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Em relação ao debate acerca da Questão Social, analise as assertivas a seguir:

I. Refere-se ao conjunto de desigualdades oriundas de todos os modos de produção existentes até hoje na historia das sociedades.

II. Não e um problema isolado, mas uma consequência da acumulação capitalista.

III. Consiste, também, na rebeldia do proletariado na arena política. Estão CORRETAS:

A Apenas l e ll.
B Apenas l e lll.
C Apenas II e III.
D I, II e III.
Texto associado
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. Estudo mostra que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres. As mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que os homens em tarefas domésticas e cuidados, o que representa mais de mil horas dedicadas com o outro - filho, marido, pais - mas não remunerado e invisível socialmente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Anualmente, são mais de mil horas dedicadas a um trabalho fundamental para a sociedade, que é o cuidado com o outro - filho, marido ou pais -, um trabalho não remunerado e invisível socialmente. Estudo conduzido por pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) revela que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, principalmente filhas, cônjuges e netas, com média de idade de 48 anos. O fenômeno ocorre no mundo inteiro. Mulheres e meninas são as mais afetadas na vida profissional e nos estudos, por conta dos cuidadoS segundo a pesquisadora Valquiria Elita Renk, professora do Programa de Pos-Graduação em Dir Humanos e Políticas Públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), uma das autoras do trabalho. "Uma mulher para de estudar para cuidar dos irmãos, dos trabalhos domésticos. Faz isso todos os dias e, quando termina, recomeça no dia seguinte. É um trabalho que não tem fim, diz Valquiria." Para a pesquisadora, o trabalho do cuidado tem forte cunho cultural no Brasil. Políticas públicas Alguns países, porém, já têm políticas de apoio aos cuidadores. Na Finlândia e na Dinamarca, por exemplo, os assistentes domésticos e de serviços são pagos pela municipalidade. Na França, Áustria, Alemanha e Holanda também há custeio a alguns serviços feitos por assistentes. No Reino Unido e na Irlanda, o Estado compensa a perda da renda durante o período em que a pessoa presta assistência a um familiar. Na Espanha, existe a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção às pessoas em situação de dependência, que inclui a compensação econômica para os cuidadores familiares. "No Brasil, a coisa está muito tímida ainda. Nós temos a Política Nacional do Cuidado, instituída no final de 2024, que está sendo ainda implementada." A professora defende que muito mais do que só pagar pelo trabalho das mulheres, é preciso que isso seja reconhecido socialmente e que as cuidadoras recebam uma compensação financeira para que não tenham toda essa sobrecarga de trabalho. Valquiria chama a atenção para o fato de que, no cuidado com o filho ou um idoso, não é só chegar lá e ministrar o remédio, a comida, a higienização. Tem toda uma relação afetiva que se forma em torno dessas pessoas. O ideal seria que o cuidado fosse reconhecido como um trabalho, e a pessoa pudesse contar com esse período para a aposentadoria. Na América do Sul, o Uruguai já possui lei que permite à mulher se aposentar mais cedo, de acordo com um número limite de filhos. Segundo a pesquisadora, trata-se de um trabalho invisível que ninguém quer fazer e as mulheres fazem no silêncio, na casa delas. "Como mulher, a gente vai fazendo, internaliza tanto isso que passa a fazer parte da nossa vida. As donas de casa não deixam de ser também cuidadoras, porque cuidam para que os filhos tenham saúde, sejam bem alimentados, que o marido também tenha alimentação, que a roupa dele esteja limpa para ele ir para o trabalho." O trabalho do cuidado é fundamental para a sociedade, porque ele mantém a engrenagem funcionando. [...[

Com base nas informações do texto, é possível inferir que o trabalho de cuidado realizado majoritariamente por mulheres:

A ocorre somente entre mulheres de idade avançada, já afastadas do mercado de trabalho.
B tende a desaparecer com a implementação integral da Política Nacional do Cuidado.
C produz impactos apenas emocionais, sem interferir na vida profissional ou acadêmica das mulheres.
D é reconhecido institucionalmente no Brasil de modo suficiente para reduzir a desigualdade de gênero.
E está relacionado a uma estrutura cultural que naturaliza sua atribuição às mulheres e contribui para sua invisibilidade social.

A persistência da desigualdade racial no Brasil está enraizada em um legado histórico de escravidão, marginalização e teorias pseudocientíficas de hierarquização racial. Essa desigualdade manifesta-se em indicadores sociais, econômicos e de violência, revelando um racismo estrutural que perpassa as instituições públicas e privadas. Com base nessas informações e nos fundamentos da Sociologia Política e da Teoria Crítica, assinale a afirmativa correta.

A O racismo estrutural é um conceito que descreve apenas atos intencionais de preconceito racial, sendo desnecessário considerar a estrutura histórica e institucional do Estado para compreendê-lo ou enfrentá-lo.
B O Protocolo com Perspectiva de Raça, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça, tem como objetivo principal orientar a Magistratura a reconhecer e considerar os marcadores raciais em suas decisões, promovendo a equidade racial no acesso à justiça e o enfrentamento do racismo institucional.
C A escravidão no Brasil, ao ser abolida formalmente em 1888, não deixou legados significativos para a estrutura de desigualdade racial atual, uma vez que todos os cidadãos passaram a ter igualdade de oportunidades desde então.
D As políticas de ação afirmativa adotadas no Brasil, como cotas raciais em universidades e concursos públicos, vêm sendo progressivamente declaradas inconstitucionais pelo STF por violarem o princípio da isonomia formal previsto na Constituição Federal.
E As teses de eugenia e hierarquia racial que circularam no Brasil nos séculos XIX e XX foram adotadas exclusivamente por grupos marginais e nunca influenciaram as políticas públicas ou o pensamento intelectual dominante da época.

Leia o trecho a seguir. A discussão sobre interseccionalidade tem ocupado um espaço importante na pesquisa de gênero. O reconhecimento de que formas sexuais de injustiça são, por um lado, análogas e, por outro, empiricamente entrelaçadas com outras formas de injustiça - como as relacionadas a "raça", etnia e religião - encontra nesse conceito sua expressão teórica. Tanto racismos quanto sexismos podem ser entendidos como fenômenos complexos de poder que operam no contexto de atribuição de diferenças categoriais. Mesmo que não seja sempre necessariamente assim, eles frequentemente funcionam por meio de referências a características corporais e, portanto, por meio de referências a supostas certezas biológicas. É por isso que atribuições de diferença de cunho racista ou sexista são geralmente atribuições de diferenças naturalizadas que exigem validade atemporal ou pelo menos por longos períodos. Nesse sentido também as formas racistas e sexistas de poder são diferentes daquelas que operam vinculadas a relações de classe ou de produção. Adaptado de: KERNER , Ina. T udo é interseccional? Sobre a relação entre racismo e sexismo. Novos estud. CEBRAP

( 93 ), 2012, pp. 45- 46. Assinale a afirmativa que descreve corretamente a interpretação da autora sobre as abordagens interseccionais nos estudos sociológicos.

A A autora entende a abordagem como uma maneira de conectar diferentes formas de injustiça social.
B A autora entende que a abordagem revela a diferenciação instransponível entre determinadas categorias sociais.
C A autora entende que a abordagem evidencia a possibilidade de mobilidade social em todas os grupos marginalizados.
D A autora entende a abordagem como uma forma de igualar as diferentes formas de marginalizações.
E A autora entende a abordagem como um procedimento de conceituação simplificada e unidimensional.

Assinale a afirmativa que descreve corretamente os estudos de gênero como categoria analítica para estudos sociológicos.

A Os estudos de gênero emergiram como fruto dos movimentos sociais liderados por mulheres e outros grupos marginalizados.
B Os estudos de gênero se consolidaram na sociologia ao estabelecer a dicotomia entre os elementos biológicos e os sociais.
C Os estudos de gênero têm como objetivo principal compreender as dinâmicas sociais relacionadas às mulheres, em detrimento das que envolvem os homens.
D Os estudos de gênero surgem como uma resposta à passividade das mulheres diante das violências que sofriam, especialmente em períodos de maior repressão.
E Os estudos de gênero, no âmbito da sociologia, buscam unificar as reflexões feministas e as teorias, procurando evitar conflitos de interpretações sobre o conceito.

Considere a situação hipotética relatada a seguir. No mercado de trabalho de um determinado país, pessoas negras têm, em média, nível de escolaridade semelhante ao de pessoas brancas, mas recebem salários significativamente mais baixos para os mesmos cargos e têm menos chances de ocupar posições de liderança, uma vez que os processos de recrutamento, promoção e avaliação de desempenho são fortemente influenciados por estereótipos raciais e redes de contato que excluem candidatos racializados. É correto afirmar que a situação relatada exemplifica um caso de

A discriminação sistêmica , pois é um tipo de discriminação enraizada nas estruturas sociais, políticas e econômicas de uma sociedade, resultando em desigualdades e oportunidades limitadas para grupos raciais minoritários.
B discriminação institucional, pois refere-se a políticas, normas e sistemas que discriminam ou beneficiam certos grupos raciais, em determinadas instituições.
C discriminação interpessoal, pois ocorre quando uma pessoa é tratada de forma injusta ou inferiorizada com base em sua origem, por outra pessoa ou grupo de pessoas.
D discriminação racial no emprego, pois resulta de atos individuais e intencionais de preconceito com base em características raciais em um ambiente laboral.
E discriminação racial na aplicação da lei, pois trata-se de violação das leis trabalhistas, gerando desigualdades com base em perfis racializados.

Leia o trecho a seguir. Mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor varia de 0, quando não há desigualdade (a renda domiciliar per capita de todos os indivíduos tem o mesmo valor), a 1, quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda). O universo de indivíduos é limitado àqueles que vivem em domicílios particulares permanentes. Com base na descrição, assinale o indicador ao qual o trecho se refere.

A Índice de Gini.
B Índice de Theil – L.
C Proporção de vulneráveis à pobreza.
D Produto Interno Bruto (PIB) per capita .
E Índice de Pobreza Multidimensional (IPM).

Joana é uma mulher negra que trabalha como empregada doméstica desde os 14 anos. Apesar de ter se alfabetizado ainda criança, Joana não teve acesso à educação formal contínua, por ser a principal provedora de renda em sua família. A trajetória de Joana reflete o fenômeno da:

A discriminação de gênero, caracterizada por desigualdades baseadas no fato de a pessoa ser mulher;
B discriminação racial, relacionada ao preconceito e à exclusão baseados na raça ou identidade étnico-racial;
C discriminação etária, identificada quando pessoas são prejudicadas em razão da sua idade, especialmente no acesso a direitos e oportunidades;
D discriminação de classe, que se refere às desigualdades econômicas e sociais decorrentes da posição que o indivíduo ocupa na estrutura produtiva;
E discriminação múltipla ou agravada, que ocorre quando diferentes fatores, como raça, gênero e classe, interagem concomitantemente na produção de desigualdades.

A respeito das iniquidades raciais na atenção às puérperas no Brasil, leia o trecho a seguir. “As puérperas de cor preta apresentaram maior risco de terem um pré-natal inadequado, falta de vinculação à maternidade, ausência de acompanhante e peregrinação para o parto, em comparação às puérperas brancas. As pretas também receberam menos orientação durante o pré-natal sobre o início do trabalho de parto e sobre possíveis complicações na gravidez. Apesar de terem menor chance para uma cesariana e de intervenções dolorosas no parto vaginal, em comparação às brancas, as mulheres pretas receberam com menor frequência anestesia local.” (Adaptado de LEAL, Maria, et. al. “A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil”. Cadernos de Saúde Pública 2017; 33 Sup. 1, p. 5) A situação descrita expõe um caso de desigualdade racial no atendimento a mulheres grávidas no serviço de saúde. Esse tipo de situação ilustra o fenômeno conceituado como:

A racismo científico, que se expressa na avaliação negativa da capacidade física das mulheres afrodescendentes ao classificá-las como mais fracas e débeis;
B racismo cultural, que desconsidera as práticas tradicionais próprias das mulheres afrodescendentes, como a escolha de realizar o parto em casa, de acordo com seus costumes;
C racismo institucional, que se manifesta na oferta de um atendimento inferior e inadequado às mulheres afrodescendentes, em razão de sua cor;
D racismo estrutural, que se revela de forma pontual nas condutas individuais e varia conforme as experiências das mulheres afrodescendentes;
E racismo recreativo, que se apresenta por meio de expressões supostamente humorísticas que reforçam estereótipos negativos e contribuem para a inferiorização das mulheres afrodescendentes.

O governo federal instituiu a Lei nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas, que determinou a reserva de 50% das vagas em universidades federais e institutos federais de educação superior e técnica para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. A política adota também critérios de renda e de cor ou etnia para a distribuição das vagas, com o objetivo de promover maior equidade no acesso ao ensino superior. A legislação foi recentemente atualizada, com a ampliação de sua vigência e ajustes que priorizam o apoio estudantil a alunos em situação de maior vulnerabilidade social. A Lei de Cotas pode ser caracterizada como uma política:

A distributiva, destinada a uma parcela específica da população;
B compensatória, visando a corrigir desigualdades históricas e sociais;
C assistencialista, já que oferece um benefício imediato e direto aos cotistas;
D constitutiva, já que busca alterar o desenho institucional do sistema educacional de nível superior;
E emancipatória, buscando transformar estruturalmente as condições sociais que provocam exclusão.