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O cultivo da Filosofia proporcionou um crescente desenvolvimento dos conhecimentos e acúmulo de informações gerando uma constante busca para a produção de conhecimentos verdadeiros. Assim, no século XVII surge um método científico baseado na experiência e cuja aplicação a cada objeto de estudo constitui uma ciência diferente: a física, a química, a biologia e a partir do século XIX, as chamadas ciências humanas e sociais: psicologia, sociologia e humanidades em geral, possui o seu próprio método, o qual depende do objeto de conhecimento. Diante do exposto, assinale a alternativa correta.

A A ciência tem como característica básica a adequação do objeto com o método. Assim, muda o objeto, muda o método. Assim sendo, podemos dizer que a ciência não busca uma única explicação do universo que é homogêneo, contínuo e infinito
B A filosofia pode ser construída de várias maneiras, não possuindo um único método. Ela possui um campo privilegiado de estudo que é a Metafísica, por influência direta de Aristóteles
C As ciências historicamente surgiram da filosofia e, mesmo hoje, possuem a mesma forma de conhecimento
D A Filosofia tornou-se ao longo do tempo uma forma de conhecimento totalmente especulativa a qual contrasta com a ciência que possui um método rigoroso de busca da verdade
E Filosofia e ciência caracterizam-se por buscar formas de conhecimentos verdadeiras, fundamentado racionalmente esse conhecimento e que não se permite aceitar explicações imediatas e definitivas

“A Filosofia, no espaço escolar, acompanhada de todo processo educativo desenvolvido na escola, não só é responsável por formar as novas gerações, mas também precisa oferecer aos novos cidadãos aquilo que a humanidade possui de melhor, e não o que nos envergonha como humanos. Uma sociedade ou um Estado que neguem a seus cidadãos as conquistas mais qualitativas da humanidade promovem a barbárie e contribuem para a animalização do ser humano, transformando-o em coisa, em objeto […]”. (GHEDIN, Evandro. Ensino de Filosofia no Ensino Médio . São Paulo: Cortez, 2008, p. 144). Reflita sobre o texto acima e assinale a alternativa incorreta .

A A elevação do senso comum à consciência crítica é um dos elementos centrais do significado do conhecimento filosófico, como também uma das principais razões que sustentam a necessidade de ensinar conteúdos de Filosofia na escola e fazer a experiência do filosofar entre os estudantes. Essa elevação é um desabrochar para as potencialidades que podem tornar-se em atos por uma boa prática pedagógica
B A Filosofia devolve a dignidade ao ser humano sua capacidade de optar e definir o como e o porquê viver de uma determinada forma. Isso só pode ser alcançado por uma vontade livre que não é movida por um instinto que tende a repetir sempre a mesma coisa
C Um dos principais objetivos da Filosofia é formar para a cidadania e para o pensar crítico, então nas aulas de Filosofia deve-se desenvolver o exercício da relação Filosofia x prática cotidiana, Filosofia x reflexão de problemas da vida diária, Filosofia x discussão
D A Filosofia, como uma das mais antigas formas de saber, pode desenvolver uma erudição e um vasto conhecimento da história das ideias que ajudarão na prática de qualquer profissão ou interações sociais e não interfiram com as demais filosofias do ensino médio
E A problematização numa sala de aula de Filosofia deve estar em correlação com a história da Filosofia e quanto mais intensa e múltipla, mais elementos e estímulos terão os alunos para produzir sua própria experiência de pensamento. Descobrir que problemas e vivências contemporâneas já tiveram suas reflexões, proposições e apresentações num passado, causa uma enorme empolgação ao estudante

Já nas diretrizes para o ensino da Filosofia do Parecer de nº 277/62, realizada em 1962, procurava-se um princípio para nortear o curso de graduação no sentido de formar professores de filosofia altamente qualificados para introduzir os alunos do 2º grau na atividade crítico-reflexiva ( licenciatura ) e o de formar profissionais capazes de levar adiante, em outras áreas de atividade, a pesquisa filosófica e a reflexão crítica. Estava em questão o problema da flexibilidade e da diversificação aliado, em geral, à intenção de reforço de um ensino voltado mais para o rigor da formação que para o volume da informação. Mas é essa a dificuldade para o professor de Filosofia. Ensinar Filosofia: mas qual Filosofia. E se não há conteúdos, procedimentos e estratégias e o que deve ser ensinado: o que pode ser ensinado; como ensinar? Diante dessa questão, assinale a alternativa correta.

A A elevação do senso comum à consciência crítica é um dos elementos centrais do significado e do conhecimento filosófico, além de ser também uma de suas principais razões de ser. Essa elevação da consciência sustenta a necessidade de ensinar conteúdos de Filosofia na escola e fazer a experiência do filosofar, promovendo as discussões e trocas e desenvolvendo o senso crítico
B Articular os problemas tipicamente filosóficos com questões emergentes da experiência, sem levar em conta a situação cultural, mas apenas captando o imaginário dos alunos
C Usar valores, crenças, justificações, os "eu acho que" e liberá-los em conversas e discussões sem sistematizá-los, teorizá-los, mas buscando a manifestação emocional dos alunos
D Aproveitar a orientação dos estudantes para a Filosofia dado que o jovem tem sede da verdade
E Deixar a situação livre na sala de aula, sendo o conteúdo determinado pelos próprios alunos

Muitas das discussões contemporâneas oriundas das novas ciências são referências de velhas discussões já acontecidas na Filosofia em outros contextos históricos, agora atualizadas em novos contextos. Uma dessas discussões é a relação entre o corpo e a mente, com propostas dualistas, monistas e “monismo anômalo” (Donald Davidson). Neurociência, Ciências Cognitivas, Ceticismo Científico são novos campos do saber que fazem uso da história da filosofia para realizar suas discussões e defesas de teses. A respeito do pensamento de Descartes, filósofo do século XVII e considerado por muitos como o fundador da ciência moderna, assinale a alternativa correta.

A Nunca poderemos saber nada sobre a natureza última da realidade
B Devemos primeiramente fazer perguntas sobre o que realmente existe e somente depois poderemos perguntar sobre o que realmente podemos saber
C Não importa qual a pergunta fazemos ou a sua ordem metodológica. Podemos conhecer qualquer coisa no universo, desde que sigamos o método correto que varia segundo o objeto pesquisado
D Descartes descobriu, com certeza, que ele era a única coisa que existe no universo
E Segundo Descartes, percebemos indiretamente objetos que existem fora (e independentemente) de nossa mente; e, percebemos diretamente apenas ideias ou sensações que existem e dependem de nossas mentes

Em Filosofia procuramos ler, escrever e comentar artigos científicos, bem como dissertações de mestrado e teses de doutorado. Assinale a alternativa que apresenta quando podemos dizer que um texto de filosofia tem uma proposta ou tese forte e consistente.

A O texto possui uma declaração de procedimento
B O texto possui uma hipótese a ser testada
C O texto possui uma posição que está bem defendida
D O texto possui a primeira frase como resumo do conjunto
E Não existe um requisito que avalie se um escrito filosófico é forte

Quando Bertrand Russell diz que a filosofia visa a ampliação do “não-eu”, assinale a alternativa que apresenta o que ele quer dizer com esse conceito.

A A filosofia tenta tornar as pessoas mais generosas
B A filosofia não se interessa pelo eu
C A filosofia tenta provar que o eu é uma ilusão
D A filosofia tem como objetivo negar os interesses pessoais
E A filosofia tenta entender o mundo como ele é, não como nós o fazemos ou desejamos

"Na situação contemporânea, talvez seja mais adequado se falar em ‘filosofias’, pois, face à sua dispersão, a Filosofia não mais se apresenta como um corpo de saber e, assim, não se propaga da mesma forma como um saber se transmite; isto é, apenas por aquisição. A atual disseminação da Filosofia - a mobilidade que muda de lugar o seu ‘assunto’ - ao mesmo tempo que indicia uma certa perda de vigor no ensino escolar garante a sua vigência como requisito indispensável para a articulação de teorias e estratégias culturais, políticas, científicas, pedagógicas e artística”. (FAVARETO, Celso F. "Notas sobre ensino de Filosofia". In: ARANTES, Paulo Eduardo, et alii. A filosofia e seu ensino. São Paulo: EDUC, 1993, p. 77). Com base na reflexão acima e suas possíveis consequências, analise as afirmativas abaixo.

I. O texto apresenta uma crise da Filosofia, porém, independente da perda de seu assunto instituído, provoca a sua valorização e o desenvolvimento de novos estilos de Filosofar.

II. A escolha do programa, por ser este necessariamente aberto, pode ser desenvolvido por qualquer professor, desde que tenha um conhecimento panorâmico das “Histórias das Ideias” e das “Ciências Humanas”.

III. O importante não é a discussão sobre opções de conteúdo: informações, rede conceitual, problemas, mas sim, o que possa garantir a entrada nos procedimentos filosóficos; isto é, à produção da familiaridade com um modo de linguagem que articula fabricação de conceitos, argumentação, sistematicidade e significação.

IV. O importante para um programa de Filosofia é estabelecer recortes efetuados na tradição conhecida como História da Filosofia, no elenco das áreas filosóficas tradicionais e atuais. Estão corretas as afirmativas:

A I e IV apenas
B I, II e IV apenas
C I, II e III apenas
D I, III e IV apenas
E I, II, III e IV

Analise a seguinte afirmação do filósofo Merleau-Ponty: “nascer é ao mesmo tempo nascer do mundo e nascer no mundo. O mundo já está constituído, mas também não está nunca completamente constituído”. Considerando o pensamento do filósofo e sua relação com demais pensadores sobre o tema da liberdade, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. Quando o pensador fala que “nascemos do mundo”, quer dizer que, desde cedo, existe um campo aberto de possibilidades à nossa disposição, que pode nos permitir sermos livres ou não.

II. Podemos compreender que o filósofo está buscando explicar o significado e o conceito de liberdade com base em dois aspectos: o da construção e o da liberdade situada. Em ambos os aspectos, o mundo abre caminhos, mas também impõem limites para a vivência da liberdade.

III. Pode-se compreender a nossa existência com base em dois fundamentos: que nunca há determinismo e que nunca há escolhas absolutas, “pois nunca somos consciência nua”, algo pronto, acabado, somos seres abertos a uma infinidade de possibilidades.

IV. O pensador está concordando com o pensamento de Rousseau, que afirma: “o homem no seu estado natural não é livre”, porque já nasce pronto. Segundo o filósofo, o homem é “o lobo do próprio homem”. Para ambos os pensadores, é a sociedade que torna o homem livre bondoso e virtuoso. Em outras palavras, é a sociedade que constrói a essência humana.

A Todas estão corretas.
B Todas estão incorretas.
C Apenas I está correta.
D Apenas I, II e III estão corretas.
E Apenas II, III e IV estão corretas.

Gaston Bachelard, filósofo francês do século XIX, dedicou-se à filosofia da descoberta científica. Para ele, o historiador da ciência deve considerar ideias como fatos, enquanto o epistemólogo deve encarar fatos como ideias em um sistema de pensamento. No ensino elementar, Bachelard

( 2002 ) destaca a importância de extrair o abstrato do concreto, utilizando experiências para ilustrar teorias. Ele alerta que fenômenos interessantes podem envolver afetividade, prejudicando a objetividade científica. A ciência busca delinear e ordenar fenômenos, encontrando um equilíbrio entre concreto e abstrato, matemática e experiência, leis e fatos. Para isso, Bachelard valoriza experiências que fogem do comum, levando a contradições e discussões que resultam na criação de leis. Para Bachelard, o espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre:

A Questões que não possuem relevância científica, pois o conhecimento científico baseia-se em fatos bem estabelecidos e verificados.
B Questões que não compreendemos, pois todo conhecimento é resposta a uma pergunta. Se não há pergunta, não pode haver conhecimento científico.
C Temas que não se enquadram nas teorias estabelecidas, pois a ciência busca sempre reforçar as teorias já existentes, não considerando novas perspectivas.
D Assuntos que não tenham aplicação prática, pois a ciência busca soluções concretas para problemas reais.
E Questões que envolvam aspectos subjetivos ou emocionais, pois a ciência deve se basear em observações objetivas e imparciais.

“Não precisamos buscar na infinidade de conceitos de ‘filosofia’ – talvez um para cada autor de certa expressão, e que à vagueza das formulações acrescentam às vezes até posições contraditórias –, não precisamos procurar aí a incerteza e imprecisão que reinam e, sobretudo em nossos dias, no que concerne o objeto da especulação filosófica. Muito mais ilustrativa é a consulta aos textos filosóficos ou qualquer exposição ou análise do desenvolvimento histórico do assunto”. PRADO JUNIOR, Caio. O que é filosofia . São Paulo: Cultrix, 1981, p. 9. Considerando o trecho apresentado, a filosofia pode ser compreendida como:

A Uma forma de conhecimento humano que se distingue da opinião, uma vez que é capaz de dar justificação racional a certa crença ou visão de mundo.
B Uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores.
C Uma forma de conhecimento que não pode ser definida por uma única perspectiva ou prática filosófica.
D Uma arte que não tem como tarefa resolver questões, mas tão somente propor problemas, fazer perguntas.
E Uma forma de saber que não se pode definir, mas tão somente praticar.