QuestLab Plataforma Inteligente de Questões
Banco público de questões

Questões para Concursos

Pesquise questões reais por disciplina, assunto, tópico, banca, órgão, cargo, ano e modalidade.

Questões por banca

29 bancas disponíveis. Clique para visualizar todas.

Encontre as questões que procura
Limpar filtros
15 questões encontradas

A partir da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural passou por significativas transformações. Seu escopo foi alargado para além da valorização de bens materiais de caráter monumental. Essa mudança de perspectiva refletiu-se na inclusão de novas categorias de patrimônio, como o patrimônio imaterial. No Brasil, um marco desse alargamento de sentido foi o tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, na Bahia, em 1984. No Brasil, o patrimônio imaterial permite:

A reconhecer o valor arquitetônico de lugares sagrados de diversas religiões;
B patrimonializar apenas práticas de religiões afrobrasileiras;
C questionar o valor patrimonial da religião católica no Brasil;
D reconhecer o valor arquitetônico de lugares de memória indígena;
E reconhecer e valorizar práticas e saberes de diversos grupos sociais como expressões da diversidade cultural e da identidade afro-brasileira.

Stuart Hall dedicou grande parte de sua obra à análise da cultura e da identidade em sociedades multiculturais. No livro Pensando a diáspora , Hall examina as identidades caribenhas diaspóricas em condições contemporâneas de globalização. O autor argumenta a favor da "impureza" cultural, considerando a forma como o “velho” é transformado no “novo” e a forma como o “exterior” se torna parte constitutiva da “cultura nacional”. Para analisar as interações entre culturas e a impureza cultural, Hall propõe o conceito de:

A etnocentrismo;
B hibridização;
C relativismo cultural;
D assimilação cultural;
E fundamentalismo cultural.

Em seu texto Esboço de uma teoria da prática , Pierre Bourdieu escreve o seguinte: "O caráter primordial da experiência do dom é, sem dúvida, sua ambiguidade: de um lado, essa experiência é (ou pretende ser) vivida como rejeição do interesse, do cálculo egoísta, como exaltação da generosidade, do dom gratuito e sem retribuição; de outro, nunca exclui completamente a consciência da lógica da troca, nem mesmo a confissão de pulsões recalcadas ou, por éclairs , a denúncia de uma outra verdade, denegada, da troca generosa, seu caráter impositivo e custoso (‘o presente é uma infelicidade’)” (Bourdieu, 1996, p. 7). A ambiguidade da experiência que Bourdieu descreve está embasada em:

A Vladimir Lenin;
B Marcel Mauss;
C Victor Turner;
D Ferdinand de Saussure;
E Émile Durkheim.

Para Gilberto Velho, a antropologia urbana é uma antropologia das sociedades complexas. Em seu artigo Estilo de vida urbano e modernidade , o antropólogo escreve o seguinte: “A metrópole moderna oferece a possibilidade de transitar entre vários mundos e esferas diferenciadas. A fragmentação do trabalho tem, como outro lado da moeda, o desenvolvimento de áreas e domínios especializados de sociabilidade, lazer, crença religiosa, atividade política etc.” (Velho, 1995, p. 229). A antropologia urbana de Gilberto Velho tem um dos seus fundamentos teóricos na produção de:

A Luc Boltanski;
B Georg Simmel;
C Gayatri Spivak;
D Gabriel de Tarde;
E Bruno Latour.

Em seu artigo Antropologia e política , Karina Kuschnir afirma: “Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse modelo como ponto de partida; é não considerar universais termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e ‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166). A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:

A relativizar e aceitar diferentes formas de exercício do poder;
B legitimar, na esfera política, sociedades contra o Estado;
C analisar e enaltecer práticas políticas de grupos dominados;
D recomendar, com bases em laudos antropológicos, o que a política deve ser;
E estudar o que é a política para certo grupo, em determinado contexto histórico e social.

Há quase um século, os antropólogos estudam outras formas de vida, como Bronislaw Malinowski e os jardins, Edward Evans-Pritchard e o gado, Gregory Bateson e os golfinhos. Contudo, nas últimas décadas, os praticantes da antropologia têm ampliado as perspectivas que embasam suas etnografias, decentrando análises sobre agência e poder e advogando por uma antropologia mais-que-humana. Uma das viradas teóricas responsáveis por esse decentramento é a virada ontológica. Uma das contribuições feitas pela virada ontológica é:

A a crítica decolonial;
B a defesa da universalidade humana;
C o abandono de etnografias multiespécie;
D a tese da multiplicidade de mundos;
E a tese da similaridade dos sistemas de parentesco.

No capítulo Conflitos ambientais – a atualidade do objeto , Henri Acselrad afirma o seguinte: "O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11). Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:

A a natureza seja deixada de fora dos conflitos sociais;
B a natureza não seja considerada um objeto pertinente da antropologia;
C o meio ambiente seja tratado como um objeto apolítico;
D a antropologia analise os conflitos sociais em torno da natureza;
E a antropologia abandone a etnografia nos estudos da natureza.

Beatriz Heredia e Moacir Palmeira são dois antropólogos brasileiros dedicados a etnografias da política. São inúmeras as suas publicações sobre eventos e o tempo da política. No artigo Os comícios e a política de facções , os autores tratam os comícios como “rituais”. "Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de força’ passa pelos comícios e não por outras formas de ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia, 1995, p. 37). Analisar os comícios como rituais implica discutir:

A as bases econômicas da política;
B representações coletivas não contestadas;
C as regulações jurídicas das práticas políticas;
D o exercício de poder unilateral por parte dos partidos;
E a relação entre esses eventos excepcionais e o cotidiano.

No texto O que significa tornar-se outro? , a antropóloga Aparecida Vilaça argumenta que a experiência xamânica Wari' se caracteriza pela duplicidade corporal. No texto, Vilaça afirma: "O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63). Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:

A o corpo animal do xamã é uma ilusão criada pelo uso de substâncias alucinógenas, não tendo uma existência real;
B o xamã, ao se transformar em animal, abandona completamente sua identidade humana e se torna um membro da espécie animal;
C a relação do xamã com o corpo animal é puramente simbólica, representando a conexão espiritual com a natureza;
D o xamã utiliza o corpo animal como um disfarce para se aproximar dos animais e obter conhecimento sobre seus hábitos;
E o xamã experimenta a simultaneidade de dois corpos, o humano e o animal, cada um com sua própria agência e ponto de vista através de um processo de transformação corporal e de perspectiva.

No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação na Amazônia , Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos, conservacionistas, governantes e as próprias populações tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em torno do que se pode chamar de essencialização do relacionamento entre as populações tradicionais e o meio ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:

A da evolução cultural humana;
B da superioridade das raças;
C da identidade étnica;
D do bom selvagem ecológico;
E do progresso tecnológico.