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Júlia e Marcelo, ambos com 55 anos, estão vivendo a fase em que seus filhos adultos deixaram a casa para viver de forma independente. Júlia se sente cheia de energia e decide voltar a estudar, enquanto Marcelo demonstra sinais de ansiedade e resistência às mudanças. Paralelamente, precisam lidar com o diagnóstico recente de Alzheimer precoce da mãe de Marcelo, o que exige reorganizar suas rotinas para prestar cuidados à idosa. Considerando os conceitos de ciclo de vida familiar, crises normativas e não normativas, segundo Papalia, Olds e Feldman

( 2022 ), é correto afirmar que

A o cuidado com a mãe de Marcelo configura uma crise normativa, pois a reorganização familiar em função da velhice dos pais é esperada no ciclo de vida em que Júlia e Marcelo se encontram.
B a ansiedade de Marcelo reflete uma falha inevitável de adaptação no ciclo de vida familiar, pois Papalia et al . consideram que essa fase é marcada pela necessidade de reconstrução da identidade pessoal e da reconstrução dos laços conjugais.
C Júlia e Marcelo estão atravessando simultaneamente uma crise normativa e uma crise não normativa, exigindo ajustes complexos nos papéis familiares que desempenham como pais, cônjuges e filhos.
D a saída dos filhos representa uma crise não normativa para Júlia e Marcelo, pois, segundo Papalia et al. , todas as mudanças ligadas à independência dos filhos são imprevisíveis e inesperadas.
E a decisão de Júlia de retomar os estudos indica uma disfunção no enfrentamento do ciclo de vida familiar, já que, no modelo tradicional, o investimento fora das relações familiares é atípico.

Durante uma atividade em sala de aula, crianças de seis anos foram incentivadas a organizar objetos diversos (brinquedos, materiais escolares e peças coloridas) em grupos que fizessem sentido para elas. Durante o processo, algumas crianças agruparam os objetos por cor, outras por função, e algumas misturaram os critérios, explicando que determinados objetos “combinam” ou “ficam bem juntos”. Ao observar essa atividade, a professora notou que as crianças demonstraram diferentes níveis de organização e explicações sobre suas escolhas, algumas mais sistemáticas, outras mais intuitivas. Ela refletiu sobre o desenvolvimento cognitivo dessas crianças a partir das teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Com base nas contribuições desses três teóricos, assinale a alternativa correta.

A Segundo Piaget, as crianças demonstraram um avanço para o estágio das operações concretas, uma vez que já são capazes de classificar objetos por múltiplos critérios e explicar logicamente suas escolhas.
B De acordo com Wallon, a escolha dos agrupamentos feita pelas crianças está essencialmente ligada à afetividade e à expressão emocional, sendo um reflexo do estágio emocional-sensório.
C Para Vygotsky, a organização dos objetos em grupos reflete a mediação simbólica e o papel da interação social, sendo que as explicações das crianças indicam a configuração da zona de desenvolvimento proximal.
D Na visão de Piaget, a capacidade de classificar objetos por atributos perceptíveis indica que as crianças superaram o egocentrismo cognitivo, característica do estágio pré-operatório, e alcançaram o estágio das operações formais.
E Vygotsky entenderia que o agrupamento dos objetos por critérios como cor ou função indica um momento de transição do pensamento por complexos para formas mais avançadas de pensamento.

Durante a terceira infância, as crianças enfrentam um importante conflito psicossocial descrito por E. Erikson como indústria (produtividade) versus inferioridade. Esse estágio está relacionado

A ao desenvolvimento de uma identidade sólida e estável, com foco na definição de papéis sociais e vocacionais.
B ao esforço da criança para desenvolver competência e aplicar habilidades valorizadas pela cultura, construindo um senso de eficácia.
C à busca por autonomia e independência, marcada pela oposição à autoridade e pelo desejo de controlar o próprio corpo.
D à tentativa de estabelecer vínculos afetivos profundos fora do núcleo familiar, com base na intimidade e confiança.
E à resolução de conflitos internos entre impulsos biológicos e exigências sociais, com base no controle moral e racional.

A análise de itens é uma etapa essencial no processo de construção de testes. Assinale a alternativa que representa corretamente um dos propósitos centrais dessa análise.

A Verificar o alinhamento do teste com medidas simultâneas para estabelecer validade concorrente.
B Verificar se os itens apresentam linguagem acessível e livre de ambiguidade, com base em avaliação subjetiva.
C Utilizar dados objetivos de resposta para identificar itens mal formulados ou com baixo valor diagnóstico.
D Avaliar estatisticamente o desempenho dos itens quanto à sua capacidade de distinguir participantes com diferentes níveis da característica medida.
E Determinar o nível de fidedignidade do teste por meio da correlação entre diferentes formas da medida.

A metanálise é uma técnica estatística importante na avaliação de testes psicológicos. Assinale a alternativa que apresenta uma de suas principais funções.

A Substituir as revisões sistemáticas da literatura pelo levantamento de estudos com grandes amostras populacionais.
B Integrar os resultados de múltiplos estudos independentes sobre determinado teste ou construto em sínteses quantitativas.
C Complementar a validação empírica de testes por julgamentos clínicos fundamentados na experiência do avaliador.
D Utilizar dados qualitativos como base principal para reunir interpretações teóricas sobre o funcionamento de instrumentos psicológicos.
E Avaliar a fidedignidade de um teste com base na repetição de resultados em contextos clínicos, sem recorrer à análise estatística de conjunto.

Segundo Hutz et al.

( 2016 ), no contexto do psicodiagnóstico, ao se trabalhar com testes que avaliam aspectos da personalidade, é importante ter em mente que

A a validade de um teste de personalidade se refere à estabilidade das características mensuradas, e não à sua adequação contextual, cujos aspectos devem ser ignorados na interpretação.
B a avaliação da personalidade é uma prática essencialmente clínica, na qual os testes de autorrelato devem ser considerados como a principal fonte de informação, por serem menos suscetíveis a interpretações subjetivas do avaliador.
C a interpretação dos testes de personalidade, quando feita com domínio teórico e prático suficiente, fornece um retrato suficiente do funcionamento psicológico do indivíduo, dispensando o uso de outras técnicas.
D dada a diversidade de instrumentos que podem ser usados ao avaliar a personalidade, é recomendável que o psicólogo adote uma postura ateórica, focada no resultado dos testes que ele administra.
E testes projetivos e objetivos oferecem perspectivas complementares na avaliação da personalidade, sendo importante integrar métodos qualitativos e quantitativos, e não os opor rigidamente.

Considerando a avaliação clínica das alterações da consciência, assinale a alternativa que descreve corretamente o quadro de obnubilação da consciência.

A Redução da clareza da consciência, lentificação psicomotora, prejuízo atencional moderado e desorientação parcial, com preservação de respostas simples a estímulos.
B Preservação da vigília e da orientação alopsíquica, acompanhada de prejuízo isolado da orientação temporal.
C Estreitamento súbito do campo de consciência, comportamento automático coordenado e amnésia posterior.
D Supressão completa da vigília e da reatividade motora, com ausência de resposta a estímulos externos.
E Flutuação do nível de atenção e consciência, com desorientação global, alterações perceptivas e início agudo do quadro.

Durante entrevista clínica, uma paciente de 35 anos apresenta discurso acelerado, mudando rapidamente de um tema para outro, sem manter o encadeamento lógico das ideias. Sua fala é rica em detalhes superficiais e frequentemente retorna a assuntos anteriormente abordados. Quando questionada, demonstra capacidade de compreender as perguntas, mas tem dificuldade de manter uma linha narrativa coesa. Pode-se dizer que, nesse quadro, a função psíquica alterada mais evidente é

A a memória, com déficit de evocação recente.
B a sensopercepção, com distorções temporais.
C a linguagem, com perseveração.
D o pensamento formal, com fuga de ideias.
E a atenção, com distração constante.

Um homem de 30 anos apresenta histórico de episódios de retraimento social progressivo, abandono de trabalho e diminuição acentuada da comunicação verbal ao longo de dois anos. Durante entrevistas clínicas, mostra discurso empobrecido, contato ocular reduzido e embotamento afetivo. Relatos familiares indicam que, em determinados períodos, o paciente apresenta também ideias grandiosas de ser uma pessoa especialmente escolhida para “grandes missões espirituais”. Contudo, esses episódios não se acompanham de humor persistentemente elevado nem de comportamento expansivo ou impulsivo. Ele nega ouvir vozes ou ver coisas que os outros não veem, mas frequentemente parece reagir a estímulos internos. Com base no DSM-5, o diagnóstico mais compatível é:

A transtorno esquizoafetivo, tipo maníaco.
B transtorno de personalidade esquizotípica.
C esquizofrenia, subtipo deficitário com delírios secundários.
D transtorno bipolar tipo I, com sintomas psicóticos interepisódicos.
E transtorno delirante, subtipo grandioso.

Com base nos princípios gerais das psicoterapias descritos por Cordioli & Grevet

( 2018 ), assinale a alternativa correta.

A O sucesso psicoterápico é determinado fundamentalmente pelo insight gerado durante as sessões, sendo os fatores interpessoais e ambientais pouco relevantes.
B As diversas psicoterapias se distinguem radicalmente quanto aos princípios básicos que orientam o vínculo e a condução da intervenção clínica.
C A eficácia da psicoterapia depende majoritariamente da técnica específica utilizada, sendo os fatores relacionais considerados secundários.
D A relação terapêutica, a aliança de trabalho e a expectativa de melhora do paciente são fatores comuns que influenciam positivamente os resultados da psicoterapia.
E A definição de psicoterapia implica sempre o uso de métodos não sistematizados, baseados na intuição e espontaneidade do terapeuta.