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Em todo caso, é necessário decidir primeiro a qual dos gêneros a alma pertence e o que é — quero dizer, se ela é algo determinado e substância, ou se é uma qualidade, uma quantidade ou mesmo alguma outra das categorias já distinguidas —, e, ainda se está entre os seres em potência ou, antes, se é uma certa atualidade. ARISTÓTELES. De Anima . São Paulo: Editora 34, 2012. O trecho acima pertence ao início das investigações de Aristóteles acerca da alma. O filósofo concluirá que a alma é

A a substância imortal que anima os vivos.
B a essência separada que move o corpo.
C a forma de um corpo dotado de vida.
D a harmonia das partes do corpo.
E a medida da quantidade de energia útil.

Como, além disso, [os homens] encontram, tanto em si mesmos, quanto fora de si, não poucos meios que muito contribuem para a consecução do que lhes é útil, como, por exemplo, os olhos para ver, os dentes para mastigar, os vegetais e os animais para alimentar-se, o sol para iluminar, o mar para fornecer-lhes peixe etc., eles são, assim, levados a considerar todas as coisas naturais como se fossem meios para sua própria utilidade. SPINOZA, B. de. Ética . Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013. O trecho acima expressa a posição crítica de Espinosa em relação a uma das formas de causalidade teorizadas pela tradição filosófica. Trata-se da noção de causa

A eficiente.
B material.
C final.
D formal.
E transitiva.

O Pirronismo, vertente do ceticismo antigo presente no período helenístico, é caracterizado, ao lado de outras escolas desse período, como um exercício espiritual. Baseava-se na prática da epoché como caminho para alcançar a ataraxia , ou seja,

A a aplicação de uma disciplina de vida para fazer o máximo proveito dos pequenos prazeres.
B o uso de jogos dialéticos como modo de se aproximar das essências dos seres.
C a meditação sobre a totalidade como caminho para uma consciência de participação no cosmos.
D o afastamento das atividades públicas para a consecução da independência individual.
E a prática da suspensão do juízo como forma de alcançar a tranquilidade do ânimo.

Os sofistas são um momento necessário da história da filosofia: eles refutam a abstração vazia do ser eleático [de Parmênides] pela consideração das coisas efetivas, da realidade do mundo sensível e vivo, pluralidade, movimento, subjetividade. CASSIN, B. O efeito sofístico. São Paulo: Editora 34, 2005. (Adaptado.) A leitura tradicional a respeito dos sofistas é tributária da interpretação platônico-aristotélica. A relação do trecho acima com essa interpretação é de

A concordância, pois a tradição platônico-aristotélica não se propunha a uma compreensão da realidade.
B discordância, pois ignora a convergência entre as ideias de Parmênides e pensadores como Górgias.
C concordância, pois reconhece o papel fundamental da sofística no cenário intelectual grego.
D discordância, pois os sofistas foram tomados por seus adversários como meros polemistas.
E concordância, pois está em harmonia com a ideia de que o conhecimento sensível só é possível pela retórica.

A ameaça dos homens não vem primeiramente das máquinas e aparelhos da técnica cujo efeito pode causar a morte. A autêntica ameaça já atacou o homem em sua essência. O domínio da armação [Gestell] ameaça com a possibilidade de que a entrada num desabrigar mais originário possa estar impedida para o homem, como também o homem poderá estar impedido de perceber o apelo de uma verdade mais originária. HEIDEGGER, M. “A questão da técnica”. Scientiae Studia , São Paulo, v. 5, n. 3, 2007. O filósofo alemão Martin Heidegger é conhecido por sua crítica à modernidade do ponto de vista ontológico. Segundo o trecho, o perigo essencial da técnica moderna é

A a alienação do homem em relação ao fruto do seu trabalho e a redução do ser à mercadoria.
B o enfraquecimento da capacidade do homem de se relacionar com o ser de forma mais autêntica.
C o progresso técnico ilimitado, que leva ao colapso das estruturas sociais tradicionais.
D o impacto destrutivo sobre os recursos naturais e o risco iminente de colapso ecológico.
E a dependência excessiva das máquinas, que prejudica a autonomia racional dos sujeitos.

O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si. Porém, ao mesmo tempo, sua natureza fluida faz delas momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários. HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito . Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2014. O trecho acima ilustra a concepção dialética de Hegel, segundo a qual os contrários

A se anulam mutuamente, desaparecendo no movimento rumo ao fim do processo.
B são fases necessárias de um processo em que cada momento nega e conserva o anterior.
C impedem que a realidade chegue a produzir uma unidade organizada e coerente.
D apenas superficialmente se mostram incompatíveis, dado que as contradições são ilusórias.
E coexistem sem relação entre si, formando partes isoladas de uma realidade fragmentada.

Na Crítica da Faculdade de Julgar , Immanuel Kant diferencia a fruição relativa ao belo tanto daquela envolvendo o que é bom quanto a que envolve o que é agradável . Assinale a opção correta, segundo essa distinção kantiana.

A O agradável é experimentado de forma desinteressada e universalmente comunicável.
B O belo está relacionado aos fins morais, sendo apreciado por seu valor prático e ético.
C O bom é apreciado exclusivamente pelo prazer sensível que desperta a cada indivíduo.
D O belo é desvinculado de conceitos ou utilidades e tem uma pretensão à universalidade.
E O agradável está ligado a um prazer intrínseco que todos compartilham igualmente.

É possível argumentar que a Filosofia surgiu no Ocidente em função de algumas peculiaridades na maneira como os primeiros pensadores gregos abordaram suas próprias inquietações, o que os diferencia bastante dos pensadores egípcios, indianos e chineses. Nesse sentido, os gregos se diferenciam dos pensadores orientais porque:

A Buscaram aplicar seu pensamento para solucionar questões práticas, como, por exemplo, o uso da matemática para a construção de edificações.
B As ideias dos filósofos gregos eram profundamente permeadas por concepções religiosas, o que não se verifica nos pensadores orientais.
C O pensamento grego é, na verdade, uma espécie de reconfiguração do pensamento oriental.
D A originalidade do pensamento filosófico deve-se à sua capacidade de absorver elementos culturais estranhos ao mundo europeu.
E A diferença está no fato de que os sábios orientais não se aprofundaram em questões abstratas.

“Na obra Novum organum , o termo ‘órgão’ é entendido como instrumento do pensamento. Assim, (o autor) critica a lógica aristotélica, por considerar a dedução inadequada para o progresso da ciência. A ela opõe o estudo pormenorizado da indução, como método mais eficiente de descoberta, insistindo na necessidade da experiência e da investigação de acordo com métodos precisos” (Aranha; Martins, 2016, p. 125). O excerto apresentado refere-se à obra e ao pensamento de:

A Francis Bacon.
B John Locke.
C David Hume.
D George Berkeley.
E Edmund Burke.
Texto associado
__ O objeto da ideia que constitui a mente humana é o corpo, ou seja, um modo determinado da extensão, existente em ato, e não outra coisa.

Espinosa. Ética.

Considerando o fragmento anterior, de Espinosa, julgue os itens subsecutivos.

Espinosa afirma em sua ética que a mente é uma entidade substancial.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco Cargo: Professor de Filosofia Prova: CESPE/CEBRASPE - Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco - Professor de Filosofia - 2022