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O Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão de Processos e Documentos do Poder Judiciário (MoReq-Jus, 2ª edição) estabelece diretrizes que impactam diretamente a autenticidade, a preservação e a interoperabilidade dos documentos judiciais. Considerando seus requisitos funcionais e não funcionais, tal documento

A orienta que a eliminação de documentos digitais seja realizada automaticamente pelo sistema, sem necessidade de vinculação a tabelas de temporalidade ou a políticas arquivísticas institucionais.
B recomenda que a preservação digital seja realizada exclusivamente por meio de backups periódicos, dispensando estratégias como migração de formatos, normalização e verificação de integridade.
C estabelece que a interoperabilidade entre sistemas judiciais deve ocorrer apenas por exportação manual de documentos, não contemplando padrões estruturados de metadados ou APIs ( Application Programming Interfaces ) de integração.
D define que documentos judiciais nativos digitais podem ser armazenados sem metadados obrigatórios, desde que o sistema garanta acesso contínuo ao conteúdo informacional.
E determina que sistemas judiciais implementem mecanismos de cadeia de custódia digital baseados em registro de eventos, controle de versões, metadados de proveniência e trilhas de auditoria, assegurando rastreabilidade completa ao longo do ciclo de vida dos documentos.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 15 a 20, baseie-se no texto abaixo.

Procurar o quê*

O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.
Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.
Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.
Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.
Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.
Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.
Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.
Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.
Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mi m, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.

* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.

No contexto do poema, ao afirmar que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder , o menino deixa claro

A haver por fim encontrado o que buscou, triunfando agora sobre quem o censurara.
B estar conformado com a impossibilidade de reconhecer a forma do que buscava.
C estar certo do mérito da busca incansável e do alto valor do que possa vir a encontrar.
D o seu mérito de poder esconder algo que não era afinal seu objeto de busca.
E seu prazer em adiar um compartilhamento que dará tanta satisfação a todos.

No contexto dos sistemas e métodos de arquivamento utilizados para organizar conjuntos documentais segundo critérios de recuperação, identificação e racionalidade funcional, a proposta correta é a do método

A numérico simples, que utiliza códigos alfanuméricos para representar assuntos.
B geográfico, que organiza documentos por datas de produção.
C numérico cronológico, que organiza documentos pela ordem de entrada ou produção.
D alfabético, que organiza grandes volumes documentais.
E ideográfico, que organiza documentos por ordem de criação institucional.

A respeito das normas internacionais de descrição arquivística, é correto afirmar que a

A ISAD(G), Norma geral internacional de descrição arquivística, estabelece regras específicas para a descrição de documentos digitais, substituindo a necessidade de normas complementares.
B ISDF, Norma internacional para descrição de funções, tem como objetivo principal orientar a preparação da descrição de funções de entidades coletivas associadas à produção e à manutenção de arquivos.
C ISAAR(CPF), Norma internacional de registro de autoridade arquivística para entidades coletivas, pessoas e famílias, é voltada exclusivamente para a descrição de documentos textuais, não sendo aplicável a entidades produtoras.
D ISDIAH, Norma internacional para descrição de instituições com acervo arquivístico, trata exclusivamente da descrição de documentos iconográficos, com foco em acervos fotográficos.
E NOBRADE, Norma brasileira de descrição arquivística, é uma norma internacional que substituiu integralmente a ISAD(G) no Brasil.

Sobre a preservação de documentos digitais a longo prazo, a

A preservação digital dispensa o uso de metadados, pois estes são opcionais.
B migração de arquivos para novos formatos garante, por si só, a preservação digital.
C autenticidade de documentos digitais é garantida automaticamente pelo uso de sistemas informatizados.
D preservação digital depende de políticas institucionais que incluam procedimentos, responsabilidades e requisitos técnicos.
E preservação digital apresenta incompatibilidade com repositórios digitais confiáveis.

No contexto das práticas de gestão de documentos, que envolvem análise funcional, racionalização de fluxos informacionais e tomada de decisão sobre o ciclo de vida documental, é fundamental considerar que

A o uso dos documentos não exerce influência na definição de seus prazos de guarda.
B o estímulo constante da produção documental é necessário para ampliar o volume de informações disponíveis à administração.
C o fluxo documental corresponde exclusivamente à movimentação física dos documentos entre setores.
D a destinação constitui etapa estratégica, orientando decisões sobre guarda permanente, transferência ou eliminação de documentos com base em critérios técnico-funcionais.
E a gestão de documentos aplica-se apenasa documentos nato-digitais e digitalizados.

Em um projeto de descrição arquivística multinível, um arquivista identifica que diferentes fundos possuem entidades produtoras relacionadas entre si por vínculos sucessórios complexos, incluindo fusões, desmembramentos e mudanças de jurisdição administrativa ao longo do tempo. Considerando os princípios e elementos da ISAAR(CPF), o procedimento que assegura representação mais adequada dessas transformações institucionais no registro de autoridade arquivística é:

A Representar as transformações institucionais exclusivamente na área de História Administrativa/Biográfica, sem utilizar a área de Relações, pois a ISAAR(CPF) considera as relações como elementos opcionais e não essenciais para a contextualização.
B Registrar cada entidade sucessora como uma nova descrição de autoridade, vinculando-as exclusivamente por relações hierárquicas ascendentes, pois a ISAAR(CPF) determina que relações de sucessão devem ser tratadas como subtipos de relações hierárquicas.
C Criar uma única descrição de autoridade para todas as entidades envolvidas, consolidando suas mudanças estruturais em um único histórico administrativo, pois a ISAAR(CPF) recomenda evitar múltiplos registros quando há continuidade funcional.
D Criar registros de autoridade distintos apenas quando houver mudança simultânea de nome e função, pois a ISAAR(CPF) define que alterações exclusivamente estruturais não justificam novos registros.
E Elaborar descrições de autoridade separadas para cada entidade, registrando as relações de sucessão (antecessora/sucessora) e outras relações pertinentes, utilizando os elementos obrigatórios da área de Relações, de modo a representar formalmente as transformações institucionais ao longo do tempo.