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Questões filosóficas ligadas ao “Ser-Feminino” ou à condição humana do gênero feminino podem ser remontadas ao filósofo Marie-JeanAntoine-Nicolas de Caritat, Marques de Condorcet (1743 – 1794). Ele foi um inspirado defensor dos direitos humanos, contribuindo para o “Arqueofeminismo”, influenciando Olympe de Gouges, Mary Wollstonecraft e Simone de Beauvoir. Esta “filosofia feminista” move-se por todas as principais tradições ocidentais da filosofia, além da própria filosofia contemporânea, incluindo a filosofia analítica, continental, pragmatista, somada a outras variantes e interseções. À medida que as filósofas feministas realizam trabalhos em campos filosóficos tradicionais, da ética à epistemologia, elas introduzem novos conceitos e perspectivas que transformaram a própria filosofia. As filosofias feministas também estão traduzindo tópicos filosóficos anteriormente não problematizados, ou pouco problematizado, como o corpo, classe e trabalho, deficiência, família, reprodução, self , trabalho sexual, tráfico humano e sexualidade. Também podemos notar que elas estão trazendo uma lente particularmente feminista para as questões da ciência, globalização, direitos humanos, cultura popular, raça e racismo. Com base na reflexão sobre os movimentos da filosofia feminista contemporânea, analise as afirmativas abaixo:

I. A filosofia de Simone de Beauvoir postula que se aprende a se tornar mulher.

II. A “ética do cuidado” (“ethics of care” ou “ethics or EoC”) é uma ética que prescreve abordagens cuidadosas e femininas para os problemas éticos contemporâneos, em especial, para questões ecológicas.

III. A ética feminista é uma abordagem da ética que visa, entre outras coisas, promover os interesses das mulheres.

IV. A teoria epistemológica do ponto de vista feminista afirma que diferentes grupos sociais têm tipos distintos tipos de conhecimentos. Estão corretas as afirmativas:

A I e IV apenas
B I, III e IV apenas
C I e III apenas
D III e IV apenas
E I, II, III e IV

Houve no século XVII uma influente concepção sobre o mundo, a qual foi compartilhado por muitos filósofos do período, por exemplo, Locke. Trata-se da filosofia corpuscular mecanicista. Para Locke, essa teoria é a única que se deu a tarefa de explicar, de um modo inteligível, as qualidades dos corpos. Duas características da paisagem intelectual de Locke são salientes para a compreensão de sua filosofia da ciência, uma relativa à metodologia da nova ciência e a outra relativa ao seu conteúdo. A primeira é a nova abordagem metodológica para entender o mundo natural, acompanhada por profundas mudanças nas concepções de indução e conhecimento científico e nas fronteiras disciplinares. A segunda característica saliente é a teoria científica dominante de sua época, a hipótese corpuscular da nova ciência. Com base na reflexão sobre a filosofia corpuscular mecanicista do século XVII e da visão científica de Locke em particular, analise as afirmativas abaixo.

I. A filosofia corpuscular mecanicista considera os corpos observáveis como essencialmente compostos de partículas materiais ou corpúsculos.

II. A filosofia corpuscular mecanicista considera o impulso (ação por impacto de superfície) como o principal, senão o único, meio de comunicar o movimento entre os corpos físicos.

III. As principais teses de Locke, tais como ele as desenvolveu no Ensaio acerca do entendimento humano , são elaboradas em estreita conjunção com a hipótese corpuscular; notavelmente a noção de união entre essências reais e nominais cuja consequência é a união entre qualidades primárias e secundárias.

IV. Locke, no oitavo capítulo do segundo livro do Ensaio acerca do entendimento humano , realiza uma distinção entre qualidades primárias e secundárias. Essa hipótese lhe permite explicar a natureza da sensação; a qual constitui uma das fontes do conhecimento. Estão corretas as afirmativas:

A I e IV apenas
B I, II e IV apenas
C I, II e III apenas
D III e IV apenas
E I, II, III e IV

"Na situação contemporânea, talvez seja mais adequado se falar em ‘filosofias’, pois, face à sua dispersão, a Filosofia não mais se apresenta como um corpo de saber e, assim, não se propaga da mesma forma como um saber se transmite; isto é, apenas por aquisição. A atual disseminação da Filosofia - a mobilidade que muda de lugar o seu ‘assunto’ - ao mesmo tempo que indicia uma certa perda de vigor no ensino escolar garante a sua vigência como requisito indispensável para a articulação de teorias e estratégias culturais, políticas, científicas, pedagógicas e artística”. (FAVARETO, Celso F. "Notas sobre ensino de Filosofia". In: ARANTES, Paulo Eduardo, et alii. A filosofia e seu ensino. São Paulo: EDUC, 1993, p. 77). Com base na reflexão acima e suas possíveis consequências, analise as afirmativas abaixo.

I. O texto apresenta uma crise da Filosofia, porém, independente da perda de seu assunto instituído, provoca a sua valorização e o desenvolvimento de novos estilos de Filosofar.

II. A escolha do programa, por ser este necessariamente aberto, pode ser desenvolvido por qualquer professor, desde que tenha um conhecimento panorâmico das “Histórias das Ideias” e das “Ciências Humanas”.

III. O importante não é a discussão sobre opções de conteúdo: informações, rede conceitual, problemas, mas sim, o que possa garantir a entrada nos procedimentos filosóficos; isto é, à produção da familiaridade com um modo de linguagem que articula fabricação de conceitos, argumentação, sistematicidade e significação.

IV. O importante para um programa de Filosofia é estabelecer recortes efetuados na tradição conhecida como História da Filosofia, no elenco das áreas filosóficas tradicionais e atuais. Estão corretas as afirmativas:

A I e IV apenas
B I, II e IV apenas
C I, II e III apenas
D I, III e IV apenas
E I, II, III e IV

Considere a definição dada por Matos e Massoni em seu trabalho, “Uma estratégia para introduzir conceitos de física no Ensino Fundamental: o uso dos paradigmas kuhnianos”, para a relação entre a evolução das teorias científicas e sua relação com a manutenção e a quebra de paradigmas. São paradigmas que serviram de base para a comunidade científica durante longos períodos de ciência normal. Durante esses períodos, o paradigma pode apresentar dificuldades em explicar alguns fatos, fenômenos ou propriedades consideradas relevantes e caso essas anomalias se tornem resistentes podem levar o paradigma à crise, podendo resultar na substituição por outro paradigma. Essa ruptura é caracterizada por Kuhn como uma revolução científica. Fonte: Jênifer A. de Matos, Neusa T. Massoni. Revista Thema v.16 n.2

( 2019 ). No estudo, com estudantes de ensino médio, se realizou um debate entre dois grupos defendendo teorias distintas e um terceiro grupo representando um júri. Assim, no ambiente didático se estabelece um embate em torno da compreensão de um fenômeno e a formação de um consenso sobre sua explicação. Uma analogia, portanto, com a disputa que ocorre nos círculos científicos: “cientistas que disputam ~ grupos divergentes”, “comunidade científica como um todo ~ juri”. Do relato da atividade didática são extraídos (e adaptados) os seguintes excertos numerados:

I. “(...) há muitos materiais instrucionais e livros didáticos que mostram que a ciência é feita por gênios que descobrem fenômenos ao acaso.”

II. “(...) as leis são obtidas a partir de observações na medida em que há um método científico seguro que lhes garante a verdade.”

III. “Os defensores de Aristóteles argumentaram que o senso comum explica os movimentos, como o de queda dos corpos, com pensamentos aristotélicos.”

IV. “Os jurados tiveram um momento para debater e decidir o vencedor. No fim, escolheram a defesa galileana como a vencedora, uma vez que argumentaram melhor e trouxeram materiais extras.” Conforme a definição dada no texto para o pensamento de Kuhn para o estabelecimento das revoluções científicas em termos dessa analogia “sala ~ comunidade científica”, estabeleça a comparação entre as afirmações trazidas como sendo: RC - contribuidoras para o processo de ocorrência de revoluções científicas; NR - não contribuidoras para o processo ocorrência de revoluções científicas; Assinale a alternativa que realiza essa comparação corretamente.

A I-NR ; II-RC; III-RC; IV-NR
B I-NR ; II-NR; III-NR; IV-RC
C I-RC ; II-RC; III-NR; IV-NR
D I-NR ; II-RC; III-NR; IV-RC
E I-RC ; II-RC; III-NR; IV-RC

Em sua reflexão filosófica, a existência assume um caráter especial, considerando o homem como indivíduo cuja condição existencial é marcada por “angústia, desespero e paradoxo”. Na visão do filósofo, o homem como indivíduo tem diante de si um conjunto de realidades possíveis, nas quais deve realizar escolhas e determinar o seu modo de existir. Portanto, o filósofo explica essa configuração existencial a partir da existência de três estágios: estético, ético e religioso. A qual filósofo e a qual contexto filosófico o contexto apresentado se refere?

A Filosofia existencialista nos escritos do filósofo Sören Kierkegaard.
B Debate filosófico da metafísica existencialista nos escritos do filósofo Martin Heidegger
C Filosofia empirista nos textos do filósofo Jean-Paul Sartre.
D Debate filosófico sobre teoria do conhecimento na visão do filósofo Martin Heidegger.
E Reflexão filosófica sobre o existencialismo na visão do filosofo Immanuel Kant que tem como expressão a conhecida afirmação que “a existência precede a essência”.

Analise a seguinte afirmação do filósofo Merleau-Ponty: “nascer é ao mesmo tempo nascer do mundo e nascer no mundo. O mundo já está constituído, mas também não está nunca completamente constituído”. Considerando o pensamento do filósofo e sua relação com demais pensadores sobre o tema da liberdade, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. Quando o pensador fala que “nascemos do mundo”, quer dizer que, desde cedo, existe um campo aberto de possibilidades à nossa disposição, que pode nos permitir sermos livres ou não.

II. Podemos compreender que o filósofo está buscando explicar o significado e o conceito de liberdade com base em dois aspectos: o da construção e o da liberdade situada. Em ambos os aspectos, o mundo abre caminhos, mas também impõem limites para a vivência da liberdade.

III. Pode-se compreender a nossa existência com base em dois fundamentos: que nunca há determinismo e que nunca há escolhas absolutas, “pois nunca somos consciência nua”, algo pronto, acabado, somos seres abertos a uma infinidade de possibilidades.

IV. O pensador está concordando com o pensamento de Rousseau, que afirma: “o homem no seu estado natural não é livre”, porque já nasce pronto. Segundo o filósofo, o homem é “o lobo do próprio homem”. Para ambos os pensadores, é a sociedade que torna o homem livre bondoso e virtuoso. Em outras palavras, é a sociedade que constrói a essência humana.

A Todas estão corretas.
B Todas estão incorretas.
C Apenas I está correta.
D Apenas I, II e III estão corretas.
E Apenas II, III e IV estão corretas.

Gaston Bachelard, filósofo francês do século XIX, dedicou-se à filosofia da descoberta científica. Para ele, o historiador da ciência deve considerar ideias como fatos, enquanto o epistemólogo deve encarar fatos como ideias em um sistema de pensamento. No ensino elementar, Bachelard

( 2002 ) destaca a importância de extrair o abstrato do concreto, utilizando experiências para ilustrar teorias. Ele alerta que fenômenos interessantes podem envolver afetividade, prejudicando a objetividade científica. A ciência busca delinear e ordenar fenômenos, encontrando um equilíbrio entre concreto e abstrato, matemática e experiência, leis e fatos. Para isso, Bachelard valoriza experiências que fogem do comum, levando a contradições e discussões que resultam na criação de leis. Para Bachelard, o espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre:

A Questões que não possuem relevância científica, pois o conhecimento científico baseia-se em fatos bem estabelecidos e verificados.
B Questões que não compreendemos, pois todo conhecimento é resposta a uma pergunta. Se não há pergunta, não pode haver conhecimento científico.
C Temas que não se enquadram nas teorias estabelecidas, pois a ciência busca sempre reforçar as teorias já existentes, não considerando novas perspectivas.
D Assuntos que não tenham aplicação prática, pois a ciência busca soluções concretas para problemas reais.
E Questões que envolvam aspectos subjetivos ou emocionais, pois a ciência deve se basear em observações objetivas e imparciais.

“Não precisamos buscar na infinidade de conceitos de ‘filosofia’ – talvez um para cada autor de certa expressão, e que à vagueza das formulações acrescentam às vezes até posições contraditórias –, não precisamos procurar aí a incerteza e imprecisão que reinam e, sobretudo em nossos dias, no que concerne o objeto da especulação filosófica. Muito mais ilustrativa é a consulta aos textos filosóficos ou qualquer exposição ou análise do desenvolvimento histórico do assunto”. PRADO JUNIOR, Caio. O que é filosofia . São Paulo: Cultrix, 1981, p. 9. Considerando o trecho apresentado, a filosofia pode ser compreendida como:

A Uma forma de conhecimento humano que se distingue da opinião, uma vez que é capaz de dar justificação racional a certa crença ou visão de mundo.
B Uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores.
C Uma forma de conhecimento que não pode ser definida por uma única perspectiva ou prática filosófica.
D Uma arte que não tem como tarefa resolver questões, mas tão somente propor problemas, fazer perguntas.
E Uma forma de saber que não se pode definir, mas tão somente praticar.

René Descartes reserva a Deus uma importante função em suas Meditações . Para o pensador francês:

A Deus é o criador de todas as coisas, portanto, é o primeiro ente a ser conhecido para que todas as demais causas sejam conhecidas.
B A existência de Deus não pode ser atestada tendo como ponto de partida a consciência humana.
C Deus é o ser primeiro na ordem do ser, mas não o primeiro na ordem do conhecer, pois a primeira demonstração do ser é a coisa que pensa, isto é, a res cogitans .
D Seguindo o pensamento de São Tomás de Aquino, Descartes entende que Deus é o primeiro motor imóvel.
E Deus somente pode ser conhecido por meio de uma revelação que transcende a própria racionalidade.

Retomando pensadores medievais, René Descartes lança mão de um argumento para provar a existência de Deus na quinta de suas Meditações . O argumento e o primeiro filósofo a forjá-lo são, respectivamente:

A O argumento ontológico – Santo Anselmo.
B O argumento de que Deus é o primeiro motor imóvel – São Tomás de Aquino.
C O argumento da causalidade – Boécio.
D O argumento da impossibilidade de um Deus mau ( malin génie ) – São Boaventura.
E O argumento ontológico – Santo Agostinho.