QuestLab Plataforma Inteligente de Questões
Banco público de questões

Questões para Concursos

Pesquise questões reais por disciplina, assunto, tópico, banca, órgão, cargo, ano e modalidade.

Questões por banca

29 bancas disponíveis. Clique para visualizar todas.

Encontre as questões que procura
Limpar filtros
15 questões encontradas

A noção de "fricção interétnica", desenvolvida por Roberto Cardoso de Oliveira, busca analisar as relações entre grupos indígenas e a sociedade nacional brasileira. Em um dos textos fundacionais do conceito, Estudo de áreas de fricção interétnica do Brasil , o autor define a fricção interétnica da seguinte forma: "Chamamos fricção interétnica o contato entre grupos tribais e segmentos da sociedade brasileira, caracterizados por seus aspectos competitivos e, no mais das vezes, conflituais, assumindo esse contato muitas vezes proporções ‘totais’, i.e., envolvendo toda a conduta tribal e não tribal que passa a ser moldada pela situação de fricção interétnica” (Oliveira, 1962, p. 86). Seguindo o autor, é correto definir a “fricção interétnica” como:

A a cooperação pacífica entre grupos indígenas e a sociedade nacional;
B a assimilação completa dos grupos indígenas pela sociedade nacional;
C as trocas culturais harmoniosas e equilibradas entre os grupos em contato;
D o isolamento e a falta de contato entre grupos indígenas e a sociedade nacional;
E as relações de competição e conflito entre grupos indígenas e segmentos da sociedade brasileira.

Em Rituais ontem e hoje , Mariza Peirano analisa o carnaval como um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da sociedade brasileira. A autora destaca: "O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26). De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:

A reforçar as hierarquias sociais existentes, consolidando as estruturas de poder;
B promover a homogeneização cultural, eliminando as diferenças e individualidades;
C reproduzir, de forma simbólica, as desigualdades presentes na sociedade;
D estimular o consumo e o espetáculo, desprovido de qualquer dimensão simbólica ou cultural;
E subverter temporariamente a ordem social, permitindo a expressão de identidades e comportamentos normalmente reprimidos.

Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os Kisêdjê , Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade e posse. A autora argumenta que: " A despeito do possessivo na expressão nossa terra , não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123). A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:

A um espaço sagrado e intocável, onde a intervenção humana é proibida;
B uma propriedade individual de cada membro da comunidade Kisêdjê, que pode ser herdada e alienada de acordo com regras simbólicas de sucessão;
C um território definido por limites fixos e marcos geográficos, passível de ser delimitado em um mapa;
D uma área delimitada para a prática da agricultura intensiva, garantindo a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico da comunidade;
E um entrelaçamento dinâmico de relações, histórias e memórias, fundamental para a identidade e a continuidade cultural do povo Kisêdjê.

O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas no ensaio citado, é correto afirmar que:

A os contratos firmados entre diferentes clãs e tribos mediante a troca de presentes nas sociedades arcaicas configuravam um sistema de dons entre indivíduos que antecedia a economia de mercado;
B as trocas cerimoniais que materializavam os sistemas da dádiva eram uma forma de escambo de presentes e prestações de serviços úteis, com o fim de atender as necessidades materiais dos envolvidos;
C o sistema de reciprocidade inerente ao modelo de dom e contra-dom extrapolava a esfera econômica, apresentando-se como a materialização de dádivas altruístas inerentes à vida religiosa;
D a lógica tradicional das trocas pressupunha uma abstração simbólica dos bens e serviços em circulação, desassociando-os de seus proprietários e valorando-os por sua raridade ou natureza utilitária;
E a circulação de objetos, pessoas e serviços mobilizava também uma troca constante de matéria espiritual em um sistema em que tudo poderia ser objeto de troca e nada poderia ser recusado.

Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou, em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos de ‘cultura’”. (Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os anos 60. In: Mana , 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são objeto de análise antropológica para:

A identificar o conjunto de oposições binárias que estruturam universalmente a percepção do tempo;
B compreender como padrões de significados dão sentido à conduta e às relações sociais de um grupo;
C explicar como a cultura legitima ações racionais com relação a fins, como no caso da divisão do tempo balinesa, voltada para uma maior produtividade agrícola;
D demonstrar a objetividade dos fenômenos culturais, que podem ser analisados por antropólogos não pertencentes à comunidade investigada;
E exemplificar a determinação biológica e a transmissão genética de estruturas culturais como a percepção do tempo entre os balineses.