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Em um hospital, um psicólogo está atendendo uma paciente de 14 anos que foi internada após um episódio de abuso sexual. Durante o atendimento, a paciente revela detalhes do abuso, mas demonstra medo de que sua família descubra o que aconteceu. Nesse contexto, em relação à notificação do caso, o psicólogo deve

A manter o sigilo da informação, atendendo ao desejo da paciente, e não notificar o caso às autoridades.
B notificar o caso às autoridades apenas se a paciente der seu consentimento explícito para que a informação seja compartilhada.
C reportar o caso de abuso sexual à equipe médica do hospital, mas sem a obrigação de notificar as autoridades externas.
D notificar o caso imediatamente às autoridades competentes, independentemente do consentimento da paciente, pois a notificação é obrigatória em casos de abuso sexual envolvendo menores de idade.
E documentar o caso em seu prontuário e deixar a decisão sobre a notificação para a equipe médica responsável.

Lucas, 28 anos, é levado ao serviço de saúde mental após uma série de comportamentos preocupantes. Ele tem apresentado episódios alternados de extrema euforia, em que demonstra um nível de energia muito alto, fala rápida e impulsiva e se envolve em atividades de risco, com gastos excessivos e decisões imprudentes. Esses episódios de euforia são seguidos por períodos de profunda tristeza, falta de energia e dificuldades para realizar suas atividades diárias, incluindo problemas com concentração e interesse. Lucas também relata sentir-se desesperado e desamparado durante esses períodos de depressão. Qual é o provável diagnóstico de Lucas?

A Transtorno Bipolar.
B Transtorno Depressivo Maior.
C Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
D Transtorno de Ajustamento com Humor Depressivo.
E Transtorno de Personalidade Borderline.

O processo de adoção no Brasil envolve diversos fatores legais, sociais e psicológicos, sendo regido principalmente pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Considerando a complexidade desse processo e as garantias dos direitos das crianças e dos adolescentes, é correto afirmar que

A o consentimento da criança ou do adolescente para a adoção é dispensável, independentemente de sua idade, desde que haja a concordância dos pais biológicos.
B a adoção por parte de um casal homoafetivo é proibida no Brasil, pois a legislação brasileira não reconhece a união entre pessoas do mesmo sexo para fins de adoção.
C o estágio de convivência é uma fase obrigatória no processo de adoção, com o objetivo de garantir que a criança ou o adolescente se adapte ao novo ambiente familiar, podendo ser dispensado em alguns casos.
D a adoção internacional é regida pela mesma fila de adotantes nacionais, desde que o adotante cumpra todos os requisitos estabelecidos pela legislação brasileira.
E a adoção de crianças e adolescentes maiores de 12 anos é automaticamente considerada tardia e, por isso, não requer o consentimento do adotando.

Os pais de Betina, 11 anos, estão em processo de separação, e está havendo uma disputa judicial pela guarda da criança. Betina está em processo de psicoterapia desde os 8 anos, portanto seu psicólogo, Vinícius, conhece a fundo o histórico da criança e da família, seus sintomas e o impacto que a separação dos pais vem tendo em sua vida. Durante o processo judicial, o juiz nomeou um perito psicólogo para avaliar o caso e apresentar suas considerações. Os advogados de defesa da mãe de Betina consideraram que as conclusões do laudo pericial poderiam prejudicar sua cliente e sugeriram contratar Vinícius para atuar como assistente técnico da parte e elaborar um parecer técnico a fim de contestar ou complementar o laudo pericial.

Diante dessa situação, assinale a alternativa correta.

A É correta a sugestão de que o psicoterapeuta da criança atue como assistente técnico do caso, visto que ele conhece profundamente a criança e a história familiar, podendo apresentar informações importantes ao juízo.
B Nesse caso, o mais adequado seria que Vinícius interrompesse a psicoterapia com Betina para atuar no processo judicial como assistente técnico.
C É vedado que o psicólogo que esteja atuando como psicoterapeuta das partes atue como perito ou assistente técnico, com vistas a preservar o direito à intimidade e equidade de condições.
D Caso solicitado pelo juiz, Vinícius deve produzir um relatório advindo do processo psicoterápico, com a finalidade de fornecer informações à instância judicial sobre a pessoa atendida, sem o consentimento formal da paciente e de seus responsáveis.
E A atuação de Vinícius como assistente técnico nesse caso, apesar de inadequada, não configura falta ético-disciplinar do psicólogo.

A atuação do psicólogo no campo da justiça engloba diversos papéis e especializações interdependentes que ajudam a integrar a Psicologia com o sistema jurídico. Sobre a Psicologia Jurídica e suas áreas de atuação, assinale a alternativa que apresenta uma descrição correta das funções e do escopo de atuação dessa especialidade.

A A Psicologia Forense é uma subárea da Psicologia Jurídica que se concentra na aplicação de métodos psicológicos para a avaliação da capacidade mental dos réus e não inclui a realização de perícias sobre questões relacionadas ao comportamento criminal.
B A Psicologia Penitenciária envolve a realização de avaliações psicológicas para determinar a adequação de medidas de segurança, sem foco em intervenções para a reabilitação e reintegração dos infratores.
C A Psicologia da Vitimologia foca a prevenção e o tratamento dos traumas psicológicos causados por crimes e inclui intervenções para ajudar as vítimas a lidar com o impacto emocional do crime, a avaliação de comportamentos criminosos e a reabilitação dos infratores.
D A Psicologia do Testemunho especializa-se em avaliar a credibilidade e a precisão das declarações das testemunhas em processos judiciais, com o objetivo de avaliar o bem-estar emocional e psicológico dos envolvidos na questão em litígio.
E A Psicologia da Família e da Criança no Contexto Jurídico trabalha na avaliação e intervenção em casos de custódia e abuso infantil, em avaliações para determinar a capacidade parental e em intervenções para garantir bem-estar de crianças e adolescentes em processos judiciais, sendo essencial para decisões relacionadas ao direito familiar.

Gabriel, 10 anos, vem apresentando problemas comportamentais na escola, desrespeitando os professores, não realizando as atividades propostas e se envolvendo frequentemente em brigas com os colegas. Quando a mãe foi advertida pela escola sobre a situação, relatou que em casa o comportamento de Gabriel também é difícil, que ele a desrespeita e bate nos irmãos e que, mesmo quando ela lhe dá “um corretivo”, ou seja, bate nele, chegando a machucá-lo, seu comportamento não se modifica e até piora.

A partir desse contexto e das possíveis ações previstas, considerando as políticas públicas vigentes, é correto afirmar que

A nesse caso, não é possível a intervenção do Conselho Tutelar, visto que a atitude da mãe tem intuito educativo.
B a criança deve ser acompanhada por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, disponível na UBS do território onde reside.
C a criança deve ser afastada do domicílio e separada da mãe biológica, instaurando-se um processo de destituição do poder familiar, visto inapetência da mãe na criação dos filhos.
D a criança deve ter seus direitos protegidos, com atenção e apego seguro, sem tratamento cruel ou degradante e sem o uso de castigo físico.
E a medida mais adequada no caso é a colocação da criança em família substituta, em forma de guarda.
Texto associado
Como a consciência pode ter evoluído para beneficiar a sociedade, não os indivíduos

Peter W Halligan e David A Oakley

Por que a experiência da consciência evoluiu a partir da nossa fisiologia cerebral subjacente? Apesar de ser uma área empolgante da neurociência, as pesquisas atuais sobre a consciência são caracterizadas por divergências e controvérsias. Existe uma disputa entre uma série de teorias concorrentes. [...]

Perigos da intuição

As principais crenças intuitivas – por exemplo, que nossos processos mentais são distintos dos nossos corpos físicos (dualismo mente-corpo) e que os nossos processos mentais dão origem e controlam as nossas decisões e ações (causalidade mental) – são reforçadas por uma vida inteira de experiências subjetivas.
Estas crenças são encontradas em todas as culturas humanas. São importantes porque servem como crenças fundamentais para a maioria das democracias liberais e dos sistemas de justiça criminal. Elas são resistentes a contraprovas. Isto porque são fortemente validadas por conceitos sociais e culturais como o livre-arbítrio, os direitos humanos, a democracia, a justiça e a responsabilidade moral. Todos esses conceitos pressupõem que a consciência desempenha uma influência controladora central.
A intuição, no entanto, é um processo cognitivo automático que evoluiu para fornecer explicações e previsões rápidas e confiáveis. Na verdade, ela faz isso sem a necessidade de sabermos como ou por que sabemos disso. Os resultados da intuição moldam, portanto, a forma como percebemos e explicamos nosso mundo cotidiano, sem a necessidade de uma reflexão extensa ou de explicações analíticas formais.
Embora úteis e cruciais para muitas atividades cotidianas, as crenças intuitivas podem estar erradas. E também podem interferir na alfabetização científica. [...]
O problema para os modelos científicos de consciência continua a ser acomodar estas explicações intuitivas dentro de uma estrutura materialista consistente com as descobertas da neurociência. Embora não haja uma explicação científica atual sobre como o tecido cerebral gera ou mantém a experiência subjetiva, o consenso entre (a maioria dos) neurocientistas é que ela é um produto de processos cerebrais.

Propósito social

Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?
A consciência provavelmente evoluiu como parte da evolução do sistema nervoso. De acordo com várias teorias, a principal função adaptativa (proporcionar ao organismo vantagens reprodutivas e de sobrevivência) da consciência é tornar possível o movimento volitivo. E a volição é algo que, em última análise, associamos à vontade, ao arbítrio e à individualidade. Portanto, é fácil pensar que a consciência evoluiu para nos beneficiar como indivíduos.
Mas argumentamos que a consciência pode ter evoluído para facilitar funções adaptativas sociais fundamentais. Em vez de ajudar os indivíduos a sobreviver, ela evoluiu para nos ajudar a transmitir as nossas ideias e sentimentos vivenciados para o resto do mundo. E isto pode beneficiar a sobrevivência e o bem-estar da espécie como um todo.
A ideia se encaixa no novo pensamento sobre genética. Embora a ciência evolucionista se concentre tradicionalmente nos genes individuais, há um reconhecimento cada vez maior de que a seleção natural entre os humanos opera em vários níveis. Por exemplo, a cultura e a sociedade influenciam características transmitidas entre gerações – valorizamos algumas mais do que outras.
No centro da nossa explicação, está a ideia de que a sociabilidade [...] é uma estratégia de sobrevivência fundamental que influencia a forma como o cérebro e a cognição evoluem.
Adotando esta estrutura social evolutiva, nós propomos que a percepção subjetiva carece de qualquer capacidade independente de influenciar causalmente outros processos ou ações psicológicas. [...] Afirmar que a percepção subjetiva não tem influência causal não significa negar a realidade da experiência subjetiva ou afirmar que a experiência é uma ilusão. [...]
Na verdade, é justamente devido ao valor que damos a estas experiências que os relatos intuitivos permanecem convincentes e difundidos nos sistemas de organização social e jurídica e na psicologia.
Apesar de ser contraintuitivo atribuir arbítrio e responsabilidade pessoal a um conjunto biológico de células nervosas, faz sentido que construções sociais altamente valorizadas, como o livre-arbítrio, a verdade, a honestidade e a justiça, possam ser atribuídas de forma significativa aos indivíduos como pessoas responsáveis numa comunidade social.
Pense nisso. Embora estejamos profundamente arraigados à nossa natureza biológica, a nossa natureza social é amplamente definida por nossos papéis e interações na sociedade. Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada para a troca e recepção de informações, ideias e sentimentos. [...]
Para se chegar a uma explicação mais científica para a percepção subjetiva, é necessário aceitar que a biologia e a cultura trabalham coletivamente para moldar a forma como os cérebros evoluem. [...]

Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz9xwge33zko. Acesso em: 05 ago. 2024.

Assinale a alternativa correta quanto ao emprego do sinal indicativo de crase.

A Na sentença “Elas são resistentes a contraprovas.”, deveria haver acento indicativo de crase no “a” destacado, uma vez que há a fusão do “a” que rege o adjetivo “resistentes” com o “a” que acompanha o substantivo feminino “contraprovas”.
B Em “[...] associamos à vontade, ao arbítrio e à individualidade.”, o primeiro “a” está craseado por fazer parte de uma expressão adverbial, formada por palavra feminina, que indica o modo como deve se “associar”.
C Ainda em “[...] associamos à vontade, ao arbítrio e à individualidade.”, no segundo “a”, ocorre crase devido à junção do pronome oblíquo “a”, que retoma o verbo “associar”, com o artigo “a”, que acompanha o substantivo feminino “individualidade”.
D No trecho “[...] devido ao valor que damos a estas experiências [...]”, embora não tenha sido empregado, o acento grave indicativo de crase, nesse caso, poderia ser utilizado, sem prejuízo gramatical, no “a” destacado, visto que tal termo antecede um pronome.
E No trecho “[...] estamos profundamente arraigados à nossa natureza biológica [...]”, o uso do acento indicativo de crase, nesse caso, é facultativo, uma vez que o “a” destacado antecede um pronome possessivo feminino.

Testes projetivos são instrumentos de avaliação psicológica que visam explorar os aspectos mais profundos e inconscientes da personalidade. Eles se baseiam na teoria de que, ao interpretar estímulos ambíguos, os indivíduos projetam aspectos de sua própria personalidade, desejos, medos e conflitos internos. Diferente dos testes psicométricos estruturados, os testes projetivos são menos padronizados e envolvem interpretações mais subjetivas por parte do examinador. Assinale a alternativa que apresenta um teste projetivo.

A Escala de Inteligência Wechsler para adultos (WAIS III).
B Escala de Maturidade Mental Colúmbia Edição Brasileira Revisada (CMMS-3).
C Inventário de Depressão de Beck (BDI-II).
D Teste de Apercepção Temática (TAT).
E Teste de Atenção Concentrada (AC-15).

A respeito do acolhimento de crianças e adolescentes, assinale a alternativa que apresenta fator(es) determinante(s) para o sucesso do acolhimento institucional na promoção do desenvolvimento psicológico e psicossocial saudável desses indivíduos.

A Duração curta do acolhimento institucional, independentemente da qualidade do ambiente oferecido.
B Manutenção de laços significativos com a família de origem, sempre que possível, e suporte emocional oferecido pelas instituições de acolhimento.
C Ausência de contato com a família de origem para evitar confusões emocionais nas crianças e adolescentes.
D Ênfase em atividades educativas e recreativas, visto que ocupar o tempo substitui o suporte emocional necessário para os acolhidos.
E Substituição completa da figura parental pela equipe técnica da instituição de acolhimento.

O profissional da Psicologia está cada vez mais inserido em diversos contextos de atuação, seja em instituições privadas ou nas políticas públicas de saúde, educação e trabalho. Em todos esses contextos, é necessária a atenção para um fenômeno que vem crescendo: o burnout. Sobre esse tema, assinale a alternativa que NÃO corresponde a um componente central do burnout.

A Exaustão emocional, que se manifesta através de um esgotamento de recursos emocionais e físicos, resultando em um sentimento de incapacidade de continuar com as demandas do trabalho.
B Despersonalização, em que o indivíduo começa a tratar os colegas e clientes de forma desumanizada e impessoal, como um mecanismo de defesa contra o esgotamento emocional.
C Diminuição da realização pessoal, levando a uma avaliação negativa de si mesmo e de sua competência no trabalho, com sentimentos de fracasso e inadequação.
D Ansiedade generalizada, caracterizada por preocupações excessivas e incontroláveis, que frequentemente ocorrem em diversos contextos, não necessariamente relacionados ao ambiente de trabalho.
E Exaustão cognitiva, que inclui dificuldades de concentração e memória, prejudicando a capacidade do indivíduo de realizar tarefas complexas de forma eficaz.