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Texto associado
Canudos não se rendeu Fechemos este livro.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

[...]
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.

“Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...” A incredulidade dos leitores futuros se deve

A à presença de ações humanamente inimagináveis.
B à falta de documentos que comprovem os fatos narrados.
C à ausência de outros depoimentos que confirmem o que é relatado.
D ao fato de as ações narradas não terem sido presenciadas pelo autor, mas somente contadas a ele.
E ao exagero das histórias contadas sobre esse episódio da história nacional.
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Canudos não se rendeu Fechemos este livro.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

[...]
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.

“Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.” Assinale a afirmativa incorreta sobre esse segmento do texto.

A O autor se nega a relatar os últimos acontecimentos pela impossibilidade de fazê-lo.
B O verbo “descrever” está empregado em lugar de “narrar”, já que se trata de uma sequência de acontecimentos.
C O narrador mostra sua decepção diante dos acontecimentos que ele imaginara grandiosos.
D O escritor mostra a impossibilidade de descrever os fatos por sua exagerada crueldade.
E O texto indica a limitação do autor do texto diante de alguns.
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Canudos não se rendeu Fechemos este livro.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

[...]
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.

“Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.” Com esse segmento, o autor pretende

A indicar o despreparo dos habitantes de Canudos diante de um poderoso inimigo.
B demonstrar o heroísmo dos defensores do povoado de Canudos diante da tropa do Exército brasileiro.
C mostrar o fanatismo dos moradores de Canudos, já que não havia a menor chance de resistência.
D destacar a crueldade das tropas, já que os adversários não tinham a menor chance de enfrentá-los.
E comprovar a veracidade de sua narrativa, dando pormenores da situação narrada.
Texto associado
Canudos não se rendeu Fechemos este livro.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

[...]
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.

A primeira frase do texto – “Fechemos este livro” – aparece escrita na primeira pessoa do plural porque

A se refere ao autor e aos seus possíveis leitores.
B está ligada à pessoa do autor e ao grupo de pessoas que o auxiliavam.
C se trata de um plural enfático, já que se trata de uma ação praticada pelo autor do livro.
D se liga às pessoas do autor e do editor do texto.
E se prende a todos os futuros leitores da obra.

A charge é antiga, mas o assunto continua atual.
Na charge, produzida por Erasmo e retirada do Jornal de Piracicaba, o efeito de humor se dá sobretudo

Imagem da questão 208302
A pelas desavenças entre pai e filho.
B pelo duplo sentido da palavra escola.
C pelo fato de a mãe não ter feito qualquer comentário.
D pelo fato de o termo escola ser um hiperônimo.
E pela atitude ambígua do filho do casal.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Em relação ao texto, assinale a afirmativa correta.

A A crítica ao emprego do verbo adressar advém do repúdio do autor a palavras que infrinjam a pureza vernacular.
B Em “exibindo às vezes uma mesóclise de polainas”, o autor reconhece que a mesóclise deve ser utilizada com frequência na linguagem escrita.
C Para tirar a nota mil do Enem, o estudante deve obedecer rigorosamente à norma culta e evitar estrangeirismos e neologismos, o que não é o caso do autor, que é mais liberal nesse sentido.
D Os rigores de um professor de português nada têm a ver com as normas gramaticais de um Manual de Redação.
E Em “como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui” o autor externa ironicamente sua exaltação à linguagem do passado e sua crítica à linguagem falada no presente.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Com relação ao texto, assinale o comentário inadequado.

A Em “usando o etarismo a meu favor” (primeiro parágrafo), o autor se vale do fato de ser uma pessoa mais velha para disfarçar sua incompreensão quanto ao significado de adressar.
B No trecho “eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso” a palavra volumoso pode ser substituída, sem alteração de sentido, pelo termo vultoso.
C No trecho “Eu posso adressar o produto?” (terceiro parágrafo), a vendedora do shopping perguntou se poderia apor o endereço do comprador no produto, para evitar possíveis erros de troca.
D O verbo adressar pode ser considerado um neologismo; daí a estranheza do autor.
E Ao dizer, no final do texto, que “se fez up to date: Sim, por favor, adressa, sim”, o autor demonstra sua intenção de se revelar moderno e atualizado quanto à evolução da língua.

A charge é antiga, mas o assunto continua atual.
Na charge, produzida por Erasmo e retirada do Jornal de Piracicaba, o efeito de humor se dá sobretudo

Imagem da questão 208222
A pelas desavenças entre pai e filho.
B pelo duplo sentido da palavra escola.
C pelo fato de a mãe não ter feito qualquer comentário.
D pelo fato de o termo escola ser um hiperônimo.
E pela atitude ambígua do filho do casal.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Em relação ao texto, assinale a afirmativa correta.

A A crítica ao emprego do verbo adressar advém do repúdio do autor a palavras que infrinjam a pureza vernacular.
B Em “exibindo às vezes uma mesóclise de polainas”, o autor reconhece que a mesóclise deve ser utilizada com frequência na linguagem escrita.
C Para tirar a nota mil do Enem, o estudante deve obedecer rigorosamente à norma culta e evitar estrangeirismos e neologismos, o que não é o caso do autor, que é mais liberal nesse sentido.
D Os rigores de um professor de português nada têm a ver com as normas gramaticais de um Manual de Redação.
E Em “como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui” o autor externa ironicamente sua exaltação à linguagem do passado e sua crítica à linguagem falada no presente.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Com relação ao texto, assinale o comentário inadequado.

A Em “usando o etarismo a meu favor” (primeiro parágrafo), o autor se vale do fato de ser uma pessoa mais velha para disfarçar sua incompreensão quanto ao significado de adressar.
B No trecho “eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso” a palavra volumoso pode ser substituída, sem alteração de sentido, pelo termo vultoso.
C No trecho “Eu posso adressar o produto?” (terceiro parágrafo), a vendedora do shopping perguntou se poderia apor o endereço do comprador no produto, para evitar possíveis erros de troca.
D O verbo adressar pode ser considerado um neologismo; daí a estranheza do autor.
E Ao dizer, no final do texto, que “se fez up to date: Sim, por favor, adressa, sim”, o autor demonstra sua intenção de se revelar moderno e atualizado quanto à evolução da língua.