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Paciente idoso, 68 anos, hipertenso, diabético, dislipidêmico, obeso (IMC 31 kg/m²), faz uso de losartana, hidroclorotiazida, metformina e rosuvastatina. Apresenta-se em consulta de rotina com queixa de redução de libido, diminuição de ereções espontâneas, disfunção erétil, humor deprimido, diminuição de energia, perda de pelos no corpo e na face, redução na concentração. Exames laboratoriais coletados às 8h mostram: testosterona total: 210 ng/dL (ref. 300–900); testosterona livre calculada: baixa; LH: 2,1 mUI/mL (ref. 1–9); FSH: 4,2 mUI/mL (ref. 1–12); prolactina: normal; TSH: normal; HbA1c: 8,0%.

Quais são a interpretação e a conduta inicial mais adequadas nesse caso?

A Hipogonadismo primário; iniciar reposição de testosterona imediatamente.
B Hipogonadismo secundário; solicitar RM de hipófise e repetir testosterona matinal, bem como considerar início de análogos do GLP1 como a semaglutida ou tirzepatida.
C Hipogonadismo primário por causa testicular; pedir espermograma e iniciar reposição.
D Queda fisiológica da idade; o tratamento consiste em exercício e perda de peso.
E Síndrome metabólica com testosterona falsamente baixa; repetir exames no período da tarde para confirmar.

Idosa, 75 anos, apresenta quadro de disúria persistente, com dispareunia, secura vaginal e infecções urinárias de repetição (3 nos últimos 6 meses). Sem sintomas sistêmicos no momento. Nega internações no último ano. Ativa, independente para atividades de vida diária. Exame atual de urina sem alterações, urocultura negativa. US rins e vias urinárias evidenciando cistos simples renais bilaterais (Bosniak I), o maior medindo 1 cm.

Qual seria a melhor conduta para essa paciente?

A Iniciar profilaxia antibiótica contínua por três a seis meses e encaminhar ao urologista para programar cirurgia do cisto maior, provável responsável pelo quadro de disúria da paciente.
B Introduzir antimuscarínico ou betagonista para tratar possível hiperatividade vesical associada ao envelhecimento, responsável por sintomas urinários irritativos e desconforto vesical.
C Manter observação expectante, reforçando apenas medidas comportamentais (ingesta hídrica, micção após relação sexual, higiene íntima) e reavaliando se surgir febre ou piora da dor.
D Prescrever lubrificantes vaginais antes das relações sexuais e evitar terapia hormonal local devido à idade avançada e aos riscos envolvidos, mantendo acompanhamento anual.
E Iniciar estriol vaginal tópico (creme, gel ou óvulos), associado a hidratantes vaginais de uso regular.

Idoso, 82 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão, tabagista, independente para atividades de vida diária, é levado ao pronto atendimento por apresentar confusão mental iniciada há 48 horas. A família refere que ele estava gripado na última semana e vinha usando xarope para tosse e um comprimido para gripe com anti-histamínico. Desde ontem, passou a alternar momentos de agitação e sonolência, trocando o dia pela noite. Relata ver “pessoas andando pela casa” e está desatento, respondendo de forma incoerente em alguns momentos. A filha reforça que, até três dias atrás, ele estava lúcido e orientado, embora já apresentasse pequenas falhas de memória previamente, compatíveis com o envelhecimento. Diante do quadro descrito, qual é o diagnóstico mais provável?

A Demência rapidamente progressiva.
B Episódio depressivo maior com prejuízo cognitivo (pseudodemência).
C Psicose primária tardia.
D Delirium.
E Doença de Alzheimer insipiente.

Você atende uma idosa de 79 anos, hipertensa controlada, diabética, com insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença arterial coronariana com angioplastia há cinco anos e osteoporose. Durante a consulta de rotina, a filha reclama que a paciente toma muitos remédios e questiona se não seria possível suspender algum deles. Paciente deambula sem apoio, porém apresenta risco de queda elevado devido à instabilidade postural. Alimentação rica em carboidratos e laticínios. Há um ano com fratura de colo de fêmur após queda da própria altura. Nega AVC, sangramentos e uso de álcool prévios. Medicações em uso: sacubitril + valsartana, dapaglifozina, espironolactona, carvedilol, clopidogrel, AAS, carbonato de cálcio. Exames de sangue demonstram boa função hepática e renal.

De acordo com o exposto, assinale a alternativa que apresenta o melhor manejo medicamentoso para essa paciente.

A Suspender o clopidogrel, mantendo apenas AAS como antiagregante, pois já realizou angioplastia há mais de 5 anos e não há indicação de dupla antiagregação, reduzindo risco de sangramento e polifarmácia.
B Suspender o carbonato de cálcio devido ao risco de constipação e substituí-lo por citrato de cálcio, mais seguro em pacientes idosos, mantendo todos os demais medicamentos. Iniciar tratamento para osteoporose com fármaco específico (ex.: alendronato) e suplementar vitamina D conforme níveis séricos.
C Suspender a espironolactona, pois, em idosos com insuficiência cardíaca leve, o benefício é pequeno e o risco de hipercalemia supera as vantagens.
D Iniciar anticoagulação com DOAC, suspender AAS, clopidogrel e carvedilol, pois betabloqueadores podem aumentar o risco de quedas em idosos e devem ser evitados quando há instabilidade postural, priorizando a segurança motora. Solicitar nova densitometria óssea.
E Iniciar anticoagulação com DOAC, suspender AAS e clopidogrel, suspender o cálcio pela ingestão dietética adequada, otimizar o tratamento da osteoporose com fármaco específico (ex.: alendronato) e suplementar vitamina D conforme níveis séricos.

Homem de 79 anos apresenta declínio cognitivo progressivo há dois anos, com prejuízo para atividades instrumentais de vida diária. O cuidador relata perda de peso, uso irregular das medicações e episódios de incontinência urinária recente. Qual abordagem melhor representa o conceito de atenção integral ao idoso nesse caso?

A Focar exclusivamente o tratamento farmacológico da demência.
B Priorizar a institucionalização imediata do paciente.
C Avaliar e intervir sobre síndromes geriátricas associadas.
D Solicitar exames de neuroimagem seriados como estratégia principal.
E Encaminhar apenas para acompanhamento neurológico especializado.

Mulher de 66 anos, hipertensa, diabética, DRC estágio IIIb, independente para atividades de vida diária, sem história prévia de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral, apresenta IMC de 24 kg/m² e hemoglobina glicada de 8,1%. Microalbuminúria: 33. Em uso de: metformina de liberação prolongada 1.000 mg/dia, losartana 100 mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia. Considerando o exposto, a conduta mais adequada é

A prescrever análogo de GLP1 para otimizar perda ponderal, reduzir risco cardiovascular e atingir meta glicêmica adequada. Suspender metformina para evitar sintomas gastrointestinais.
B manter medicamentos em uso, pois hemoglobina glicada está dentro do esperado, considerando a paciente idosa.
C associar iSGLT2, como dapaglifozina, objetivando melhor controle glicêmico e proteção renal.
D suspender metformina e trocar por dapaglifozina para melhor controle glicêmico e proteção renal.
E Aumentar metformina para 2 g/dia e associar dapaglifozina para melhor controle glicêmico.

Paciente, sexo masculino, 86 anos, vai à primeira consulta geriátrica acompanhado do filho, deambula sem apoio. Refere quadro de tremores nas mãos há aproximadamente 4 meses, com dificuldade em segurar a xícara de café devido ao tremor. Também relata dispneia aos médios esforços. Nega quedas no último ano. Nega alucinações, alteração cognitiva, hiposmia e instabilidade postural. Antecedentes: DPOC diagnosticada há 6 meses; hipotireoidismo. Em uso atual de: levotiroxina 75 mcg, formoterol + budesonida inalatório 12/400 mcg 2x/dia, nebulização com brometo de ipratrópio 15 gotas 2x/dia. Escalas de avaliação: Lawton: 27/30; Frail: 1/5; SARC-CalF: 2/20. Circunferência de panturrilha: 34 cm. Ao exame: BEG, corado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril. MV+ bilateralmente reduzidos globalmente. Sibilos esparços. Sat. O2: 94% ar ambiente. ACV: RCR a 2 T, sem sopros. FC: 76 bpm. PA: 110x80 mmhg. Presença de tremor de mãos bilateral, simétrico, de ação e também postural de baixa amplitude e alta frequência. Sem demais achados.

Sobre esse caso, assinale a alternativa correta.

A O paciente é frágil e apresenta indicação de intervenção multidisciplinar para reversão do quadro.
B O paciente tem sarcopenia provável e o próximo passo é avaliar a força muscular através do teste de velocidade da marcha ou SPPB.
C A provável causa do tremor do paciente é o tremor essencial, devendo esse paciente ser esclarecido sobre o curso benigno da doença.
D A provável causa do tremor do paciente é medicamentosa, devido ao uso da medicação inalatória (formoterol), mas deve-se excluir outras causas, como hipertireoidismo iatrogênico.
E O quadro configura parkinsonismo, devendo-se prosseguir investigação com ressonância magnética de crânio.

Idosa, 84 anos, com hipertensão, fibrilação atrial, diabetes tipo 2 e osteoartrite, utiliza atualmente: losartana, metformina, apixabana e paracetamol conforme necessidade. Ela relata dor intensa nos joelhos e decide, por conta própria, adicionar ibuprofeno ao tratamento diário. Sobre interações medicamentosas relevantes nesse caso, assinale a alternativa INCORRETA.

A O uso de ibuprofeno pode reduzir o efeito antihipertensivo da losartana, elevando a pressão arterial.
B A associação entre ibuprofeno e apixabana aumenta o risco de sangramento e deve ser evitada sempre que possível.
C A combinação de metformina com antiinflamatórios não esteroidais pode aumentar o risco de insuficiência renal, o que secundariamente pode elevar níveis de metformina e predispor à acidose láctica.
D Paracetamol pode ser usado concomitantemente com apixabana sem aumentar risco de sangramento, sendo analgésico preferencial quando possível.
E O ibuprofeno é a melhor escolha analgésica para idosos anticoagulados, pois não aumenta o risco de sangramento gastrointestinal e protege a mucosa gástrica quando comparado ao paracetamol.

Mulher, 60 anos, previamente saudável, professora aposentada, inicia há um ano quadro de declínio cognitivo progressivo, caracterizado por dificuldade de memória para fatos recentes, repetição de perguntas, desorientação esporádica em locais conhecidos e piora no desempenho de suas atividades diárias (esquecendo de pagar as contas de casa e dificuldade para preparar refeições). Há antecedente familiar de mãe com demência em idade precoce. No exame, apresenta Miniexame do Estado Mental (MEEM) de 22/30, com prejuízo em memória e funções executivas. Tomografia sem alterações relevantes.

Diante da hipótese diagnóstica de quadro demencial de início precoce e necessidade de maior esclarecimento etiológico, qual é a próxima conduta mais apropriada?

A Solicitar ressonância magnética e iniciar inibidor de acetilcolinesterase, pois se trata de doença de Alzheimer de início precoce.
B Solicitar Ressonância Magnética com volumetria e triagem sanguínea metabólica e infectocontagiosa ampliada (TSH, B12, folato, função hepática e renal, sífilis, HIV e hepatites) e repetir avaliação cognitiva em 6 meses.
C Realizar PET-FDG e iniciar antidepressivo, para descartar possibilidade de pseudodemência.
D Solicitar Ressonância Magnética com volumetria, triagem sanguínea metabólica e infectocontagiosa ampliada e realizar punção lombar para análise do líquor. Se disponível no serviço, incluir biomarcadores para doença de Alzheimer no líquor.
E Solicitar Ressonância Magnética com volumetria, triagem sanguínea metabólica e infectocontagiosa ampliada e encaminhar diretamente para teste genético (ex.: APP, PSEN1/2).

Em uma visita pós-anestésica, a família de um idoso de 82 anos de idade relatou que o paciente passou a apresentar dependência para realizar algumas atividades que executava sozinho antes de ser operado. A síndrome da fragilidade do idoso está associada a

A menor vulnerabilidade cirúrgica.
B um estado funcional dependente.
C elevado grau de aptidão física.
D um ganho de peso no último ano.
E mais pacientes masculinos que femininos.