Texto CG2A2-I
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
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Julgue os itens a seguir, acerca das boas práticas no processamento de produtos em centros de material e esterilização (CME).
De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 171/2006, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o Funcionamento de Bancos de Leite Humano, assinale a opção correta.
A respeito da inspeção industrial e sanitária de carnes e derivados conforme a legislação vigente, assinale a opção correta.
O comprimento indicado de uma barra de eletroduto em PVC rígido roscável é de
A respeito de epidemia, surto e vigilância em saúde, assinale a opção correta.
Texto associado
Sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto CG2A2-I, a forma verbal “importava” (ℓ.32) poderia ser substituída por
Certa prefeitura dispõe de 10 motoristas. Sabe-se que todos esses motoristas gostam de viajar e que 6 desses motoristas usam óculos.
Considerando-se essa situação hipotética, é correto concluir que
A iluminância e sua distribuição nas áreas de trabalho e no entorno imediato interferem na forma como uma pessoa realiza suas tarefas visuais de forma rápida, segura e confortável. Com relação a esse assunto, assinale a opção que apresenta a unidade adotada para medir a relação entre o fluxo luminoso recebido pela superfície e sua área.
De acordo com o Código Tributário de Barra dos Coqueiros – SE, para o cálculo do imposto predial e territorial urbano (IPTU), o valor venal do imóvel construído será apurado pela
Texto associado
Texto CG1A1-II
1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.
Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de
alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora
4 encontremos referências às faculdades e disposições da
subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos
pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes
7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia
da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia
como um composto de alma e corpo, cuja atividade
10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo
conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito
cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do
13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como
única via de acesso à verdade. De posse desse atributo
superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a
16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O
privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo
das paixões que animam a vida do indivíduo.
19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos
poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de
revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito
22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi
enriquecida em suas funções a partir do momento em que a
subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de
25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,
constituída até então por pensamentos e intuições, foram
acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em
28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma
de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,
intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos
31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta
consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e
interage com o mundo é também situada no espaço onde
34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu
correlato: o outro.
Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral. In: Rosa Maria Godoy Silveira
et al. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. João
Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).
1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.
Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de
alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora
4 encontremos referências às faculdades e disposições da
subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos
pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes
7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia
da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia
como um composto de alma e corpo, cuja atividade
10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo
conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito
cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do
13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como
única via de acesso à verdade. De posse desse atributo
superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a
16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O
privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo
das paixões que animam a vida do indivíduo.
19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos
poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de
revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito
22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi
enriquecida em suas funções a partir do momento em que a
subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de
25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,
constituída até então por pensamentos e intuições, foram
acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em
28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma
de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,
intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos
31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta
consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e
interage com o mundo é também situada no espaço onde
34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu
correlato: o outro.
Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral. In: Rosa Maria Godoy Silveira
et al. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. João
Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).