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Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. À medida que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. HALL , Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade . Rio de Janeiro: DP&A, 2006. O trecho acima apresenta uma leitura sobre os efeitos do processo de globalização sobre a formação de identidades. Assinale a opção que reflete corretamente o que é exposto no trecho.

A Os fluxos culturais globalizados tendem a dissolver os pertencimentos partilhados e manter os grupos isolados.
B O encurtamento das distâncias gera novos referenciais para o pertencimento dos indivíduos a grupos de identidade.
C O consumismo global dissolve as barreiras entre identidades, criando nações unificadas pelo mercado.
D As trocas internacionais se intensificam à medida que a globalização amplia o valor das particularidades locais.
E Os fluxos culturais globais provocam a intensificação das culturas nacionais como movimento de reação.

Leia o trecho a seguir. Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...) Precisaremos entender o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez mais isolados. HUI , Yuk. Tecnodiversidade . São Paulo: Ubu Editora, 2020. O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e chama atenção para o fato de que há modos distintos de considerá-la. Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como

A um fenômeno que reforça barreiras e promove o isolamento entre diferentes agrupamentos humanos.
B uma característica que deve ser preservada para garantir a coexistência entre humanos.
C um dado cultural que pode subsistir mesmo quando os grupos estão abertos à influência externa.
D uma realidade que prescinde da empatia como forma de garantir a convivência entre humanos.
E um obstáculo à criação de novas tecnologias que promovam a igualdade em âmbito global.

Em uma entrevista com o crítico Paul Gilroy para sua antologia Small Acts: Thoughts on the Politics of Black Cultures [Pequenos atos: reflexões sobre a política das culturas negras]

( 1994 ), a romancista Toni Morrison (1931-2019) argumentou que os sujeitos africanos que vivenciaram a captura, o roubo, o rapto, a mutilação e a escravidão foram os primeiros modernos. ESHUN , Kodwo. Outras considerações sobre o Afrofuturismo . In: Histórias afroatlânticas: antologia . São Paulo: MASP, 2022. O trecho acima apresenta uma relação entre a experiência das populações negras escravizadas e a condição do indivíduo na modernidade. Assinale a opção que apresenta o aspecto que justifica esta afirmação.

A A capacidade de manutenção de tradições ancestrais, mesmo sob violência extrema.
B A vivência de desenraizamento e fratura, que prefigura a alienação típica da modernidade.
C A adequação dos indivíduos a novas dinâmicas sociais, facilitando sua incorporação às estruturas modernas.
D A transformação dos negros em atores fundamentais da expansão colonial e econômica moderna.
E A rejeição cultural das populações escravizadas à integração no sistema global moderno.

Os movimentos feministas são frequentemente concebidos em ondas, cada uma marcando um momento distinto das lutas das mulheres, com reivindicações, pautas e estratégias próprias. Assinale a opção que apresenta a característica distintiva da chamada quarta onda do feminismo.

A A crítica às representações midiáticas hegemônicas e a demanda por pluralidade representacional.
B A problematização estrutural das disparidades laborais, com ênfase na equiparação remuneratória.
C A insurgência por meio de ciberativismo, utilizando redes sociais para a exposição sistemática de violências estruturais.
D A subversão crítica de arquétipos normativos de gênero, com foco na despatologização das corporeidades.
E A consolidação de direitos políticos e civis, articulando-se em torno da universalização de garantias jurídicas.

A partir da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural passou por significativas transformações. Seu escopo foi alargado para além da valorização de bens materiais de caráter monumental. Essa mudança de perspectiva refletiu-se na inclusão de novas categorias de patrimônio, como o patrimônio imaterial. No Brasil, um marco desse alargamento de sentido foi o tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, na Bahia, em 1984. No Brasil, o patrimônio imaterial permite:

A reconhecer o valor arquitetônico de lugares sagrados de diversas religiões;
B patrimonializar apenas práticas de religiões afrobrasileiras;
C questionar o valor patrimonial da religião católica no Brasil;
D reconhecer o valor arquitetônico de lugares de memória indígena;
E reconhecer e valorizar práticas e saberes de diversos grupos sociais como expressões da diversidade cultural e da identidade afro-brasileira.

Para Gilberto Velho, a antropologia urbana é uma antropologia das sociedades complexas. Em seu artigo Estilo de vida urbano e modernidade , o antropólogo escreve o seguinte: “A metrópole moderna oferece a possibilidade de transitar entre vários mundos e esferas diferenciadas. A fragmentação do trabalho tem, como outro lado da moeda, o desenvolvimento de áreas e domínios especializados de sociabilidade, lazer, crença religiosa, atividade política etc.” (Velho, 1995, p. 229). A antropologia urbana de Gilberto Velho tem um dos seus fundamentos teóricos na produção de:

A Luc Boltanski;
B Georg Simmel;
C Gayatri Spivak;
D Gabriel de Tarde;
E Bruno Latour.

Em seu artigo Antropologia e política , Karina Kuschnir afirma: “Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse modelo como ponto de partida; é não considerar universais termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e ‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166). A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:

A relativizar e aceitar diferentes formas de exercício do poder;
B legitimar, na esfera política, sociedades contra o Estado;
C analisar e enaltecer práticas políticas de grupos dominados;
D recomendar, com bases em laudos antropológicos, o que a política deve ser;
E estudar o que é a política para certo grupo, em determinado contexto histórico e social.

No capítulo Conflitos ambientais – a atualidade do objeto , Henri Acselrad afirma o seguinte: "O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11). Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:

A a natureza seja deixada de fora dos conflitos sociais;
B a natureza não seja considerada um objeto pertinente da antropologia;
C o meio ambiente seja tratado como um objeto apolítico;
D a antropologia analise os conflitos sociais em torno da natureza;
E a antropologia abandone a etnografia nos estudos da natureza.

Beatriz Heredia e Moacir Palmeira são dois antropólogos brasileiros dedicados a etnografias da política. São inúmeras as suas publicações sobre eventos e o tempo da política. No artigo Os comícios e a política de facções , os autores tratam os comícios como “rituais”. "Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de força’ passa pelos comícios e não por outras formas de ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia, 1995, p. 37). Analisar os comícios como rituais implica discutir:

A as bases econômicas da política;
B representações coletivas não contestadas;
C as regulações jurídicas das práticas políticas;
D o exercício de poder unilateral por parte dos partidos;
E a relação entre esses eventos excepcionais e o cotidiano.

Em Rituais ontem e hoje , Mariza Peirano analisa o carnaval como um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da sociedade brasileira. A autora destaca: "O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26). De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:

A reforçar as hierarquias sociais existentes, consolidando as estruturas de poder;
B promover a homogeneização cultural, eliminando as diferenças e individualidades;
C reproduzir, de forma simbólica, as desigualdades presentes na sociedade;
D estimular o consumo e o espetáculo, desprovido de qualquer dimensão simbólica ou cultural;
E subverter temporariamente a ordem social, permitindo a expressão de identidades e comportamentos normalmente reprimidos.