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Para Gadotti

( 1998 ), “A educação que copia modelos, que deseja reproduzir modelos, não deixa de ser uma práxis, só que se limita a uma práxis reiterativa, imitativa, burocratizada.” Compreendendo práxis enquanto ação transformadora, o autor propõe uma pedagogia da práxis que:

A segmenta teoria e prática em busca de uma maior potencialização de cada um dos elementos em prol da educação pública de qualidade socialmente referenciada;
B propõe-se a compor uma educação voltada para a manutenção da hegemonia dos setores conservadores da sociedade moderna;
C utiliza os saberes culturais clássicos para determinar as práticas pedagógicas escolares necessárias ao desenvolvimento humano;
D é a teoria de uma prática pedagógica que procura não esconder o conflito, a contradição, mas, ao contrário, entende-os como inerentes à existência humana;
E aproxima-se da pedagogia tecnicista inspirada em princípios behavioristas na qual o treinamento e a repetição fornecem, em última instância, autonomia ao aluno.

“Assim como as tradiç es que definem o que é currículo, o currículo é, ele mesmo, uma prática discursiva. Isso significa que ele é uma prática de poder, mas também uma prática de significação, de atribuição de sentidos. Ele constrói a realidade, nos governa, constrange nosso comportamento, projeta nossa identidade, tudo isso produzindo sentidos”. (LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011). A partir da visão pós-estruturalista das práticas curriculares de poder e significação, é correto afirmar que o currículo:

A se constrói na dialética, a partir de imposições e resistências, tendo como atores principais os alunos;
B é um recorte implacável, em que há um processo avassalador de imposições por meio do arbitrário cultural dominante;
C torna inócuas distinções como currículo formal, oculto, vivido, na medida em que tudo isso é parte inalienável das práticas curriculares;
D oculto é a parte intangível do currículo, na medida em que não está colocada nos textos e não é partilhada por todos;
E possui independência das decisões políticas, na medida em que é construído no interior das escolas.

Inês Barbosa de Oliveira afirma que pensar alternativas curriculares como uma possibilidade de contribuição para a emancipação social traz em si dois pressupostos. Um deles refere-se à definição de currículo. Para a autora, adepta de uma visão pós-estruturalista, o currículo deve ser compreendido como criação:

A dos sujeitos que compõem o norte epistemológico e impõem indelevelmente seus saberes a outros que se encontram em situações de miséria social e intelectual;
B das estruturas do Estado totalitário, que se propõe a dirigir as nações em direção a uma sociedade mais justa para todos e todas;
C cotidiana daqueles que fazem as escolas e como prática que envolve todos os saberes e processos interativos do trabalho pedagógico realizado por alunos e professores;
D dos intelectuais ligados aos governos centrais e que deve ser posta em ação pelos profissionais da educação nas escolas, apresentando seus resultados através das avaliações externas;
E dos movimentos sindicais, dos movimentos sociais e dos sindicatos ligados aos profissionais da educação que conhecem as realidades dos sistemas de ensino do país.

“Etimologicamente, supervisão significa ‘visão sobre’, e da sua origem traz o viés da administração, que a faz ser entendida como gerência para controlar o executado. Dessa forma, quando transposta para a educação, passou a ser exercida como função de controle no processo educacional.” (FERREIRA, 2008, pág. 238). Porém, outra perspectiva de supervisão vem tomando vulto. Celso Vasconcellos afirma que “Ser supervisor não é fiscal de professor, não é dedo-duro [...] não é pombo-correio [...] não é coringa/tarefeiro/quebra-galho/salva-vidas[...] não é tapa buraco, não é burocrata[...] não é de gabinete, não é dicário [...] não é generalista que entende quase nada de quase tudo.” (VASCONCELLOS, 2006, p.86.). Nessa perspectiva, o trabalho do supervisor sofre uma ressignificação, cujo princípio norteador deve ser:

A o cumprimento da legislação da educação e das normas emanadas pelo órgão central do sistema de ensino;
B uma ação crítico-reflexiva junto ao professor, assumindo uma postura de estimulador e sustentador do trabalho docente;
C a definição do Projeto Político Pedagógico da escola junto à direção e o seu cumprimento pelos professores no interior das salas de aula;
D a manutenção da harmonia do ambiente escolar através da observância da hierarquia institucional necessária ao bom funcionamento dos processos pedagógicos;
E a elaboração de uma metodologia de ensino que deve ser aplicada pelos professores na escola, objetivando o sucesso de todos os alunos.

Tem sido observado em todas as regiões do país um processo de juvenilização dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos. (DI PIERRO, JOIA e RIBEIRO, 2001). Tal fato, de acordo com as autoras, deve-se à(ao):

A falta de interesse dos jovens em estudar;
B dinâmica escolar brasileira e às pressões oriundas do mundo do trabalho;
C desemprego massivo da população;
D falta de estrutura e financiamento do ensino regular;
E ausência de fiscalização por parte do poder público.

Maria Montessori, uma importante educadora, influenciou a educação em um período de extrema rigidez das instituições escolares. Deu especial atenção à preparação do ambiente propício para o desenvolvimento infantil, à liberdade de ação das crianças pequenas e ao material a elas ofertado. Em um ambiente de liberdade, desenvolveu o conceito de disciplina ativa, segundo o qual o indivíduo disciplinado é aquele que:

A é senhor de si mesmo e, em decorrência, pode dispor de si ou seguir uma regra de vida;
B reconhece as regras de conduta social e as cumpre nos grupos em que está inserido, sem a necessidade de intervenção da mestra;
C cria e recria as regras de convivência social, atendendo aos interesses próprios necessários ao seu desenvolvimento;
D tem liberdade total e irrestrita, não devendo ser interditado em suas ações mesmo que cause conflitos;
E deverá amoldar-se a uma disciplina que circunscreva-se ao meio escolar, sem a preocupação com o ambiente social mais ampliado.

Piaget afirma que, no estágio pré-operatório, as crianças apresentam certas características que limitam a possibilidade do estabelecimento de trocas intelectuais equilibradas. La Taille

( 1992 ) afirma que, neste estágio, falta à criança: 1) a capacidade de aderir a uma escala comum de referência quando em diálogo com outra no mesmo estágio; 2) uma regulação essencial do raciocínio que a obrigue a levar em conta o que disse em princípio para construções discursivas ulteriores; 3) a facilidade em colocar-se no ponto de vista de outrem. Essas três características juntas representam o que Piaget denomina:

A Pensamento Categorial;
B Pensamento Egocêntrico;
C Pensamento Operatório Formal;
D Pensamento Reversível;
E Ação Interiorizada Reversível.

Henri Wallon considera o desenvolvimento infantil uma dinâmica complexa que envolve necessariamente diversos aspectos do ser humano. O autor desenvolve a Psicogênese da Pessoa Completa, teoria através da qual explica o desenvolvimento como uma progressiva construção estruturada em cinco estágios sucessivos dados em uma ordem necessária. (GALVÃO, 1995) Em relação aos estágios de desenvolvimento, é correto afirmar que:

A a passagem de um estágio de desenvolvimento a outro se dá linearmente através de uma ampliação de sistemas menos complexos para sistemas mais complexos;
B nos três primeiros estágios de desenvolvimento há predominância afetiva e nos dois últimos há predominância cognitiva;
C a sucessão dos estágios de desenvolvimento é marcada por rupturas, conflitos e retrocessos e traz mudanças significativas nas formas de atividade do estágio anterior;
D dada a passagem de um estágio de desenvolvimento a outro, a criança não mais apresentará condutas típicas do estágio ultrapassado;
E o último estágio traz consigo a maturação completa das funções psíquicas e orgânicas, marcando o limite terminal do desenvolvimento da inteligência humana.

Dentre as ideias de Vygotsky, a que foi mais difundida no campo educacional foi o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, definido pelo autor como a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. Tais níveis costumam ser determinados, respectivamente, através da observação:

A das reações de segurança que a criança aparenta ao resolver problemas complexos e das reações de insegurança que a criança aparenta na resolução de problemas complexos;
B daquilo que a criança resolve sem auxílio de um adulto, mas com a utilização de instrumentos concretos de apoio, e daquilo que é resolvido pela criança de forma autônoma;
C da quantidade de respostas corretas que a criança dá a situações problemáticas preestabelecidas e da quantidade de respostas incorretas que a criança dá a situações problemáticas preestabelecidas;
D daquilo que a criança efetivamente já aprendeu e daquilo que a criança poderá aprender na interação com outra criança de seu grupo social que se encontra no mesmo nível de desenvolvimento;
E das ações, em resposta a um problema, que o indivíduo realiza de maneira independente e das ações, em resposta a um problema, que o indivíduo realiza sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes.

“As eleiç es diretas para diretores, historicamente, têm sido a modalidade considerada mais democrática pelos movimentos sociais, inclusive dos trabalhadores da educação em seus sindicatos. [...]. A eleição direta tem sido apontada como um canal efetivo de democratização das relaç es escolares.” (OLIVEIRA, MORAES e DOURADO, 2008, pág. 6) Porém, a eleição direta para diretores não pode conter em si a garantia da democracia, tendo em vista que, muitas vezes, aprofunda relações hierarquizadas no interior das escolas entre o grupo vencedor e o grupo derrotado no certame. Segundo Oliveira, Moraes e Dourado

( 2008 ), a democratização dos processos educativos começa:

A no interior da escola, por meio da criação de espaços nos quais professores, funcionários, alunos, pais de alunos etc. possam discutir criticamente o cotidiano escolar;
B com a eleição de diretores e, a partir daí, valendo-se da democracia representativa, a tomada de decisão por parte da direção é legítima e representa a vontade coletiva;
C a partir da indicação, pelo poder público, do Conselho Escolar que, por conter em sua composição representantes de todos os segmentos da escola, é o órgão colegiado apto para a tomada de decisão democrática;
D pela construção do projeto político pedagógico pela direção da escola e sua socialização para os professores. O documento representa a democratização da tomada de decisão no interior da instituição;
E pelo provimento do cargo de diretor, que deverá ser decidido por meio de indicação do Conselho Escolar eleito pela comunidade escolar.