bissexto. Publicava raramente, ainda que tivesse estreado em 1924 com os modernistas mineiros e ainda que Pablo Neruda tivesse considerado o seu "Defunto" ("Meus amigos, tenham pena/ senão do morto, ao menos dos sapatos do morto/ dos seus incríveis, patéticos/ sapatos pretos de verniz") o maior poema da língua portuguesa. Agora, o sobrinho de Pedro Nava, o também médico Paulo Penido, reúne, em "O Anfiteatro", textos sobre medicina, na maioria extraídos da obra memorialística de Nava, que aliás fazia uma diferença entre memorialista ("conta o que quer") e historiador ("deve contar o que sabe "). Mas, sendo memorialista, Nava é também historiador, não só porque alude a episódios como a Revolução de 1932, como também porque suas memórias evocam a trajetória da medicina ao longo de boa parte do século 20, graças a uma abrangente experiência, iniciada no interior de Minas: "Clínico de roça, fui médico, operador e parteiro (...). Entrei em todas as casas, desde a choça do sertão e do barraco dos morros aos solares dos ricos e aos palácios presidenciais. Vi todas as agonias da carne e da alma. Todas as misérias do pobre corpo humano". Descreve depois as aventuras do dr. Egon (que, como o nome sugere, funciona como alter ego), o atendimento realizado em condições precárias: para fazer um parto, o médico precisa primeiro remover folhas de urucum colocadas na vagina da parturiente; para atender um enfermo, retira o cataplasma de bosta de vaca nele colocado. E os desafios são grandes, nesta área de doenças endêmicas, em que a malária é frequente. Mais tarde, Pedro Nava se muda para o Rio, torna-se chefe da Policlínica Central (o "Anfiteatro" do título é o lugar onde ele organizava as reuniões clínicas). Médicos-escritores não são figuras raras na história da medicina: foi o caso de Rabelais, de Anton Tchekov, de Conan Doyle, de Miguel Torga, de Jorge de Lima, de Guimarães Rosa. Também não são raras obras literárias sobre médicos e pacientes, como "A Montanha Mágica", de Thomas Mann, ou "O Alienista", de Machado de Assis . Pedro Nava inscreve-se assim numa tradição ilustre - e necessária, numa época em que os aspectos tecnológicos da medicina se acentuam cada vez mais, em detrimento do lado humanístico. Muitas faculdades de medicina estão, por isso, estimulando seus alunos a ampliar sua cultura literária, dentro do que se cham a "humanidades médicas". "O médico", diz Nava, "precisa duma grande curiosidade de si mesmo e de suas reações diante das doenças e dos doentes". Para esta curiosidade, para esse interesse, "O Anfiteatro" é uma bela resposta. https://www1 .folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2109200218.htm
Observe o emprego do acento grave indicador de crase no trecho a seguir: “Àquela altura eu já escrevia, e julgava-me razoavelmente familiarizado com a literatura brasileira.” Ele foi, também, corretamente usado em:
Texto associado
Observe o emprego do acento grave indicador de crase nas seguintes frases:
I. A Secretaria de Saúde ofereceu um curso gratuito ______ que moram nas áreas mais afetadas pelo aumento do número de escorpiões.
II. A infestação chegou____cidade onde nasci.
III. No documento também se fazia referência____ crianças picadas por cobras. A opção que completa corretamente as lacunas é:
Texto associado
TEXTO “Viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A Lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher. Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tirilando.” O cortiço, Aluísio de Azevedo.
Em “como se voltasse à vida”, o uso do acento indicativo de crase está correto, do ponto de vista gramatical. Assinale a alternativa que também apresenta um emprego correto do acento grave:
Em “No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação À comida.”, o termo em destaque leva o sinal indicativo da crase pela mesma razão que em:
Texto associado
TEXTO I Eu amo os meus defeitos. E você? Deveria... Mônica Salgado 01 A questão que se coloca neste texto é: somos programados para querer tudo. Sem isso ou 02 aquilo. É isso e aquilo. Com roupas de grife, conta bancária polpuda, férias descoladas, coach, 03 masterclass com o Karnal, amigos fiéis e divertidos, um propósito profissional e muita meditação. 04 Ah, e a regra é clara: não postou, não aconteceu. Viver para dentro não tem a menor graça, não 05 dá likes nem gera engajamento. Fomos da sociedade do ser ___ sociedade do ter. Chegamos 06 agora ___ sociedade do parecer. Só aparece o que parece ser bom. Só parece ser bom o que 07 aparece. 08 Num mundo de culto excessivo ___ positividade superficial das redes sociais; de ode ___ 09 gratidão suprema (pedir? Nunca! Afinal, já temos tanto); num planeta onde a grama verde do 10 vizinho é vista através de olhos míopes com óculos cor de rosa, felicidade, fama e sucesso 11 parecem prêmios certeiros de uma existência robótico-ensaiada. Se você não chegou lá, não 12 agradeceu o suficiente. Não meditou como poderia. Ou não leu a autoajuda best-seller da vez. 13 Sentiu raiva, inveja, cobiçou algo de alguém. Logo, não merece ser agraciado com a plenitude 14 que só abençoa os perfeitinhos bem-intencionados e politicamente corretos que habitam o 15 mundo digital. 16 Basicamente, se eu não realizo o que desejo num mundo que anuncia tudo ser possível, é 17 como se a deficiência fosse minha. Certo? NÃO!!! Não há nada mais humano do que a falta, a 18 falha, a deficiência, a fraqueza, a síndrome de impostor, a sombra, o lado B. Por que, então, 19 pega tão mal admitir que sentimos isso tudo? 20 E tudo bem não estar sempre bem – ainda que você pareça a única. Minha alma é 21 bifurcada. Tem sombra e tem luz. Kharma e dharma. Não sou caricatura de Instagram: sou real. 22 Me deixem, portanto, na minha sombrinha ocasional em paz. Me deixem lamber as feridas que, 23 numa boa, só eu sei que tenho. Com licença: deixem-me xingar, me lamentar, autodepreciar, 24 chorar... Valorizo minhas bênçãos, mas reverencio minhas fraquezas também. Graças a esse 25 combo, eu sou eu. 26 Que saibamos, eu e você, aceitar, acolher e amar isso em nós. Isso é, afinal, ser humano! Excerto adaptado. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/
Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 05, 06 e 08 (duas ocorrências):
Texto associado
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Por que a depressão é mais comum em mulheres? Novo estudo tenta responder Maria Tereza Santos 01 O sexo feminino possui um risco quase duas vezes maior de desenvolver a depressão. 02 Pois um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, investigou a fundo o cérebro 03 de homens e mulheres para tentar desvendar possíveis mecanismos biológicos por ........ disso. 04 Os pesquisadores recrutaram 115 indivíduos saudáveis (69 mulheres e 46 homens). Eles 05 foram separados em dois grupos: um deveria in ? erir pequenas doses de endotoxinas 06 (substâncias que promovem uma inflamação cerebral controlada), e o outro tomava um 07 placebo. 08 Duas horas depois, todos os participantes executaram uma tarefa que visava testar o 09 sistema de recompensa do cérebro — um conjunto de estruturas que promove a sensação de 10 prazer e que, na depressão, é inibido. Enquanto isso, a massa cinzenta dos voluntários era 11 monitorada por um aparelho de ressonância magnética funcional. 12 Com base nas informações dos exames, os cientistas constataram que , nas mulheres que 13 haviam recebido aquela substância inflamatória, a atividade do tal sistema de recompensa 14 diminuiu, o que não aconteceu com os homens que tomaram as endotoxinas e com todo o 15 grupo placebo. 16 “Isso sugere que mulheres com distúrbios crônicos inflamatórios podem ser 17 particularmente vulneráveis __ desenvolver depressão através da diminuição da sensibilidade 18 __ recompensas”, arremata, em comunicado __ imprensa, a psicóloga Mona Moieni, 19 da Universidade da Califórnia, que liderou a análise. 20 Limitações da investigação 21 Apesar dos resultados serem significativos, é importante analisá-los com cuidado. “Os 22 autores su ? erem que os achados explicariam a maior prevalência da doença em mulheres, mas 23 isso não pode ser concluído através da pesquisa”, comenta o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da 24 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Certamente fatores genéticos e hormonais 25 também devem influir aí”, completa. 26 Um trabalho de 2017 que contou com a participação de Nardi, por exemplo, mostra que 27 o DNA pode estar por ........ dos processos inflamatórios que desencadeariam certos transtornos 28 mentais. Nesse levantamento, os experts avaliaram marcadores genéticos e inflamatórios em 29 pacientes que já haviam tentado o suicídio. 30 “Demonstramos que a carga genética talvez dificulte o bom funcionamento cerebral em 31 situações de estresse, favorecendo a reação inflamatória e agravando o quadro depressivo”, 32 explica o psiquiatra. 33 Por que as mulheres são mais propensas à depressão 34 Segundo Nardi, em geral, esse transtorno surge da interação de fatores genéticos com o 35 estresse. “Depois da primeira crise, parece que a doença segue um curso próprio. Os fatores 36 ambientais e emocionais vão perdendo a capacidade de influir”, complementa o professor. 37 Acontece que a genética e a flutuação hormonal seriam mais preponderantes no 38 desenvolvimento da doença entre o sexo feminino. “Antes da menopausa, a incidência de 39 depressão é pelo menos duas vezes maior nas mulheres. Após a menopausa, é a mesma para 40 os dois sexos”, exemplifica Nardi. Isso indica que os hormônios femininos, que caem em 41 concentração depois dessa fase, têm um papel na depressão. 42 Discussões à parte, fica cada vez mais claro que a depressão não surge apenas por causa 46 de aspectos sociais e psicológicos.
(Fonte: https://saude.abril.com.br – 11 jun 2019 – adaptação)
(Fonte: https://saude.abril.com.br – 11 jun 2019 – adaptação)
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 17 e 18 (duas ocorrências), considerando a necessidade ou não do uso da crase.
Texto associado
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. A palavra é o bem mais precioso do trabalho do médico JJ Camargo 01 Nas visitas aos leitos com estudantes , é rotina que se faça um resumo do caso, antes que 02 entremos no quarto, para que os alunos tenham uma noção do que irão encontrar. 03 Era um grupo de oito jovens, _________ de Medicina , e a introdução foi _________: 04 — Vamos agora conhecer o Guilherme, de 57 anos , que tem um câncer avançado de 05 esôfago, que tratou com quimioterapia e radioterapia, com uma resposta pobre, e a doença 06 evoluiu até o surgimento de pelo menos três metástases cerebrais. É um paciente em fase 07 terminal da doença, com um emagrecimento impressionante. 08 Um dos alunos, visivelmente ________, perguntou: 09 — E o coitado ainda está consciente? 10 A confirmação de que sim resultou em três abandonos da visita. Uma doutora justificou: 11 — Eu não saberia o que dizer, muito menos o que perguntar, e eu choro com muita 12 facilidade, o que acho que só iria deprimi-lo mais ainda. 13 Achei que a visita com o grupo rachado não valeria a pena, e voltamos para a sala de 14 reuniões, para uma espécie de pausa emocional, a fim de organizarmos nossas cabeças e 15 nossos sentimentos. 16 Era evidente, pela ansiedade coletiva, que a dificuldade aparentemente intransponível que o 17 grupo _________ era a ausência de palavras adequadas. E a palavra, como se sabe, é o mais 18 precioso instrumento de trabalho do médico, porque é através dela que conquistamos confiança 19 ou plantamos incerteza , que somos acolhidos ou _________ , que oferecemos parceria ou nos 20 perdemos na ilusão de que o paciente dará __ tecnologia o mesmo valor com que a 21 reverenciamos. 22 Quando a doutora que se confessara chorona relatou duas experiências prévias em que não 23 conseguira sequer que os pacientes fixassem o olho nela, ficou claro que tínhamos de redefinir 24 como a proximidade da morte é vista pelo doente. Porque, se isso for entendido, ficará 25 compreensível a irritação do paciente com o discurso falacioso do médico ao descrever o que 26 será feito para que desfrute um tempo que ele reconhece, pela percepção de sua fraqueza 27 orgânica, como impossível: o futuro. 28 Ser médico nessa hora é entender que o fim da vida é reconhecível com a maior certeza 29 pelo paciente, e tudo o que lhe interessa, nesse estágio, é como manejar o passado com suas 30 sombras e dúvidas, e mentiras e traições, e culpas e remorsos. E o médico que pretenda 31 escalar esse degrau superior da medicina é o que se oferece para ajudá-lo a apaziguar seus 32 demônios, para que ele morra em paz. 33 Quando saía do hospital, dei uma última espiada; a doutora estava sentada na cama do seu 34 Guilherme e lhe segurava uma das mãos. Quando ela comentou que "neste andar, não tem 35 ninguém com netos tão lindos no porta-retratos!", ele sorriu, e ofereceu-lhe __ segunda mão 36 para que ela segurasse. Tomara que ela tenha chorado, porque terá descoberto, bem cedo na 37 vida, o quanto o choro médico é bom de chorar. Texto adaptado. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br