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Analisar as duas frases abaixo:

I. Não, corra!

II. Não corra! É CORRETO afirmar que as duas frases têm:

A Sentidos distintos. Enquanto a primeira indica a alguém que corra, a segunda indica o oposto.
B O mesmo sentido, indicando a alguém que corra.
C Sentidos distintos. Enquanto a segunda indica a alguém que corra, a primeira indica o oposto.
D O mesmo sentido, indicando a alguém que não corra.

Em 2008, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) publicizou a seguinte campanha centrada no modo como a informação produz distintos sentidos, ilustrada no uso da vírgula. Vírgula pode ser uma pausa… ou não. Não, espere. Não espere. Ela pode sumir com seu dinheiro. 23,4. 2,34. Pode criar heróis. Isso só, ele resolve. Isso, só ele resolve. Ela pode ser autoritária. Aceito, obrigado. Aceito obrigado. Ela pode criar vilões. Esse, juiz, é corrupto. Esse juiz é corrupto. Pode ser a solução. Vamos perder, nada foi resolvido. Vamos perder nada, foi resolvido A vírgula muda uma opinião. Não queremos saber. Não, queremos saber. A vírgula pode condenar ou salvar. Não tenha clemência! Não, tenha clemência! Uma vírgula muda tudo. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude nem uma vírgula da sua informação. Disponível em:https://www.propagandashistoricas.com.br/2013/11/abi-100-anos-virgula-2008.html. Acesso em: 25 mar. 2023. (Adaptado) Entre as afirmações a seguir, qual explica corretamente a relação entre o uso e a ausência das vírgulas conforme observadas na propaganda da ABI?

A Em “Aceito obrigado”, a ausência da vírgula produz um sentido que também se verificaria com o uso da vírgula.
B O trecho “Vamos perder nada, foi resolvido” produz o sentido de inconclusão.
C No trecho “Isso só, ele resolve”, há o sentido de imprecisão atribuída à afirmação.
D A retirada da vírgula em "Não, tenha clemência!” mantém o ato de clemência.
E Em “Esse, juiz, é corrupto”, as vírgulas sinalizam interação entre o falante e o interlocutor.
Texto associado
A Era da Exploração e os alimentos (Texto desenvolvido especificamente para este concurso. Os textos originais estão disponíveis em Impactos da Era da Exploração (https://www.historycrunch.com/impacts-of-exploration.html#/) e Quando se trata de alimentos frescos, o Peru se destaca no cenário mundial (https://nowthatslogistics.com/quando-se-trata-de-alimentos-frescos-operu-se-destaca-no-cenario-mundial/?lang=pt-br) A Era dos Descobrimentos, conhecida como Era da Exploração, é a definida como uma das mais relevantes épocas de exploração geográfica da história humana. Iniciada no século XV, perdurou até o século XVII. As descobertas feitas pelos exploradores europeus permitiram uma maior compreensão dos continentes americanos e dos povos que neles habitavam. Um resultado importante desse período, ______ (I. às – as) vezes esquecido, é a disseminação de novos tipos de alimentos advindo do continente americano para todo o mundo. Muitos historiadores tendem a se concentrar na descoberta de ouro e prata, bem como em novos povos. No entanto, a globalização da alimentação também foi um aspecto importante. Alguns alimentos comuns no cotidiano, padrão em muitos países modernos, originaram-se no Novo Mundo. Milho, tomate, aspargo, pimenta malagueta e batata são alguns dos exemplos mais conhecidos. Esses alimentos desempenham um papel importante tanto na alimentação quanto nas economias modernas. O amendoim, por exemplo, é um alimento muito conhecido no mundo todo. Grande parte dos arqueólogos acreditam que o amendoim seja um alimento básico para algumas culturas ______ (II. à – há), pelo menos, 3.500 anos. Descobriu-se que esse alimento é nativo do Peru e de outro país da América do Sul, o Brasil. O fato é que os marinheiros europeus levaram o amendoim para Espanha e de lá foi introduzido em outros países europeus. Hoje, ele se tornou um alimento básico da alimentação cotidiana na Europa, América do Norte, África e Ásia. Também é uma cultura comercial importante para muitos países africanos e para parte dos EUA. De fato, sem o amendoim, as economias dessas áreas seriam fortemente afetadas. Além do amendoim, o Peru é citado como o país de origem de outros alimentos atualmente populares. A alcachofra foi outro alimento que os exploradores trouxeram do Novo Mundo para a Europa e, atualmente, ela é um dos vegetais mais conhecidos em diversas partes do mundo. Relatórios confirmam que o Peru continua a exportar cerca de US$ 20 milhões em alcachofras por ano! A maior exportação peruana, no entanto, é a do aspargo. As exportações de uvas frescas, mirtilos, abacates, café e aspargos do Peru aumentaram 18% em 2021, graças à significativa demanda global por seus produtos frescos. Pode-se constatar que da Era da Exploração à Era da Globalização, o acesso aos alimentos ampliou-se e se espalhou pelo mundo, garantindo o desenvolvimento no país que produz os alimentos, enriquecendo sobremaneira a alimentação cotidiana e a balança comercial nos países citados e diversos outros.

Emprega-se a vírgula para separar os termos coordenados assindéticos, ou seja, os termos que não são unidos por conectivo. Esses termos devem ter mesma função sintática, que formam, muitas vezes, enumerações” (BEZERRA, 2015, p.671). Diante deste conceito de uso da vírgula, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa que exemplifique o conceito apresentado.

I. (...) ele se tornou um alimento básico de alimentação cotidiana na Europa, América do Norte, África e Ásia.

II. De fato, sem o amendoim, as economias dessas áreas seriam fortemente afetadas.

III. Além do amendoim, o Peru é citado como o país de origem de outros alimentos atualmente populares. Estão corretas as afirmativas:

A I apenas.
B II apenas.
C III apenas.
D II e III apenas.
Texto associado
Rita me abriu uma porta e chamou: “vem comigo”. Por Martha Medeiros 01 Resumida história do jeans : durante ... Corrida do Ouro, na Califórnia, mineradores 02 precisavam de roupas fortes e duráveis, então o industrial Levi Strauss inventou calças em tecido 03 rústico, usando toldos de barracas e carroças. O molde veio de uma calça de marinheiro genovês, 04 daí a palavra “ jeans ” . 05 A partir de 1930, essas calças começaram a ser usadas em filmes de cowboy. Nos anos 06 1950, James Dean e Marylin Monroe aderiram, e o jeans tornou-se um símbolo de rebeldia, 07 popularizando-se entre os jovens. Nos anos 1960 e 1970, o movimento hippie consagrou-o. 08 Revolução concluída, o jeans foi adotado pela moda nos anos 1980, com estilistas lançando suas 09 próprias marcas. 10 O resumo da minha história: nasci com o gene da obediência. Fui uma menina mais calada 11 do que extrovertida, e ser livre virou um ideal. Um dia, ouvi um jingle que definia liberdade como 12 sendo uma calça velha, azul e desbotada. Comprei e não tirei mais do corpo. Na adolescência, 13 só faltava dormir com as calças da Lixo, famosas pela boca pata de elefante. ... despeito da 14 marca, eu chamava todas elas de calça Lee em vez de jeans. 15 Virou peça curinga de pessoas de todas as idades, classes, credos e cruz-credos: é da 16 natureza do jeans, a democracia. Um uniforme que convida ... autenticidade: pode-se usá-lo 17 com pedrarias ou rasgões, pérolas no pescoço ou dreadlock no cabelo. 18 Está nos brechós e nas vitrines da Avenue Montaigne. São tantos os estilos, que buscar 19 o modelo perfeito se tornou um estresse, mas depois de experimentar uns 30 no provador de 20 uma loja de departamentos, a gente acaba dando match com algum (essa sou eu, a que prefere 21 um jeans “zé-ninguém” aos de grife). 22 Comecei a escrever este texto _________ foi em 20 de maio de 1873 que Levi Strauss 23 patenteou o jeans, dando início ao seu bombástico sucesso. Há exatos 150 anos. Achei que cabia 24 o registro em crônica, e estava exatamente aqui, nos parágrafos finais, quando soube da morte 25 de Rita. Foi um flechaço: adeus. Parecia que eu tinha perdido uma amiga íntima. Fiquei sem 26 palavras, abandonei o computador e fui fazer meu luto. Só mais tarde voltei ao texto, perplexa 27 com a coincidência luminosa: Lee. 28 Minha mais importante Lee. A que me ensinou o que era liberdade para além dos refrões 29 de jingles, a que salvou a menina perdida, procurando se encontrar. Rita me abriu uma porta e 30 chamou, “vem comigo”, e fui com ela bailar, amar, gozar – e nunca mais me calei. 31 Se tive coragem para ser uma mulher independente, devo à Rita o empurrão e o caimento. 32 Agora é tratar de viver o daqui para frente, sobre o qual sei quase nada, apenas que, mesmo 33 que aos 90 anos, é de jeans que pretendo ser flagrada no final. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2023/05/rita-me-abriu-uma-porta-e-chamou-vem-comigo-clhtfxiuh008d0165t6g20fpv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:

I. Na linha 01, o emprego dos dois-pontos deve-se à introdução de uma explicação a respeito de um termo anterior à ocorrência desse sinal de pontuação.

II. Na linha 04, o emprego das aspas deve-se ao fato de que a palavra está sendo citada a partir do discurso de outra pessoa.

III. Na linha 30, o emprego do travessão introduz a fala de um personagem. Quais estão corretas?

A Apenas I.
B Apenas II.
C Apenas I e II.
D Apenas II e III.
E I, II e III.
Texto associado
Sempre me lembro da história exemplar de um mineiro que veio até a capital, zanzou por aqui, e voltou para contar em casa os assombros da cidade. Seu velho pai balançou a cabeça; fazendo da própria dúvida a sua sabedoria: “É, meu filho, tudo isso pode ser muito bonito, mas pai de família que não tem plantação, não sei não...” Às vezes morro de nostalgia. São momentos de sinceridade, nos quais todo o meu ser denuncia minha falsa condição de morador do Rio de Janeiro. A trepidação desta cidade não é minha. Sou mais, muito mais, querendo ou não querendo, de uma indolência de sol parado e gerânios. Minha terra é outra, minha gente não é esta, meu tempo é mais pausado, meus assuntos são mais humildes, minha fala, mais arrastada. O milho pendoou? Vamos ao pasto dos Macacos matar codorna? A vaca do coronel já deu cria? Desta literatura rural é que preciso. Eis em torno de mim, a cingir-me como um anel, o Rio de Janeiro. Velozes automóveis me perseguem na rua, novos edifícios crescem fazendo barulho em meus ouvidos, a guerra comercial não me dá tréguas, o clamor do telefone me põe a funcionar sem querer, a vaga se espraia e repercute no meu peito, minha inocência não percebe o negócio de milhões articulado com um sorriso e um aperto de mão. Pois eu não sou daqui. Vivo em apartamento só por ter cedido a uma perversão coletiva; nasci em casa de dois planos, o de cima, da família, sobre tábuas lavadas, claro e sem segredos, e o de baixo, das crianças, o porão escuro, onde a vida se tece de nada, de pressentimentos, de imaginação, do estofo dos sonhos. A maciez das mãos que me cumprimentam na cidade tem qualquer coisa de peixe e mentira; não sou desta viração mesclada de maresia; não sei comer este prato vermelho e argênteo de crustáceos; não entendo os sinais que os navios trocam na cerração além da minha janela. Confio mais em mãos calosas, meus sentidos querem uma brisa à boca da noite cheirando a capim-gordura; um prato de tutu e torresmos para minha fome; e quando o trem distante apitasse na calada, pelo menos eu saberia em que sentimentos desfalecer. Ando bem sem automóvel, mas sinto falta de uma charrete. Com um matungo que me criasse amizade, eu visitaria o vigário, o médico, o turco, o promotor que lê Victor Hugo, o italiano que tem uma horta, o ateu local, o criminoso da cadeia, todos eles muitos meus amigos. Se aqui não vou à igreja, lá pelo menos frequentaria a doçura do adro, olhando o cemitério em aclive sobre a encosta, emoldurado em muros brancos. Aqui jaz Paulo Mendes Campos. Por favor, engavetem-me com simplicidade do lado da sombra. É tudo o que peço. E não é preciso rezar por minha alma desgovernada. (Adaptado de: CAMPOS, Paulo Mendes. Balé do pato. São Paulo: Ática, 2012)

Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo em:

A “ É, meu filho, tudo isso pode ser muito bonito, mas pai de família que não tem plantação, não sei não ...” (1 º parágrafo).
B "Minha terra é outra, minha gente não é esta, meu tempo é mais pausado, meus assuntos são mais humildes, minha fala, mais arrastada.” (2 º parágrafo).
C “Ando bem sem automóvel, mas sinto falta de uma charrete.” (5 º parágrafo).
D “Eis em torno de mim, a cingir-me como um anel, o Rio de Janeiro.” (3 º parágrafo).
E “Se aqui não vou à igreja, lá pelo menos frequentaria a doçura do adro, olhando o cemitério em aclive sobre a encosta, emoldurado em muros brancos.” (5 º parágrafo).
Texto associado
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica O importuno, de Carlos Drummond de Andrade, publicada originalmente em 13/07/1966 1. − Que negócio é esse? Ninguém me atende? 2. A muito custo, atenderam; isto é, confessaram que não podiam atender, por causa do jogo com a Bulgária. 3. − Mas que tenho eu com o jogo com a Bulgária, façam-me o favor? E os senhores por acaso foram escalados para jogar? 4. O chefe da seção aproximou-se, apaziguador: 5. − Desculpe, cavalheiro. Queira voltar na quinta-feira, 14. Quinta-feira não haverá jogo, estaremos mais tranquilos. 6. − Mas prometeram que meu papel ficaria pronto hoje sem falta. 7. − Foi um lapso do funcionário que lhe prometeu tal coisa. Ele não se lembrou da Bulgária. O Brasil lutando com a Bulgária, o senhor quer que o nosso pessoal tenha cabeça fria para informar papéis? 8. − Perdão, o jogo vai ser logo mais, às quinze horas. É meio-dia, e já estão torcendo? 9. − Ah, meu caro senhor, não critique nossos bravos companheiros, que fizeram o sacrifício de vir à repartição trabalhar quando podiam ficar em casa ou na rua, participando da emoção do povo… 10. − Se vieram trabalhar, por que não trabalham? 11. − Porque não podem, ouviu? Porque não podem. O senhor está ficando impertinente. Aliás, disse logo de saída que não tinha nada com o jogo com a Bulgária! O Brasil em guerra − porque é uma verdadeira guerra, como revelam os jornais − nos campos da Europa, e o senhor, indiferente, alienado, perguntando por um vago papel, uma coisinha individual, insignificante, em face dos interesses da pátria! 12. − Muito bem! Muito bem! − funcionários batiam palmas. 13. − Mas, perdão, eu… eu… 14. − Já sei que vai se desculpar. O momento não é para dissensões. O momento é de união nacional, cérebros e corações uníssonos. Vamos, cavalheiro, não perturbe a preparação espiritual dos meus colegas, que estão analisando a Seleção Búlgara e descobrindo meios de frustrar a marcação de Pelé. O senhor acha bem o 4-2-4 ou prefere o 4-3-3? 15. − Bem, eu… eu… 16. − Compreendo que não queira opinar. É muita responsabilidade. Eu aliás não forço opinião de ninguém. Esta algazarra que o senhor está vendo resulta da ampla liberdade de opinião com que se discute a formação do selecionado. Todos querem ajudar, por isso cada um tem sua ideia própria, que não se ajusta com a ideia do outro, mas o resultado é admirável. A unidade pela diversidade. Na hora da batalha, formamos uma frente única. 17. − Está certo, mas será que, voltando na quinta-feira, eu encontro o meu papel pronto mesmo? 18. − Ah, o senhor é terrível, nem numa hora dessas esquece o seu papelzinho! Eu disse quinta-feira? Sim, certamente, pois é dia de folga no campeonato. Mas espere aí, com quatro jogos na quarta-feira, e o gasto de energia que isso determina, como é que eu posso garantir o seu papel para quinta-feira? Quer saber de uma coisa? Seja razoável, meu amigo, procure colaborar. Procure ser bom brasileiro, volte em agosto, na segunda quinzena de agosto é melhor, depois de comemorarmos a conquista do Tri. 19. − E… se não conquistarmos? 20. − Não diga uma besteira dessas! Sai, azar! Vá-se embora, antes que eu perca a cabeça e… 21. Vozes indignadas: 22. − Fora! Fora! 23. O servente sobe na cadeira e comanda o coro: 24. − Bra-sil! Bra-sil! Bra-sil! 25. Estava salva a honra da torcida, e o importuno retirou-se precipitadamente. (Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Quando é dia de futebol. São Paulo: Companhia das Letras, 2014)

Verifica-se o emprego de vírgula(s) para isolar um vocativo em:

A Ah, o senhor é terrível, nem numa hora dessas esquece o seu papelzinho! (18º parágrafo)
B Perdão, o jogo vai ser logo mais, às quinze horas. (8º parágrafo)
C Mas, perdão, eu… eu… (13º parágrafo)
D Na hora da batalha, formamos uma frente única. (16º parágrafo)
E Seja razoável, meu amigo, procure colaborar. (18º parágrafo)
Texto associado
Procrastinação: entenda essa inimiga. E livre-se dela. Adiar tarefas importantes em prol de atividades inúteis é uma tendência universal, com raízes biológicas. Mas quando o problema se torna crônico pode (e vai) arruinar sua carreira. Conheça as causas da procrastinação e veja estratégias científicas para combatê-la. Só não deixe para ler depois. “O homem que adia o trabalho está sempre a lutar com desastres.” A frase é da obra “Os trabalhos e os dias”, do poeta grego Hesíodo , que viveu e escreveu no século 8 a.C. No texto em questão, ele aconselha o seu irmão Perses , com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o para nunca deixar as tarefas importantes para depois. “Não adies para amanhã nem depois de amanhã, pois não enche o celeiro o homem negligente, nem aquele que adia: a atenção faz o trabalho prosperar”, continua o poeta. A obra grega em questão é tão antiga quanto os trechos mais ancestrais da Bíblia, escritos na mesma época. E registra a luta da humanidade contra um demônio persistente: a procrastinação – o ato de não deixar para amanhã aquilo que pode ser feito depois de amanhã. Pior. Tecnologias que facilitam a vida sempre trouxeram como efeito colateral um convite ao adiamento sem fim. Em 1920, por exemplo, a escritora inglesa Virginia Woolf reclamou sobre estar perdendo tempo demais com as novidades de sua época em vez de se concentrar naquilo que realmente importava. “Planejei uma manhã de escrita tão boa, e gastei a nata do meu cérebro no telefone”, escreveu em seu diário. Tudo bem, Mrs. Woolf. Até este texto foi finalizado poucas horas antes do prazo derradeiro – em parte por conta da procrastinação deste que vos escreve. A culpa não é (só) nossa. A procrastinação é um fenômeno universal e atemporal porque tem causas biológicas, psicológicas e sociais. Embora alguns sofram mais com ela do que outros, ninguém consegue fugir totalmente da tentação de adiar tarefas. Na dúvida, culpe Darwin . Humanos não são muito afeitos a tarefas cuja recompensa só vem em longo prazo. “Nosso cérebro é bom em escolher o que nos traz benefício no aqui e agora”, explica Claudia Feitosa-Santana, neurocientista pela Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “Eu controlo como eu me sinto” (2021). “Tudo que é visto como algo que está lá no futuro, o cérebro é bom em literalmente não escolher”. Curtir memes no TikTok , jogar um game ou ver aquele episódio a mais de uma série na Netflix à 1h da manhã trazem doses de prazer e felicidade instantaneamente. Adiantar o relatório, estudar para a prova ou organizar o guarda-roupas são tarefas que, além de desagradáveis, seguem uma lógica de longo prazo – e podem (quase) sempre ser deixadas para depois. O lado primitivo do seu cérebro sempre vai preferir gastar energia e atenção com algo que traga resultado imediato. Os primatas do gênero Homo , que deram origem à nossa espécie, evoluíram por dois milhões de anos em ambiente selvagem. Nossa massa cinzenta foi forjada ali, não no relativo conforto da civilização. E segue programada para viver sob aquelas condições. Gastar energia com tarefas que só trarão algum benefício lá na frente simplesmente não é a melhor opção para um cérebro que está a todo momento tentando achar comida e fugir de predadores. O melhor mesmo é focar no agora. Mas claro que nosso cérebro também tem um lado 100% racional – é o córtex pré-frontal, a parte que, como o nome diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Ele é responsável por aquilo que nos diferencia dos animais – o pensamento a longo prazo, o planejamento. O córtex pré-frontal sabe que estudar matemática, ler um pouquinho por dia e adiantar o trabalho para não deixar acumular em cima do prazo são decisões importantes. A procrastinação, no fim das contas, é o resultado de uma briga entre a parte primitiva do cérebro, que quer guardar sua energia para missões mais imediatistas, e a parte racional, que puxa para empreitadas desagradáveis, mas necessárias. E o resultado às vezes é um “ bug ” que faz a gente travar, sem saber se inicia ou não a tarefa – tudo isso enquanto sente culpa e tensão, porque seu córtex pré-frontal faz questão de te lembrar que deveria estar na ação. Mas, para ser justo, apontar o dedo para Darwin não é lá a melhor desculpa. É que as origens biológicas são apenas uma parte da causa – e nem são as mais relevantes. O vício de adiar até o último momento não afeta todo mundo de maneira igual. “Embora todo mundo procrastine, nem todo mundo é um procrastinador”, diz Joseph Ferrari , professor de psicologia da Universidade de Chicago (EUA). Uma das estratégias mais indicadas para vencer a procrastinação é tentar vencer a ideia de que as tarefas são difíceis ou desafiadoras demais. Lembra daquele conceito de que, quanto mais procrastinamos, mais a bola de neve aumenta e parece ameaçadora? Para evitar isso, quebre as obrigações em missões menores, e vá cumprindo-as uma a uma ao longo de todo o prazo. Ao vencer as primeiras etapas, as restantes vão se tornando menos e menos amedrontadoras – afinal, você percebe que consegue cumpri-las mais rápido do que pensava. Nessa mesma lógica, é preciso elencar o que fazer primeiro. Gastar tempo com atividades fáceis e deixar o grosso para o final do prazo é justamente uma estratégia de procrastinação. E fazer o mais difícil primeiro serve de incentivo para matar o resto – na lógica do “o pior já passou”. Também dá para aplicar a estratégia das recompensas aqui. Para cada “etapa” da empreitada cumprida com antecedência, se dê algum benefício – uma pausa maior, um episódio da série, uma partida de seu game favorito etc. Se você estiver numa posição de liderança, considere o mesmo para toda a equipe. Para aquelas tarefas pequenas e simples, a dica é encaixá-las nos momentos em que a produção de outras atividades já está rolando, de modo que elas não fiquem sendo eternamente procrastinadas. Outra dica realista é aceitar um pouco de procrastinação. Como vimos, ela é um comportamento universal, que não será 100% evitável. Mesmo rotinas saudáveis e organizadas, com períodos de descanso e lazer bem encaixados, vão eventualmente encontrar a tentação de deixar atividades para depois do planejado inicialmente. ( Bruno Carbinatto . Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/desenvolvimento-pessoal/procrastinacao-entenda-essa-inimiga-e-livre-se-dela/. Acesso em: 20/07/2023. Fragmento.)

Em “ No texto em questão, ele aconselha o seu irmão Perses, com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o para nunca deixar as tarefas importantes para depois .” (2º§), a vírgula foi utilizada em dois momentos. Assinale a afirmativa que justifica sequencialmente o uso da vírgula nas duas situações.

A Separar uma informação explicativa e isolar vocativo.
B Isolar os elementos repetidos e isolar uma informação.
C Isolar o adjunto adverbial antecipado e isolar uma informação explicativa.
D Separar elementos que exercem a mesma função sintática e isolar vocativo.
E Separar elementos que exercem funções sintáticas diferentes e indicar a supressão de um termo.
Texto associado
Resposta global à varíola dos macacos caminha para repetir desigualdade da Covid-19 Sem que tenhamos ainda superado o impacto da Covid-19, enfrentamos agora uma nova emergência de saúde pública, a varíola dos macacos. Ao lado dos EUA, o Brasil é o país com o maior número de mortes (11) e ocupa a segunda posição em número de casos, de acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Um fato cada vez mais evidente é que as reações ao avanço da doença parecem repetir erros que tornaram a resposta à Covid-19 desigual e injusta, deixando milhões de pessoas em países pobres sem acesso a vacinas e tratamentos. Nos últimos anos, surtos de varíola dos macacos já afetavam países da África, sendo República Democrática do Congo e Nigéria os mais impactados. Felizmente, há como preveni-la. É provável que vacinas já existentes para a varíola comum gerem uma proteção cruzada para outros vírus da mesma família. Portanto, há indícios de que podem ser eficazes para a varíola dos macacos, e testes de efetividade estão sendo realizados. No entanto, essa era uma doença negligenciada, com deficiências na capacidade de resposta nos países onde é endêmica. Ao chegar a quase 100 países não endêmicos, ela ganhou destaque, mas os locais mais afetados seguem excluídos. Isso porque a vacina hoje considerada mais eficaz, a Jynneos , tem estoques muito baixos e preço muito alto. Para complicar, toda produção é controlada por uma única empresa. Apesar de a empresa, a Bavarian Nordic , ser dinamarquesa, mais de 7 milhões das 10 milhões de doses fabricadas até agora pertencem aos EUA, que financiaram seu desenvolvimento. O resto foi comprado por Canadá, Austrália, Israel e países europeus. Novos lotes estão sendo produzidos, mas em quantidades limitadas. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) anunciou em setembro acordo para comprar 130 mil doses para 12 países da América Latina, incluindo o Brasil, que contratou 50 mil. No entanto, só 9.800 chegaram até o momento. O acesso a medicamentos também é um desafio. Das 11 mortes ocorridas no Brasil, ao menos 6 foram de pessoas com HIV/Aids, o que revela a necessidade de uma diretriz específica de tratamento rápido para casos graves nesta população. Um entrave é que o antiviral Tecovirimat , melhor opção até o momento, tem estoques reduzidos e a maior parte está de posse dos EUA. Países africanos ainda não receberam nenhuma vacina, e há muita incerteza sobre quando isso irá acontecer. A empresa declarou capacidade produtiva entre 30 e 40 milhões de doses anuais, na melhor das hipóteses, e tem dúvidas se consegue responder à demanda. Outra barreira é o preço. Estima-se que países ricos paguem cerca de US$ 110 por dose, e o presidente da Bavarian Nordic já disse que o preço será igual para todos. Como se não bastassem exemplos de outras pandemias, essa é mais uma demonstração do que ocorre quando uma tecnologia essencial de saúde é patenteada e colocada em situação de monopólio. Desigualdades são reforçadas, vacinas, diagnósticos e medicamentos se tornam bens de luxo e uma crise torna-se oportunidade de lucro. Mas há saídas. Cada vez mais as tecnologias de saúde são desenvolvidas com investimentos públicos. O conhecimento gerado dessa forma não pode ser controlado de forma exclusiva por uma empresa. Deve ser aberto, permitindo diversas fontes de produção. Além disso, investimentos planejados nas estratégias globais de resposta a pandemias precisam contemplar produtores em todas as regiões. Essa diversidade é fundamental para obter equidade no acesso a tecnologias. Regras mais efetivas de transparência para investimentos em pesquisa, formulação de preços e contratos de compra e distribuição também têm papel-chave. Não é absurdo conceber um mundo onde nenhum país fica para trás em uma crise de saúde, onde vacinas e outras tecnologias de saúde são tratadas como bens comuns e decisões sobre como enfrentar uma pandemia são guiadas pela solidariedade, transparência e ética. Absurdo é seguir aceitando como inevitáveis as crises de acesso a medicamentos, diagnósticos e vacinas. (Felipe de Carvalho. Em: 16/11/2022. Disponível em: https://www.msf.org.br/noticias/resposta-global-a-variola-dos-macacos-caminha-pararepetir-desigualdade-da-covid-19/.)

Em relação à pontuação, pode-se afirmar que em “ Outra barreira é o preço. Estima-se que países ricos paguem cerca de US$ 110 por dose, e o presidente da Bavarian Nordic já disse que o preço será igual para todos. ” (7º§) a correção de acordo com a norma padrão da língua e a preservação da coesão e coerência textuais ocorreriam, caso (considerando ajustes de letras maiúsculas, caso haja necessidade, de acordo com alterações sugeridas):

A a vírgula fosse substituída pelo ponto.
B a vírgula fosse substituída pelo travessão.
C a expressão “países ricos” estivesse entre vírgulas.
D o primeiro ponto fosse substituído por dois pontos.
E o segmento “que o preço será igual” estivesse entre vírgulas.
Texto associado
O varejo da experiência Na mão inversa do gigantesco crescimento do comércio eletrônico, assistimos a uma transformação do varejo físico tradicional. Seja em relação à atividade dos shopping centers , seja em relação ao varejo de rua ( brick-and-mortar stores ), são conhecidas as razões que levaram ao atual cenário: ganhos de escala do on-line contra elevados custos de operação – mão de obra e imobiliário – do varejo físico; a eficiência logística e o conforto da entrega do on-line em casa; e a quase infinita variedade de produtos ofertados nas grandes plataformas e sites, em comparação com o estoque para venda em uma loja. Nesse cenário, nem mesmo os grandes grupos de moda ficaram imunes: todos se veem diante de um cenário de redução de pessoal e dos números de pontos físicos. Diante dessa turbulência, existe uma solução para o ressurgimento do comércio varejista? E a resposta, por mais incrível que pareça, é um sim. Na verdade, ela já se encontra em andamento, por meio do “varejo de experiência” ( experiential retail ). Essa nova perspectiva parte da premissa de que o consumidor físico segue existindo, mas agora requer espaços (lojas) que ofereçam não apenas produtos, mas imersões. Estamos diante de um consumidor sensorial que não mais se contenta com o mero comprar. Recente pesquisa de um think tank do varejo americano traz números impressionantes: 60% dos consumidores do varejo físico requerem mais espaço em uma loja para experiências do que para produtos: 81% aceitam pagar um preço superior se passam por “experiências” antes de comprar; 93% dos consumidores que adquirem a partir de experiências – e não por fatores econômicos – se tornam clientes fiéis da marca ou da empresa. Conceitualmente as “experiências” do varejo podem ser tomadas como um conjunto de ações e de iniciativas inovadoras que caminham lado a lado, dentro do processo de desenvolvimento de uma marca ou produto. Para tanto, partem de alguns pressupostos, como a habilidade que permita o estabelecimento de uma relação pessoal desde o vendedor até os proprietários da marca; uma estética própria que vá desde a funcionalidade e apresentação do produto até questões de ESG. E, embora seja um contrassenso querer catalogar todas as possíveis experiências, posto que a criatividade aqui deve ser ilimitada, destacamos algumas que vêm sendo incorporadas por empresas com varejo físico. A primeira delas é a realização de eventos que permitam uma aproximação com os clientes, formadores de opinião, influenciadores digitais e imprensa. A verdade é que o pós-pandemia exacerbou a necessidade de um sentimento de pertencimento, que, via de regra, se desenvolve prioritariamente pelo contato físico e preferencialmente em um ambiente despojado em que a experiência possa ser lembrada. Uma outra abordagem é a interação com a cultura, as artes e o esporte. Apoio a feiras de arte, desfiles de moda, espetáculos teatrais ou um camarote de carnaval. Participação em um torneio de tênis ou suporte a grandes clubes ou exposição em estádio de futebol. Nesse caso, naturalmente se desenvolve uma associação mental entre a marca e um momento ou período prazeroso, o qual foi propiciado pela experiência. As parcerias também são formas de experiências que turbinam a percepção de mercado, ao juntar empresas e produtos que não competem entre si, quando, pelo contrário, se complementam. Chamadas de co-branding , as parcerias ainda têm a vantagem de permitir a troca de experiências não só dentro da comunidade que se quer cativar, como também entre os próprios staffs das empresas envolvidas. Os chamados seedings ou “recebidos” são ações de co-branding que geram encantamento e conteúdo que são facilmente multiplicados nas redes sociais. Também o envolvimento com questões sociais e ambientais. Nos dias atuais, as empresas são cobradas não só pelo que produzem ou vendem, mas por seus posicionamentos em temas que transcendem a atuação empresarial. Trata-se de uma abordagem por vezes delicada, mas que é irrenunciável. Vivemos um momento em que a omissão pode ser tão ou mais maléfica que um posicionamento que possa até mesmo se mostrar como o não mais adequado. Enfim, por meio dessas e de outras formas de experiência, o comércio varejista começa um novo tempo. Deve assim ser utilizado como um ambiente de criatividade, de inovação e de aproximação com a sociedade ao atuar complementarmente a outros canais de comercialização. (JANUZZI, Melissa. Em: 06/10/2023.)

Assinale a alternativa em que o uso da vírgula é opcional.

A “E a resposta, por mais incrível que pareça, é um sim.” (2º§)
B “Apoio a feiras de arte, desfiles de moda, espetáculos teatrais ou um camarote de carnaval.” (7º§)
C “Na mão inversa do gigantesco crescimento do comércio eletrônico, assistimos a uma transformação do varejo físico tradicional.” (1º§)
D “Nesse cenário, nem mesmo os grandes grupos de moda ficaram imunes: todos se veem diante de um cenário de redução de pessoal e dos números de pontos físicos.” (2º§)