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A especificidade desse ensino religioso é que, no âmbito dele, pode-se ler uma oração e até mesmo tentar compreender o sentido de cada um de seus versos, mas não se pode rezá-la com as crianças e os adolescentes. Essa prática é da alçada da religião, não da escola e nem do professor de ensino religioso.

Sérgio Rogério Junqueira. Uma ciência como referência: uma conquista para o Ensino Religioso . In : Revista de Estudos da Religião , v. 15, n. 2, 2015 (com adaptações).

Esse trecho aponta para uma perspectiva metodológica de aplicação do ensino religioso no âmbito da escola pública, ao tocar nos limites dessa disciplina em uma escola laica de uma sociedade igualmente laica. Ao adotar essa metodologia, o(a) professor(a) de ensino religioso

A reconhece a diferença entre ensinar sobre religião e fazer proselitismo religioso.
B ensina aos alunos a forma correta de orar, ou seja, verso por verso.
C consegue catequizar, com mais eficiência, as crianças e os adolescentes no âmbito escolar.
D desvirtua o objetivo do ensino religioso escolar, que é o de formar cidadãos críticos e obedientes às autoridades constituídas.
E instala uma atitude de intolerância religiosa nas crianças e nos adolescentes.

Na obra Ensino Religioso: construção de uma proposta , João Décio Passos (2007, p. 54) sistematiza a questão do ensino religioso no Brasil a partir de modelos de ensino. Segundo o autor, o modelo catequético é o mais antigo e relaciona-se, sobretudo, a contextos em que a religião gozava de hegemonia na sociedade, embora ainda sobreviva em muitas práticas atuais que continuam apostando nessa hegemonia, utilizando-se, por sua vez, de métodos modernos. O modelo teológico constrói-se no esforço de diálogo com a sociedade plural e secularizada e sobre bases antropológicas. O último modelo, ainda em construção, situa-se no âmbito das ciências da religião e fornece referências teóricas e metodológicas para o estudo e o ensino da religião como disciplina autônoma e plenamente inserida nos currículos escolares.

Por diversas razões, o ensino religioso ainda precisa superar obstáculos, e a formação docente não pode prescindir do modelo de ensino e da metodologia a ser aplicada. Entre os modelos elencados por Passos, é correto afirmar que o modelo

A catequético é o mais adequado porque garante a execução do objetivo central do ensino religioso, qual seja, o proselitismo religioso.
B das ciências da religião, adaptado à realidade brasileira, assegura a formação cidadã e cristã dos estudantes, ao buscar convertê-los a uma doutrina religiosa.
C teológico, que substituiu o modelo das ciências da religião, pode ser implantado em âmbito nacional, já que traz referências teóricas e metodológicas para o estudo e o ensino da religião.
D das ciências da religião fundamenta-se em uma cosmovisão transreligiosa, ou seja, ultrapassa as tradições religiosas e revela os elementos comuns a todas, em diálogo com a sociedade secular.
E catequético apresenta uma cosmovisão plurirreligiosa e, embora esteja sob a responsabilidade de agentes vinculados à Igreja, opera em uma perspectiva de separação entre Estado e Igreja.