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O Mito da Caverna, de Platão, estabelece uma relação interna ou intrínseca entre paideia e aletheia : a filosofia é educação ou pedagogia para a verdade. Sobre o Mito da Caverna e o conceito de verdade em Platão, assinale a alternativa INCORRETA.

A A relação entre paideia e aletheia é proposta pelo mito com a analogia entre os olhos do corpo e os olhos do espírito quando passam da obscuridade à luz: assim como os primeiros ficam ofuscados pela luminosidade do Sol, também o espírito sofre um ofuscamento no primeiro contato com a luz da ideia do Bem, que ilumina o mundo das ideias.
B Platão abandonou o antigo conceito de verdade, isto é, a evidência como adequação entre a ideia e o intelecto, o inteligível e a inteligência, obtida apenas pelas operações da própria alma e o substituiu por aquele em que o próprio ser se manifesta no mundo e ao mundo.
C A trajetória realizada pelo prisioneiro é a descrição da essência do homem (um ser dotado de corpo e alma) e sua destinação verdadeira (o conhecimento intelectual das ideias). Essa destinação é seu destino: o homem está destinado à razão e à verdade.
D O Mito da Caverna preserva o antigo sentido da aletheia como não esquecimento e não ocultamento da realidade, pois aletheia é o que é arrancado do esquecimento e do ocultamento da realidade, fazendo-se visível para o espírito, embora invisível para o corpo.

O filósofo alemão Jürgen Habermas (1929-), inicialmente, recebeu influências da Escola de Frankfurt, no entanto, gradativamente, foi trilhando o seu próprio caminho filosófico e sociológico até os dias atuais. Esse filósofo estuda uma série de relações entre ciência, técnica e economia política, sendo que, entre os seus conceitos principais, encontra-se a razão comunicativa. Sobre esse conceito, assinale a alternativa correta.

A Apoia-se no diálogo, na interação entre os indivíduos do grupo, mediada pela linguagem, pelo discurso.
B Consiste em um desenvolvimento da heteronomia moral, porque a autonomia moral caberia ao uso monológico da razão que, por sua vez, refere ao pensamento filosófico de Kant. No caso, a razão comunicativa não visa à emancipação na moralidade.
C Tem o mesmo significado que razão instrumental.
D Banaliza a vida humana, por isso foi utilizado como expressão filosófica no advento do nazismo.

Norberto Bobbio (1909-2004) foi um filósofo, jurista e “militante político que participou de polêmicas em jornais e em revistas, criticando a injustiça no mundo capitalista e o estado de não liberdade dos países em que foi implantado o socialismo real” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 290). Sobre o seu pensamento filosófico, político, social e econômico, assinale a alternativa correta.

A Escreveu a obra A náusea, a qual expressa a sua teoria existencialista.
B É autor da obra O capital no século XXI, que gerou grande polêmica devido à constatação da tendência de crescimento da fortuna dos ricos e de aumento da desigualdade, caso não sejam alteradas as bases da economia atual.
C Ao lado de outros teóricos, como John Rawls, propôs o neocontratualismo , em que, diferentemente das antigas teorias, o pacto não se limita somente à explicação da origem do Estado.
D Apontou os riscos do igualitarismo na obra Crepúsculo dos ídolos.

“A cultura aponta para o mundo como ele é, com hábito, costumes, valores que nos aproximam dos outros indivíduos do grupo. A arte aponta para possibilidades do mundo, tira-nos do habitual, rompe os costumes, propõe outros valores. Já a cultura de massa e a indústria cultural estão ligadas à cultura e não à arte, pois reiteram o que já sabemos, têm efeito tranquilizante sobre seu público, oferecendo entretenimento e passamento que não propiciam a compreensão mais profunda do mundo” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 359). A partir da leitura do fragmento, bem como de seus conhecimentos sobre indústria cultural e cultura de massa, assinale a alternativa correta.

A A indústria cultural e a cultura de massa foram tematizadas por Adorno e Horkheimer. A partir da constituição de tais conceitos, iniciou-se uma retomada da tendência iluminista que, por sua vez, influenciou a constituição da teoria da ação comunicativa de karl-Otto Apel.
B O público da cultura de massa pode ser considerado alienado na sociedade capitalista industrial. Apesar disso, a autenticidade ainda pode ser impressa à ação, já que o indivíduo ainda irá conseguir se projetar no tempo. Quer dizer, a existência se caracterizará como um lançar-se contínuo às possibilidades renovadas.
C O grande perigo da cultura transmitida pelos meios de comunicação de massa (jornais, revistas, televisão, rádio, internet, etc.), segundo Horkheimer e Adorno, é tornar parcela do público em rebanho de seres passivos, ou seja, incapazes do exercício da autorreflexão. Afinal, isso tornaria dificultoso o trabalho de transformação da realidade.
D O conceito de indústria cultural foi desenvolvido por Habermas, na obra Dialética do Esclarecimento.

Na obra Apresentação da filosofia, o filósofo francês André-Comte-Sponville (1952-) afirma o seguinte: “(...) é preciso fazer política: porque a moral não basta, porque a economia não basta e, portanto, porque seria moralmente condenável e economicamente desastroso contentarse com uma e outra” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 276). A partir da sinalização de Sponville acerca da importância da política, assinale a alternativa correta no que diz respeito à política na filosofia contemporânea.

A O neocontratualismo foi desenvolvido por Aristóteles na obra A política.
B O ideal do Estado não intervencionista, que preconiza o mercado livre para sua autorregulação, constitui a grande meta do liberalismo clássico, fundado pelos pensadores contratualistas do século XVII. Trata-se do Estado minimalista.
C A concepção de Estado de bem-estar social foi desenvolvida por Heidegger, conceito utilizado pelo filósofo como fundamento à sua adesão ao Nazismo.
D O pensador Hayek defendia o Estado previdenciário contra as críticas que o acusavam de ser paternalista, ou seja, de assumir as frequentes dificuldades sociais existentes na sociedade.

“A palavra democracia é de origem grega e significa ‘governo do povo’, ‘governo de todos os cidadãos’. A democracia foi uma invenção dos gregos da Antiguidade, que elaboraram teoricamente esse conceito e implantaram o regime democrático na pólis. Em Atenas, no século VI a.C., a ágora – praça pública – era o local de encontro dos cidadãos, onde se discutiam os problemas da cidade” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 229). Tendo em vista o trecho apresentado, assim como os seus conhecimentos sobre a democracia tanto na Grécia Antiga quanto na contemporaneidade, assinale a alternativa correta.

A Na Grécia Antiga, a democracia direta se valia de representantes que defendiam os interesses comuns. A partir disso, pode-se afirmar que a exclusão política não ocorria com tanta frequência.
B A consolidação da democracia grega contribuiu com o surgimento da filosofia. Aliás, pensadores estrangeiros que faziam parte do corpo democrático foram os principais teóricos que efetuaram as causas em prol do surgimento de tal ciência.
C A ágora (praça pública), na Grécia Antiga, espaço onde eram debatidos assuntos de interesse comum, favorecia o desenvolvimento do discurso político. Desse modo, elaborava-se o novo ideal de justiça, pelo qual as pessoas poderiam participar das decisões políticas. É importante frisar que os estrangeiros (metecos), quando eram prósperos comerciantes, eram considerados cidadãos e, por isso, participavam do processo de argumentação e de discussão.
D A crise na contemporaneidade acerca da democracia consiste no fato de que há conflitos entre democracia e representação. A “democracia representativa” possui uma crise em seu próprio cerne. Afinal, se a democracia é entendida como governo do povo, a representação consiste na seleção de apenas alguns que governam, e os critérios para conceder o poder a “alguns” nem sempre têm sido os mais democráticos.

“Quando dizemos que o pensamento filosóficocientífico surge na Grécia no século VI a.C., caracterizando-o como uma forma específica de o homem tentar entender o mundo que o cerca, isto não quer dizer que anteriormente não houvesse também outras formas de se entender essa realidade. É precisamente a especificidade do pensamento filosófico-científico que tentaremos explicitar aqui, contrastando-o com o pensamento mítico que lhe antecede na cultura grega.” (MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos présocráticos à Wittgenstein. Rio de Janeiro, Zahar, 2007 ) Sobre as diferenças entre o pensamento mítico e o pensamento filosófico-científico, é correto afirmar que:

A são diferenças desprezíveis, visto que em ambos os casos há uma tentativa do homem de “ler” a realidade do mundo que o cerca.
B há uma ruptura radical entre às formas de explicação mítica e a filosófica-científica. Enquanto o mito pressupõe uma incondicional adesão e aceitação de sua narrativa, que apela para uma realidade sobrenatural, divina ou misteriosa, o pensamento filosófico-científico pretende alcançar o conhecimento a partir de argumentos lógicos e racionais sobre o homem e a natureza.
C há mais semelhanças do que diferenças entre o pensamento mítico e o filosófico-científico, visto que em ambos os casos, os mitos são utilizados para transformação do homem a partir da catarse, de uma purificação de suas emoções.
D há uma ruptura radical entre às formas de explicação mítica e a filosófica-científica. Enquanto o pensamento filosófico científico pressupõe uma incondicional adesão e aceitação de sua narrativa, o pensamento mítico pretende alcançar o convencimento a partir de argumentos lógicos e racionais sobre o homem e a natureza.
E com o surgimento do discurso filosóficocientífico, o mito foi suplantado, desaparecendo do cenário social da Grécia antiga, uma vez que a filosofia substitui a mitologia no imaginário popular.

Ao negar o movimento, caracterizando-o como uma ilusão dos sentidos, Parmênides e seus discípulos foram atacados pelos pensadores da escola mobilista, que por sua vez, afirmavam o movimento e a transformação como característica do próprio Ser. Zenão de Eleia, discípulo de Parmênides, formula alguns paradoxos para defender a tese de imobilidade de seu mestre, e dentre estes, aquele que foi um dos mais comentados paradoxos da antiguidade, é o da corrida entreAquiles e a tartaruga. Segundo as premissas do pensamento eleáta exposto no paradoxo de Zenão, o resultado da corrida é:

A Atartaruga vence a corrida.
B Aquiles vence a corrida.
C Há um empate.
D Aquiles não alcança a tartaruga.
E Nenhum dos dois competidores se movem.

“Até Orwell estaria assombrado. Vivemos a ficção de que o mercado é maravilhoso porque nos dizem que está composto por consumidores informados que adotam decisões racionais. Mas basta ligar a televisão e ver os anúncios: procuram informar o consumidor para que tome decisões racionais? Ou procuram enganar? Pensemos, por exemplo, nos anúncios de carros. Oferecem dados sobre suas características? Apresentam informes realizados por entidades independentes? Porque isso sim que geraria consumidores informados capazes de tomar decisões racionais. Em vez disso, o que vemos é um carro voando, pilotado por um ator famoso. Tentam prejudicar o mercado. As empresas não querem mercados livres, querem mercados cativos. De outra forma, colapsariam.” Noam Chomsky Depreende-se da citação acima uma característica marcante do pensamento filosófico, no sentido de:

A se apoiar nas narrativas consolidadas para estabelecer uma análise crítica da sociedade, visando, como afirma Michel Foucault, um “diagnóstico do presente”.
B ser uma articulação entre a história e a análise de dados estatísticos que permitem pensar a contemporaneidade.
C ser um pensamento que pretende se emancipar de uma leitura intelectualista, distante das massas, o que fez com que a filosofia perdesse espaço nos currículos escolares.
D promover uma reflexão acerca de temas contemporâneos.
E ser uma atitude crítica frente à realidade, um questionamento até sobre aquilo que já julgamos conhecer.