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Considerando que a filosofia pode revelar como a consciência cotidiana naturaliza certas relações entre ser humano e natureza na sociedade de consumo, assinale a opção correta.

A A filosofia propõe que se abandone qualquer contato com a experiência comum, concentrando-se apenas em abstrações matemáticas e lógicas, sem relação com o mundo vivido.
B Conforme autores da Escola de Frankfurt, a consciência cotidiana percebe claramente que cada ato de consumo implica escolhas éticas e ecológicas, sem necessidade de qualquer problematização filosófica.
C A técnica moderna, por ampliar o conforto individual, elimina qualquer necessidade de reflexão ética sobre seus efeitos na natureza e nas gerações futuras.
D A filosofia confirma a suficiência da consciência cotidiana, pois os conceitos de justiça, verdade e felicidade são evidentes por si mesmos e não precisam ser analisados criticamente.
E A crítica filosófica mostra que, na vida cotidiana, o consumo de bens é espontaneamente percebido como processo neutro, sem relação com exploração de trabalho ou degradação ambiental, o que evidencia a presença de ideologia na maneira como a natureza e a produção são pensadas.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é compensada por este último. O trabalho produz um mundo “artificial” de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural.

Hannah Arendt. A condição humana . 2007, p. 15.

Partindo do excerto acima e das ideias de Hannah Arendt, uma aula de filosofia na qual se problematizem os meios de produção e consumo, vinculando-os aos modos de vida, possibilita

A criticar as atividades humanas e reconhecer que a condição humana do trabalho é a mundialização.
B analisar as atividades humanas e reconhecer que a condição humana do trabalho é a precarização.
C comparar as atividades humanas e reconhecer que a condição humana do trabalho é a pluralidade.
D investigar as atividades humanas e reconhecer que a condição humana do trabalho é a mundanidade.
E avaliar as atividades humanas e reconhecer que a condição humana do trabalho é a necessidade.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026
Texto associado
Texto 5A2-VI

Abandonamos a expressão “cultura de massas” para substituí-la por “indústria cultural”, a fim de excluir de antemão a interpretação que agrada aos advogados da coisa; estes pretendem, com efeito, que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas, em suma, da forma contemporânea da arte popular. Ora, dessa parte a indústria cultural se distingue radicalmente. Ao juntar elementos de há muito correntes, ela atribui-lhes uma nova qualidade. Em todos os seus ramos fazem-se, mais ou menos segundo um plano, produtos adaptados ao consumo das massas e que em grande medida determinam esse consumo.

Theodor Adorno. A indústria cultural. In : Gabriel Cohn (org.).
Comunicação e indústria cultural . São Paulo: Nacional, 1978, p. 92 (com adaptações).

Texto 5A2-VII

Sob o poder do monopólio, toda cultura de massas é idêntica, e seu esqueleto, a ossatura conceitual fabricada por aquele, começa a se delinear. Os dirigentes não estão mais sequer muito interessados em encobri-lo, seu poder se fortalece quanto mais brutalmente ele se confessa de público. O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles se definem a si mesmos como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos.

Theodor Adorno e Max Horkheimer. Dialética do esclarecimento .
Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p. 114.

Da leitura dos textos 5A2-VI e 5A2-VII conclui-se que, para Adorno e Horkheimer, a indústria cultural é caracterizada por

A planejar produtos para o consumo das massas e, ao mesmo tempo, padronizar e determinar esse consumo.
B expressar, de maneira orgânica e autêntica, as demandas e os valores dos mais diferentes grupos sociais.
C democratizar e massificar o acesso a bens culturais, historicamente restritos a uma pequena elite.
D promover a autonomia crítica do público, ao oferecer uma diversidade de produtos inimaginável em outras épocas.
E resistir às pressões homogeneizadoras do mercado como uma esfera mecânica e autônoma da produção artística.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026
Texto associado
É certo que na vida cotidiana estamos acostumados a falar de belas cores, de um belo céu, de um belo rio, como também de belas flores, de belos animais e, ainda mais, de belos seres humanos, embora não queiramos aqui entrar na discussão acerca da possibilidade de se poder atribuir a tais objetos a qualidade da beleza e de colocar o belo natural ao lado do belo artístico. Mas pode-se desde já afirmar que o belo artístico está acima da natureza. Pois a beleza artística é a beleza nascida e renascida do espírito e, quanto mais o espírito e suas produções estão colocadas acima da natureza e seus fenômenos, tanto mais o belo artístico está acima da beleza da natureza.

eorg Wilhelm Friedrich Hegel. Cursos de Estética , v. I.
Tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo: EDUSP, 2001, p. 28.

Tendo como referência o fragmento de texto precedente e o contexto no qual ele aparece na obra de Hegel, assinale a opção correta.

A O “espírito” mencionado por Hegel consiste no talento individual do gênio artístico, cuja capacidade criativa singular supera qualquer processo natural de criação.
B Ao afirmar que o belo artístico está acima da natureza, Hegel desconsidera a experiência estética do belo natural, classificando-a como um equívoco categorial do senso comum.
C Embora mencione a beleza de cores, de um céu, de um rio, de flores, de animais e de seres humanos, Hegel considera que tais seres não podem ser considerados belos.
D A hierarquia proposta por Hegel não se baseia na materialidade das obras, mas na ideia de que o espírito, ao ser instanciado na arte, revela-se de modo mais elevado que as criações da natureza.
E Para Hegel, a superioridade do belo artístico em relação ao belo natural reside em sua origem intencional, que tem a função de educar os sentidos e a sociedade — algo que a natureza não faz.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

Gadamer emprega o conceito de história efetiva para indicar os efeitos da história na compreensão. “A compreensão é, essencialmente, um evento efetuado historicamente.” Nossa consciência é, assim, uma consciência efetuada historicamente no sentido amplo que significa que, tenhamos consciência disso ou não, nossos preconceitos herdados sempre constituem o pano de fundo e a base a partir da qual compreendemos.

Lawrence K. Schmidt. Hermenêutica . Tradução de Fábio Ribeiro. Petrópolis: Vozes, 2012, p. 153 (com adaptações).

A partir desse fragmento de texto, é correto afirmar que a concepção gadameriana do conceito de “história efetiva” refere-se

A ao processo pelo qual a consciência busca superar seus preconceitos para alcançar uma neutralidade interpretativa.
B à tentativa de reconstruir o passado tal como ele ocorreu, independentemente do presente.
C aos efeitos inevitáveis da história sobre a compreensão, sendo os preconceitos a base de toda interpretação.
D ao esforço de afastar toda tradição e pré-compreensão do ato interpretativo.
E ao estudo objetivo dos fatos históricos, livres de quaisquer influências dos intérpretes.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

Considerando os sentidos modernos de Estado, governo e cidadania e o papel da filosofia da educação, assinale a opção correta.

A Ao refletir sobre poder, Estado e governo, a filosofia da educação pode contribuir para que a escola forme cidadãos capazes de compreender como as decisões políticas afetam suas vidas e de participar criticamente da vida pública.
B Diante do pluralismo de ideias, a escola não deve tratar de qualquer questão ética ou política, concentrando-se apenas em conteúdos técnicos neutros.
C A relação entre Estado e educação é apenas administrativa e não envolve questões de valores, justiça ou direitos.
D Do ponto de vista filosófico, o Estado é um fato natural que sempre existiu, por isso não há necessidade de discutir sua origem e legitimidade.
E A escola, em um contexto de Estado laico, deve escolher uma única moral religiosa majoritária, porque o pluralismo é sempre uma ameaça à unidade do Estado.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026
Texto associado
Texto 5A2-II

Deve-se buscar não apenas uma quantidade muito maior de experimentos, como também de gênero diferente dos que até agora nos têm ocupado. Mas é necessário, ainda, introduzir-se um método completamente novo, uma ordem diferente e um novo processo, para continuar e promover a experiência. Pois a experiência vaga, deixada a si mesma (...), é um mero tateio, e presta-se mais a confundir os homens que a informá-los. Mas quando a experiência proceder de acordo com leis seguras e de forma gradual e constante, poder-se-á esperar algo de melhor da ciência.

Francis Bacon. Novum Organum . Tradução de José Aluysio Reis de Andrade. São Paulo: Abril Cultural, 1973 [1620], p. 72 (com adaptações).

Texto 5A2-III

O principal mérito do método empírico é o de assinalar com vigor a importância da experiência na origem dos nossos conhecimentos. Os empiristas de um modo geral têm razão ao afirmar que não existem ideias inatas, e de que antes da experiência não há e nem pode haver conhecimento algum sobre o mundo exterior.

Sílvio Luiz de Oliveira. Tratado de Metodologia Científica . São Paulo: Pioneira, 1997, p. 53.

Texto 5A2-IV

Mas embora todo nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso ele surge apenas da experiência. Pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento da experiência fosse um composto daquilo que recebemos por meio de impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento (apenas provocada por impressões sensíveis) produz por si mesma.

Immanuel Kant. Crítica da razão pura . Tradução de Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger. São Paulo: Abril Cultural, 1980 [1781], p. 23 (com adaptações).

No texto 5A2-IV, Kant defende que o conhecimento

A começa com a experiência, mas também pode ser produzido de um modo totalmente independente dela, por meio da razão pura.
B surge exclusivamente da experiência, sem qualquer contribuição de outras faculdades cognitivas do ser humano.
C é praticamente equivalente àquilo que defenderam os empiristas radicais, rejeitando qualquer elemento a priori .
D começa com a experiência, mas não deriva apenas dela, uma vez que recebe contribuições da faculdade de conhecimento humana.
E é resultado daquilo que foi provocado por impressões sensíveis, sendo inteiramente determinado por estas.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

“Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos” corresponde a uma das habilidades da BNCC (p. 572) para a área de ciência humanas e sociais.

Quanto a essa habilidade, é correto afirmar que aulas de filosofia permitem o trabalho acerca de distinções entre opinião (doxa) e conhecimento verificado ( episteme ) por meio de

A análises críticas dos postulados platônicos sobre a noção de justiça (dike).
B leituras críticas orientadas pelo debate medieval sobre a noção de distinctio (distinção).
C sínteses críticas dos postulados kantianos sobre a noção de coisa-em-si (noumenon).
D análises e sínteses relacionadas ao método cartesiano, vinculadas à noção de cogito (eu penso).
E leituras sintéticas vinculadas ao debate pré-socrático sobre a noção de arche (princípio).
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

Ao abordar a transição do período Clássico (500-338 a.C.) para o período Helenístico (338-136 a.C.) e problematizar o fim da autonomia da pólis, o ensino de filosofia favorece a

A compreensão de distintas ideias metafísicas sobre Deus.
B confirmação das ideias metafísicas de cidadania.
C afirmação das ideias platônicas de justiça.
D confrontação de distintas ideias sobre ética e felicidade.
E negação das ideias aristotélicas sobre o bem.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026

Assinale a opção correta a respeito de uma possível contribuição do ensino de filosofia para a construção da cidadania democrática.

A O ensino de filosofia deve tomar a moral religiosa majoritária como critério absoluto de verdade, organizando a formação cidadã pela imposição desses valores a todos os estudantes, independentemente de sua convicção pessoal ou de sua diversidade cultural.
B Do ponto de vista da tradição filosófica, a moral e a política são esferas puramente individuais, de modo que a reflexão filosófica não deve interferir na compreensão que cada um tem sobre justiça social, trabalho e consumo.
C Conforme uma perspectiva filosófica crítica, a consciência moral cotidiana é muitas vezes atravessada por ideologias que naturalizam injustiças sociais; assim, o ensino de filosofia pode contribuir para a cidadania ao revelar esses mecanismos de dominação simbólica e estimular a reflexão ética e política sobre eles.
D Para a tradição filosófica, a política é um campo inteiramente separado da ética, de modo que o ensino de filosofia não deve tratar de temas políticos, sob pena de “ideologizar” a sala de aula.
E A relação entre filosofia e cidadania se reduz ao ensino de conceitos abstratos sobre moralidade, sem necessidade de discussão concreta sobre direitos humanos, desigualdades sociais ou estruturas de dominação política.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Filosofia - 2026