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Numa aula sobre a configuração da sociedade colonial brasileira o professor oferece aos estudantes um texto clássico do historiador Caio Prado Jr. “Esta massa de escravos, índios ou negros, constituía a maior parte da população colonial. (...). Ao lado de pequenos proprietários encontramos o tipo mais comum dos agregados . São estes os indivíduos – em geral escravos libertos ou mestiços espúrios - que vivem nos grandes domínios prestando aos senhores toda sorte de serviços: guarda da propriedade, mensageiro, etc. Entre eles figuram também os rendeiros, que pagam seus aluguéis em dinheiro ou mais comumente em produtos naturais ou em serviços. A situação destes rendeiros é a mais precária possível. Raramente se faziam contratos escritos, e mesmo não havia autoridades para os sancionar. Na propriedade quem domina incontrastavelmente é o senhor. Todos os que se fixam em suas terras cedem, em troca da gleba que cultivam para seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor contra outros mandões do sertão ou a própria Justiça, praticamente, toda a liberdade”. PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos . São Paulo: Editora Brasiliense, 1953 (texto adaptado). A partir da leitura do excerto desse historiador, os estudantes devem ser instados a interpretarem a estrutura de classes que compunha a sociedade colonial e suas interrelações de dependência. Dessa atividade, resulta a compreensão de que

A a sociedade colonial era formada por três classes: os senhores, os escravizados e os agregados (e dentre estes, os rendeiros) que, cada um a seu modo, dependiam dos interesses e das necessidades dos senhores.
B os senhores e os agregados não tinham obstáculos às suas necessidades e vontades, ao passo que os escravos eram privados de qualquer liberdade.
C A localização de rodoviárias e estradas.
D As relações entre comércio e serviço.
E As redes de transporte e comunicação.

Uma professora irá introduzir o assunto da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Considerando o conhecimento pedagógico do conteúdo, qual das seguintes abordagens seria mais eficaz para iniciar o ensino sobre os principais eventos da ditadura militar no Brasil?

A Expor texto pertinente ao assunto com todos os detalhes cronológicos dos eventos sem promover discussões ou atividades interativas.
B Propor uma roda onde os estudantes possam compartilhar o que sabem sobre o tema, seguida de apresentação de documentário com testemunhos do período.
C I, II e III, apenas.
D I, III e IV, apenas.
E I, II, III e IV.

Ao preparar uma aula sobre o Brasil no século XXI e suas relações com a economia mundial, qual das seguintes atividades seria eficaz, considerando o conhecimento pedagógico do conteúdo?

A Apresentar uma lista detalhando os acordos econômicos que o Brasil fez com outros países, independente das suas implicações gerais.
B Pedir aos estudantes que assistam a um documentário sobre a economia mundial e escrevam um resumo, deixando para discutir o conteúdo em outra oportunidade.
C Realizar uma avaliação escrita imediata sobre os eventos da ditadura, focando nas datas e personagens.
D Ensinar sobre a ditadura militar por meio de uma lista de fatos, sem relacioná-los ao contexto social e político da época.
E Pedir aos estudantes que copiem as informações de um livro didático sobre o tema e entreguem como tarefa.

Ao pensar em estratégia para trabalhar no Ensino Fundamental sobre a crise do Antigo Regime na Europa, uma professora escolhe dentre as atividades a seguir, eficiente, do ponto de vista de envolvimento de todos os estudantes, para iniciar este estudo, segundo o conhecimento pedagógico do conteúdo. Assinale a alternativa correta.

A Realizar uma linha do tempo coletiva para que os estudantes possam colocar eventos importantes que marcaram o fim do Antigo Regime, como as revoluções que mudaram a Europa.
B Pedir que os estudantes assistam a um filme histórico completo sobre a Revolução Francesa e, em seguida, escrevam um texto sobre o assunto.
C Apresentar dados sobre a diáspora africana (datas e eventos) a despeito da conexão dessas informações com a vida cotidiana e a cultura atual.
D Criar uma aula interativa na qual os estudantes ouçam histórias de diferentes culturas africanas e demonstrem, num quadro, como essas culturas influenciaram o Brasil.
E Fazer uma apresentação conceitual precisa sobre a diáspora africana na história independentemente da interação de seus aspectos culturais com a vida de todos.

Uma das tendências da historiografia contemporânea é a concepção da cultura como circular, ou seja, resultado da reunião de elementos de naturezas diferentes na composição de saberes culturais para contextos determinados. Com o objetivo de colocar seus estudantes diante dessa concepção de circularidade cultural, uma professora de História desafiou seus estudantes a reunirem, em sustentação lógica, argumentos das mais diversas origens para produzir justificativas em defesa da ampliação dos espaços públicos para lazer infantil em sua cidade. Com esse exercício, a docente preparou os estudantes a entrarem em contato com a concepção de história que embasam obras didáticas de

A Leonardo Benevolo, que estudou a cidade ao longo da História e marcou a dinâmica dos projetos urbanos contemporâneos pela necessidade de contemplar a infância.
B Marc Bloch, que abordou o processo de construção do conceito de Europa a partir da visão reversa do Oriente e das Américas sobre o continente.
C Fazer uma apresentação em Power Point com muitos dados e estatísticas sobre a economia da Europa na época.
D Convidar um especialista na temática para dar uma palestra técnica sobre o Antigo Regime.
E Levar os estudantes ao museu de Arte Sacra e esperar que façam relações individualmente das obras às características do Antigo Regime europeu.

Sobre o sistema feudal em vigor na Europa durante a Idade Média, pode-se afirmar que

A fundava-se na concepção de Santo Agostinho de que as terras agricultáveis pertenciam ao reino de Deus e que somente a Igreja Católica tinha autoridade para distribuí-las e nelas empregar o trabalho de escravizados.
B estabelecia as relações de proteção pela fortificação dos castelos no interior das cidades medievais habitadas por trabalhadores manufatureiros e camponeses, com gestão cooperativa.
C II, III e IV.
D I, III e IV.
E I, IV e V.

A Revolução Francesa do século XVIII foi um movimento que derrubou o Antigo Regime naquele país e fixou um paradigma de transformação política no imaginário social muito além da França e da época em que ocorreu. Sobre essa afirmação, deve-se dizer que

A a França, desde então, não teve mais governos monárquicos e que o modelo de transformação social difundido foi o da persuasão e do entendimento diplomático entre os detentores do poder e os descontentes.
B girondinos, integrantes da vanguarda revolucionária, nutriram-se do Grande Medo dos camponeses para o golpe fatal na realeza e a medida que passou a ser estratégica desde então para as mudanças foi adoção da reforma agrária.
C A garantia de sobrevivência dos trabalhadores negros nas fazendas estava na remuneração assalariada que os senhores lhes passaram a oferecer para que permanecessem ali e acumulassem recursos.
D Libertos por direito, os negros antes escravizados não tiveram a liberdade de fato assegurada, pois marcados racialmente pelo regime anterior não eram vistos pela sociedade como indivíduos livres e capazes.
E O regime escravocrata enraizou-se de tal maneira na mentalidade dos negros que, mesmo libertos, eles não conseguiam conceber modos de vida distintos daqueles a que estavam habituados.

A arte renascentista italiana do ‘ Quattrocento ’, na Itália, teve como característica

A a proibição de representação do corpo humano.
B o emprego exclusivo de personagens santificados.
C à queda da oferta de mão de obra especializada na lavoura açucareira, habilidade detida secularmente pelos holandeses.
D ao relativo e circunstancial desinteresse dos reinos ibéricos unidos quanto às plantations em favor da agricultura diversificada, modelo próprio dos espanhóis.
E ao fato de que os holandeses descobriram metais preciosos no território brasileiro e passaram a financiar expedições de prospecção no interior da colônia.

Nikolai Petrovitch Kirsanóv tem uma boa propriedade com duzentas almas, desde que demarcou as terras dos camponeses. [...] Ao filho que o visita, revela – Estou tendo grandes preocupações com os mujiques este ano [...]. Não estão pagando o obrok. O que é que se vai fazer? E o filho indaga “– E com seus trabalhadores contratados, está satisfeito? Nikolai responde por entre os dentes – estão sendo instigados, isso é que é ruim; e ainda por cima eles não se esforçam de verdade. Estragam o arreamento. Por outro lado, até que lavraram direito. TURGUÊNIEV, Ivan. Pais e Filhos

( 1862 ). Antofágica (e-book), RJ, 2020. Tradução Lucas Simone. Adaptado. A leitura do texto acima nos remete ao contexto da Rússia na segunda metade do século XIX, em que

A a demarcação de propriedades no campo deu origem a relações de produção nas quais os mujiques passaram a empregar mão de obra contratada para realizar o trabalho que anteriormente cabia a eles.
B o plano quinquenal de expansão econômica, desencadeado pelo Estado, gerou a necessidade de convivência de regimes de trabalho distintos na produção rural e a preocupação de que servos camponeses fossem “instigados” pelos contratados.
C a adoção da perspectiva na composição das imagens.
D a introdução de ilusionismos e ludicidade na pintura.
E o conceitualismo estético abstrato.

“Filho de ex-escravos, crescera na fazenda levando a mesma vida dos pais. Era pajem do sinhô moço. Tinha a obrigação de brincar com ele. Era o cavalo em que o mocinho galopava sonhando conhecer todas as terras do pai. Tinham a mesma idade. [E ele perguntava:] Se eram livres, por que continuavam ali? Por que, então, tantas negras na senzala? Por que todos não se arribavam à procura de outros lugares e trabalhos?” EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio . Pallas, RJ: 2023. Pensando nas raízes históricas do racismo no Brasil, escolha a alternativa que responde as questões levantadas pela autora em seu livro.

A A vinculação de escravizados ao cotidiano familiar dos senhores criava relações de afeto entre negros e brancos, que garantiam liberdades e conforto compensatórias aos empregados descendentes de africanos.
B Acostumados ao regime de servidão relativa, mesmo após a libertação os negros e seus familiares mantinham-se voluntariamente apegados ao trabalho nas fazendas e às relações de submissão.
C mantinha as relações de poder baseadas em códigos jurídicos inspirados no Direito Romano que previa a propriedade agrária como bem inalienável e sua defesa como direito de guerra.
D estruturava uma rede de poder militar entre nobres que, pelas obrigações de defesa do reino, tinham como contrapartida a posse de terras, vinculando a elas servos camponeses devedores da corveia a seus senhores.
E apoiava-se no estabelecimento de reinos formados pelos outrora oficiais do exército romano que passaram a adquirir títulos de nobreza com o correspondente direito de explorá-las com o trabalho de servos assalariados.