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Texto associado
Texto I Naquele tempo o mundo era ruim. Mas depois se consertara, para bem dizer as coisas ruins não tinham existido. No jirau da cozinha arrumavam-se mantas de carne-seca e pedaços de toicinho. A sede não atormentava as pessoas, e à tarde, aberta a porteira, o gado miúdo corria para o bebedouro. Ossos e seixos transformavam-se às vezes nos entes que povoavam as moitas, o morro, a serra distante e os bancos de macambira. Como não sabia falar direito, o menino balbuciava expressões complicadas, repetia as sílabas, imitava os berros dos animais, o barulho do vento, o som dos galhos que rangiam na catinga, roçando-se. Agora tinha tido a ideia de aprender uma palavra, com certeza importante porque figurava na conversa de sinha Terta. Ia decorá-la e transmiti-la ao irmão e à cachorra. Baleia permaneceria indiferente, mas o irmão se admiraria, invejoso. - Inferno, inferno. Não acreditava que um nome tão bonito servisse para designar coisa ruim. E resolvera discutir com sinha Vitória. Se ela houvesse dito que tinha ido ao inferno, bem. Sinha Vitória impunha-se, autoridade visível e poderosa. Se houvesse feito menção de qualquer autoridade invisível e mais poderosa, muito bem. Mas tentara convencê-lo dando-lhe um cocorote, e isto lhe parecia absurdo. Achava as pancadas naturais quando as pessoas grandes se zangavam, pensava até que a zanga delas era a causa única dos cascudos e puxavantes de orelhas. Esta convicção tornava-o desconfiado, fazia-o observar os pais antes de se dirigir a eles. Animara-se a interrogar sinha Vitória porque ela estava bem-disposta. Explicou isto à cachorrinha com abundância de gritos e gestos. (RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2009, p. 59-60)

Em “No jirau da cozinha arrumavam-se mantas de carne-seca e pedaços de toicinho.” (1º§), ao analisar sintaticamente a oração, deve-se classificar seu sujeito como:

A simples.
B indeterminado.
C oculto/ desinencial.
D composto.
Texto associado
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. O que faz as coisas darem certo Duas pessoas. Ambas têm a mesma escolaridade. A mesma origem social. As mesmas oportunidades. Por que a vida é generosa com uma e fecha a cara para a outra? O destino e a sorte têm pouco a ver com isso. O que tem a ver é o nosso comportamento. Coisas simples nas quais não prestamos atenção alguma. Coluna assumidamente autoajuda, aproveite a promoção. Vou me demorar no que me parece mais importante: a forma com que cada um se comunica. A maioria dá o seu recado muito mal. Não estou me referindo apenas ao uso correto do português. A pessoa pode ser um acadêmico e mesmo assim ser um desastre ao transmitir o que pensa e o que deseja. Tampouco estou falando de sedução, xaveco. Estou falando de convocação para reuniões, convite para eventos, e-mails profissionais, bilhete para funcionários, mensagens de WhatsApp, postagens no perfil do Face e, claro, as conversas, todas elas: presenciais, telefônicas, gravação de áudios. A gente simplesmente reluta em deixar as coisas esclarecidas, não dá a informação completa, não contextualiza. É tudo racionado, fragmentado, e a culpa nem é dos atuais vícios tecnológicos: ser preguiçoso na comunicação vem da pré-história. Sempre foi assim. As pessoas acreditam que as outras são adivinhas, têm bola de cristal. “Olá, desculpe o atraso da resposta, muita correria, mas vamos em frente, queremos muito fechar um bate-papo com você. Pode ser dia 21 de outubro?” Exemplo que extraí da minha caixa de e-mails ontem, assinado por uma desconhecida. Fui checar na minha lista de excluídos se havia algum outro e-mail dela, para tentar descobrir do que se tratava. Havia. De fevereiro, quando ela fez um convite em nome de uma empresa. Ressurgiu agora como se tivesse pedido licença para ir ao banheiro e voltado em 10 minutos. Não, não posso dia 21, obrigada, fica para próxima. Fazemos isso o tempo todo: não nos apresentamos direito, não retornamos contatos, não damos coordenadas, não cumprimos o que prometemos, não deixamos lembretes, não confirmamos presença, não explicamos nossos motivos, não avisamos cancelamentos, não falamos toda a verdade, não tiramos as dúvidas, não perguntamos, não respondemos. Parece tudo tão desnecessário. Aí o universo não coopera e a gente não entende por quê. Além de se comunicar bem, há outros três grandes facilitadores na vida, coisas que interferem no modo como as pessoas nos analisam e que garantem nossa credibilidade: ser pontual, ser responsável e ser autêntico — esta última, das coisas mais cativantes, pois rara. Se o Papa Francisco não é presunçoso, por que raios você seria? É quase inacreditável: as coisas dão certo por fatores que estão totalmente ao nosso alcance. Martha Medeiros

Na frase “Parece tudo tão desnecessário .”, os termos destacados têm, respectivamente, as seguintes funções sintáticas.

A objeto direto/adjunto adnominal.
B núcleo do sujeito/complemento nominal.
C sujeito/predicativo do sujeito.
D sujeito/predicativo do objeto.
E núcleo do sujeito/objeto direto.

A frase abaixo em que a substituição do segmento sublinhado por um advérbio foi feita de forma adequada é:

A Sem que se entendesse o motivo , o convidado aborreceu-sena festa / irresponsavelmente;
B Ia à academia poucas vezes / habitualmente;
C Dirigia com toda a atenção / atenciosamente;
D Mesmo sem estudo realizou a tarefa a contento /Intuitivamente;
E Enfrentou as dificuldades com coragem / ferozmente.

Quanto à classificação, marque a alternativa onde temos um sujeito indeterminado.

A Não havia erros no documento.
B Já houve muitas guerras no Brasil.
C Nesta época, faz muito frio aqui.
D Não se é feliz sem um grande amor.
Texto associado
TEMPOS MODERNOS Não tendo assistido à inauguração dos bonds elétricos, deixei de falar neles. Nem sequer entrei em algum, mais tarde, para receber as impressões da nova tração e contá-las. Daí o meu silêncio da outra semana. Anteontem, porém, indo pela Praia da Lapa, em um bond comum, encontrei um dos elétricos, que descia. Era o primeiro que estes meus olhos viam andar. (...) De repente ouvi vozes estranhas, pareceu-me que eram burros que conversavam, inclinei-me (ia no banco da frente); eram eles mesmos. Como eu conheço um pouco a língua dos Houyhnhnms, pelo que dela conta o famoso Gulliver, não me foi difícil apanhar o diálogo. Bem sei que cavalo não é burro, mas reconheci que a língua era a mesma. O burro fala menos, decerto, é talvez o trapista daquela grande divisão animal, mas fala. Fiquei inclinado e escutei: - Tens e não tens razão, respondia o da direita ao da esquerda. O da esquerda: - Desde que a tração elétrica se estenda a todos os bonds, estamos livres, parece claro. - Claro parece, mas entre parecer e ser, a diferença é grande. (...) O bond elétrico apenas nos fará mudar de senhor. - De que modo? - Nós somos bens da companhia. Quando tudo andar por arames, não somos já precisos, vendem-nos. Passamos naturalmente às carroças. - Pela burra de Balaão! exclamou o burro da esquerda. Nenhuma aposentadoria? Nenhum prêmio? Nenhum sinal de gratificação? Oh, mas onde está a justiça deste mundo? - Passaremos às carroças – continuou o outro pacificamente – onde a nossa vida será um pouco melhor; não que nos falte pancada, mas o dono de um burro sabe mais o que ele lhe custou. Um dia, a velhice, a lazeira, qualquer cousa que nos torne incapaz restituir-nos-á a liberdade... - Enfim! - Ficaremos soltos na rua, por pouco tempo, arrancando alguma erva que aí deixem crescer para recreio da vista. Mas que valem duas dentadas de erva, que nem sempre é viçosa? Enfraqueceremos, a idade ou a lazeira ir-nos-á matando, até que, para usar esta metáfora humana – esticaremos a canela. Então teremos a liberdade de apodrecer. Ao fim de três dias, a vizinhança começa a notar que o burro cheira mal; conversação e queixumes. No quarto dia, um vizinho, mais atrevido, corre aos jornais, conta o fato e pede uma reclamação. No quinto dia sai a reclamação impressa. No sexto dia, aparece um agente, verifica a exatidão da notícia; no sétimo, chega uma carroça, puxada por outro burro, e leva o cadáver. Seguiu-se uma pausa. - Tu és lúgubre, disse o burro da esquerda, não conheces a língua da esperança. - Pode ser, meu colega; mas a esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza sem par. A nossa raça é essencialmente filosófica. Ao homem que anda sobre dois pés, e provavelmente a águia, que voa alto, cabe a ciência da astronomia. Nós nunca seremos astrônomos. Mas a filosofia é nossa. Todas as tentativas humanas a este respeito são perfeitas quimeras. (Machado de Assis, Crônica de 16 de outubro de 1892) Trapista: relativo à ordem religiosa da Trapa, ramo beneditino dos cistercienses, fundada em 1140.

“Pode ser, MEU COLEGA ...” A expressão destacada tem a função sintática de:

A aposto.
B vocativo.
C sujeito.
D objeto direto.
E objeto indireto.
Texto associado
TEMPOS MODERNOS Não tendo assistido à inauguração dos bonds elétricos, deixei de falar neles. Nem sequer entrei em algum, mais tarde, para receber as impressões da nova tração e contá-las. Daí o meu silêncio da outra semana. Anteontem, porém, indo pela Praia da Lapa, em um bond comum, encontrei um dos elétricos, que descia. Era o primeiro que estes meus olhos viam andar. (...) De repente ouvi vozes estranhas, pareceu-me que eram burros que conversavam, inclinei-me (ia no banco da frente); eram eles mesmos. Como eu conheço um pouco a língua dos Houyhnhnms, pelo que dela conta o famoso Gulliver, não me foi difícil apanhar o diálogo. Bem sei que cavalo não é burro, mas reconheci que a língua era a mesma. O burro fala menos, decerto, é talvez o trapista daquela grande divisão animal, mas fala. Fiquei inclinado e escutei: - Tens e não tens razão, respondia o da direita ao da esquerda. O da esquerda: - Desde que a tração elétrica se estenda a todos os bonds, estamos livres, parece claro. - Claro parece, mas entre parecer e ser, a diferença é grande. (...) O bond elétrico apenas nos fará mudar de senhor. - De que modo? - Nós somos bens da companhia. Quando tudo andar por arames, não somos já precisos, vendem-nos. Passamos naturalmente às carroças. - Pela burra de Balaão! exclamou o burro da esquerda. Nenhuma aposentadoria? Nenhum prêmio? Nenhum sinal de gratificação? Oh, mas onde está a justiça deste mundo? - Passaremos às carroças – continuou o outro pacificamente – onde a nossa vida será um pouco melhor; não que nos falte pancada, mas o dono de um burro sabe mais o que ele lhe custou. Um dia, a velhice, a lazeira, qualquer cousa que nos torne incapaz restituir-nos-á a liberdade... - Enfim! - Ficaremos soltos na rua, por pouco tempo, arrancando alguma erva que aí deixem crescer para recreio da vista. Mas que valem duas dentadas de erva, que nem sempre é viçosa? Enfraqueceremos, a idade ou a lazeira ir-nos-á matando, até que, para usar esta metáfora humana – esticaremos a canela. Então teremos a liberdade de apodrecer. Ao fim de três dias, a vizinhança começa a notar que o burro cheira mal; conversação e queixumes. No quarto dia, um vizinho, mais atrevido, corre aos jornais, conta o fato e pede uma reclamação. No quinto dia sai a reclamação impressa. No sexto dia, aparece um agente, verifica a exatidão da notícia; no sétimo, chega uma carroça, puxada por outro burro, e leva o cadáver. Seguiu-se uma pausa. - Tu és lúgubre, disse o burro da esquerda, não conheces a língua da esperança. - Pode ser, meu colega; mas a esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza sem par. A nossa raça é essencialmente filosófica. Ao homem que anda sobre dois pés, e provavelmente a águia, que voa alto, cabe a ciência da astronomia. Nós nunca seremos astrônomos. Mas a filosofia é nossa. Todas as tentativas humanas a este respeito são perfeitas quimeras. (Machado de Assis, Crônica de 16 de outubro de 1892) Trapista: relativo à ordem religiosa da Trapa, ramo beneditino dos cistercienses, fundada em 1140.

O trecho “O burro fala menos, decerto, é talvez o trapista daquela divisão animal, mas fala.”, apresenta período:

A simples.
B composto por coordenação.
C composto por subordinação
D composto por coordenação e subordinação.
E com oração absoluta.
Texto associado
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Auditoria interna e sua importância para as organizações Equipe Portal da Contabilidade 01 A auditoria interna – constituída por um conjunto de procedimentos técnicos – ___ por 02 objetivo examinar a integridade , adequação e eficácia dos controles internos e das informações 03 físicas, contábeis, financeiras e operacionais da Entidade. 04 Sem tais indagações, a organização pode ficar à mercê de fraudes, erros, ineficiências e 05 outras irregularidades, praticadas por agentes internos (administradores, colaboradores) ou 06 externos (clientes, fornecedores). 07 ___________-se procedimentos de auditoria interna: exames, incluindo testes de 08 observância e testes substantivos, que permitem ao auditor interno obter provas suficientes para 09 fundamentar suas conclusões e recomendações. 10 A auditoria interna é de suma importância para as organizações , desempenhando papel 11 de grande relevância, ajudando a eliminar desperdícios, simplificar tarefas, servir de ferramenta 12 de apoio à gestão e transmitir informações aos administradores sobre o desenvolvimento das 13 atividades executadas. 14 A gestão de controles implica na elaboração de procedimentos internos, sua execução e 15 avaliação, visando eficácia na manutenção e criação do controle interno. A ausência de controle 16 administrativo, dentre outras consequências, torna todo sistema de contabilidade inadequado, 17 por falta de confiança em suas informações e em seus relatórios. 18 Sendo a auditoria interna importante como controle administrativo, ela verifica a 19 existência dos controles internos e procura contribuir para o seu aprimoramento. Essa 20 ferramenta tão preciosa, além de verificar se as normas internas estão sendo seguidas, procura 21 avaliar se há necessidade de novas normas, procedimentos e controles mais adequados e ágeis. 22 O objetivo da auditoria interna é beneficiar a organização com melhor controle de seu 23 patrimônio, procurando reduzir a ineficiência , negligência , incapacidade , erros e fraudes. A 24 realização de procedimentos regulares visando identificar as falhas e preveni-las, reforçando os 25 controles, ______________ para qualquer gestão organizacional. Neste sentido, a auditoria 26 interna, preventivamente, realiza a análise da adequação dos mecanismos de controle, visando 27 maior segurança patrimonial e confiabilidade nos relatórios contábeis e gerenciais. 28 O auditor interno deve obter, analisar, interpretar e documentar as informações físicas, 29 contábeis, financeiras e operacionais para dar suporte aos resultados de seu trabalho. 30 Através do relatório , o auditor interno prescreverá recomendações e as providências, as 31 quais devem ser tomadas pela administração. Portanto, não basta a simples existência do 32 aparato de auditoria, mas a responsável implementação das recomendações e procedimentos 33 cabíveis às rotinas organizacionais. Daí sua importância como instrumento de mudança e 34 controle. Disponível em:

Fonte: http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas – adaptação.

Relativamente aos nexos e operadores sequenciais utilizados no texto, avalie as afirmações que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) Na linha 20, o elemento ‘além de’ liga enunciados que constituem argumentos para a mesma conclusão.

( ) ‘Portanto’ (l. 31) introduz um enunciado de valor conclusivo em relação ao que foi dito; poderia ser substituído por ‘logo’ ou ainda por ‘por conseguinte’.

( ) ‘mas’ (l. 32) introduz um enunciado que contrasta com o que foi dito anteriormente, observando- se que prevalece a orientação introduzida por esse operador. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A V – V – F.
B F – F – V.
C F – V – F.
D F – F – F.
E V – V – V.
Texto associado
TEXTO I Eu amo os meus defeitos. E você? Deveria... Mônica Salgado 01 A questão que se coloca neste texto é: somos programados para querer tudo. Sem isso ou 02 aquilo. É isso e aquilo. Com roupas de grife, conta bancária polpuda, férias descoladas, coach, 03 masterclass com o Karnal, amigos fiéis e divertidos, um propósito profissional e muita meditação. 04 Ah, e a regra é clara: não postou, não aconteceu. Viver para dentro não tem a menor graça, não 05 dá likes nem gera engajamento. Fomos da sociedade do ser ___ sociedade do ter. Chegamos 06 agora ___ sociedade do parecer. Só aparece o que parece ser bom. Só parece ser bom o que 07 aparece. 08 Num mundo de culto excessivo ___ positividade superficial das redes sociais; de ode ___ 09 gratidão suprema (pedir? Nunca! Afinal, já temos tanto); num planeta onde a grama verde do 10 vizinho é vista através de olhos míopes com óculos cor de rosa, felicidade, fama e sucesso 11 parecem prêmios certeiros de uma existência robótico-ensaiada. Se você não chegou lá, não 12 agradeceu o suficiente. Não meditou como poderia. Ou não leu a autoajuda best-seller da vez. 13 Sentiu raiva, inveja, cobiçou algo de alguém. Logo, não merece ser agraciado com a plenitude 14 que só abençoa os perfeitinhos bem-intencionados e politicamente corretos que habitam o 15 mundo digital. 16 Basicamente, se eu não realizo o que desejo num mundo que anuncia tudo ser possível, é 17 como se a deficiência fosse minha. Certo? NÃO!!! Não há nada mais humano do que a falta, a 18 falha, a deficiência, a fraqueza, a síndrome de impostor, a sombra, o lado B. Por que, então, 19 pega tão mal admitir que sentimos isso tudo? 20 E tudo bem não estar sempre bem – ainda que você pareça a única. Minha alma é 21 bifurcada. Tem sombra e tem luz. Kharma e dharma. Não sou caricatura de Instagram: sou real. 22 Me deixem, portanto, na minha sombrinha ocasional em paz. Me deixem lamber as feridas que, 23 numa boa, só eu sei que tenho. Com licença: deixem-me xingar, me lamentar, autodepreciar, 24 chorar... Valorizo minhas bênçãos, mas reverencio minhas fraquezas também. Graças a esse 25 combo, eu sou eu. 26 Que saibamos, eu e você, aceitar, acolher e amar isso em nós. Isso é, afinal, ser humano! Excerto adaptado. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/

Na linha 16, temos a expressão “que anuncia tudo ser possível”. Assinale a alternativa que explica corretamente a função de sentido dessa expressão no texto, bem como sua equivalência com termos sintáticos.

A Equivale a um advérbio, pois explica a situação de ocorrência do verbo expresso na oração anterior.
B Equivale a um adjetivo, pois qualifica o substantivo anterior a ela.
C Equivale a um complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo anterior a ela.
D Equivale a um objeto direto, pois completa o sentido do verbo expresso na oração anterior.
E Equivale a um predicativo do sujeito, pois qualifica o sujeito da oração anterior.
Texto associado
Em 1925, um estudante de farmácia e jovem poeta que assinava Carlos Drummond publicou um artigo afirmando que, em relação a Machado de Assis, o melhor a fazer era repudiá-lo. Cheio de ímpeto juvenil, considerava o criador de Brás Cubas um “entrave à obra de renovação da cultura geral”. Na correspondência que manteve com Mário de Andrade nas décadas de 1920 e 1930, Machado também teria papel crucial no embate acerca da tradição. Nas cartas, o escritor volta e meia surge como encarnação de um passado a ser descartado. Décadas mais tarde, em 1958, Drummond publicou o poema “A um bruxo, com amor”, uma das mais belas homenagens de escritor para escritor na literatura brasileira. Um único verso dá a medida do elogio: “Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro”. O poema compõe-se de frases do escritor, cujo cinquentenário de morte então se comemorava. O poeta maduro, que agora assinava Carlos Drummond de Andrade, emprestava palavras do próprio Machado para compor um epíteto que ganharia ampla circulação, o “bruxo do Cosme Velho”. O que teria se passado com Drummond para mudar tão radicalmente de posição? Harold Bloom descreve as razões que marcam a relação entre escritores de diferentes gerações. O processo passa pela ironia do mais jovem em relação ao seu precursor; pelo movimento que marca a construção de um sublime que se contrapõe ao do precursor; e, finalmente, pela reapropriação do legado. A assimilação dificultosa do passado é também um processo vivido pela geração de Drummond. Os antepassados foram vistos muitas vezes como obstáculos aos desejos de renovação que emergiram a partir da década de 1910 em vários pontos do Brasil. E tanto no âmbito individual como no geracional, Machado surge como emblema do antigo. Alguém que fora sepultado com os elogios fúnebres de Rui Barbosa e Olavo Bilac não podia deixar de ser uma pedra no caminho para escritores investidos do propósito de romper com as convenções. Até Drummond chegar à declaração de respeito, admiração e amor, foi um longo percurso. Pouco a pouco, Machado deixa de ser ameaça para se tornar uma presença imensa que ocupa a imaginação do poeta. (Adaptado de: GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Amor nenhum dispensa uma gota de ácido . São Paulo: Três Estrelas, 2019, p. 9-30.)

O termo sublinhado pode ser substituído pelo que se encontra entre parênteses em:

A O poema compõe-se de frases do escritor, cujo (do qual) cinquentenário de morte então se comemorava.
B correspondência que (à qual) manteve com Mário de Andrade nas décadas de 1920 e 1930.
C pelo movimento que (no qual) marca a construção de um sublime que se contrapõe ao do precursor.
D Harold Bloom descreve as razões que (nas quais) marcam a relação entre escritores de diferentes gerações.
E considerava o criador de Brás Cubas um “entrave à (para a) obra de renovação da cultura geral”.
Texto associado
O vento gemera durante o dia todo e a chuva fustigara as janelas com tal fúria que mesmo ali, no coração da grande Londres feita de homens, éramos obrigados a afastar a mente da rotina da vida por um instante e reconhecer a presença daquelas grandes forças elementares que gritam para a humanidade através das grades de sua civilização, como animais indomáveis numa jaula. À medida que a noite se fechava, a tempestade ficava mais intensa e mais ruidosa; na chaminé, o vento chorava e soluçava como uma criança.

Adaptado de: Doyle, A. C. Um caso de Sherlock Holmes: as cinco sementes de laranja. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 142.

No trecho “[...] a presença daquelas grandes forças elementares que gritam para a humanidade [...]”, o “que” funciona morfologicamente como pronome relativo e exerce a função sintática de

A sujeito.
B objeto direto.
C objeto indireto.
D adjunto adverbial.
E complemento nominal.