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Texto 12A5-I

Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegos com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde Judas perdeu as botas. Uns raros amarravam cachorro com linguiça. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde. As famílias faziam sortimento na venda, tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta, desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um cabrito, não tivesse catinga. Acolhiam com satisfação a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, trazia novidades de baixo, ou seja, da Corte do Rio de Janeiro. Ele vinha dar dois dedos de prosa e deixar de presente ao dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam à sacada para vê-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais do que velhacos: eram grandessíssimos tratantes.

Carlos Drummond Andrade. Quadrante (1962).
In: Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970, p. 180.

Internet: . .

A BNCC prevê a seguinte habilidade: “identificar e analisar os efeitos de sentido que fortalecem a persuasão nos textos publicitários, relacionando as estratégias de persuasão e apelo ao consumo com os recursos linguístico-discursivos utilizados, como imagens, tempo verbal, jogos de palavras, figuras de linguagem etc., com vistas a fomentar práticas de consumo conscientes”. Em conformidade com essa habilidade, é correto afirmar que a apreensão global da mensagem do texto anterior, criado para uma campanha de conscientização ambiental, requer do leitor

A habilidade de leitura dos gêneros textuais hipermidiáticos, próprios da atual cultura digital.
B conhecimento prévio das ciências da natureza para a percepção do apelo da campanha.
C compreensão do sentido figurado das linguagens verbal e não verbal empregadas na divulgação da campanha.
D a observação da disposição das informações e a compreensão de que a imagem e o texto verbal são interdependentes para o entendimento do assunto da campanha.
E a leitura da imagem como estratégia de envolvimento do leitor à causa defendida na campanha.
Órgão: Secretaria da Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: CESPE/CEBRASPE - SEED SE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
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Texto 12A1-I

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

No texto 12A1-I, o vocábulo “se”, em “colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações” (quinto período do segundo parágrafo), caracteriza-se como

A pronome reflexivo.
B índice de indeterminação do sujeito.
C partícula de realce.
D pronome apassivador.
E pronome pessoal com sentido de reciprocidade.
Órgão: Secretaria da Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: CESPE/CEBRASPE - SEED SE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
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Texto 1

Quarto de Despejo: Diário de uma favelada

“20 DE JULHO
Deixei o leito as 4 horas para escrever. Abri a porta e contemplei o céu estrelado. Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar agua. Tive sorte! As mulheres não estavam na torneira. Enchi minha lata e zarpei. (...) Fui no Arnaldo buscar o leite e o pão. Quando retornava encontrei o senhor Ismael com uma faca de 30 centimetros mais ou menos. Disse-me que estava a espera do Binidito e do Miguel para matá-los, que eles lhe expancaram quando ele estava embriagado.
Lhe aconselhei a não brigar, que o crime não trás vantagens a ninguém, apenas deturpa a vida. Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende. O senhor Ismael quando não está alcoolizado demonstra sua sapiência. Já foi telegrafista. E do Circulo Exoterico. Tem conhecimentos biblicos, gosta de dar conselhos. Mas não tem valor. Deixou o álcool lhe dominar, embora seus conselho seja util para os que gostam de levar vida decente.
Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia. Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.
Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. E só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela.
...Durante o dia, os jovens de 15 e 18 anos sentam na grama e falam de roubo. E já tentaram assaltar o emporio do senhor Raymundo Guello. E um ficou carimbado com uma bala. O assalto teve inicio as 4 horas. Quando o dia clareou as crianças catava dinheiro na rua e no capinzal. Teve criança que catou vinte cruzeiros em moeda. E sorria exibindo o dinheiro. Mas o juiz foi severo. Castigou impiedosamente.
Fui no rio lavar as roupas e encontrei D. Mariana. Uma mulher agradavel e decente. [...] Estendi as roupas rapidamente e fui catar papel. Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e levo-a nos braços. Suporto o peso do saco na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que revolto-me. Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo”.
[...]

Adaptado de: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2020.

No Texto 1, as marcas dêiticas participam da construção da situação enunciativa e da organização do relato. Sobre o exposto, assinale a alternativa correta.

A A dêixis temporal, perceptível em trechos como “[...] contemplei o céu estrelado.”, tem papel acessório no Texto 1, uma vez que o relato se estrutura sobretudo pela localização espacial e pela identificação das personagens.
B A dêixis pessoal, observável em formas como “eu” e “meus filhos”, contribui para situar a narradora em relação à experiência vivida, sem anular a forte ancoragem temporal do relato.
C A expressão “durante o dia” exemplifica a dêixis temporal, pois delimita o espaço social em que se desenvolvem as ações narradas.
D Em “Quando o dia clareou [...]”, predomina a dêixis pessoal, já que o trecho focaliza a percepção subjetiva da narradora.
E O uso combinado de formas dêiticas, como “eu” e “20 de julho”, produz efeito de indeterminação enunciativa, deslocando o relato de uma experiência situada para uma formulação mais genérica.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - IFCE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
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Texto 2

Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.
[...]
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.

Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luis-fernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026.

No Texto 2, em “Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade.”, o efeito de humor decorre, sobretudo,

A da oposição entre a indiferenciação atribuída às baratas e a valorização da individualização no universo humano.
B da constatação de que a personagem, embora transformada, ainda interpreta o mundo a partir da lógica própria dos insetos.
C da crítica explícita à vaidade feminina, apresentada como traço central da identidade humana.
D da aproximação entre barata e mulher, tratadas como figuras equivalentes no interior da mesma ordem de valores.
E da recusa da personagem em adaptar-se à nova condição, o que a leva a rejeitar os códigos sociais humanos.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - IFCE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
Texto associado
Texto 3

Os procedimentos para o ensino de gêneros, tal como sugeridos por Joaquim Dolz, Michèle Noverraz e Bernard Schneuwly, têm um caráter modular e levam em conta tanto a oralidade como a escrita. O trabalho distribui-se ao longo de todas as séries do Ensino Fundamental. A ideia central é a de que se devem criar situações reais com contextos que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual, incluindo sua circulação, ou seja, voltando-se a atenção para o processo de relação entre produtores e receptores. Os autores definem a “sequência didática” como “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”.
Para tanto, leva-se em conta a comunicação em situação real, pois sabemos que escrever uma carta a um amigo ou uma carta comercial é algo diferente. Falar num barzinho com os amigos ou produzir um discurso diante de um público não é a mesma coisa. Isto quer dizer que são contempladas as semelhanças e as diferenças entre os gêneros e entre as duas modalidades de uso da língua. Os gêneros são tidos como instrumentos comunicativos que servem para realizar essas atividades formais e informais de maneira adequada. A finalidade de trabalhar com sequências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero.

Adaptado de: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e produção linguística. Material didático de curso de pós-graduação. Universidade de Brasília.

No Texto 3, ao afirmar que escrever uma carta a um amigo não é o mesmo que escrever uma carta comercial e que falar em um barzinho com amigos não equivale a produzir um discurso diante de um público, defende-se que

A as diferenças entre oralidade e escrita explicam o funcionamento dos gêneros, sem que seja necessário considerar as demais condições de uso.
B as práticas de linguagem organizam-se a partir de convenções relativamente estáveis, ainda que a situação comunicativa não altere de modo relevante sua realização.
C os gêneros devem ser compreendidos em articulação com as condições de produção, circulação, interlocução e finalidade comunicativa.
D os gêneros da oralidade pública tendem à formalização, ao passo que os gêneros escritos caracterizam-se pela maior estabilidade estrutural.
E a adequação linguística decorre da relação entre os interlocutores, sendo secundários os fatores ligados à circulação e à finalidade do texto.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - IFCE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
Texto associado
Texto 2

Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.
[...]
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.

Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luis-fernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026.

Na obra A Metamorfose , de Franz Kafka, um homem desperta transformado em inseto. Considerando essa informação e a crônica de Luís Fernando Veríssimo (Texto 2), a referência ao texto-fonte permite reconhecer um procedimento de

A paráfrase, pois o texto retoma o conteúdo do original sem alteração significativa de sentido.
B paródia, pois reelabora intertextualmente um motivo literário conhecido em chave de inversão e humor.
C citação neutra, pois a menção ao autor não altera a construção do texto.
D imitação fiel, pois a narrativa conserva a organização essencial do texto-fonte.
E negação metalinguística, pois o texto discute criticamente a linguagem da obra de Kafka.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - IFCE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026

No quadro das escolas literárias brasileiras do final do século XIX, o Simbolismo distingue-se do Parnasianismo por

A privilegiar a objetividade descritiva, o rigor formal e a impassibilidade do sujeito poético.
B retomar a exaltação da natureza e o nacionalismo sentimental característicos do Romantismo.
C valorizar a sugestão, a musicalidade e a interiorização da experiência subjetiva.
D defender a observação científica da realidade social e a análise determinista do comportamento humano.
E rejeitar a expressividade sonora da linguagem em favor da nitidez conceitual e da nomeação precisa.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Cargo: Professor - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - IFCE - Professor - Área: Língua Portuguesa - 2026
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Figura 42A1-II
Internet: .

Assinale a opção correta em relação à análise da estrutura linguística do texto da figura 42A1-II.

A O primeiro período é formado por duas orações com duas formas verbais.
B A forma verbal do segundo período está empregada no modo imperativo.
C No segundo período, os substantivos “perfil” e “participantes” desempenham a mesma função: complementos verbais.
D A palavra “NORDESTE” é formada por derivação sufixal.
E O substantivo “perfil” está flexionado no singular para concordar com o verbo “conheça”.
Texto associado
Canção para os fonemas da alegria
Thiago de Mello

Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.

Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano,
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,

e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas

são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,

e acaba por unir
a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão

que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas um modo de amar — e de ajudar

o mundo a ser melhor. Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte,

contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.

Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.

Thiago de Mello. Faz escuro mas eu canto. São Paulo: Global Editora, 2017.

Julgue os itens que se seguem, relativos à análise linguística do poema precedente.

No terceiro verso da décima estrofe, é facultativo o emprego de vírgula após “renascido”.

C Certo
E Errado
Texto associado
Texto 42A2-I
Com efeito, não se fala de outra coisa. Tudo quer, tudo pede, tudo deseja a saúde, ou pelo menos, a ausência da febre amarela. Esta velha dama, que estabeleceu aqui um pied-à-terre* , não se esquece de nós inteiramente; há anos em que traz toda a criadagem, e estabelece-se por uma estação e mais. Come que é o diabo, e dá muito de comer à empresa funerária, a qual, devendo detestá-la, pelo lado humano, não pode desadorá-la por outro lado, não menos humano.
Há dessas lutas terríveis na alma do homem. Não, ninguém sabe o que se passa no interior de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh! Contraste maldito! Oh! dilaceração moral! Aparentemente, tudo se recomporia, desistindo o sobrinho do dinheiro herdado; ah!! Mas então seria chorar duas coisas: o tio e o dinheiro.
Machado de Assis. Bons dias! Campinas: Unicamp, 2008, p. 223-4.
*moradia provisória ou habitada em temporadas

Assinale a opção correta em relação aos recursos estilísticos explorados no texto precedente, extraído de uma das crônicas jornalísticas escritas por Machado de Assis.

A Ao personificar a febre amarela como uma “velha dama” (terceiro período), visitante assídua da cidade, o cronista faz uso de um recurso literário para recriar, na sua narrativa, o cotidiano de uma cidade ficcional.
B Em “Tudo quer, tudo pede, tudo deseja a saúde, ou pelo menos, a ausência da febre amarela” (segundo período), entende-se que a febre amarela, gradativamente, deixava de ser um problema de saúde pública para se tornar um elemento do imaginário coletivo da época.
C No segundo parágrafo, o dilema do sobrinho que perde o tio para a morte flagra, por meio da ironia, as contradições da alma humana, um dos temas recorrentes da obra do autor.
D O contraste entre fragmentos “devendo detestá-la” e “não pode desadorá-la” (ambos no quarto período) expõe as reações contraditórias das funerárias em relação às mortes provocadas pela febre amarela, que podem trazer tanto prejuízo quanto lucro.
E O lado “não menos humano” (final do primeiro parágrafo) do comportamento das pessoas é exemplificado, no parágrafo seguinte, na frustração do sobrinho que perde o tio para a morte e descobre que ele não lhe deixou herança.