Nestes 500 anos de história, quais são as figuras que personificam o nosso país, que sintetizam, por suas qualidades e seus defeitos, suas grandezas e suas misérias, a trajetória do Brasil? Nomes não nos faltam: Tiradentes, o Aleijadinho, Pelé, Chiquinha Gonzaga, Lampião, Antônio Conselheiro, Oswaldo Cruz, Villa Lobos, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Getúlio Vargas, Henfil... A vida de cada um deles contém, em miniatura, aqueles traços que, no dizer do antropólogo Roberto da Matta, fazem do Brasil o Brasil: o talento, a astúcia, a violência, a ternura, o humor, a imaginação, a vocação trágica. Mas eu, particularmente, quando penso em Brasil, penso numa outra pessoa. Uma mulher de quem nem sei o nome e que vi uma única vez.
Eu era responsável pelo posto de saúde da prefeitura na Lomba do Pinheiro numa época em que aquela era uma região isolada da cidade, de difícil acesso. Uma tarde, eu já estava saindo, quando de repente me surge essa mulher, moça ainda, mas de face devastada pela miséria, pelo sofrimento. Trazia nos braços o filho, para consultar. E, para trazer este filho, ela tinha caminhado doze quilômetros. Doze quilômetros com uma criança nos braços.
O que faz do Brasil o Brasil? Pernas como as daquela mulher, pernas que caminham incansáveis. Braços como os daquela mulher, que seguram, sem se fatigar, um filho, dois filhos, muitos filhos. O que faz do Brasil o Brasil é a coragem, a determinação, a resignação. Cada vez que alguém (em geral uma pessoa de classe média, a quem nada falta) me diz que o Brasil não tem jeito, que o Brasil é uma esculhambação, eu penso naquela mulher. E penso nela com profundo respeito. O que ela carrega nos braços é, ao fim e ao cabo, o Brasil. E vem fazendo isso há 500 anos.
Moacyr Scliar. A imagem viva do Brasil. In: Zero Hora, 16 de abril de 2000. Internet: (com adaptações).
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Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 9 a 14, baseie-se no texto abaixo.
Poesia e ciência
É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão cientifica prevalecente na época.
Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeistas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:
“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e. desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.
Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.
* Este texto foi publicado em 1999.
(Adaptado de GLEISER, Marcelo. Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)
Poesia e ciência
É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão cientifica prevalecente na época.
Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeistas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:
“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e. desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.
Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.
* Este texto foi publicado em 1999.
(Adaptado de GLEISER, Marcelo. Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)
Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.
Influências, influentes
Novos instrumentos de comunicação dão vida nova a velhos hábitos e subterfúgios. “Influencer”, no tempo digital das redes sociais, designa um agente e propagandista de valores que deseja incutir nos outros.
Coisa de hoje? Não apenas: me lembro de um livro de grande sucesso cujo titulo em português é “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnegie, editado nos EUA em 1936 e de grande sucesso por aqui nos anos seguintes. Já com esse titulo, instiga-nos & fazer amigos para sermos influentes. Fazer amizades pode ser um bom negócio...
Essa convicção se expandiu muito em nosso tempo eletrônico, quando também se propagam, sem qualquer prurido, ódios e ultrajes bem direcionados. Influenciar os outros a qualquer custo segue sendo uma obsessão presente.
“Influir”, do latim 'in-fluo', é “correr para dentro”, ou ainda “insinuar-se”. Mesmo que discretamente, dá alguma medida do que pode haver de invasivo na relação supostamente amistosa. Mas não custa lembrar que “influenza” é também o batismo de um virus poderoso de gripe, que pode resultar em pneumonia. Hoje, graças às vias digitais, podemos interferir drasticamente na saúde das cabeças alheias e ainda sermos prestigiados por isso.
(GOMES, Pafúncio. A editar)
Influências, influentes
Novos instrumentos de comunicação dão vida nova a velhos hábitos e subterfúgios. “Influencer”, no tempo digital das redes sociais, designa um agente e propagandista de valores que deseja incutir nos outros.
Coisa de hoje? Não apenas: me lembro de um livro de grande sucesso cujo titulo em português é “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnegie, editado nos EUA em 1936 e de grande sucesso por aqui nos anos seguintes. Já com esse titulo, instiga-nos & fazer amigos para sermos influentes. Fazer amizades pode ser um bom negócio...
Essa convicção se expandiu muito em nosso tempo eletrônico, quando também se propagam, sem qualquer prurido, ódios e ultrajes bem direcionados. Influenciar os outros a qualquer custo segue sendo uma obsessão presente.
“Influir”, do latim 'in-fluo', é “correr para dentro”, ou ainda “insinuar-se”. Mesmo que discretamente, dá alguma medida do que pode haver de invasivo na relação supostamente amistosa. Mas não custa lembrar que “influenza” é também o batismo de um virus poderoso de gripe, que pode resultar em pneumonia. Hoje, graças às vias digitais, podemos interferir drasticamente na saúde das cabeças alheias e ainda sermos prestigiados por isso.
(GOMES, Pafúncio. A editar)
É plenamente regular esta outra pontuação de uma frase do texto:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 6, leia o poema de Fausto Cardoso.
O Poeta
Quando surges sonhando e tua lira canta,
Inveja abrindo vai, como esfaimado corvo,
As asas negras pelo abobadado e torvo
Horizonte, em que o Deus da rima se levanta!...
Reatas a obra a imortal da caravana santa
Dos teus mortos irmãos, vencendo o mesmo estorvo,
Tragando o mesmo fel, haurindo o mesmo sorvo
Do veneno letal, que aos cobardes quebranta!
Omas a Terra e a Terra, ingrata, te apedreja,
Porque o Infinito tens na mente e os pões no verso,
A sustentar, cantando, intérmina peleja.
É um louco! — brada o mundo em tua luz imerso,
Mas segue o raio astral, que pelo Azul dardeja
Doirando as almas como o sol doira o Universo!
(Adaptado de: CARDOSO, Fausto. Esparsos e inéditos .
v.1-Poesia. Org. de Jackson da Silva Lima.
Aracaju: Secretaria de Educação, Subsecretaria de Cultura,
Govemo do Estado de Sergipe, 1980)
O Poeta
Quando surges sonhando e tua lira canta,
Inveja abrindo vai, como esfaimado corvo,
As asas negras pelo abobadado e torvo
Horizonte, em que o Deus da rima se levanta!...
Reatas a obra a imortal da caravana santa
Dos teus mortos irmãos, vencendo o mesmo estorvo,
Tragando o mesmo fel, haurindo o mesmo sorvo
Do veneno letal, que aos cobardes quebranta!
Omas a Terra e a Terra, ingrata, te apedreja,
Porque o Infinito tens na mente e os pões no verso,
A sustentar, cantando, intérmina peleja.
É um louco! — brada o mundo em tua luz imerso,
Mas segue o raio astral, que pelo Azul dardeja
Doirando as almas como o sol doira o Universo!
(Adaptado de: CARDOSO, Fausto. Esparsos e inéditos .
v.1-Poesia. Org. de Jackson da Silva Lima.
Aracaju: Secretaria de Educação, Subsecretaria de Cultura,
Govemo do Estado de Sergipe, 1980)
Uma pontuação alternativa para um trecho do poema, em que se mantém a correção gramatical, está em:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, baseie-se no texto abaixo.
Tira férias
A noção de férias está ligada a figuras de viagem, esporte, aplicações intensivas do corpo, quase nada a descanso. As pessoas executam durante esse intervalo aquilo que não puderam fazer ao longo do ano; fazem “mais” alguma coisa, de sorte que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades.
Matutando nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas, sem esforço para torná-las amenas. A ideia de viagem foi expulsa do programa: é das iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas que poderia tomar o trabalhador vacante. As viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de ruminação de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, filas, falta de vaga em hotel, atrasos, moeda aviltada, alfândega, pneu estourado no ermo, que mais?
Tudo aboli e fiz a experiência das férias propriamente ditas. Se me pedirem para contar o que fiz afinal nestas férias, direi legalmente: ignoro. Aos convites disse não, alegando estar em férias, alegação tão forte como a de estar ocupadíssimo. Durante esse período, o pensamento errou entre mil paragens, não se deteve em nenhuma; cada dia amadureceu e caiu como um fruto. Nada aconteceu? O não acontecimento é a essência das férias. E agora, é trabalhar duro onze meses para merecer as inofensivas e deliciosas férias do não.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Cadeira de balanço. 22a. ed. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 69-71)
Tira férias
A noção de férias está ligada a figuras de viagem, esporte, aplicações intensivas do corpo, quase nada a descanso. As pessoas executam durante esse intervalo aquilo que não puderam fazer ao longo do ano; fazem “mais” alguma coisa, de sorte que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades.
Matutando nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas, sem esforço para torná-las amenas. A ideia de viagem foi expulsa do programa: é das iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas que poderia tomar o trabalhador vacante. As viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de ruminação de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, filas, falta de vaga em hotel, atrasos, moeda aviltada, alfândega, pneu estourado no ermo, que mais?
Tudo aboli e fiz a experiência das férias propriamente ditas. Se me pedirem para contar o que fiz afinal nestas férias, direi legalmente: ignoro. Aos convites disse não, alegando estar em férias, alegação tão forte como a de estar ocupadíssimo. Durante esse período, o pensamento errou entre mil paragens, não se deteve em nenhuma; cada dia amadureceu e caiu como um fruto. Nada aconteceu? O não acontecimento é a essência das férias. E agora, é trabalhar duro onze meses para merecer as inofensivas e deliciosas férias do não.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Cadeira de balanço. 22a. ed. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 69-71)
É plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
Texto associado
Comoveec discute “Integra Bixos” nesta
segunda-feira
A Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (Comoveec) se reuniu nesta segunda-feira, 1º de abril, para discutir o esquema de segurança para o “Integra Bixos”. Marcado para o dia 6 de abril, no Jockey Club, das 18h às 6h do dia 7, o evento terá 12 horas de duração.
Diretor de produção da EXP Produções, organizadora do evento, Alaor Neto detalhou o planejamento para evitar impactos no trânsito local e apresentou as medidas de segurança adotadas. A expectativa é de um público de 3 mil pessoas.
O secretário executivo do Conselho Municipal de Segurança Pública (Comseg), Weber de Almeida Januário, destacou a importância dessas reuniões do Comoveec para assegurar a integridade dos participantes e proporcionar momentos de diversão e entretenimento sem preocupações em eventos de grande porte em Uberaba.
A reunião contou com a participação de equipes das Secretarias de Defesa Social (SDS), Trânsito, Transporte e Posturas, Superintendência de Defesa Social, Defesa Civil e Conselho Tutelar.
Adaptado de: https://portal.uberaba.mg.gov.br/secretaria_noticias/comoveec-discute-integra-bixos-nesta-segunda%250feira>. Acesso em: 06 abr. 2024.
segunda-feira
A Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (Comoveec) se reuniu nesta segunda-feira, 1º de abril, para discutir o esquema de segurança para o “Integra Bixos”. Marcado para o dia 6 de abril, no Jockey Club, das 18h às 6h do dia 7, o evento terá 12 horas de duração.
Diretor de produção da EXP Produções, organizadora do evento, Alaor Neto detalhou o planejamento para evitar impactos no trânsito local e apresentou as medidas de segurança adotadas. A expectativa é de um público de 3 mil pessoas.
O secretário executivo do Conselho Municipal de Segurança Pública (Comseg), Weber de Almeida Januário, destacou a importância dessas reuniões do Comoveec para assegurar a integridade dos participantes e proporcionar momentos de diversão e entretenimento sem preocupações em eventos de grande porte em Uberaba.
A reunião contou com a participação de equipes das Secretarias de Defesa Social (SDS), Trânsito, Transporte e Posturas, Superintendência de Defesa Social, Defesa Civil e Conselho Tutelar.
Adaptado de: https://portal.uberaba.mg.gov.br/secretaria_noticias/comoveec-discute-integra-bixos-nesta-segunda%250feira>. Acesso em: 06 abr. 2024.
Em “O secretário executivo do Conselho Municipal de Segurança Pública (Comseg), Weber de Almeida Januário, destacou a importância dessas reuniões do Comoveec para assegurar a integridade dos participantes e proporcionar momentos de diversão e entretenimento sem preocupações em eventos de grande porte em Uberaba.”, a respeito da pontuação do trecho destacado, é correto afirmar que
Texto associado
Se é reversível, se joga!
Aline Gomes
Quem me conhece sabe que eu sou a princesa dos ditados, porque a rainha é minha mãe, temos um ditado pra maioria das situações, e quando não temos um inventamos um nosso. E eu vou criar pra gente começar bem nosso colu-papo: Se é reversível vai sem medo, se não é pensa mais 2 minutos e vai com medo mesmo. Tá, mas por que que tô dizendo isso?! Senta que lá vem história!
Desde criança sempre gostei de música, eletrônica, natureza e de consertar qualquer coisa, cantei na igreja, alguma coisa dentro de mim me dizia que seria cantora, escolhi aprender a tocar violão ao invés de inglês, dentre várias decisões fazer computação foi uma delas. É interessante como a decisão da sua formação é tratada como um definidor de que tipo de pessoa você vai ser, é como se isso te colocasse numa caixinha intransferível pra sempre. No meio desse turbilhão de incertezas que estamos vivendo, tenho acompanhado minha sobrinha definir qual curso ela vai fazer, eu já disse logo pra ela, amada infelizmente nessa não posso te ajudar muito, pois quando eu tive que fazer isso o Brasil era outro lá em 2006. Ter que falar isso pra ela no nosso primeiro papo, me fez ficar bem reflexiva sobre essa parada de escolher um curso/profissão. Foi dai que comecei a pensar e a observar melhor todas as pessoas com quem trabalho que fizeram migração de carreira e, vou te falar, com certeza temos muito que aprender com elas, que sangue no olho é o que não falta. [...]
Já faz um tempo que a tecnologia deixou de ser sobre máquinas. É sobre pessoas e suas experiências transformadas em produtos de software, e pra mim quanto mais gente vinda de todas as áreas estiverem envolvidas nisso, mais rica, acessível, inclusiva, bonita e cheirosa será a tecnologia.
E depois de refletir sobre migração de carreira entendi que o dilema de escolher um curso não precisa ser tão doloroso porque, como diz o meu ditado, se é reversível se joga, porque enquanto for possível estar aqui, é possível tomar novos caminhos, aprender novas coisas, carreiras e pessoas. Eu corri pra compartilhar essa minha conclusão com a minha sobrinha e agora com você, desejo aí coragem e leveza por que o que é reversível a gente sempre vai dar um jeito. A tecnologia precisa disso tudo que você já sabe.
Adaptado de: https://midianinja.org/laisgomes/se-ereversivel-se-joga/ Acesso em: 01 dez. 2021.
Aline Gomes
Quem me conhece sabe que eu sou a princesa dos ditados, porque a rainha é minha mãe, temos um ditado pra maioria das situações, e quando não temos um inventamos um nosso. E eu vou criar pra gente começar bem nosso colu-papo: Se é reversível vai sem medo, se não é pensa mais 2 minutos e vai com medo mesmo. Tá, mas por que que tô dizendo isso?! Senta que lá vem história!
Desde criança sempre gostei de música, eletrônica, natureza e de consertar qualquer coisa, cantei na igreja, alguma coisa dentro de mim me dizia que seria cantora, escolhi aprender a tocar violão ao invés de inglês, dentre várias decisões fazer computação foi uma delas. É interessante como a decisão da sua formação é tratada como um definidor de que tipo de pessoa você vai ser, é como se isso te colocasse numa caixinha intransferível pra sempre. No meio desse turbilhão de incertezas que estamos vivendo, tenho acompanhado minha sobrinha definir qual curso ela vai fazer, eu já disse logo pra ela, amada infelizmente nessa não posso te ajudar muito, pois quando eu tive que fazer isso o Brasil era outro lá em 2006. Ter que falar isso pra ela no nosso primeiro papo, me fez ficar bem reflexiva sobre essa parada de escolher um curso/profissão. Foi dai que comecei a pensar e a observar melhor todas as pessoas com quem trabalho que fizeram migração de carreira e, vou te falar, com certeza temos muito que aprender com elas, que sangue no olho é o que não falta. [...]
Já faz um tempo que a tecnologia deixou de ser sobre máquinas. É sobre pessoas e suas experiências transformadas em produtos de software, e pra mim quanto mais gente vinda de todas as áreas estiverem envolvidas nisso, mais rica, acessível, inclusiva, bonita e cheirosa será a tecnologia.
E depois de refletir sobre migração de carreira entendi que o dilema de escolher um curso não precisa ser tão doloroso porque, como diz o meu ditado, se é reversível se joga, porque enquanto for possível estar aqui, é possível tomar novos caminhos, aprender novas coisas, carreiras e pessoas. Eu corri pra compartilhar essa minha conclusão com a minha sobrinha e agora com você, desejo aí coragem e leveza por que o que é reversível a gente sempre vai dar um jeito. A tecnologia precisa disso tudo que você já sabe.
Adaptado de: https://midianinja.org/laisgomes/se-ereversivel-se-joga/ Acesso em: 01 dez. 2021.
Quanto à pontuação, assinale a alternativa que representa a reescrita correta para o excerto “[...] eu já disse logo pra ela, amada infelizmente nessa não posso te ajudar muito, pois quando eu tive que fazer isso o Brasil era outro lá em 2006.”.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.
Ir ao mesmo lugar
Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente
realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da tele-
visão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata
de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez
mais, vemos apenas simulacros da realidade.
Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nun-
ca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a
uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais
eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me li-
mito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão tu-
rística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver
"a própria coisa"? O turismo representa para muitos um modo
de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da
viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos
ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem
ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrina-
ção real fazem o possível para ficarem parecidos com os lo-
cais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja
é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
Ocorre também que todos os lugares tendem a se pare-
cer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história.
Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a
pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livra-
rias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos
por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as
mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Lon-
dres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se pa-
recem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem
as mesmas lojas.
Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turis-
mo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar
sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que
poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.
(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)
Ir ao mesmo lugar
Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente
realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da tele-
visão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata
de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez
mais, vemos apenas simulacros da realidade.
Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nun-
ca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a
uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais
eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me li-
mito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão tu-
rística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver
"a própria coisa"? O turismo representa para muitos um modo
de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da
viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos
ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem
ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrina-
ção real fazem o possível para ficarem parecidos com os lo-
cais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja
é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
Ocorre também que todos os lugares tendem a se pare-
cer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história.
Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a
pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livra-
rias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos
por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as
mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Lon-
dres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se pa-
recem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem
as mesmas lojas.
Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turis-
mo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar
sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que
poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.
(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, com a inserção da vírgulana passagem do texto, a redação atende à norma-padrãode pontuação.
Texto associado
Julgue os itens a seguir, relativos a aspectos estruturais e gramaticais do texto CB1A1.
O emprego das vírgulas após os trechos "De acordo com o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT)" (no segundo período do primeiro parágrafo) e "Conforme definição da OIT" (no início do segundo parágrafo) justifica-se pelo mesmo motivo.
Texto associado
Texto 1A2-II
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E, quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano. A função da arte/1 . In: O livro dos abraços . Tradução de
Eric Nepomuceno. 9.ª ed. Porto Alegre: L&PM, 2002 (com adaptações).
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E, quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano. A função da arte/1 . In: O livro dos abraços . Tradução de
Eric Nepomuceno. 9.ª ed. Porto Alegre: L&PM, 2002 (com adaptações).