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Ao abordar o conceito de serviço público, diferentes classificações ou categorizações são apresentadas pela doutrina, a depender do prisma de análise, entre as quais se insere a divisão entre serviços públicos exclusivos e não exclusivos do Estado, sendo que

A os exclusivos somente podem ser prestados diretamente pelo Estado, não admitindo exploração por particulares mediante concessão ou delegação.
B os não exclusivos são aqueles que podem ser executados pelos particulares mediante autorização do poder público, como, por exemplo, os concernentes à saúde e educação.
C os não exclusivos são aqueles desempenhados pelo Estado em regime de exploração de atividade econômica, sujeitos à cobrança de tarifa dos usuários.
D os exclusivos são prestados em prol de toda a comunidade, ou seja, uti universi, correspondendo àqueles de natureza essencial como segurança pública.
E ambos são passíveis de prestação direta pelo poder público ou exploração por particulares mediante concessão ou permissão, sendo os primeiros remunerados por tarifa e os segundos mediante taxa.

Entre os poderes próprios da Administração, decorrentes do regime jurídico administrativo que lhe atribui determinadas prerrogativas e sujeições, insere-se o poder disciplinar, que

A possui, como uma das suas manifestações, o poder-dever de apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos, comportando alguma margem de discricionariedade no que concerne à dosimetria das sanções.
B também alcança os particulares que não possuem vínculo laboral ou contratual com a Administração, coibindo condutas nocivas ou perigosas, como expressão do princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.
C corresponde ao poder dos superiores de proferir ordens a seus subordinados, constituindo expressão da hierarquia, excluídas as aplicações de penalidades, que se inserem no bojo do poder sancionador.
D constitui o poder de organizar as atividades administrativas, mediante expedição de instruções, portarias, ordens de serviços e outros atos infralegais, decorrendo do poder normativo, exercido nos limites da lei.
E corresponde à parcela do poder de polícia exercido preventivamente pela Administração, disciplinando o exercício de atividades de particulares que ensejem risco à segurança, saúde ou incolumidade pública.

Em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu a posição hegemônica que, historicamente, ocupava no cenário mundial. Em seu lugar surgiram duas superpotências – os Estados Unidos e a União Soviética. Esse novo quadro internacional bipolar, gerou a chamada Guerra Fria. Sobre este momento do pós-guerra são feitas as afirmações:

I. A Guerra Fria consistiu em uma série de atritos em várias partes do mundo, criando-se uma situação de constantes conflitos políticos, diplomáticos e geopolíticos que, no entanto, não evoluiu para a guerra direta entre as duas superpotências.

II. Sob a influência política, econômica e ideológica da União Soviética, em 1960, a China promoveu uma revolução radical e implantou o socialismo sob o comando de Mao Tsé-tung.

III. Um dos fenômenos mais importantes do período foi a rápida liquidação dos antigos impérios coloniais europeus, estabelecidos na Ásia e na África com a formação de novos países, independentes, mas com economias frágeis e dependentes.
Está correto o que se afirma APENAS em

A I e III.
B I.
C I e II.
D II e III.
E III.

A adequada transição de tópico frasal se encontra em:

A Górgias, para provar a eficácia do discurso, compõe dois discursos sobre Helena, causa da Guerra de Troia, que provam um suas virtudes, o conhecido Elogio de Helena, e outro seus vícios.
B Os tratados retóricos latinos eram devedores dos gregos, que traziam os princípios basilares da disciplina, cujos textos remanescentes mais antigos remontam aos fragmentos de Górgias.
C Platão, no Fedro, diálogo que trata da boa e da má retórica, que por seu turno oferece duas diferentes perspectivas sobre o problema, ainda escreve outros dois diálogos relacionados diretamente à linguagem, o Sofista e Górgias.
D A retórica grega concentra-se na êuresis, ou descoberta dos argumentos, e não na linguagem, ou elocutio, que, por sua vez, relaciona-se ao termo “eloquência”.
E A eloquência romana tem, como seus teóricos mais representativos, Cícero e Quintiliano; por seu turno, é um desenvolvimento da retórica grega, sobretudo quanto ao que Platão teoriza em seus diálogos.

Considere as frases abaixo.

I. O argumento indutivo deve considerar a possibilidade de relativização, sobretudo em questões relacionadas a ética e direitos humanos, cuja generalização pode facilmente recair em problemas de coerência.

II. Como formas canônicas de raciocínio, tanto a indução como a dedução são válidas e incontestes, desde que resultantes de premissas aceitas pela maioria, uma vez que todo pensamento parte de uma generalização.

III. Ainda que muito usados, processos de raciocínio como a dedução carecem de relevância no contexto ideológico atual, em que até mesmo na redação de uma lei devem prevalecer determinações particulares.
Está correto o que consta em

A I, II e III.
B I e II, apenas.
C II e III, apenas.
D III, apenas.
E I, apenas.

Em um discurso, a linguagem em conjunto com o tema devem concorrer para a finalidade pretendida. A relação entre esses dois domínios do texto recebe o nome de decoro, do latim decorum, que significa “adequação”. Foi assim da Antiguidade ao século XVIII, antes que românticos passassem a atribuir ao estilo do indivíduo uma importância capital. Desse modo, é correto afirmar:

A Para a eficácia de um discurso, atualmente, é necessário que se privilegie a imagem de quem o profere, pois o caráter do orador é condição de eficácia e importante para que se obtenha a confiança da audiência.
B Ao se discursar, deve-se usar linguagem apropriada ao assunto: se elevado, vocabulário e construções sintáticas correspondentes; se baixo, linguagem semelhante, que reforce e torne mais visível a questão tratada, o que corrobora a finalidade pretendida.
C A linguagem de um discurso deve levar em consideração não apenas o assunto, mas sua audiência, de modo que, por exemplo, se direcionado a pessoas de baixa escolaridade, adote vocabulário e sintaxe que tornem eficiente a comunicação.
D Tanto a linguagem como a abordagem de um discurso devem variar de acordo com a audiência: devem-se adotar argumentos e estilo que corroborem a opinião do público visado.
E Independentemente das circunstâncias em que é produzido um discurso, sua linguagem deve adotar um tom formal e elevado, buscando não apenas enunciar as questões em pauta, como garantir a admiração e respeito por parte da audiência.

Tendo vicejado em meio à democracia e à demagogia, a retórica desenvolveu-se como instrumento para a soberania do povo e para seu direcionamento político; logo, passa a ser ensinada por professores como Empédocles e Córax.
O comentário acima, que retoma um segmento do texto, caracteriza-se como

A correta relação entre conceitos, seguida de uma falsa conclusão.
B falsa analogia entre conceitos, seguida de uma conclusão tautológica.
C tautologia, seguida de uma conclusão sem nexo causal com o segmento que a antecede.
D contradição, seguida de uma conclusão que repete o que foi dito no segmento anterior.
E ênfase retórica inicial que retoma conceitos importantes para a conclusão que fecha o período.

O sofisma, enquanto raciocínio carecente de lógica,

A visa ao convencimento, como o entimema retórico, mas é deliberadamente fraudulento, sendo uma de suas espécies mais conhecidas o argumento ad hominem, que apela para questões relacionadas ao enunciador para desqualificar seu discurso.
B é semelhante ao entimema retórico, pois também busca persuadir mediante o uso da linguagem balizado pela ética, fazendo-se necessário quando há incerteza a respeito dos argumentos do adversário.
C presta-se sobremaneira a incentivar o debate de ideias, em particular o gênero nomeado como “petição de princípio”, que faz com que os altercadores tenham de retornar às bases de sua argumentação.
D caracteriza-se sobretudo pela eficácia de seu resultado, o convencimento, semelhante ao entimema retórico, ao passo que sua relação com a verdade o aproxima do silogismo filosófico.
E é facilmente reconhecível, pois, ademais de ser um argumento falso, não se preocupa com a persuasão, diferentemente do entimema retórico ou mesmo do silogismo filosófico.

Como forma de garantir a coesão e a clareza, o período que ilustra o uso adequado de anafóricos encontra-se em:

A Cícero tornou-se conhecido como o grande orador da Antiguidade, ao lado de Demóstenes, que tiveram um fim semelhante: um termina por suicidar-se, outro é executado, tendo sua cabeça exibida em pleno foro.
B A retórica, entre os romanos, recebeu duas outras denominações, eloquência e oratória: aquela, a conferir especial atenção à linguagem (elocutio em latim); esta, a destacar a noção de discurso (oratio) em sua integralidade.
C Com o Renascimento, a Antiguidade tem seu valor restabelecido, ainda que a retórica não venha a servir a uma democracia ou a uma república, como aqui, mas nem por isso, de caráter religioso, é lá menos vigorosa, como o atestam os discursos de Vieira.
D Um dos objetivos da retomada do estudo da retórica no século XX é a compreensão de discursos demagógicos, a qual perpassa todo o século; no Brasil, é exemplo disto o estudo de Haquira Osakabe sobre o discurso de Getúlio Vargas.
E Desde que se firma como disciplina e é ensinada nas escolas, a retórica, na Antiguidade se caracteriza como tal, servindo de modelo para o desenvolvimento da mesma no Renascimento.

Entre as definições mais conhecidas, para Aristóteles a retórica é a arte de persuadir, procurando nos argumentos o que concorra para tal finalidade, ao passo que, para Quintiliano, já com o nome de eloquência, trata-se da arte de bem falar, compreendendo aí não apenas a eficácia (em comparação à gramática, que é a arte de falar corretamente), mas ainda o bem enquanto virtude do orador.
Levando em consideração as duas definições acima, um dos recursos que pode ser usado para que se obtenha um discurso adequado é

A o elogio daqueles em cujas mãos está a tomada de decisão a respeito da causa pleiteada, para além da demonstração de idoneidade do caráter de quem discursa.
B a demonstração de que os argumentos do oponente contradizem suas ações pretéritas, de modo a garantir sua perda de credibilidade.
C o uso de lances patéticos de maneira equilibrada durante o discurso, a incrementar sua expressividade, sobretudo quando se carece de argumentos plausíveis.
D a refutação lógica dos argumentos do oponente, demonstrando-lhe que o que se pretende é justo e, ademais, vantajoso também para ele.
E o uso de linguagem elevada, como modo de denotar o conhecimento que embasa o discurso e, por decorrência, a natureza de quem o profere, de modo a agregar confiança ao que é dito.