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“André e Pedro são professores de História e estão elaborando o programa curricular das séries para as quais irão lecionar. Enquanto André se dedica a pensar ‘como’ vai ensinar a lista de conteúdos que elencou, Pedro o interrompe a todo momento, propondo que reflitam sobre por que ensinar tal conteúdo e não outro.” Sobre as possíveis concepções acerca do currículo escolar dos dois professores, analise as afirmativas a seguir.

I. André se aproxima mais das teorias tradicionais do currículo, buscando formas de transmitir os conteúdos tidos como inquestionáveis.

II. Pedro se aproxima mais das teorias críticas e pós-críticas do currículo, que estão preocupadas com as conexões entre saber, identidade e poder.

III. André e Pedro traduzem concepção próxima às teorias tradicionais do currículo, preocupando-se com “o quê” ensinar. Está correto somente o que se afirma em:

A I;
B II;
C III;
D I e II;
E I e III.

Leia o fragmento a seguir. “Os novos currículos concentram-se em torno das competências que os alunos deverão adquirir, para que possam vir a ser cidadãos de pleno direito, informados e capazes de operar mudanças sociais que se vislumbrem necessárias.” Para a organização do currículo por competências é necessário

A considerar os conhecimentos como recursos a serem mobilizados.
B garantir a compartimentação disciplinar.
C praticar uma avaliação classificatória da aprendizagem.
D responsabilizar o professor pela elaboração e avaliação dos projetos de trabalho.
E evitar o surgimento e a discussão de problemas.

“Em uma reunião pedagógica os professores do ensino fundamental estavam elaborando os planejamentos para o ano seguinte. Ao ver que muitos deles se dedicavam a escrever listas de conteúdos, a coordenadora pedagógica propôs que eles trocassem a questão ‘quais conteúdos devemos trabalhar’ para ‘quais competências devemos desenvolver’, ao planejarem.” Para trabalhar em uma organização curricular por competências, é necessário:

A limitar drasticamente a quantidade de conhecimentos ensinados e exigidos;
B priorizar conteúdos que possam ser memorizados;
C privilegiar a transmissão de conhecimento;
D promover a reflexão especulativa e idealista na elaboração dos currículos escolares;
E definir os conhecimentos a serem ensinados.

Fernanda, professora do ensino fundamental, argumentou em uma reunião de planejamento curricular: “O currículo não se esgota nos componentes curriculares e nas áreas de conhecimento.” De acordo com os fundamentos das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, assinale a opção que melhor explica o argumento utilizado pela professora.

A Uma vez que todas as vivências proporcionadas pela escola veiculam valores, atitudes, sensibilidades, orientações e conhecimentos.
B Já que o currículo inclui também as atividades previstas para fixação da aprendizagem.
C Porque se deve considerar como currículo também os objetivos de aprendizagem estabelecidos pelos professores.
D Porque o currículo compreende os componentes curriculares, as áreas de conhecimento e as normas de comportamento.
E Uma vez que se deve também considerar na definição de currículo os conteúdos mínimos que compõem as avaliações externas.

Uma escola pública de atendimento ao primeiro segmento do Ensino Fundamental, localizada em um centro urbano, inclui em seu planejamento anual a discussão sobre a constituição histórica da favela em que está situada. Uma das atividades previstas é um encontro com moradores antigos do local, a maioria avós de alunos, que viveram o processo de constituição local. Essa proposta, no âmbito do currículo:

A é respaldada pela liberdade conferida pela legislação aos sistemas de ensino, no que diz respeito à definição de conteúdos diversificados exigidos pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela;
B cria desconformidade com o previsto na legislação sobre a autonomia dos sistemas de ensino e seus estabelecimentos escolares e sobre a definição dos currículos do Ensino Fundamental;
C impede que as professoras incluam o conteúdo da atividade na avaliação bimestral, já que não faz parte da base nacional comum de currículo e, portanto, não pode ser uma cobrança nas avaliações;
D desqualifica a atuação da escola por não ter como foco a apreensão de conteúdos estabelecidos pela base nacional de currículo;
E é inadequada porque transfere para atores locais a responsabilidade de repasse de conteúdos, o que é função precípua do professor da turma.

“O currículo é sempre o resultado de uma seleção: de um universo mais amplo de conhecimentos e saberes seleciona-se aquela parte que vai construir, precisamente, o currículo. (...) Afinal, um currículo busca precisamente modificar as pessoas que vão ‘seguir’ aquele currículo.” Em relação ao currículo e a organização curricular, considerando o fragmento acima, assinale a afirmativa correta.

A O currículo real é aquele que se materializa dentro do espaço da sala de aula, com professores e alunos, a cada dia.
B As teorias críticas de currículo têm como destaque e ênfase os aspectos pedagógicos de ensino e aprendizagem.
C O currículo formal refere-se às influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural de cada um.
D O currículo é um reflexo e um produto do processo de planejamento escolar, dando visibilidade ao planejamento participativo, em que, por meio de ações descentralizadas, todos os segmentos da escola participam.
E O currículo oculto traz institucionalmente os conjuntos de diretrizes a serem seguidas, traduzido em disciplinas e programas, passado ao professor na forma de guias de ensino, programas e livros didáticos.

Considerando as formas de oferta e de organização da educação, julgue os itens que se seguem. Os conteúdos abordados nos eixos transversais dos currículos são organizados em torno de uma determinada ideia ou eixo que indicam referenciais para o trabalho pedagógico a ser desenvolvido por professores e estudantes, de forma interdisciplinar, integrada e contextualizada.

A Certo
B Errado

Considerando as formas de oferta e de organização da educação, julgue os itens que se seguem. Na perspectiva do currículo, sua transposição à prática depende tão-somente da identificação dos elementos culturais produzidos pela humanidade, distinguindo entre o essencial e o acidental, o principal e o secundário, o fundamental e o acessório.

A Certo
B Errado

“Assim como as tradiç es que definem o que é currículo, o currículo é, ele mesmo, uma prática discursiva. Isso significa que ele é uma prática de poder, mas também uma prática de significação, de atribuição de sentidos. Ele constrói a realidade, nos governa, constrange nosso comportamento, projeta nossa identidade, tudo isso produzindo sentidos”. (LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011). A partir da visão pós-estruturalista das práticas curriculares de poder e significação, é correto afirmar que o currículo:

A se constrói na dialética, a partir de imposições e resistências, tendo como atores principais os alunos;
B é um recorte implacável, em que há um processo avassalador de imposições por meio do arbitrário cultural dominante;
C torna inócuas distinções como currículo formal, oculto, vivido, na medida em que tudo isso é parte inalienável das práticas curriculares;
D oculto é a parte intangível do currículo, na medida em que não está colocada nos textos e não é partilhada por todos;
E possui independência das decisões políticas, na medida em que é construído no interior das escolas.

Inês Barbosa de Oliveira afirma que pensar alternativas curriculares como uma possibilidade de contribuição para a emancipação social traz em si dois pressupostos. Um deles refere-se à definição de currículo. Para a autora, adepta de uma visão pós-estruturalista, o currículo deve ser compreendido como criação:

A dos sujeitos que compõem o norte epistemológico e impõem indelevelmente seus saberes a outros que se encontram em situações de miséria social e intelectual;
B das estruturas do Estado totalitário, que se propõe a dirigir as nações em direção a uma sociedade mais justa para todos e todas;
C cotidiana daqueles que fazem as escolas e como prática que envolve todos os saberes e processos interativos do trabalho pedagógico realizado por alunos e professores;
D dos intelectuais ligados aos governos centrais e que deve ser posta em ação pelos profissionais da educação nas escolas, apresentando seus resultados através das avaliações externas;
E dos movimentos sindicais, dos movimentos sociais e dos sindicatos ligados aos profissionais da educação que conhecem as realidades dos sistemas de ensino do país.