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Na obra U m toque dos clássicos: Marx, Durkheim e Weber, Tânia Quintaneiro, Maria Lígia de O. Barbosa e Márcia Gardênia M. de Oliveira afirmam que: “Partindo da concepção de um estado de natureza onde não existiriam desigualdades, e tampouco moralidade, o genebrino Jean-Jacques Rousseau (1712–1778), ao mesmo tempo que prolonga a tradição contratualista do Seiscentos, modifica o conteúdo e o sentido do chamado ‘pacto social’, o qual, ao fazer surgir o poder da lei, legitimou a desigualdade, a injusta distribuição da propriedade e da riqueza, e também a submissão, a violência, os roubos, a usurpação e todo tipo de abusos”. Enfatizam as autoras que, para Rousseau, o estado civil é

A uma consequência da agressividade natural humana.
B um pacto tácito coletivo em benefício da sociedade.
C um instrumento de promoção da justiça individual.
D um artifício ao qual se submete a vontade individual
E uma forma de defesa da liberdade e da dignidade.

Leia o trecho a seguir, de Connell: “Abra qualquer compêndio introdutório de Sociologia e provavelmente você vai achar [...] uma discussão sobre os pais fundadores focada em Marx, Durkheim e Weber. O primeiro capítulo também pode citar Comte, Spencer, Tönnies e Simmel, e talvez alguns poucos outros. Na visão normalmente apresentada a estudantes, esses homens criaram a Sociologia em resposta a mudanças dramáticas na sociedade europeia: a Revolução Industrial, o conflito de classes, a secularização, a alienação e o Estado Moderno. [...] A principal dificuldade com esta visão é que ela não se enquadra com a evidência mais relevante – o que os sociólogos do período estão escrevendo. Os compêndios mais gerais de Sociologia, até a Primeira Guerra Mundial, não se esmeravam na análise da modernização da sociedade na qual os autores viveram. [...] temos fortes razões para duvidar do retrato convencional da criação da Sociologia. Isso não apenas para questionar a influência de certos indivíduos. Nós precisamos examinar a história da Sociologia como um produto coletivo – as preocupações compartilhadas, suposições e práticas que construíram a disciplina em vários períodos e o formato dado que a história, pelas forças sociais transformadoras, construiu a nova ciência” (CONNELL, R. O Império e a criação de uma ciência social. Contemporânea , v. 2, n. 2, 2012) – trecho adaptado especialmente para esta prova. De acordo com a abordagem do trecho, analise as assertivas a seguir:

I. A autora indica ser importante explorar descrições diferentes do retrato convencional da construção da Sociologia.

II. Connell analisa criticamente a formação do cânone clássico da Sociologia e a primazia de seus objetos de estudo à época.

III. A socióloga critica a ausência de Comte, Spencer, Tönnies e Simmel entre os listados como pais fundadores da Sociologia em algumas obras. Quais estão corretas?

A Apenas I.
B Apenas III.
C Apenas I e II.
D Apenas II e III.
E I, II e III.

Em relação a Émile Durkheim e seu arcabouço teórico, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. Define “fato social” como objeto de estudo distintivo da Sociologia em relação a outras ciências.

II. Fatos sociais são reconhecíveis por serem capazes de exercer sobre as consciências particulares uma influência coercitiva.

III. Chamou de “espírito de adesão ao grupo” a disposição individual em aderir a uma sociedade.

A Todas as assertivas estão corretas.
B Todas as assertivas estão incorretas.
C Apenas a assertiva III está correta.
D Apenas as assertivas I e II estão corretas.
E Apenas as assertivas II e III estão corretas.

Adorno e Horkheimer

( 1985 ) argumentam sobre a regressão moderna do esclarecimento à ideologia, que encontra nos meios de comunicação de massa a sua expressão mais influente. Para eles, a padronização de dispositivos culturais repercute na reprodução de valores hegemônicos na ordem social vigente. Nesse sentido, qual é o conceito mobilizado pelos autores para essa tese?

A Indústria cultural.
B Modernidade líquida.
C Sociedade em rede.
D Capital cultural.
E Dominação comunicativa.

De acordo com Daflon e Sorj, “Qualquer pessoa familiarizada com os manuais e os cursos acadêmicos de sociologia clássica é capaz de recitar de cor os pensadores canônicos. Os mesmos autores são apontados como os pais fundadores das ciências sociais quase sem variações. Apesar das inúmeras diferenças que os separam, os autores que compõem esse cânone possuem uma característica comum: todos são homens. Em defesa dessa escolha, costuma-se dizer que a subordinação e a opressão das mulheres ao longo do período crítico para o desenvolvimento das ciências sociais foram tão profundas que isso impediu que elas se apoderassem dos meios necessários para produzir e difundir pensamento. [...] a despeito de imensas dificuldades, houve efetivamente uma produção intelectual significativa e impactante feita por mulheres no século XIX. Muitas delas se esgueiraram pela margem de sociedades patriarcais para escrever e se fazer ler; foram ‘marginais’ ou mesmo ‘malditas’ em seu tempo. Outras foram intelectuais influentes, amplamente lidas, difundidas e atuantes dentro dos mesmos círculos frequentados pelos autores tradicionais” (DAFLON,

V. T.; SORJ, B. Clássicas do pensamento social: mulheres e feminismos no século XIX. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021). Em relação à perspectiva apresentada no trecho acima, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) As autoras buscam recuperar elos e genealogias do pensamento de mulheres invisibilizadas no campo da Sociologia.

( ) O argumento principal é de que acadêmicos de Sociologia não saberiam recitar de cor os pensadores canônicos, caso se tratassem de mulheres.

( ) O texto sugere que as intelectuais do período foram marginalizadas por não abordarem temas de interesse social à época.

( ) Questiona-se que a ausência de mulheres no cânone sociológico se explique exclusivamente pela subordinação feminina socialmente mais profunda no período de surgimento da disciplina. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A V – F – F – V.
B V – V – F – F.
C V – F – V – V.
D F – V – F – F.
E F – F – V – V.

De acordo com a abordagem de Karl Marx, as sociedades se formam na dinâmica do intercâmbio entre sociedade e natureza por meio do trabalho (Bottomore, 2001). Para o autor, o processo histórico que caracteriza os distintos tipos de sociedade está marcado, fundamentalmente:

A Pela existência de uma ética social como força espiritual de dominação pacífica.
B Por relações de solidariedade mecânica (sociedades simples) e orgânica (sociedades complexas).
C Pelo desenvolvimento de forças produtivas materiais e das relações sociais de produção.
D Pela colaboração entre classes sociais e a existência de harmonia social.
E Pela dimensão estática da ordem social e a dimensão dinâmica das leis de mudança social.

Pierre Bourdieu et al.

( 2015 ) consideram que a familiaridade com o universo social constitui o obstáculo epistemológico por excelência para o sociólogo. Para eles, endossando a elaboração teórica de Gaston Bachelard, esse dilema deve ser enfrentado por meio de uma determinada postura orientadora da atividade dos cientistas. Qual conceito bachelardiano os autores mobilizam para essa argumentação?

A Relativismo cultural.
B Neutralidade técnica.
C Sociologia espontânea.
D Vigilância epistemológica.
E Empirismo probatório.

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os trechos de obras clássicas da Sociologia aos seus respectivos autores. Coluna 1 1. Karl Marx. 2. Émile Durkheim. 3. Max Weber. Coluna 2

( ) “Sociologia (no sentido aqui entendido dessa palavra empregada com tantos significados diversos) significa: uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e, assim, explicá-la causalmente em seu curso e em seus efeitos”.

( ) “Nossa regra não implica, portanto, nenhuma concepção metafísica, nenhuma especulação sobre o âmago dos seres. O que ela reclama é que o sociólogo se coloque no mesmo estado de espírito dos físicos, químicos, fisiologistas, quando se lançam numa região ainda inexplorada de seu domínio científico. [...] é preciso que ele se sinta diante de fatos cujas leis são tão insuspeitas quanto podiam ser as da vida, quando a biologia não estava constituída”.

( ) “Se começasse, portanto, pela população, elaboraria uma representação caótica do todo e, por meio de uma determinação mais estrita, chegaria analiticamente, cada vez mais, a conceitos mais simples. [...] Chegado a esse ponto, teria que voltar a fazer a viagem de modo inverso, até dar de novo com a população, mas dessa vez não como uma representação caótica de um todo, porém como uma rica totalidade de determinações e relações diversas”.

( ) “[...] sem alterar o sentido dessa expressão, pode-se chamar ‘instituição’ todas as crenças e todos os modos de conduta instituídos pela coletividade; a Sociologia pode então ser definida como a ciência das instituições, de sua gênese e de seu funcionamento”. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A 1 – 3 – 2 – 2.
B 1 – 3 – 2 – 3.
C 2 – 1 – 3 – 1.
D 3 – 2 – 1 – 2.
E 3 – 2 – 1 – 3.

De acordo com Weber, “[...] nem o costume ou a situação de interesses, nem os motivos puramente afetivos ou racionais referentes a valores da vinculação poderiam constituir fundamentos confiáveis de uma _____________. Normalmente, junta-se a esses fatores outro elemento: a crença na ________________” (WEBER, M. Economia e sociedade. Brasília: Editora da UnB, 1999). Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

A classe social – exploração
B estrutura – superestrutura
C ética protestante – espiritualidade
D dominação – legitimidade
E exploração – valorização

No clássico texto “Racismo e sexismo na cultura brasileira”

( 2020 ), Lélia Gonzalez aborda a força simbólica do mito da democracia racial e seus efeitos danosos sobre a sociedade brasileira e a mulher negra, em particular. A autora parte de referenciais teóricos da Psicanálise e das Ciências Sociais para criar sínteses originais. Qual foi o conceito desenvolvido pela autora para se referir à sintomática do racismo no Brasil?

A Redução sociológica.
B Fundamentalismo étnico.
C Escravismo cultural.
D Precarização simbólica.
E Neurose cultural brasileira.