Instruções : Leia atentamente o texto abaixo para responder às questões de números 7 a 9.
Era lugar relativamente ermo, o que não impedia sonhos e esperança sempre vivos. Os que iam e vinham, principalmente da cidade a um espichar de olhos, eram mensageiros do que alimentava a alma. Deles chegou a notícia: um empresário, com ganância por ali, vinha contratar quem quisesse fazer parte do futuro negócio. Fazer parte é um modo de dizer. Ninguém tinha nada a barganhar além da força de trabalho. E ele sabia, porque procurava gente nova. O anúncio colado na farmácia, no posto de saúde, no poste:
Você, jovem, que quer fazer o progresso de sua região e também ter um trabalho rendoso, venha participar do encontro em que essa oportunidade será oferecida a você.
Dia 10 de junho, às treze horas, no coreto da praça.
O dia chegou. O agrupamento não era grande, tudo ali era pequeno. Mas eles se apresentaram, com rosto ansioso. Mesmo jovens, enfrentaram aquela gente de fora com a bravura que o desconhecido exige. E atentos acompanhavam o desfiar de promessas tão tentadoras, que não dava nem pra acreditar. A fala do empresário ecoava: “Reconheço em vocês os mesmos anseios que já tive um dia. Prometo pessoalmente me empenhar para que cada um de seus desejos se torne realidade”.
(CATANZARO, Maria Betina, inédito)
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Instruções : Leia atentamente o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 6.
1 ___ Todos lembram o ato de nascimento, se não dos próprios intelectuais, ao menos da palavra “intelectual”. Foi durante o
caso Dreyfus, quando, após o célebre artigo de Émile Zola em L’Aurore, “J’accuse...” (janeiro de 1898), exigindo a revisão do
processo de Dreyfus, oficial judeu injustamente condenado por alta traição, aparecem listas de apoio a essa iniciativa
assinadas por escritores (como Anatole France, Marcel Proust, André Gide, Charles Péguy), um músico (Albéric Magnard),
5 cientistas (Jean Perrin), mas também professores, estudantes, arquitetos, advogados, médicos etc. É Maurice Barrès,
antidreyfusista, que qualifica essa iniciativa, por derrisão, de “protesto dos intelectuais”, palavra nova e que se quer pejorativa,
mas que é imediatamente retomada pelos interessados. Desde essa época, e ao longo de todo o século XX, a palavra refere-
se àqueles que, exercendo uma atividade intelectual, usam seu prestígio adquirido nessas atividades para intervir no debate
público e defender valores universais (justiça e verdade, em particular); em outras palavras, o intelectual é aquele que
10 transforma uma autoridade intelectual em autoridade política em nome de uma autoridade moral. Assim, deve haver três
condições, parece, para que haja intelectuais: um certo tipo de sujeito social, um certo tipo de objeto (o universal) e um certo
espaço onde ele possa se exprimir.
Certamente em toda sociedade há profissões que, no sentido amplo, são intelectuais, isto é, não manuais (um alto funcionário é um intelectual, nesse sentido). Mas, quando se fala de intelectual, geralmente não se designam nem as
15 categorias socioprofissionais ligadas às atividades de produção (agrícola, artesanal ou industrial) ou de distribuição, nem as
que têm uma função técnica; designam-se categorias, ou melhor, atividades distanciadas em relação ao processo utilitário
(produção ou distribuição), e no qual o papel pessoal do indivíduo (seu talento, seu gênio, sua invenção) é essencial − e é
dessa distância, de um lado, e dessa personalidade, de outro, que ele obtém seu prestígio. Por isso, os intelectuais a que nos
referimos procedem essencialmente das atividades ditas de criação (artes, letras, ciências) e também, secundariamente, das
20 práticas de mediação: informação, educação. É preciso, pois, um alto grau de desenvolvimento econômico, social, cultural, e de diferenciação das tarefas.
Obs.: Émile Zola, escritor francês (1840-1902); em seu artigo “Eu acuso”, publicado no jornal literário L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, defende Alfred Dreyfus (1859-1935) e acusa nominalmente pessoas e instituições de processo fraudulento e erro judicial.
(WOLFF, Francis. Dilema dos intelectuais. In: O silêncio dos intelectuais . Org. Adauto Novaes. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 47-48)
1 ___ Todos lembram o ato de nascimento, se não dos próprios intelectuais, ao menos da palavra “intelectual”. Foi durante o
caso Dreyfus, quando, após o célebre artigo de Émile Zola em L’Aurore, “J’accuse...” (janeiro de 1898), exigindo a revisão do
processo de Dreyfus, oficial judeu injustamente condenado por alta traição, aparecem listas de apoio a essa iniciativa
assinadas por escritores (como Anatole France, Marcel Proust, André Gide, Charles Péguy), um músico (Albéric Magnard),
5 cientistas (Jean Perrin), mas também professores, estudantes, arquitetos, advogados, médicos etc. É Maurice Barrès,
antidreyfusista, que qualifica essa iniciativa, por derrisão, de “protesto dos intelectuais”, palavra nova e que se quer pejorativa,
mas que é imediatamente retomada pelos interessados. Desde essa época, e ao longo de todo o século XX, a palavra refere-
se àqueles que, exercendo uma atividade intelectual, usam seu prestígio adquirido nessas atividades para intervir no debate
público e defender valores universais (justiça e verdade, em particular); em outras palavras, o intelectual é aquele que
10 transforma uma autoridade intelectual em autoridade política em nome de uma autoridade moral. Assim, deve haver três
condições, parece, para que haja intelectuais: um certo tipo de sujeito social, um certo tipo de objeto (o universal) e um certo
espaço onde ele possa se exprimir.
Certamente em toda sociedade há profissões que, no sentido amplo, são intelectuais, isto é, não manuais (um alto funcionário é um intelectual, nesse sentido). Mas, quando se fala de intelectual, geralmente não se designam nem as
15 categorias socioprofissionais ligadas às atividades de produção (agrícola, artesanal ou industrial) ou de distribuição, nem as
que têm uma função técnica; designam-se categorias, ou melhor, atividades distanciadas em relação ao processo utilitário
(produção ou distribuição), e no qual o papel pessoal do indivíduo (seu talento, seu gênio, sua invenção) é essencial − e é
dessa distância, de um lado, e dessa personalidade, de outro, que ele obtém seu prestígio. Por isso, os intelectuais a que nos
referimos procedem essencialmente das atividades ditas de criação (artes, letras, ciências) e também, secundariamente, das
20 práticas de mediação: informação, educação. É preciso, pois, um alto grau de desenvolvimento econômico, social, cultural, e de diferenciação das tarefas.
Obs.: Émile Zola, escritor francês (1840-1902); em seu artigo “Eu acuso”, publicado no jornal literário L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, defende Alfred Dreyfus (1859-1935) e acusa nominalmente pessoas e instituições de processo fraudulento e erro judicial.
(WOLFF, Francis. Dilema dos intelectuais. In: O silêncio dos intelectuais . Org. Adauto Novaes. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 47-48)