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A Independência se explica por um conjunto de fatores, tanto internos como externos, mas foram os ventos trazidos de fora que imprimiram aos acontecimentos um rumo imprevisto pela maioria dos atores envolvidos, em uma escalada que passou da defesa da autonomia brasileira à ideia de independência. Em agosto de 1820, irrompeu em Portugal uma revolução liberal inspirada nas ideias ilustradas. Os revolucionários procuravam enfrentar um momento de profunda crise na vida portuguesa. Crise política, causada pela ausência do rei e dos órgãos de governo; crise econômica, resultante em parte da liberdade de comércio de que se beneficiava o Brasil; crise militar, consequência da presença de oficiais ingleses nos altos postos do exército e da preterição de oficiais portugueses nas promoções. Basta lembrar que, na ausência de Dom João, Portugal foi governado por um conselho de regência presidido pelo marechal inglês Beresford. Depois da guerra, Beresford se tornou o comandante do Exército português. A revolução portuguesa de 1820 tinha aspectos contraditórios para os brasileiros. Podia ser definida como liberal, por considerar a monarquia absoluta um regime ultrapassado e opressivo e por tratar de dar vida a órgãos de representação da sociedade, como é o caso das Cortes.
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Boris Fausto. História do Brasil . São Paulo: Edusp, 1996. Pág. 81.

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A Independência do Brasil ocorreu em um contexto histórico com diversos eventos. A esse respeito e considerando o fragmento de texto precedente, julgue os itens seguintes.

O pano de fundo da cena histórica se deu em função do desmantelamento da sociedade feudal, com a falência do absolutismo e a crise do Antigo Regime.

C Certo
E Errado
Texto associado
A respeito do escravismo no Brasil imperial e no contexto após o fim da escravidão, julgue os itens subsecutivos.

A abolição da escravidão deu início a um processo de inclusão social dos ex-escravizados, construindo-se um contexto de igualdade sociorracial que pode ser corretamente descrito como uma democracia racial.

C Certo
E Errado

Durante o período regencial no Brasil, surgiram rebeliões em várias partes do Império. Uma das revoltas mais intensas aconteceu no Rio Grande Sul, conhecida como Revolta Farroupilha, desencadeada pelo descaso das autoridades imperiais em relação à economia de criação de gado e de produção de charque na região Sul. Temendo que as forças revolucionárias encontrassem adesão no Paraná, a província de São Paulo buscou apoio em Curitiba, prometendo, em troca, a emancipação dessa comarca. Com essa promessa, Curitiba passou a cooperar com o Governo Central, lutando contra os revolucionários. O apoio eficaz de Curitiba agradou o presidente da província de São Paulo, Barão de Monte Alegre, que solicitou ao governo imperial, em 1842, a emancipação da comarca, indicando Curitiba para capital da nova Província, por sua localização geográfica. Essa situação incomodou a Câmara de Paranaguá, que requeria para si o papel de capital, justamente por sua importância histórica. Essa disputa entre Paranaguá e Curitiba adiou a emancipação.

Angelo Priori et al . História do Paraná : séculos XIX e XX. Maringá: Eduem, 2012 (com adaptações).

Acerca da emancipação política da Província do Paraná, é correto afirmar que

A a Província do Paraná, por consenso político imperial, foi emancipada logo no início do século XIX.
B o desejo político dos paranaenses era o estabelecimento de uma república autônoma separatista, por isso a resistência à emancipação.
C motivos políticos, administrativos e econômicos motivaram a emancipação da 5.ª Comarca de São Paulo.
D o primeiro presidente da Província do Paraná era muito inexperiente na política e suas atitudes quase levaram o Império a rever o processo emancipacionista paranaense.
E a emancipação da Província do Paraná somente foi possível após a promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, que fortaleceu elementos econômicos associados à mecanização da agricultura e inspirou a liberdade política entre os paranaenses.

Ainda que a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro tenha transformado várias das relações entre a sociedade e o Estado, a construção do Estado Nacional brasileiro se fez a partir de 1822. No que se refere a essa construção, assinale a opção correta.

A As fronteiras com as repúblicas sul-americanas estavam demarcadas desde o Tratado de Madri, em 1750, o que explica a ausência de conflitos internacionais no contexto da construção do Estado Nacional.
B As instituições norte-americanas serviram de inspiração aos constituintes de 1824 no Brasil, os quais adotaram a mesma forma de governo adotada nos Estados Unidos da América.
C As guerras de independência no Brasil foram semelhantes às ocorridas no restante da América Latina, por serem numerosas e de longa duração.
D O Exército Brasileiro foi peça fundamental da construção do Estado ao garantir a unidade nacional quando da independência.
E Extinguir o tráfico negreiro em razão das pressões estrangeiras, em uma sociedade escravista, foi uma das tarefas mais difíceis para a construção do Estado Nacional.

Em relação aos últimos quinhentos anos da história dos povos originários do território amazônico,

A a visitação do Santo Ofício na região do Grão-Pará durante o Século XVIII abateu-se sobre cristãos novos, modestos funcionários públicos, artesãos, soldados, criados e escravos negros, mas poupou os índios.
B o Século XX não testemunhou nenhum massacre a população originária.
C no período da colonização espanhola e, posteriormente, da portuguesa, por conta da escassez de trabalhadores europeus, foi empregada com sucesso a mão de obra indígena assalariada.
D a construção da rodovia transamazônica, um dos símbolos do “milagre econômico”, não gerou graves consequências para a saúde dos povos indígenas, pois não houve contato entre as populações originárias e os trabalhadores encarregados da execução das obras.
E na década de 1960, o ministro do interior, General Albuquerque Lima, ordenou uma investigação sobre acusações contra o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), resultando um documento de vinte volumes, que concluiu pela existência de massacres de tribos inteiras.

Considere os seguintes trechos:

[…] dos fins de 1793 para começo de 1794, até julho, agosto-setembro de 1797, atuou na Cidade do Salvador um pequeno grupo de “homens de consideração”, brasileiros que repudiavam a exploração colonial e sentiam atração pela França das ideias democrático-burguesas […].

[…] homens livres, mas socialmente discriminados, mulatos, soldados, artesãos, ex-escravos e descendentes de escravos, conceberam a ideia de uma república que garantisse igualdade. São eles que estão falando em levante em 1798.

(TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Sedição Intentada na Bahia em 1798: A Conspiração dos Alfaiates. São Paulo, Pioneira; Brasília, INL, 1975, p. 95-96)

O autor faz uma análise da Conjuração Baiana de 1798, também conhecida como Revolta dos Búzios, indicando que existiram duas fases do movimento. Nesse sentido,

A o mestre alfaiate, João de Deus do Nascimento, foi um rebelde que representou os grupos identificados às duas fases do movimento, pois era pardo, letrado e com uma posição social de destaque nos fins do século XVIII.
B os “homens de consideração” eram brancos letrados que protagonizaram a primeira fase do movimento rebelde, encampando uma luta explícita pela liberdade e igualdade social na Bahia.
C as ideias democrático-burguesas defendidas pelos “homens de consideração”, em apoio ao catolicismo e à monarquia, ficaram conhecidas neste contexto baiano como as “francesias”.
D o cirurgião prático e lavrador, Cipriano José Barata de Almeida, foi um legítimo representante do grupo que protagonizou a segunda fase do movimento rebelde baiano de 1798.
E a condição social e racial influenciou a condenação dos homens que foram mortos na Praça da Piedade, em 8 de novembro de 1799, após a segunda fase do levante.

Em 2 de julho de 1823, a Bahia celebrou mais um triunfo nas lutas em prol da independência do Brasil, em um processo que envolveu pronunciamentos, articulações, aclamações e batalhas. Muitos indivíduos combateram pela libertação, da qual nem todos usufruíram plenamente. Sobre esse episódio,

A a Batalha de Itaparica, em 7 de janeiro de 1823, foi liderada pela negra Maria Filipa, que incendiou navios lusitanos, conseguindo com essa proeza mais uma vitória para os baianos, sendo por isso alforriada junto com os escravizados da Ilha “Intrépida e Denodada”.
B o Dois de Julho representou o processo de lutas na Bahia em prol da liberdade político-econômica que se almejava no período, não contemplando a liberdade social, pois os negros escravizados não se tornaram cidadãos após o vitorioso desfecho.
C a chegada do brigadeiro Ignácio Madeira de Melo foi um reforço para os habitantes de Salvador, que tiveram que pegar em armas para lutar contra o jugo português em fevereiro de 1822, vencendo as batalhas sob a liderança da sóror Joana Angélica.
D a Batalha de Pirajá, ocorrida em 8 de novembro de 1822, foi um revés na campanha do Exército Libertador, pois os baianos sofreram uma dura derrota para as tropas lusitanas, devido às ações do cabo corneteiro Luís Lopes.
E a batalha em Cachoeira ocorreu em 25 de junho de 1822, quando os baianos venceram os lusos e aclamaram Pedro I como regente do Brasil, seguindo-se um ciclo de vitórias finalizado com a batalha de Dois de Julho, na capital, selando definitivamente a independência.

A respeito da história do Amazonas, no contexto do sistema econômico, político e cultural brasileiro:

A A Getúlio Vargas deve-se não apenas a primeira tentativa organizada de valorização regional da Amazônia, mas a definitiva consolidação militar e diplomática da soberania de Portugal sobre a área.
B A “mexicanização da Amazônia” é conjuração em marcha, que vem desde o célebre Estatuto da Hileia Amazônica e desemboca em fatos recentes, os quais traduzem sintomas de traição nacional e corrosão da unidade de nosso povo.
C Sob o lema latino In universa scientia veritas, o doutor Eulálio Gomes da Silva Chaves fundou, em 1922, a Escola Universitária Livre de Manaus, embrião da futura Universidade Federal do Amazonas.
D No Século XIX, dois acontecimentos indicavam novos tempos para a economia do Amazonas; o primeiro, a abertura dos portos para todas as nações amigas, em 1847, e o segundo, relacionado ao primeiro, a criação da Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas, por iniciativa do Barão de Mauá, em 1867.
E Em 1839, com a descoberta por Goodyear, nos Estados Unidos, da vulcanização , viabilizou-se o desenvolvimento da indústria indígena dos sapatos impermeáveis, das bolas e das seringas, reveladoras das múltiplas utilidades e aplicações do precioso látex.

No dia 29 de março de 1549, o fidalgo português Tomé de Souza desembarcou na Baía de Todos os Santos, no Porto da Barra, iniciando a implantação do Governo Geral na Colônia. A partir daí,

A foi implementado um auxílio do governador aos povos indígenas, que tiveram proteção das autoridades régias contra a escravização promovida pelos colonos, ficando legalizada a proibição dessa prática em solo baiano.
B ficou estabelecido o fim das Capitanias Hereditárias, especialmente após o trágico episódio ocorrido com o donatário da capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira Coutinho, morto pelos Tupinambás em Vila Velha, em 1546, em um ritual antropofágico.
C passou a ser construída a Cidade do São Salvador, que foi projetada pelo construtor Luís Dias para funcionar como sede do Governo Geral na América lusitana, com prédios imponentes construídos na Cidade Baixa, devido ao fácil acesso ao mar.
D houve a implantação de um sistema centralizado de poder, por meio do qual o Governador Geral, situado na Cidade do São Salvador, passava a fiscalizar e organizar a Colônia, sendo auxiliado pelo Provedor-Mor, Ouvidor-Mor e Capitão-Mor.
E chegaram padres Jesuítas que foram os mais importantes missionários na atuação religiosa na Bahia, priorizando a formação educacional dos nativos e permitindo aos autóctones autonomia para permanecer com suas crenças e costumes.

Referente à questão da vacina no Brasil, assinale a alternativa correta.

A A Revolta da Vacina foi de motivação popular, ocorrida em 1904 na cidade do Rio de Janeiro. Seu pretexto imediato foi uma lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, mas também é associada a outras causas, como as reformas urbanas que estavam sendo realizadas pelo prefeito Pereira Passos e as campanhas de saneamento lideradas pelo médico Oswaldo Cruz.
B Na Revolta da Vacina de 1904, o povo se indignou devido à falta de vacina para a varíola, já que a vacinação era obrigatória. Os protestos passaram a se dirigir aos serviços públicos em geral e aos representantes do governo, por não promoverem a vacinação.
C Desde as políticas públicas iniciadas em 1904 no Rio de Janeiro, que se estenderam a todo território nacional, conseguimos erradicar várias doenças, inclusive a varíola, o sarampo e a febre amarela.
D Doenças como rubéola, sarampo e caxumba podem ser vistas como comuns durante a infância e não causam complicações sérias em crianças e adultos. Por isso mesmo não é estritamente necessário tomar vacinas para tais doenças na atualidade como era no início do século XX.
E A Revolta da Vacina foi pertinente no começo do século passado e também é na atualidade, pois deve ser da opção dos pais que os filhos tomem vacina em uma sociedade democrática, até porque já foi comprovado que algumas vacinas podem provocar autismo.