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Texto associado
O velho olhando o mar

Meu carro para numa esquina da praia de Co-
pacabana às 9h30 e vejo um velho vestido de bran-
co numa cadeira de rodas olhando o mar a distân-
cia. Por ele passam pernas portentosas, reluzentes
5 cabeleiras adolescentes e os bíceps de jovens sur-
fistas. Mas ele permanece sentado olhando o mar a
distância. [...]
O carro continua parado, o sinal fechado e o es-
tupendo calor da vida batia de frente sobre mim. Tudo
10 em torno era uma ávida solicitação dos sentidos. Por
isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante na-
quele corpo que parecia ancorado do outro lado das
coisas. E sem fazer qualquer esforço comecei a ima-
giná-lo quando jovem. É um exercício estranho esse
15 de começar a remoçar um corpo na imaginação, inje-
tar movimento e desejo nos seus músculos, aceleran-
do nele, de novo, a avareza de viver cada instante.
A gente tem a leviandade de achar que os velhos
nasceram velhos, que estão ali apenas para assistir
20 ao nosso crescimento. Me lembro que, menino, ao
ver um velho parente relatar fatos de sua juventude,
tinha sempre a sensação de que ele estava inventan-
do uma estória para me convencer de alguma coisa.
No entanto, aquele velho que vejo na esquina da
25 praia de Copacabana deve ter sido jovem algum dia,
em alguma outra praia, nos braços de algum amor,
bebendo e farreando irresponsavelmente e achando
que o estoque da vida era ilimitado.
Teria ele algum desejo ao olhar as coxas das ba-
30 nhistas que passam? Olhando alguma delas teria se
posto a lembrar de outros corpos que conheceu? Os
que por ele passam poderiam supor que ele fazia ma-
ravilhas na cama ou nas pistas de dança? [...]
Ele está ali, eu no meu carro, e me dou conta
35 de que um número crescente de amigos e conheci-
dos tem me pronunciado a palavra “aposentadoria”
ultimamente. Isso é uma síndrome grave. Em breve
estarei cercado de aposentados e forçosamente me
aposentarão. Então, imagino, vou passear de short
40 branco e boné pelo calçadão da praia, fingindo ser
um almirante aposentado, aproveitando o sol mais
ameno das 9h30 até cair sentado numa cadeira e fi-
car olhando o mar. [...]
Meu carro, no entanto, continua parado no sinal
45 da praia de Copacabana. O carro apenas, porque a
imaginação, entre o sinal vermelho e o verde, via-
jou intensamente. Vou ter de deixar ali o velho e sua
acompanhante olhando o mar por mim. Vou viver a
vida por ele, me iludir de que no escritório transformo
50 o mundo com telefonemas, projetos e papéis. Um dia
talvez esteja naquela cadeira olhando o mar a distân-
cia, a vida distante.
Mas que ao olhar para dentro eu tenha muito que
rever e contemplar. Nesse caso não me importarei
55 que o moço que estiver no seu carro parado no sinal
imagine coisas sobre mim. Estarei olhando o mar, o
mar interior, e terei navegantes alegrias que nenhum
passante compreenderá.

SANT’ANNA, A. R. Coleção melhores crônicas – Affonso Romano de Sant’Anna. Seleção e prefácio: Letícia Malard. São Paulo: Global, 2003.

Acerca da juventude do velho, o narrador afirma, segundo sua imaginação, que teria sido uma fase de

A irresponsabilidade
B desprazer
C disciplina
D tristeza
E melancolia
Texto associado
O velho olhando o mar

Meu carro para numa esquina da praia de Co-
pacabana às 9h30 e vejo um velho vestido de bran-
co numa cadeira de rodas olhando o mar a distân-
cia. Por ele passam pernas portentosas, reluzentes
5 cabeleiras adolescentes e os bíceps de jovens sur-
fistas. Mas ele permanece sentado olhando o mar a
distância. [...]
O carro continua parado, o sinal fechado e o es-
tupendo calor da vida batia de frente sobre mim. Tudo
10 em torno era uma ávida solicitação dos sentidos. Por
isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante na-
quele corpo que parecia ancorado do outro lado das
coisas. E sem fazer qualquer esforço comecei a ima-
giná-lo quando jovem. É um exercício estranho esse
15 de começar a remoçar um corpo na imaginação, inje-
tar movimento e desejo nos seus músculos, aceleran-
do nele, de novo, a avareza de viver cada instante.
A gente tem a leviandade de achar que os velhos
nasceram velhos, que estão ali apenas para assistir
20 ao nosso crescimento. Me lembro que, menino, ao
ver um velho parente relatar fatos de sua juventude,
tinha sempre a sensação de que ele estava inventan-
do uma estória para me convencer de alguma coisa.
No entanto, aquele velho que vejo na esquina da
25 praia de Copacabana deve ter sido jovem algum dia,
em alguma outra praia, nos braços de algum amor,
bebendo e farreando irresponsavelmente e achando
que o estoque da vida era ilimitado.
Teria ele algum desejo ao olhar as coxas das ba-
30 nhistas que passam? Olhando alguma delas teria se
posto a lembrar de outros corpos que conheceu? Os
que por ele passam poderiam supor que ele fazia ma-
ravilhas na cama ou nas pistas de dança? [...]
Ele está ali, eu no meu carro, e me dou conta
35 de que um número crescente de amigos e conheci-
dos tem me pronunciado a palavra “aposentadoria”
ultimamente. Isso é uma síndrome grave. Em breve
estarei cercado de aposentados e forçosamente me
aposentarão. Então, imagino, vou passear de short
40 branco e boné pelo calçadão da praia, fingindo ser
um almirante aposentado, aproveitando o sol mais
ameno das 9h30 até cair sentado numa cadeira e fi-
car olhando o mar. [...]
Meu carro, no entanto, continua parado no sinal
45 da praia de Copacabana. O carro apenas, porque a
imaginação, entre o sinal vermelho e o verde, via-
jou intensamente. Vou ter de deixar ali o velho e sua
acompanhante olhando o mar por mim. Vou viver a
vida por ele, me iludir de que no escritório transformo
50 o mundo com telefonemas, projetos e papéis. Um dia
talvez esteja naquela cadeira olhando o mar a distân-
cia, a vida distante.
Mas que ao olhar para dentro eu tenha muito que
rever e contemplar. Nesse caso não me importarei
55 que o moço que estiver no seu carro parado no sinal
imagine coisas sobre mim. Estarei olhando o mar, o
mar interior, e terei navegantes alegrias que nenhum
passante compreenderá.

SANT’ANNA, A. R. Coleção melhores crônicas – Affonso Romano de Sant’Anna. Seleção e prefácio: Letícia Malard. São Paulo: Global, 2003.

Uma reescritura que mantém o sentido original do trecho “Por isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante naquele corpo que parecia ancorado do outro lado das coisas.” (l. 10-13), considerando-se a pontuação, a clareza das ideias e a norma-padrão, é:

A Por isso, paradoxalmente, fixei-me, por um instante, naquele corpo que parecia ancorado do outro lado das coisas.
B Por isso, paradoxalmente, fixei-me por, um instante naquele corpo, que parecia ancorado do outro lado das coisas.
C Por isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante naquele corpo que parecia, ancorado, do outro lado das coisas.
D Por isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante naquele corpo que parecia ancorado do outro, lado das coisas.
E Por isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante naquele corpo que, parecia ancorado, do outro lado das coisas.
Texto associado
From Security to Efficiency: Modern Vessel Tracking

More so than many other fields of business, the
maritime industry is focused on cost, which in turn
gives the appearance of being conservative towards
technology. Certainly, we have technical ships
5 magnificently operating with equipment that wouldn’t
look out of place in a NASA lab, but generally, it can
take decades for a technology to become mainstream.
Unless it becomes mandated by the IMO (International
Maritime Organization). Vessel tracking is a partial
10 exception to the rule though, with many fleet owners
realizing its potential for more cost-effective operation
and personnel security.
Knowing the exact position of all vessels in a
fleet, in a software solution designed to fit with your
15 own logistical processes, can significantly improve
efficiency. If a ship arrives early or late, more often
than not there will be an associated cost. If this can
be identified during transit then the early or late arrival
can be negated or at least planned for. Likewise, if
20 by knowing the positions of your fleet of workboats
means that you can route the closest vessel to the
next job, then significant fuel cost savings can be
made. With modern tracking systems, the way data is
used is just as important as knowing where a vessel
25 is at all times. But there are countless ways to apply
the data to the benefit of efficiency for a single ship
or fleet. So providing easy and reliable access to
position reports is essential.

A new tracking unit

30 ___ RockFLEET is an advanced new tracking unit
for the professional maritime environment. During
its design phase, the team decided that in order for
the position data it provides to be of the most use,
as well as being available via Rock Seven’s own
35 fleet viewer ‘The Core,’ it must also be available in
any software system the user chooses. Using a
standards-based API (Application Programming
Interface), the customer can integrate tracking data
from RockFLEET into their own applications. Typically
40 this means that RockFLEET tracked assets can be
added to existing fleet management software, which
invariably is designed around an owner or operators
own logistics.
With precise vessel location data available,
45 the opportunities are unlimited and only down to the
creativity of the user. For instance, a current Rock
Seven customer uses location data to manage payroll
of personnel. Essentially, personnel get paid different
amounts depending on whether the ship is at sea, in
50 international waters, in port or transiting regions with
high piracy incidents.

RockFLEET, a unique device

The above user is a private security company
involved in anti-piracy operations. It actually gets
55 location data using RockSTAR, the handheld version
of RockFLEET, which is a new fixed unit that can be
fitted anywhere on board. Completely waterproof and
with no moving parts, it is a robust, ultra-compact
(13cm diameter/4cm high) device with multiple
60 mounting options. The physical design of RockFLEET
was in part driven by the security challenges faced by
vessels facing the issues of modern piracy.
The unit itself is designed to look anonymous;
as standard there’s no name on the outside. It works
65 from ship’s power, but it uniquely has a backup battery
inside. Which is important should a vessel be hijacked
and the main power cut.
Knowing the location of all friendly vessels in a
region is vital to organisations with a stake in ensuring
70 safe passage through known piracy hotspots. With an
operational vessel/fleet tracking system, ship owners
and fleet managers will know where their ships are at
all times. This information can be fed to authorities,
private anti-piracy companies and the naval forces
75 patrolling piracy hotspots to build a clear, near
real-time picture for domain awareness. The value of
this information should a vessel be hijacked is obvious:
knowing the last whereabouts of a vessel provides
responders with a starting point should a hijacked
80 vessel’s tracking system be disabled by pirates.
Today’s pirates know that many commercial
vessels are tracked, especially those would be targets
sailing in what are known to be hostile waters. So
disabling vessel tracking equipment on board is a
85 sensible action for said pirates after a hijacked ship’s
crew have been subdued and because most tracking
units are powered by the vessel, finding and cutting
the power supply isn’t hard. RockFLEET, however,
is the only device of its kind with an internal battery
90 backup, so it can continue to transmit position for up
to two weeks if external power is cut.
With facility to mount covertly, this makes it
especially suitable for vessels traversing piracy
hotspots.

Available at: .
Retrieved on: Jan, 7 th , 2015. Adapted.

The boldfaced verb conveys the idea of hypothesis in

A “More so than many other fields of business, the maritime industry is focused on cost” (lines 1-2)
B “more often than not there will be an associated cost” (lines 16-17)
C “it must also be available in any software system the user chooses” (lines 35-36)
D “The value of this information should a vessel be hijacked is obvious” (lines 76-77)
E “so it can continue to transmit position for up to two weeks” (lines 90-91)

Considere os dados hidrostáticos de um navio apresentados na Tabela abaixo.

CALADO
(m)
Δ
(m)
LCB
(m)
KB
(m)
KM L
(m)
KM T
(m)
3,00
1858
1,173
1,646
125,32
6,484
3,20
2012
1,192
1,758
122,44
6,368
3,40
2170
1,221
1,870
120,23
6,278
3,60
2330
1,261
1,983
118,71
6,212
3,80
2495
1,311
2,097
117,08
6,164
4,00
2665
1,366
2,211
116,39
6,132

Esse navio possui um calado médio de 3,40 metros e chega a um terminal de carga onde realiza operações de carga e de descarga, respectivamente, equivalentes a 600 toneladas e 275 toneladas.
Desprezando-se as variações de trim e banda do navio, qual o valor, em metros, da sua cota do metacentro transversal (KM T ) ao final das operações?

A 6,132
B 6,164
C 6,212
D 6,368
E 6,484

Em relação aos hélices dos navios, considere as afirmativas a seguir.

I - O passo do hélice é a distância longitudinal percorrida pelo hélice para cada volta completa que uma pá executa em torno do eixo que une o hélice ao motor.
II - Os impelidores laterais localizados na proa de um navio são chamados de stern-thrusters , enquanto os localizados na popa do navio são chamados de bow-thrusters .
III - Um hélice de passo variável possui o mesmo ângulo de passo ao longo de toda a superfície da pá, fazendo com que a pá seja reta e ocupe um só plano.

É correto APENAS o que se afirma em

A I
B II
C III
D I e II
E II e III

Quando um transponder radar de busca e salvamento (SART) responde à emissão de um radar de um navio de salvamento operando na banda X, serão apresentados, na tela desse radar, 12 pontos padrões ao longo da linha de marcação, indicando a posição do SART.
Ao aproximar-se do SART, essa linha com os 12 pontos tende a se expandir em arcos concêntricos que formarão círculos concêntricos quando a distância do SART for cerca de

A 1 milha
B 10 milhas
C 20 milhas
D 50 milhas
E 100 milhas
Texto associado
From Security to Efficiency: Modern Vessel Tracking

More so than many other fields of business, the
maritime industry is focused on cost, which in turn
gives the appearance of being conservative towards
technology. Certainly, we have technical ships
5 magnificently operating with equipment that wouldn’t
look out of place in a NASA lab, but generally, it can
take decades for a technology to become mainstream.
Unless it becomes mandated by the IMO (International
Maritime Organization). Vessel tracking is a partial
10 exception to the rule though, with many fleet owners
realizing its potential for more cost-effective operation
and personnel security.
Knowing the exact position of all vessels in a
fleet, in a software solution designed to fit with your
15 own logistical processes, can significantly improve
efficiency. If a ship arrives early or late, more often
than not there will be an associated cost. If this can
be identified during transit then the early or late arrival
can be negated or at least planned for. Likewise, if
20 by knowing the positions of your fleet of workboats
means that you can route the closest vessel to the
next job, then significant fuel cost savings can be
made. With modern tracking systems, the way data is
used is just as important as knowing where a vessel
25 is at all times. But there are countless ways to apply
the data to the benefit of efficiency for a single ship
or fleet. So providing easy and reliable access to
position reports is essential.

A new tracking unit

30 ___ RockFLEET is an advanced new tracking unit
for the professional maritime environment. During
its design phase, the team decided that in order for
the position data it provides to be of the most use,
as well as being available via Rock Seven’s own
35 fleet viewer ‘The Core,’ it must also be available in
any software system the user chooses. Using a
standards-based API (Application Programming
Interface), the customer can integrate tracking data
from RockFLEET into their own applications. Typically
40 this means that RockFLEET tracked assets can be
added to existing fleet management software, which
invariably is designed around an owner or operators
own logistics.
With precise vessel location data available,
45 the opportunities are unlimited and only down to the
creativity of the user. For instance, a current Rock
Seven customer uses location data to manage payroll
of personnel. Essentially, personnel get paid different
amounts depending on whether the ship is at sea, in
50 international waters, in port or transiting regions with
high piracy incidents.

RockFLEET, a unique device

The above user is a private security company
involved in anti-piracy operations. It actually gets
55 location data using RockSTAR, the handheld version
of RockFLEET, which is a new fixed unit that can be
fitted anywhere on board. Completely waterproof and
with no moving parts, it is a robust, ultra-compact
(13cm diameter/4cm high) device with multiple
60 mounting options. The physical design of RockFLEET
was in part driven by the security challenges faced by
vessels facing the issues of modern piracy.
The unit itself is designed to look anonymous;
as standard there’s no name on the outside. It works
65 from ship’s power, but it uniquely has a backup battery
inside. Which is important should a vessel be hijacked
and the main power cut.
Knowing the location of all friendly vessels in a
region is vital to organisations with a stake in ensuring
70 safe passage through known piracy hotspots. With an
operational vessel/fleet tracking system, ship owners
and fleet managers will know where their ships are at
all times. This information can be fed to authorities,
private anti-piracy companies and the naval forces
75 patrolling piracy hotspots to build a clear, near
real-time picture for domain awareness. The value of
this information should a vessel be hijacked is obvious:
knowing the last whereabouts of a vessel provides
responders with a starting point should a hijacked
80 vessel’s tracking system be disabled by pirates.
Today’s pirates know that many commercial
vessels are tracked, especially those would be targets
sailing in what are known to be hostile waters. So
disabling vessel tracking equipment on board is a
85 sensible action for said pirates after a hijacked ship’s
crew have been subdued and because most tracking
units are powered by the vessel, finding and cutting
the power supply isn’t hard. RockFLEET, however,
is the only device of its kind with an internal battery
90 backup, so it can continue to transmit position for up
to two weeks if external power is cut.
With facility to mount covertly, this makes it
especially suitable for vessels traversing piracy
hotspots.

Available at: .
Retrieved on: Jan, 7 th , 2015. Adapted.

Based on the meanings in the text, one notices that the words

A countless (line 25) and unlimited are antonyms.
B reliable (line 27) and questionable are synonyms.
C ensuring (line 69) and securing express similar ideas.
D disabled (line 80) and destroyed express opposing ideas.
E subdued (line 86) and defeated do not have equivalent meanings.
Texto associado
O velho olhando o mar

Meu carro para numa esquina da praia de Co-
pacabana às 9h30 e vejo um velho vestido de bran-
co numa cadeira de rodas olhando o mar a distân-
cia. Por ele passam pernas portentosas, reluzentes
5 cabeleiras adolescentes e os bíceps de jovens sur-
fistas. Mas ele permanece sentado olhando o mar a
distância. [...]
O carro continua parado, o sinal fechado e o es-
tupendo calor da vida batia de frente sobre mim. Tudo
10 em torno era uma ávida solicitação dos sentidos. Por
isso, paradoxalmente, fixei-me por um instante na-
quele corpo que parecia ancorado do outro lado das
coisas. E sem fazer qualquer esforço comecei a ima-
giná-lo quando jovem. É um exercício estranho esse
15 de começar a remoçar um corpo na imaginação, inje-
tar movimento e desejo nos seus músculos, aceleran-
do nele, de novo, a avareza de viver cada instante.
A gente tem a leviandade de achar que os velhos
nasceram velhos, que estão ali apenas para assistir
20 ao nosso crescimento. Me lembro que, menino, ao
ver um velho parente relatar fatos de sua juventude,
tinha sempre a sensação de que ele estava inventan-
do uma estória para me convencer de alguma coisa.
No entanto, aquele velho que vejo na esquina da
25 praia de Copacabana deve ter sido jovem algum dia,
em alguma outra praia, nos braços de algum amor,
bebendo e farreando irresponsavelmente e achando
que o estoque da vida era ilimitado.
Teria ele algum desejo ao olhar as coxas das ba-
30 nhistas que passam? Olhando alguma delas teria se
posto a lembrar de outros corpos que conheceu? Os
que por ele passam poderiam supor que ele fazia ma-
ravilhas na cama ou nas pistas de dança? [...]
Ele está ali, eu no meu carro, e me dou conta
35 de que um número crescente de amigos e conheci-
dos tem me pronunciado a palavra “aposentadoria”
ultimamente. Isso é uma síndrome grave. Em breve
estarei cercado de aposentados e forçosamente me
aposentarão. Então, imagino, vou passear de short
40 branco e boné pelo calçadão da praia, fingindo ser
um almirante aposentado, aproveitando o sol mais
ameno das 9h30 até cair sentado numa cadeira e fi-
car olhando o mar. [...]
Meu carro, no entanto, continua parado no sinal
45 da praia de Copacabana. O carro apenas, porque a
imaginação, entre o sinal vermelho e o verde, via-
jou intensamente. Vou ter de deixar ali o velho e sua
acompanhante olhando o mar por mim. Vou viver a
vida por ele, me iludir de que no escritório transformo
50 o mundo com telefonemas, projetos e papéis. Um dia
talvez esteja naquela cadeira olhando o mar a distân-
cia, a vida distante.
Mas que ao olhar para dentro eu tenha muito que
rever e contemplar. Nesse caso não me importarei
55 que o moço que estiver no seu carro parado no sinal
imagine coisas sobre mim. Estarei olhando o mar, o
mar interior, e terei navegantes alegrias que nenhum
passante compreenderá.

SANT’ANNA, A. R. Coleção melhores crônicas – Affonso Romano de Sant’Anna. Seleção e prefácio: Letícia Malard. São Paulo: Global, 2003.

O seguinte trecho do texto é introduzido por um pronome relativo:

A “que os velhos nasceram velhos” (l. 18-19)
B “que ele estava inventando uma estória” (l. 22-23)
C “que o estoque da vida era limitado” (l. 28)
D “que ele fazia maravilhas” (l. 32-33)
E “que nenhum passante compreenderá.” (l. 57-58)

Uma Linha de Posição (LDP) é o lugar geométrico de todas as posições que o navio pode ocupar, tendo efetuado certa observação em um determinado instante.
Dentre os tipos de LDP, o que NÃO necessita de qualquer instrumento para ser obtido, sendo determinado por observação visual direta, a olho nu, é a

A circunferência de igual distância
B linha de igual profundidade
C reta de alinhamento
D reta de altura
E reta de marcação visual