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No que concerne a direitos humanos, cidadania e proteção de grupos vulneráveis, assinale a opção correta.

A A reflexão antropológica sustenta que o sistema jurídico estatal é culturalmente neutro, razão pela qual não há tensões entre direitos universais e práticas culturais específicas dos povos indígenas.
B Os costumes indígenas são respeitados e podem ser expressos sem necessidade de observância das leis, pois o Estado não produz práticas etnocêntricas.
C Segundo a perspectiva antropológica, o reconhecimento das diferenças culturais exige a aplicação uniforme das leis penais, evitando qualquer adaptação que possa gerar desigualdades entre os cidadãos.
D A perspectiva antropológica destaca a importância de considerar os costumes e as formas próprias de resolução de conflitos dos povos indígenas, reconhecendo que a aplicação do direito estatal deve levar em conta suas especificidades sociais, culturais e econômicas.
E A análise antropológica entende que a consideração dos costumes indígenas tem como objetivo principal acelerar sua assimilação aos padrões jurídicos e culturais dominantes, reduzindo progressivamente suas formas próprias de organização social.

No que concerne às relações entre a globalização e a cultura, especialmente a cultura indígena, assinale a opção correta, considerando as contribuições antropológicas de Marshall Sahlins.

A Sob a perspectiva antropológica, as culturas indígenas em diversos locais do mundo estão fadadas ao desaparecimento, porque têm contato com a globalização, que acabará por homogeneizá-las.
B As categorias pelas quais a experiência cultural é construída surgem diretamente do mundo, criando um esquema cultural que dificilmente permite a entrada de novos elementos para não se alterar a tradição.
C A sociedade transcultural moderna é uma forma de adaptação dos povos indígenas ao sistema mundial globalizado, o que torna cada vez mais difícil que a antropologia descreva culturas autênticas.
D Embora sejam alvo de um processo global de aculturação, os povos indígenas continuam a se distinguir entre si pelos seus modos de vida específicos.
E Ao utilizar o conceito de cultura, os antropólogos estão contribuindo para manter os povos periféricos, como os indígenas, em seus espaços de sujeição.

A respeito de etnicidade, indigenismo e políticas indigenistas contemporâneas, assinale a opção correta, considerando as reflexões de Manuela Carneiro da Cunha na obra Antropologia do Brasil: mito, história, etnicidade .

A A tutela exercida pelo Estado sobre os povos indígenas constitui um mecanismo adequado e suficiente de proteção social, pois autoriza a substituição da vontade indígena pelas decisões estatais e dispensa o reconhecimento de direitos territoriais, políticos e de organização própria.
B No Brasil, os povos indígenas são detentores de privilégios em relação aos demais grupos sociais, uma vez que estão sob a proteção direta e a tutela permanente do Estado, condição que lhes garante tratamento diferenciado e vantagens institucionais.
C De acordo com a autora, a sociedade reconhece o direito originário que os indígenas possuem sobre o território brasileiro e, assim, eles são integrados à sociedade.
D A ideia de que os povos indígenas desfrutam de privilégios encontra fundamento histórico, jurídico e antropológico, uma vez que, pelo fato de não estarem plenamente integrados à civilização, não podem ser considerados sujeitos de direitos, sendo apenas destinatários de medidas provisórias de proteção estatal.
E De acordo com a visão do senso comum ⸺ que é etnocêntrica e se difere da visão antropológica ⸺ os indígenas possuem privilégios e não direitos, pois não estão inclusos na civilização.

Alguns critérios de análise utilizados pelo Brasil para a concessão do refúgio no país contribuem para a produção de experiências desiguais entre grupos. Nesse contexto, é correto afirmar que esses critérios

A resultam apenas de percepções pessoais, sem relação com processos históricos mais amplos.
B garantem tratamento uniforme a todos os refugiados nas instituições públicas.
C operam como conjuntos fixos de ideias, aplicados de forma heterogênea e independente do contexto histórico e social.
D produzem classificações e hierarquias simbólicas que influenciam a forma como os refugiados são percebidos e inseridos na sociedade.
E atuam exclusivamente no plano individual, sem relação com práticas institucionais ou estatais.

A antropóloga Beatriz Góis Dantas foi a primeira a registrar a dança de cortejo da Taieira, na cidade de Laranjeiras, no estado de Sergipe. Em seu trabalho subsequente, ela passou a pesquisar os grupos de culto afro-brasileiro, em trabalho de etnografia das relações sociais dentro do terreiro. A partir daí conseguiu esclarecer as diferenças entre as religiões afro-brasileiras que se estabeleceram na Bahia, em Sergipe e em Pernambuco.

Tendo o texto precedente como referência, assinale a opção correta acerca dos grupos de culto afro-brasileiro.

A O modelo jeje-nagô e seu acervo de traços culturais são provas de africanidade em vários lugares, cuja referência é sempre a Bahia.
B A diferença entre o candomblé Nagô e o Toré é que o primeiro é fiel à tradição africana, em oposição ao segundo, que é uma forma de magia, associada aos catimbós e candomblés de caboclo.
C A Taieira é o mesmo que o Nagô, em Sergipe; ao contrário do Recife.
D A abordagem comparativa do campo afro-religioso deve muito às análises genéticas de traços culturais definidoras de uma pureza religiosa originária.
E A pureza nagô é uma categoria nativa utilizada pelos terreiros para marcar suas diferenças e expressar suas rivalidades.

No contexto da hierarquia e da estratificação social em contextos tradicionais, o sistema de castas pode ser definido como um sistema

A que não possui relação com práticas religiosas e que organiza a posição social dos indivíduos a partir de critérios de escolarização formal.
B organizado a partir de critérios socialmente estabelecidos, em que os indivíduos participantes de castas superiores ocupam uma posição privilegiada devido à características herdadas.
C que organiza a posição social dos indivíduos a partir de critérios estritamente econômicos.
D organizado através da meritocracia, em que a mobilidade social é desejável, possível e comum.
E organizado a partir da divisão social temporária e flexível, que tem por objetivo a promoção da igualdade e a eliminação de distinções simbólicas entre os diferentes grupos da população.

Em relação ao sistema hierárquico indiano segundo o antropólogo francês Louis Dumont, assinale a opção correta.

A As posições sociais compreendidas na ordem hierárquica composta por brâmanes, xátrias, vaixás, shudras e dálites denotam ausência de mobilidade social.
B No sistema indiano, a pureza se refere exclusivamente às funções higiênicas e de limpeza do corpo.
C Enquanto a hierarquia, no sistema de castas indiano, é constituída em termos dos diferentes valores atribuídos às partes e suas funções de acordo com sua contribuição para o todo, no Ocidente, o sistema de classes da sociedade ocidental industrial é baseado no individualismo possessivo em detrimento da coletividade.
D No sistema hierárquico indiano, o darma, ou lei religiosa, divide-se em três tipos: família ( kula ), objetos de uso ( artha ) e corpo ( çarira ); para Louis Dumont, na vida corrida do Ocidente, é preciso prestar mais atenção a essas normativas.
E Para a hierarquia da sociedade e civilização indiana, a religião é considerada superior ao chamado sistema jajmani, que une economia e política na chamada comunidade de aldeia.

À luz da Convenção n.º 169 da OIT e do debate contemporâneo sobre os protocolos comunitários, é correto afirmar que a consulta prévia

A constitui um direito coletivo dos povos indígenas e comunidades tradicionais, devendo ser realizada de boa-fé, antes da tomada de decisões, e os protocolos comunitários funcionam como instrumentos de autodeterminação que explicitam os tempos, as formas e os procedimentos próprios de consulta a serem respeitados pelo Estado.
B ocorre após a tomada de decisão administrativa pelo Estado, tendo como objetivo principal mitigar impactos negativos de empreendimentos já autorizados em terras indígenas e em territórios de comunidades tradicionais.
C é um procedimento administrativo de caráter consultivo, realizado preferencialmente por meio de audiências públicas, cujo objetivo é informar as comunidades afetadas sobre decisões já tomadas pelo Estado.
D é um direito assegurado de forma livre e informada, satisfeito quando o Estado promove audiências públicas abertas à sociedade em geral, independentemente da observância de outros procedimentos decisórios comunitários.
E é um protocolo realizado pelo Estado que incorre na substituição do dever de realizar audiências públicas, ao passo que transfere integralmente às comunidades a responsabilidade pela condução do processo decisório.

No âmbito das relações socioambientais, das diferentes cosmologias e modos de vida, o conceito de trabalho

A assume diferentes sentidos conforme o contexto social, cultural e simbólico, incluindo relações com o ritual e o sagrado.
B tem um significado único e universal, aplicado de forma idêntica em diferentes sociedades, independentemente de seus contextos culturais ou simbólicos.
C aplica-se prioritariamente às sociedades industrializadas, não sendo relevante para sociedades tradicionais ou de pequena escala.
D é uma atividade estritamente técnica e funcional, voltada apenas à execução de tarefas práticas, sem relação com dimensões simbólicas ou interpretativas atribuídas pelas diferentes sociedades.
E é compreendido apenas como atividade econômica remunerada, estando necessariamente associado ao emprego formal e à geração de renda monetária.

Considerando o Decreto n.º 7.387/2010, que institui o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), e sua articulação com o campo do patrimônio cultural imaterial no Brasil, assinale a opção correta.

A O inventário linguístico tem caráter meramente descritivo e técnico, não se vinculando às políticas públicas de patrimônio cultural imaterial.
B A inclusão de uma língua no INDL depende exclusivamente da iniciativa dos estados e municípios, cabendo ao Ministério da Cultura apenas a homologação formal.
C O INDL constitui um instrumento de identificação, documentação e reconhecimento de línguas como referências culturais brasileiras, inserindo-se no campo do patrimônio cultural imaterial ao subsidiar políticas públicas de valorização, promoção e reconhecimento da diversidade linguística.
D O INDL equipara automaticamente as línguas inventariadas aos bens tombados, assegurando-lhes proteção jurídica equivalente à do patrimônio material.
E O reconhecimento das línguas inventariadas como referências culturais restringe-se à dimensão simbólica, não implicando ações estatais de valorização ou promoção.