Atenção : Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto seguinte.
A não-festa dos meus oito anos
— Quer dizer que não vai ter meu aniversário?
Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança —- e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada — a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.
Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmã. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmã, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.
Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado — e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? —e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.
Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o “Parabéns pra você”, o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é difícil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos.
(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar . Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66)
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Um analista está criando um arquivo de configuração YAML para implantar uma aplicação web em um cluster Kubemetes . Considerando as melhores práticas de configuração do Kubernetes para garantir alta disponibilidade e facilitar a manutenção da aplicação, o analista
Uma equipe de infraestrutura de uma organização pública utiliza o PostgreSQL para o armazenamento de dados de processos eletrônicos com alto volume de operações de escrita (insert'update/delete). O DBA notou que o tamanho dos arquivos do banco de dados está crescendo de forma descontrolada e que mesmo após a exclusão de grandes volumes de dados, a performance das consultas tem diminuído progressivamente devido à fragmentação.
Considerando a arquitetura transacional do PostgreSQL e suas práticas de manutenção, o procedimento técnico mais adequado que um analista da equipe de infraestrutura recomendou para mitigar o crescimento excessivo dos arquivos de dados (bloat) e otimizar a performance do SGBD foi
Uma equipe de infraestrutura de um Ministério Público gerencia um sistema de gestão de documentos crítico baseado no SQL Server. O banco de dados opera com alta concorrência, e o DBA notou que as transações estão sofrendo com esperas (waits) excessivas, principalmente devido a deadlocks e longas durações de consultas. A equipe precisa implementar uma solução proativa e técnica para diagnosticar e mitigar a degradação de desempenho.
Considerando as ferramentas de monitoramento e as práticas avançadas de administração do SQL Server, a combinação de ações mais eficaz e tecnicamente correta para resolver o problema de latência e concorrência é
Um analista de infraestrutura está investigando um problema em que novos computadores, conectados a uma rede corporativa, não conseguem obter um endereço IPv4. A rede é segmentada em várias sub-redes, mas o servidor DHCP IPv4 está localizado apenas na sub-rede principal. Ao capturar o tráfego de rede no lado do cliente, o analista confirma que os pacotes DHCPDISCOVER estão sendo enviados corretamente. No entanto, nenhum pacote de resposta do servidor, DHCPOFFER, é observado. Com base na mecânica de comunicação do protocolo DHCP, a causa mais provável para a falha e a solução imediata que deve ser adotada pelo analista são:
Hipoteticamente, um Ministério Público está expandindo sua infraestrutura de rede e precisa interligar 3 prédios administrativos localizados em diferentes bairros, com distâncias de até 5 km entre eles. A solução deve garantir alta velocidade na transferência de dados entre as unidades e compartilhamento de servidores centrais. Considerando os equipamentos de rede e as topologias adequadas, a configuração mais eficiente para atender a esses requisitos consiste em
Um Ministério Público está implementando um sistema de logging conforme a ISO/EC 27002:2022 para monitorar atividades críticas em seus servidores. O analista de infraestrutura precisa garantir que os logs gerados sejam protegidos contra manipulação e permitam a detecção de incidentes de segurança. Considerando as práticas recomendadas pela norma,
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Atenção : Para responder às questões de números 9 a 15, baseie-se no texto seguinte.
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro — O despertar de tudo — começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais “sérias”. Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos — por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma “cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo”?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de “democracia”? Ou 'república”? Caberia dizer “cidade igualitária”? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era “de fato” igualitária — o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo . São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro — O despertar de tudo — começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais “sérias”. Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos — por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma “cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo”?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de “democracia”? Ou 'república”? Caberia dizer “cidade igualitária”? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era “de fato” igualitária — o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo . São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)