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O romance São Bernardo, de Graciliano Ramos é um registro de impressões pessoais do narrador. Ao iniciar a tarefa de escrever o romance, esse narrador pensava em dividi-la entre amigos, mas logo apareceram as dificuldades, como indica o seguinte trecho: "O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. Não pode? perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. - Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia." Pode-se inferir da discussão entre o narrador e Azevedo Gondim que

A para o narrador, a língua falada só deveria ser empregada na comunicação diária.
B para Azevedo Gondim, a literatura deveria ser um espaço em que se valorizasse a norma culta.
C para Azevedo Gondim, a língua utilizada na literatura deveria ser a linguagem do público leitor.
D para o narrador, a literatura deveria empregar uma linguagem que se aproximasse da língua falada.
E para o narrador e para Azevedo Gondim, o público leitor prefere a língua falada na literatura por ser de mais fácil compreensão.
Texto associado
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se às próximas 10 questões.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma mudança significativa na composição familiar do Brasil: pela primeira vez, 34,1% das mulheres aparecem como responsáveis pelos domicílios, superando o percentual de 25% que ocupa a posição de cônjuge ou companheira. Em 2010, o cenário era inverso, com 29,7% das mulheres como cônjuges e apenas 22,9% como responsáveis pelos lares.

Em termos gerais, os homens ainda são a maioria (50,9%) no comando das residências, somando 37 milhões. Entretanto, as mulheres já representam 49,1% das chefes de domicílios, que correspondem a cerca de 36 milhões de lares. De 2010 para cá, houve uma redução na diferença: naquele ano, 61,3% dos domicílios eram liderados por homens, contra 38,7% por mulheres.

Em termos de idade, a maioria dos responsáveis pelos lares é mais velha do que em 2010, o que reflete um envelhecimento geral da população. Os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul apresentaram as maiores proporções de domicílios unipessoais, com 23,4% e 22,3%, respectivamente, indicando uma população envelhecida.

https://exame.com/brasil/total-de-mulheres-responsaveis-por-domicilios-cresce-revela-censo-2022/

Assinale a opção que apresenta, de acordo com o texto, o fato inédito revelado pela pesquisa.

A Mais mulheres se tornaram chefes de família.
B Mais mulheres estão na posição de cônjuges.
C Mais homens figuram como maioria no comando das residências.
D Os dados de residências chefiadas por pessoas mais velhas diminuíram.
E Os homens mais velhos ocupam cada vez mais a posição de responsabilidade pelo lar.
Texto associado
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se às próximas 10 questões.

Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!

Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...

(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)

Assinale a opção em que o trecho retirado do texto revela noção de hipótese.

A Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz.
B Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega!
C Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime.
D (...) e porque não sabia esconder a sua ventura.
E (...) aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras.
Texto associado
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se às próximas 10 questões.

Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!

Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...

(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)

Assinale a opção que revela a crítica presente no texto.

A A maternidade como um peso nas escolhas para a mulher.
B A dependência da mulher em relação ao filho, considerados os papéis sociais.
C O desequilíbrio atribuído ao peso de uma traição cometida por mulheres, em relação aos homens.
D O questionamento da masculinidade diante da traição.
E A violência das relações parentais na sociedade brasileira.

Leia a frase de Epicuro a seguir. "A morte não é nada, já que quando somos, a morte ainda não veio, e quando a morte vem, já não somos." Em relação à estruturação ou significação da frase acima, é correto afirmar que:

A a repetição do termo “a morte” não traz um problema de estruturação da frase porque há ênfase intencional no emprego;
B como o verbo "ser" é um verbo de ligação, seu emprego na frase reduz a qualidade do texto;
C a expressão "não é nada" equivale a "é tudo", podendo esta substituir a forma anterior;
D os termos "ainda" e "já” são expressões de tempo, respectivamente de tempo passado e tempo futuro;
E a forma "vem" está inadequada e deveria ser substituída por "vier", já que se trata de um evento futuro.

Considere a frase de Eugênio Mohallem a seguir. "Aniversário: aquela festa onde comemoramos estar um ano mais próximo da morte." Em relação à estruturação ou significação da frase acima, é correto afirmar que:

A a frase mostra uma estrutura de definição de um termo, feita de forma objetiva;
B o termo "aniversário" foi referido por meio de um sinônimo ("festa");
C o emprego do demonstrativo "aquela" se justifica pela referência a um tempo distante;
D o termo "onde" mostra um mau emprego, devendo ser substituído por "quando";
E a frase traz uma visão otimista de um aniversário.

Uma pergunta muito comum é "Para que aprender a escrever?". Entre as frases abaixo, aquela que NÃO serve de resposta a essa pergunta é:

A "O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço." (Crítica Literária - Machado de Assis);
B "Aprende a escrever bem ou a não escrever de jeito nenhum." (Ensaio sobre a Sátira - Dryden);
C “À questão sempre formulada: 'Por que escreveis?' a resposta do poeta será sempre a mais breve: 'Para viver melhor.'!" (Resposta a um Questionário - Saint-John Perse);
D "Se escrevo é primeiro porque amo os homens. Tudo vem disso pra mim. Amo e por isso é que sinto esta vontade de escrever, me importo com os casos dos homens, me importo com os problemas deles e necessidades." (Cartas a Manuel Bandeira - Mário de Andrade);
E "Instruir e divertir os povos deve ser o empenho dos escritores; os mais hábeis são os que instruem divertindo." (Máximas, Pensamentos e Reflexões - Marquês de Maricá).

A frase que mostra um termo sublinhado que só pode ser identificado graças ao conhecimento de mundo do leitor, já que não foi mencionado antes, é:

A O telefone tocou no escritório e o toque foi escutado por todos os presentes.
B A igreja estava cheia, pois era dia de casamento de gente importante; o sacerdote estava com a batina nova.
C A mulher estava grávida de seis meses e durante toda a gravidez pediu que lhe comprassem doces variados.
D O carro era novo e o proprietário exigia que os passageiros limpassem os pés antes de entrarem no veículo.
E Os convidados deixavam os presentes na porta onde eles recebiam a identificação do doador.

A língua escrita tem diferentes funções. Cada uma das alternativas abaixo contém um texto no qual se evidencia uma dessas funções. A alternativa em que essa função está corretamente explicitada é:

A A cozinheira abriu o livro de receitas de sua avó e seguiu passo a passo as instruções ali dadas. / nesse caso, a função da escrita é a preservação de conhecimentos;
B O rapaz escolheu um dos mais belos poemas de Camões para mandar à sua namorada, mas perguntou-se se aquele poema, de tanto tempo atrás, ainda faria efeito. / nesse caso, a função da escrita é a de transferir um texto de um local a outro;
C O leitor apreciou com emoção o texto de Guimarães Rosa, que já lia pela vigésima vez, tal a sua beleza. / nesse caso, a função da escrita é transmitir conhecimento para o leitor;
D O repórter colocou à sua frente os nomes dos políticos que precisava citar na reportagem. / nesse caso, a função da escrita é produzir textos de qualidade artística;
E O publicitário fez um cartaz colorido e pregou suas cópias nas paredes do bairro a fim de que os vizinhos conhecessem o produto. / nesse caso, a função da escrita é a de memorizar.

O escritor italiano Leopardi escreveu em seus Pensamentos: "Como as prisões e as galeras estão cheias de pessoas, segundo elas, inocentíssimas, assim os empregos públicos e as honrarias de toda espécie são ocupados apenas por pessoas convidadas e forçadas a aceitar a seu malgrado. É quase impossível encontrar alguém que confesse ter merecido as penas que sofre, ou procurado ou desejado as honrarias de que goza". Sobre a estruturação ou a significação desse fragmento textual do século XVIII, é correto afirmar que:

A os presos e os ocupantes de cargos públicos de importância mostram em comum a hipocrisia;
B o pronome "elas" se refere, anaforicamente, aos substantivos "prisões" e "galeras";
C a forma verbal "são ocupados" se combina semanticamente com "empregos públicos" e "honrarias";
D os termos "forçadas" e "penas que sofre" são empregados por ironia;
E o termo "toda espécie" deveria ser adequadamente substituído por "toda a espécie".