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A UTI do hospital estadual aciona o nefrologista para avaliar um paciente de 60 anos, 80 kg, sem comorbidades, que foi picado por uma cobra e encontra-se euvolêmico, KDIGO 2. Na prescrição, consta que o paciente vinha em uso de furosemida em baixas doses. O nefrologista decide, então, fazer o teste de estresse da furosemida (FST) para avaliar o risco de progressão da Insuficiência Renal Aguda.

Assinale a alternativa que apresenta o teste (FST) com a dose máxima adequada e a capacidade de resposta esperada.

A 80 mg, diurese > 200 ml após 2h da administração da furosemida.
B 80 mg, diurese > 100 ml após 2h da administração da furosemida.
C 80 mg, diurese > 200 ml após 1h da administração da furosemida.
D 120 mg, diurese > 200 ml após 2h da administração da furosemida.
E 120 mg, diurese > 200 ml após 1h da administração da furosemida.

Paciente de 59 anos, DRC G5, chega à unidade de hemodiálise do município demonstrando tensão e insegurança em sua primeira sessão de diálise. Relata ter medo de sentir dor e pegar doença pelo sangue. A assistente social acolhe o paciente e o apresenta a toda a equipe multiprofissional. Depois, mostra a clínica, colhe relatos dos demais pacientes, explica o funcionamento da clínica, de como é cada sessão, e os demais integrantes da equipe ajudam na orientação do procedimento, tranquilizando o paciente. A conversa é feita de modo privado, esclarecendo todas as dúvidas e deixando o paciente à vontade para ter um tempo de adaptação até o início da sessão. O paciente aceita e resolve fazer a sessão, recebendo o mesmo cuidado até a hora de ir para casa.

De acordo com a Lei nº 8.080/1990 e conforme as Diretrizes para o Cuidado à Pessoa com Doença Renal Crônica, a conduta da equipe, nesse caso, se fundamenta principalmente na

A equidade.
B integralidade.
C universalidade.
D descentralização.
E atenção humanizada.

Segundo as novas diretrizes do KDIGO 2025 sobre a Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD), assinale a alternativa correta.

A No rastreamento de adultos com risco de DRPAD, é recomendado primeiro o uso de ultrassom, contexto da história familiar, função renal, comorbidades e o teste genético nas apresentações atípicas ou típicas.
B O teste genético pode diagnosticar DRPAD em pessoas com ou sem histórico familiar conhecido e fornecer informações prognósticas, mas não é necessário para fazer um diagnóstico inicial de DRPAD em uma pessoa com uma apresentação típica.
C Por ser uma doença de herança autossômica dominante, cujos principais genes causadores são PKD1 e PKD2, devemos alertar, no momento do diagnóstico, que filhos e irmãos de pessoas com DRPAD devem ser investigados, já que há risco de 100% de também terem a doença durante a vida.
D Recomenda-se iniciar o tratamento com tolvaptana em adultos com DRPAD com uma taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) ≥ 25 ml/min por 1,73 m² que estão em risco de doença rapidamente progressiva, desde que não detectadas contraindicações absolutas como gravidez, hipernatremia basal não corrigida, TFGe no início < 25 ml/min por 1,73 m² e gota.
E Os pacientes elegíveis ao uso do tolvaptana no tratamento da DRPAD devem receber educação quanto a diminuir a perda de água urinária, aos efeitos colaterais como oligoanúria, falta de sede, retenção urinária, bem como quanto a estratégias para minimizar e gerenciar os efeitos aquáticos antecipados para garantir a tolerabilidade a longo prazo.

Paciente feminina, DRC G5A1, assintomática, procura o nefrologista no ambulatório para receber orientações devido ao início das sessões de hemodiálise. Ela confeccionou Fístula Arteriovenosa (FAV) há 7 dias em braço direito e irá iniciar as sessões em uso de cateter de duplo lúmen, instalado em veia jugular esquerda há 2 dias. Com base no exposto, assinale a alternativa que NÃO apresenta uma orientação a ser transmitida para a paciente durante o atendimento.

A Não deitar sobre o cateter nem sobre o membro que possui a FAV.
B É permitido realizar punção de acesso venoso periférico no braço da FAV, desde que por pessoa muito experiente.
C Caso apresente febre, dor, calor, edema/inchaço e secreção no local do cateter, procurar assistência médica.
D No cateter, não são recomendados a coleta de sangue, a administração de medicamento ou qualquer outro fim que não seja a hemodiálise.
E Se após o uso da FAV aparecer hematoma, deve-se usar compressas frias, evitar aplicar gelo diretamente sobre a pele, durante as 24 horas que sucedem a sessão de hemodiálise, e aplicar água morna nos dias seguintes.

Paciente masculino, 65 anos, chega ao consultório queixando-se de fraqueza progressiva, cansaço e edema de pernas há 2 meses. Relata que o quadro iniciou de forma insidiosa, piorando progressivamente, chegando hoje a atrapalhar suas atividades do dia a dia. É hipertenso há 20 anos, em uso irregular de losartana 50 mg/dia. Possui diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos, em uso irregular de metformina 850 mg/dia. Possui doença renal crônica diagnosticada há 5 anos, sem acompanhamento regular com nefrologista. Ao exame físico: regular estado geral, pálido (+/4+), hidratado, eupneico. Pressão arterial: 168/90 mmHg. FC: 88 bpm. Presença de edema de membros inferiores 2+/4+, bilateral, simétrico, com sinal de cacifo. Sem outros achados. Exames Laboratoriais: Hemoglobina: 8,5 g/dL, Hematócrito: 26%, VCM: 88 fL, Creatinina: 4,2 mg/dL, Ureia: 120 mg/dL, eTFG: 15 mL/min/1,73m², Eletrólitos: Sódio: 135 mEq/L, Potássio: 6,1 mEq/L, Bicarbonato: 18 mEq/L, Cálcio sérico: 7,8 mg/dL, Fósforo: 5,5 mg/dL, PTH: 250 pg/mL, Vitamina D (25-OH): 15 ng/mL. A conduta ideal e recomendada para esse paciente é

A aumentar a losartana para 50 mg de 12/12h e acrescentar a espironolactona 50 mg 1 x dia.
B evitar a acidose metabólica, distúrbio comum nesses pacientes, pois induz o equilíbrio líquido negativo de nitrogênio, desencadeia inflamação crônica e promove arritmias ao acentuar a hipocalemia.
C repor o ferro, de preferência por via oral, além da eritropoetina por via subcutânea até que a hemoglobina atinja níveis maiores que 11 g/dl.
D tratar a doença mineral óssea desse paciente, pois a adaptação que manteve o fósforo sérico normal por anos se deve à redução dos níveis de calcitriol e do FGF-23, além da elevação do PTH.
E a hipovitaminose D deve ser tratada, já que a hiperfosfatemia se desenvolve quando os rins são incapazes de excretar o excesso de fosfato, suprimindo a hidroxilação renal da 25-hidroxivitamina D inativa em calcitriol.

Paciente feminina, 60 anos, casada, aposentada, procedente de Joinville, DRC G3bA1, vai ao ambulatório de nefrologia queixando-se de visão turva, principalmente à noite, com dificuldade para leitura e percepção de manchas escuras em ambos os olhos. Nega dor ocular ou prurido. Relata quadro já há meses e com piora. Possui diabetes mellitus tipo 2 (DM II) há 24 anos, com controle irregular ao longo do tempo, e expõe que, nas últimas semanas, a glicemia está sempre maior que 200 mg/dl. Nega episódios recentes de hipoglicemia. Faz uso de insulina NPH e regular, porém sem esquema fixo ou acompanhamento nutricional regular. Há 8 anos, foi diagnosticada com hipertensão arterial sistêmica, em uso irregular de losartana e hidroclorotiazida. O exame de fundo de olho revelou presença de hemorragias nos 4 quadrantes e com dilatações venosas em 2 deles. Não há alteração vascular intrarretiniana. O exame neurológico mostra reflexos preservados, sensibilidade diminuída em “luva e bota”. Você, como nefrologista, com base na Sociedade Brasileira de Diabetes 2025 – Manejo da Retinopatia Diabética, orienta a paciente, explicando que

A cerca de 60% dos pacientes renais crônicos com DM II irão apresentar, no decorrer da vida, retinopatia diabética.
B o rastreamento da retinopatia diabética, no caso dessa paciente, deveria ter sido iniciado 10 anos após o diagnóstico da DM II.
C por ela apresentar 24 anos de DMII, ser DRC, hipertensa e ter feito o mau controle glicêmico, todos são fatores de risco identificados para desenvolver a retinopatia diabética.
D diferentemente da retinopatia hipertensiva, a otimização do controle da pressão arterial não reduz o risco nem retarda a progressão da retinopatia diabética.
E a paciente possui retinopatia diabética proliferativa, a mais forte preditora para doença arterial periférica, o que aumenta o risco de ulceração e amputação dos membros inferiores.

Sobre as síndromes e a nefrologia, assinale a alternativa correta.

A Na Síndrome da Lise Tumoral, os distúrbios mais encontrados são: hipocalcemia, hipocalemia, hipofosfatemia e alcalose metabólica.
B A Síndrome de Alport XLAS é causada em 80% dos casos, herdada, em um padrão ligado ao X e causada por mutações no gene COL4A5, sendo o único padrão de herança existente.
C Na Síndrome Cardiorrenal Aguda, a creatinina sérica pode aumentar, permanecer estável ou diminuir com a terapia descongestiva. Um aumento na creatinina sérica nesses pacientes geralmente indica descongestionamento eficaz, em vez de uma lesão renal verdadeira.
D A Síndrome Hepatorrenal possui na sua fisiopatologia, oriunda da cirrose e da hipertensão portal, produção e liberação de vasoconstritores e citocinas como óxido nítrico e prostaglandinas, que causam vasoconstrição esplâncnica e sistêmica que desencadeiam a lesão renal.
E A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada por trombocitopenia, anemia hemolítica microangiopática e lesão renal aguda. As formas típicas mais comuns são comumente causadas pela toxina Shiga ou, menos comumente, por infecções ou anormalidades genéticas que ativam a via alternativa do complemento.

A Hipertensão Arterial em Diálise (HAD) tem alta prevalência, de pelo menos 80% ou mais, e seu manejo na prática do nefrologista ocorre de forma heterogênea e, frequentemente, empírica. Por isso foi lançada em 2025 a I Diretriz Brasileira de hipertensão arterial na diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia, a qual

A apresenta como definição para hipertensão arterial em diálise valores de PA pré-HD ou pós-HD ≥ 130/80 mmHg.
B apresenta como recomendação a restrição de sódio na dieta de 3,0 a 5,0 g/dia para paciente dialítico, para a redução da pressão arterial e o ganho de peso interdialítico.
C apresenta, segundo as recomendações dos principais Guidelines, como metas pressóricas a serem atingidas em pacientes em Hemodiálise PA ≤ 140/90 mmHg tanto na pré-HD como na pós-HD.
D recomenda, na Hipertensão Induzida por Eritropoetina (EPO), refratária ao manejo dos anti-hipertensivos, ter atenção ao peso seco, preferência pela via subcutânea da EPO, reduzir o alvo da hemoglobina e iniciar com baixa dose de EPO, aumentando lentamente, mas nunca suspendendo o seu uso.
E recomenda, em pacientes que fazem hemodiálise 3 x por semana, a realização de MAPA de 44h, exame padrão-ouro nesses pacientes, sendo o dia de instalação ideal após a sessão de diálise do meio da semana e retirada imediatamente após a sessão seguinte.

Nas últimas décadas, uma epidemia de Doença Renal Crônica (DRC) tem sido associada a fatores ambientais e ocupacionais, denominada DRC de origem não tradicional (DRCnt). O treinamento e a qualificação de profissionais de saúde precisam ser elaborados e implementados para aumentar a conscientização sobre os fatores de risco para DRCnt e aplicar promoção-prevenção da saúde. Considerando o exposto, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. A DRC de origem não tradicional é um diagnóstico de exclusão para DRC, feito quando um paciente preenche os critérios de DRC do KDIGO sem evidências de uma causa reconhecida, como diabetes, hipertensão, doença genética ou glomerulonefrite.
II. É uma desordem principalmente túbulo-intersticial com perda não proteinúrica da função renal.
III. Muitas etiologias potenciais de DRCnt foram estudadas e a exposição ao calor, aos metais nefrotóxicos e aos agrotóxicos é a principal responsável por uma grande proporção de casos em todo o mundo, especialmente entre trabalhadores.
IV. A medição de metais em amostras de urina e sangue de pacientes e indivíduos expostos aos possíveis fatores de risco pode indicar a etiologia da DRCnt.

A Apenas I e II.
B Apenas I e III.
C Apenas II e IV.
D Apenas I, III e IV.
E I, II, III e IV.