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No fragmento a seguir, Marcel Mauss discorre sobre a vida econômica em determinadas sociedades não ocidentais, propondo um contraste em relação às concepções modernas. [T]oda essa economia muito rica está cheia de elementos religiosos: a moeda tem ainda seu poder mágico e ainda está ligada ao clã ou ao indivíduo; as diversas atividades econômicas, por exemplo o mercado, ainda estão impregnadas de ritos e de mitos; conservam um caráter cerimonial, obrigatório, eficaz; estão repletas de ritos e de direitos. É algo muito diferente do útil que circula nessas sociedades, a maioria delas já bastante esclarecidas. MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003. De acordo com o fragmento, assinale a afirmativa correta.

A As trocas comerciais são acompanhadas por ritos complementares voltados ao reforço de laços sociais.
B A dimensão do sagrado interfere na vida econômica coletiva à maneira de uma particularidade étnica.
C As trocas estão imersas em dimensões simbólicas e se situam para além do nível estritamente utilitário.
D A relação entre religiosidade e economia altera o pragmatismo da vida cotidiana durante celebrações.
E As práticas econômicas são rudimentares e ainda estão subordinadas às esferas política e religiosa.

No trecho a seguir, a autora levanta a questão da unidade e da diversidade na atividade da militância negra. Só que nesse movimento, cuja especificidade é o significante negro, existem divergências, mais ou menos fundas, quanto ao modo de articulação dessa especificidade. Deve o negro assimilar tudo que é eurobranco? Ou só transar o que é afronegro? Ou somas os dois? (...) Os diferentes tipos de resposta a essas questões, e a muitas outras, acabam por remeter a gente a falar de movimentos negros... no Movimento Negro. GONZÁLEZ , Lélia. Movimento ou movimentos negros? In: Lugar de negro . Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982. Assinale a opção que descreve corretamente a posição exposta no trecho acima.

A A autêntica militância recusa as perspectivas exclusivistas, favorecendo uma articulação culturalmente aberta.
B A diversidade interna do movimento negro é reflexo direto dos processos históricos de mestiçagem no Brasil.
C Os impasses conceituais dentro do movimento negro configuram obstáculos estruturais à sua atuação.
D A noção de um movimento negro singular é uma construção retórica, sem esteio na sua pluralidade real.
E A unidade do movimento negro se configura na própria tensão da pluralidade, e não na uniformidade ideológica.

No início do seu ensaio “Mercadorias e a política de valor”, o antropólogo Arjun Appadurai explicita um dos seus objetivos: “[…] propor uma nova perspectiva sobre a circulação de mercadorias na vida social. Tal perspectiva pode ser sintetizada da seguinte forma: a troca econômica cria o valor; o valor é concretizado nas mercadorias que são trocadas; concentrar-se nas coisas trocadas, em vez de apenas nas formas e funções da troca, possibilita a argumentação de que o que cria o vínculo entre a troca e o valor é a política, em seu sentido mais amplo.” Com esse argumento, Arjun Appadurai propõe como novo objeto de análise da antropologia:

A as mercadorias;
B a troca;
C a dádiva;
D a vida social das coisas;
E os rituais de comércio.

Em um dos seus artigos, o antropólogo José Reginaldo Gonçalves discute os chamados “bens inalienáveis”. Diz ele: “Os interesses mobilizados pela possibilidade de comprar e vender livremente determinados bens eram vistos como um meio nefasto de descaracterização desses bens e de perda de sua autenticidade. A busca da autenticidade confundia-se, de certo modo, com uma constante e obsessiva proteção contra os efeitos de mercado.” Essa reflexão ajuda a problematizar a oposição entre as seguintes arenas de valoração:

A mercadorias e objetos sagrados;
B patrimônio e mercado;
C religião e laicidade;
D patrimônio e religião;
E rituais e mercado.

Pierre Bourdieu foi um dos principais sociólogos do século XX. Em sua vasta produção intelectual, Bourdieu foi um dos responsáveis pela atualização de um conceito aristotélico, também utilizado por Marcel Mauss, e que ocupa um lugar central nos debates sobre corpo, indivíduo e sociedade. No vocabulário de Bourdieu, tal conceito é definido do seguinte modo: “[…] é uma noção mediadora que ajuda a romper com a dualidade de senso comum entre indivíduo e sociedade ao captar a interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade, ou seja, o modo como a sociedade se torna depositada nas pessoas sob a forma de disposições duráveis, ou capacidades treinadas e propensões estruturadas para pensar, sentir e agir de modos determinados, que então as guiam nas suas respostas criativas aos constrangimentos e solicitações do seu meio social existente.” O conceito renovado por Bourdieu nessa definição é o de:

A habitué;
B hábito;
C habitus;
D ação social;
E agência.

A antropóloga brasileira Fabiola Rohden, em um artigo publicado em 2002 e dedicado às contribuições de Marilyn Strathern sobre o tema do parentesco, escreveu: “Os sistemas de parentesco e as formas de família são pensados como arranjos sociais que têm como base a reprodução biológica. Esses arranjos são vistos como passíveis de assumirem formas diversificadas em culturas e sociedades diferentes, embora sempre assentados sobre uma mesma e única referência, que são os ‘fatos naturais’ da vida.” Ao apresentar a discussão sobre parentesco, Rohden faz referência ao seguinte dualismo caro aos debates da antropologia contemporânea:

A estrutura e ação;
B natureza e cultura;
C corpo e mente;
D sujeito e objeto;
E subjetividade e objetividade.

No prefácio do livro “Trecos, troços e coisas”, o antropólogo Daniel Miller propõe o seguinte: “O leitmotiv deste livro é um questionamento da oposição, vigente no senso comum, entre pessoa e coisa, animado e inanimado, sujeito e objeto. Em alguma medida, a ciência tem conseguido evitar isso. […] Aqui, em contraste, estou interessado em desenvolvimentos na ciência social, e não na ciência natural, e no encontro qualitativo da antropologia com a diversidade dos povos e a crescente diversidade das coisas.” O objeto de estudo proposto por Daniel Miller é(são):

A as humanidades;
B a estrutura social;
C a cultura material;
D a ciência;
E os rituais.

Em seu livro “A caminho da cidade”, publicado em 1978, a antropóloga Eunice Durhan escreveu: “A industrialização e a urbanização significam a quebra de isolamento das comunidades tradicionais, a crise do sistema produtivo rural e da estrutura tradicional de autoridade, a negação dos velhos valores, a adoção de novos padrões de comportamento.” O processo social que promove essa transformação da ordem social é(são):

A o progresso científico;
B a aculturação;
C o cerceamento dos campos;
D as migrações;
E as viagens turísticas.

Em seu artigo “O futuro nos laudos antropológicos”, o antropólogo Paulo Santini afirma: “Com respeito ao reconhecimento oficial de direitos territoriais indígenas — em que a delimitação substantiva de um território é exigida para o cumprimento do artigo 231 da Constituição —, a primeira, senão a única atribuição legal de antropólogos é a de empreender e coordenar os estudos dos grupos técnicos instituídos para proceder à identificação e à delimitação das terras ocupadas tradicionalmente pelos índios; requere-se dos especialistas que tracem e demonstrem a continuidade entre povos pré-colombianos e populações atuais.” A realização de um laudo antropológico pressupõe o emprego de técnicas de pesquisa consagradas pela disciplina. A técnica de pesquisa antropológica, indispensável na produção de laudos, que permite ao técnico acessar a realidade social em questão, entrar em contato com o grupo pesquisado e conhecer suas singularidade é(são) o(s):

A levantamento bibliográfico;
B registros sonoros;
C registros museológicos ;
D grupo focal;
E trabalho de campo.

A Resolução CNJ Nº 287, publicada em 2019, estabelece procedimentos para o tratamento das pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade, e dá diretrizes para assegurar os direitos dessa população no âmbito criminal do Poder Judiciário. Nesse texto lemos o seguinte trecho: “Art. 7º A responsabilização de pessoas indígenas deverá considerar os mecanismos próprios da comunidade indígena a que pertença a pessoa acusada, mediante consulta prévia. Parágrafo único. A autoridade judicial poderá adotar ou homologar práticas de resolução de conflitos e de responsabilização em conformidade com costumes e normas da própria comunidade indígena, nos termos do Art. 57 da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio).” O artigo citado está em consonância com o seguinte tema amplamente debatido no campo das relações entre antropologia e direito:

A antropologia reversa;
B pluralismo jurídico;
C antropologia simétrica;
D particularismo histórico;
E direito penal.