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Sobre o pensamento de Kant, fala-se de filosofia crítica e de filosofia transcendental: “(...) ‘transcendental’ porque a teoria do conhecimento não poderia tratar de objetos particulares, mas da necessidade lógica e das condições universais do conhecimento enquanto tal.” (REIS, J. C. A Crítica Histórica Da Razão: Dilthey Versus Kant. In: Memória, Identidade e Historiografia. Textos de história. vol. 10, 1 /2, 2002, p. 162 - adaptado). Quanto às razões do seu caráter crítico, assinale a alternativa que descreve corretamente.

A Crítico por se tratar, sobretudo, de uma investigação que se mantém nos limites da própria capacidade do conhecimento humano, apresentando as razões pelas quais este conhecimento é possível
B Crítico por considerar o conhecimento humano um saber limitado, indigno de ser chamado científico na medida em que ciência é saber universal e necessário. A demonstração da impossibilidade da Metafísica como ciência, como se observa já no prefácio da Crítica da Razão Pura , serve ao propósito da demonstração das razões pelas quais não se pode confiar na capacidade do conhecimento
C É crítico na medida em que evidencia a menoridade de seus interlocutores, que não ousam fazer uso da própria razão. Fazer ciência é denunciar os dogmatismos e mesmo o ceticismo cínico de sua época
D É crítico por demonstrar a impossibilidade da Metafísica como ciência, logo quando a Metafísica estava na fundação do próprio racionalismo que predominava nas ciências desde Descartes, passando por Wolff e Leibnitz

Um argumento é considerado válido quando sua conclusão se segue das premissas. Quanto ao significado do termo validade, em lógica, assinale a alternativa correta.

A Se as premissas são verdadeiras e a conclusão também é verdadeira, então o argumento é válido
B O argumento é válido quando é impossível que sua conclusão seja falsa se suas premissas são verdadeiras, ou seja, a validade diz respeito ao conteúdo das proposições
C A validade não diz respeito à verdade ou falsidade das premissas ou da conclusão, mas tão somente à forma lógica do argumento. Um argumento é válido quando sua forma lógica é válida
D A validade diz respeito ao juízo de verdade de uma proposição lógica, que exige a confirmação de caráter empírico

Considere os argumentos abaixo, para os quais “P1” e “P2” são premissas e “C” é a conclusão: Argumento 1. P1. Todos os pinguins são aves. P2. Picolino é uma ave. C. Logo, Picolino é um pinguim. Argumento 2. P1. Todo homem é mortal. P2. Sócrates é homem. C. Logo, Sócrates é mortal. Sobre estes argumentos, analise as seguintes afirmativas.

I. São ambos argumentos válidos, pois tanto suas conclusões quanto suas premissas são verdadeiras.

II. Apenas o Argumento 2 é válido, pois sua conclusão se segue, necessariamente, das premissas.

III. O Argumento 1 é válido, pois é de conhecimento de todos que Picolino, personagem icônico do seriado “Pica-Pau”, é um pinguim.

IV. O Argumento 1 é inválido, pois sua forma lógica é inválida. Ainda que premissas e conclusão sejam verdadeiras, não se pode dizer que a verdade da conclusão, necessariamente, se infira da verdade das premissas. Assinale a alternativa que apresente apenas afirmativas incorretas .

A I e III apenas
B I, II e III apenas
C II e IV apenas
D II e III apenas

Sobre o papel da Escola na sociedade democrática, pensando na Escola no Brasil, tomando ainda emprestados conceitos importantes de Durkheim em sua obra Educação e Sociologia

( 1922 ), assinale a alternativa correta.

A A instituição escola é um agente social diretamente vinculado à solidificação do espírito democrático na comunidade na qual se insere, e sua atividade fim, a educação formal básica para a cidadania e para o mundo do trabalho, vislumbrada como condição fundamental à própria manutenção desta comunidade no espírito que a formou - o espírito democrático, se efetua no exercício do poder a ela conferido pelo poder emanado do todo da comunidade expresso em sua constituição (escrita ou não, mas sempre proclamada), e sua efetividade é exigência social deste mesmo poder. Neste sentido, a escola é parte da teia, da estrutura social, ao mesmo tempo em que atua, em cumprimento do seu papel coercitivo como instituição social, para consolidar a própria teia, estabelecer seus limites e fortalecer seus pontos de apoio
B A Escola, como o primeiro ambiente de contato da experiência das crianças com a estrutura de Estado, deve exercer, por meio da coerção, o poder social de estabelecer os padrões de comportamento desejados para as próximas gerações. Ainda que democrática com respeito à pluralidade dos conteúdos do currículo, sua função social não é democrática, pois se efetiva apenas no estabelecimento do padrão social desejado para a sociedade do futuro
C A Educação escolar é fundamental ao estabelecimento de padrões aceitáveis de conduta, e assim sendo, a coerção moral é o traço mais importante da ação deste agente social. A democracia, definida pelo exercício livre do voto e pela representação política dos interesses das maiorias, se estabelece, por meio da Escola, como estrutura social que tem seus princípios morais na vontade da maioria
D A Escola, pensada como agente social, deve se manter móvel, independente das estruturas de estado, capaz de, reconhecendo as direções dos ventos dos tempos, estabelecer novas bases estruturais para a sociedade. A coerção não é o caráter fundamental da Escola democrática, mas, sim, a emancipação da coerção se conquista por meio da educação. O homem do amanhã se libertará pela ação consciente e esclarecida da escola do tempo presente. A escola é o agente de transformação social e a ela se destina a missão de, ainda que para isso se confronte com os interesses das maiorias, libertar a próxima geração das prisões da consciência que impedem as transformações e a salvação do todo da comunidade

A definição de fato social e o significado da expressão “os fatos sociais são coisas”, para Durkheim em sua obra As regras do método sociológico

( 1895 ), se estabelece a partir de três conceitos fundamentais. Assinale a alternativa que apresente corretamente estes conceitos.

A Consciência coletiva, Interioridade e Inconsciente social
B Generalidade, exterioridade e coercitividade
C Liberdade, fraternidade e igualdade
D Estrutura social, enraizamento e liberdade
Texto associado
Leia o trecho abaixo para responder à questão seguinte. “Com a promulgação da Lei 11.684, de 2 de junho de 2008, a Filosofia volta a ser uma disciplina obrigatória nas escolas brasileiras, função que ela não desempenhava desde 1961 (Lei nº 4.020/61). Segundo a nova lei, o ensino de Filosofia (assim como o de Sociologia) assume um caráter de obrigatoriedade em todas as séries do ensino médio, a última etapa da educação básica no país. Diante desse cenário, profissionais envolvidos com o ensino, principalmente com o ensino de Filosofia – sejam eles professores universitários, de ensino médio ou mesmo estudantes – são novamente convocados a pensar questões fundamentais sobre a disciplina: é preciso saber por que, afinal de contas, deve-se ensinar Filosofia para os jovens do ensino médio, e quais conteúdos e metodologias devem ser empregados para atingir esses objetivos.” (DA SILVA, T. C.. A Filosofia no Ensino Médio: Por que, o que e como ensiná-la? In: Humanidades em diálogo. Vol. IV, N. I, Jun. 2011. p. 201).

No Inciso III do artigo 35 da LDB (artigo em que são expostas as finalidades do ensino médio), lemos: “(...) o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”. Não se discute que a Filosofia seja fundamental para o desenvolvimento do educando como pessoa humana, seja em relação à sua formação ética ou sua autonomia intelectual e seu pensamento crítico, mas o problema é o “como fazer?”, ou com outras palavras: o que justificaria o ensino de Filosofia como elemento fundamental deste processo de desenvolvimento dos educandos? Assinale a alternativa que apresente a resposta correta à pergunta.

A O ensino de Filosofia se justifica quando atentamos para o seu conteúdo mais relevante, isto é, a História da Filosofia. Ela contribui no sentido de tornar o processo de avanço da humanidade em objeto de experiência dos educandos, propiciando a esperança de que a razão, superando dificuldades, sempre encontrou soluções para seus dilemas e conflitos
B O ensino de Filosofia tem no método filosófico, que se evidencia em seus conteúdos específicos, sua principal contribuição ao desenvolvimento dos educandos, e, neste sentido, pode-se dizer que é único entre as disciplinas que compõem o currículo: o contato com os problemas filosóficos exige uma postura racional, não-dogmática e não cínica, estritamente contextualizada, para os quais as soluções sejam significativas tanto para os momentos em que tais problemas tiveram chão real quanto aos próprios educandos
C A Filosofia é essencialmente interdisciplinar, e por ter seu conteúdo no fundamento dos problemas que deram origem às várias ciências com compõem o currículo oficial, não se pode pretender uma formação completa em nível básico sem a compreensão dos seus principais conteúdos
D A Filosofia como disciplina obrigatória no ensino público só se justifica como cumprimento legal do que está disposto nos princípios da administração pública que diz que ao servidor público é obrigatório aquilo que a lei determina. Atende-se com a obrigatoriedade uma exigência histórica de uma parcela da sociedade civil pela garantia de campo de trabalho a profissionais da educação que, desde a década de 60 estava desassistida pela administração pública
Texto associado
Leia o trecho abaixo para responder à questão seguinte. “Com a promulgação da Lei 11.684, de 2 de junho de 2008, a Filosofia volta a ser uma disciplina obrigatória nas escolas brasileiras, função que ela não desempenhava desde 1961 (Lei nº 4.020/61). Segundo a nova lei, o ensino de Filosofia (assim como o de Sociologia) assume um caráter de obrigatoriedade em todas as séries do ensino médio, a última etapa da educação básica no país. Diante desse cenário, profissionais envolvidos com o ensino, principalmente com o ensino de Filosofia – sejam eles professores universitários, de ensino médio ou mesmo estudantes – são novamente convocados a pensar questões fundamentais sobre a disciplina: é preciso saber por que, afinal de contas, deve-se ensinar Filosofia para os jovens do ensino médio, e quais conteúdos e metodologias devem ser empregados para atingir esses objetivos.” (DA SILVA, T. C.. A Filosofia no Ensino Médio: Por que, o que e como ensiná-la? In: Humanidades em diálogo. Vol. IV, N. I, Jun. 2011. p. 201).

Quando se lê nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (Secretaria da Educação Básica) para o ensino de Filosofia que “(..) Cabe insistir na centralidade da História da Filosofia para o tratamento adequado de questões filosóficas” e que “é recomendável que a História da Filosofia e o texto filosófico tenham papel central no ensino de Filosofia”, sobre a metodologia do ensino de Filosofia na Educação Básica, assinale a alternativa incorreta.

A Ensinar Filosofia é ensinar História da Filosofia e proporcionar o contato com as principais fontes e temas filosóficos
B É obrigatória por parte do Estado e é direito dos educandos o contato com a tradição do pensamento e com os principais problemas que a humanidade foi capaz de enfrentar e as soluções que foi capaz de oferecer
C O ensino de Filosofia deve se restringir ao ensino de História da Filosofia e aos textos filosóficos
D A orientação pela centralidade da História da Filosofia e pelo texto filosófico permite a segurança e confiabilidade do processo educacional, sendo também ocasião de aprendizagem da argumentação e da divergência tão essenciais ao desenvolvimento das habilidades e competências sócio-emocionais dos educandos
Texto associado
Leia o texto abaixo para responder à pergunta seguinte. Teses sobre o conceito da história (§ 9) Walter Benjamin "Minhas asas estão prontas para o voo, Se pudesse, eu retrocederia Pois eu seria menos feliz Se permanecesse imerso no tempo vivo." (Gerhard Scholem, Saudação do anjo). “Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novu s. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.” (BENJAMIN, W. As Teses sobre o Conceito de História. In: Obras Escolhidas, Vol. 1, p. 222-232. São Paulo, Brasiliense, 1985).

Existem duas categorias de seres na exposição de Benjamin: o Anjo e os homens. Por que um anjo? O que ele representa? Sobre os questionamentos apresentados, assinale a alternativa incorreta .

A O anjo evoca e figura a luta contra as ideias do historicismo, que aparece aqui como o mito do progresso
B O anjo, para Benjamin, simboliza a perspectiva messiânica da história que, manifestando-se, a partir de fora do mundo histórico dos homens, no próprio mundo histórico, chama a atenção da humanidade contra os perigos da alienação e da exploração mítica da narração histórica
C O anjo simboliza a perspectiva do tempo evo, que condensa o tempo histórico de instantes isolados e consequentes em um único “tempo” que, ao anjo, é visível em simultaneidade.
D O anjo, como símbolo de um ser superior, assume as qualidades de um salvador dos homens que é impedido de agir pelas crenças dos próprios homens em um progresso histórico inevitável e do qual eles mesmos são as causas. O anjo é figura de uma mentalidade aristocrática
Texto associado
Leia o texto abaixo para responder à pergunta seguinte. Teses sobre o conceito da história (§ 9) Walter Benjamin "Minhas asas estão prontas para o voo, Se pudesse, eu retrocederia Pois eu seria menos feliz Se permanecesse imerso no tempo vivo." (Gerhard Scholem, Saudação do anjo). “Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novu s. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.” (BENJAMIN, W. As Teses sobre o Conceito de História. In: Obras Escolhidas, Vol. 1, p. 222-232. São Paulo, Brasiliense, 1985).

A tempestade que impulsiona o anjo para trás, que o impede de salvar os homens, e que vem do paraíso, é o progresso. Contra esta ideia, entendida como historicismo. (CANTINHO, M. J. Walter Benjamin e a história messiânica: contra a visão histórica do Progresso. Universidade Nova de Lisboa. In: Cadernos Benjaminianos. Disponível em: < http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/cadernosbenja minianos/article/view/5309/4717 >. Acesso em: 08/08/2021.) Benjamin recorre a conceitos importantes da tradição judaica. Assinale a alternativa que lista estes conceitos de forma correta.

A Rememoração, promessa e redenção
B Messias, reminiscência e profecia
C Alegoria, topologia e escatologia.
D Cabala, messias e prometido

Considerando a relação entre ética e moral, analise as assertivas abaixo:

I. Ética e moral são termos desconexos etimologicamente; sendo que ética é derivado de “ethos” do Latim, enquanto Moral vem de “morus” de origem grega. Portanto, ambos os termos remetem propriamente ao costume de um povo.

II. No senso comum, a ética apresenta significado positivo, enquanto a moral tem uma intepretação negativa. Sendo assim, acreditamos que, ao elogiar alguém que é generoso e justo, estamos evidenciando que ele agiu eticamente.

III. Para Jean Piaget, a moral tem relação com um conjunto de regras e valores, tendo o objetivo de regular as pessoas. Quais estão corretas?

A Apenas I.
B Apenas II.
C Apenas I e II.
D Apenas I e III.
E Apenas II e III.