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Sobre as síndromes e a nefrologia, assinale a alternativa correta.

A Na Síndrome da Lise Tumoral, os distúrbios mais encontrados são: hipocalcemia, hipocalemia, hipofosfatemia e alcalose metabólica.
B A Síndrome de Alport XLAS é causada em 80% dos casos, herdada, em um padrão ligado ao X e causada por mutações no gene COL4A5, sendo o único padrão de herança existente.
C Na Síndrome Cardiorrenal Aguda, a creatinina sérica pode aumentar, permanecer estável ou diminuir com a terapia descongestiva. Um aumento na creatinina sérica nesses pacientes geralmente indica descongestionamento eficaz, em vez de uma lesão renal verdadeira.
D A Síndrome Hepatorrenal possui na sua fisiopatologia, oriunda da cirrose e da hipertensão portal, produção e liberação de vasoconstritores e citocinas como óxido nítrico e prostaglandinas, que causam vasoconstrição esplâncnica e sistêmica que desencadeiam a lesão renal.
E A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada por trombocitopenia, anemia hemolítica microangiopática e lesão renal aguda. As formas típicas mais comuns são comumente causadas pela toxina Shiga ou, menos comumente, por infecções ou anormalidades genéticas que ativam a via alternativa do complemento.

A Hipertensão Arterial em Diálise (HAD) tem alta prevalência, de pelo menos 80% ou mais, e seu manejo na prática do nefrologista ocorre de forma heterogênea e, frequentemente, empírica. Por isso foi lançada em 2025 a I Diretriz Brasileira de hipertensão arterial na diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia, a qual

A apresenta como definição para hipertensão arterial em diálise valores de PA pré-HD ou pós-HD ≥ 130/80 mmHg.
B apresenta como recomendação a restrição de sódio na dieta de 3,0 a 5,0 g/dia para paciente dialítico, para a redução da pressão arterial e o ganho de peso interdialítico.
C apresenta, segundo as recomendações dos principais Guidelines, como metas pressóricas a serem atingidas em pacientes em Hemodiálise PA ≤ 140/90 mmHg tanto na pré-HD como na pós-HD.
D recomenda, na Hipertensão Induzida por Eritropoetina (EPO), refratária ao manejo dos anti-hipertensivos, ter atenção ao peso seco, preferência pela via subcutânea da EPO, reduzir o alvo da hemoglobina e iniciar com baixa dose de EPO, aumentando lentamente, mas nunca suspendendo o seu uso.
E recomenda, em pacientes que fazem hemodiálise 3 x por semana, a realização de MAPA de 44h, exame padrão-ouro nesses pacientes, sendo o dia de instalação ideal após a sessão de diálise do meio da semana e retirada imediatamente após a sessão seguinte.

Nas últimas décadas, uma epidemia de Doença Renal Crônica (DRC) tem sido associada a fatores ambientais e ocupacionais, denominada DRC de origem não tradicional (DRCnt). O treinamento e a qualificação de profissionais de saúde precisam ser elaborados e implementados para aumentar a conscientização sobre os fatores de risco para DRCnt e aplicar promoção-prevenção da saúde. Considerando o exposto, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. A DRC de origem não tradicional é um diagnóstico de exclusão para DRC, feito quando um paciente preenche os critérios de DRC do KDIGO sem evidências de uma causa reconhecida, como diabetes, hipertensão, doença genética ou glomerulonefrite.
II. É uma desordem principalmente túbulo-intersticial com perda não proteinúrica da função renal.
III. Muitas etiologias potenciais de DRCnt foram estudadas e a exposição ao calor, aos metais nefrotóxicos e aos agrotóxicos é a principal responsável por uma grande proporção de casos em todo o mundo, especialmente entre trabalhadores.
IV. A medição de metais em amostras de urina e sangue de pacientes e indivíduos expostos aos possíveis fatores de risco pode indicar a etiologia da DRCnt.

A Apenas I e II.
B Apenas I e III.
C Apenas II e IV.
D Apenas I, III e IV.
E I, II, III e IV.

Apesar dos benefícios, a implementação dos Cuidados Paliativos em nefrologia ainda enfrenta barreiras no Brasil e no mundo, incluindo conceitos equivocados que os equiparam aos cuidados exclusivamente de fim de vida, acesso limitado aos serviços e formação insuficiente entre nefrologistas e equipes multiprofissionais. Com base nesse cenário, considere as seguintes situações enfrentadas diariamente pelo nefrologista quanto a decisões de indicar ou não a terapia renal substitutiva (TRS):

I. Em paciente de 45 anos de idade, internado em UTI devido à leucemia aguda, com capacidade preservada de decisão, plenamente informado, discutido com equipe, familiares, que opta pela renúncia à diálise de forma voluntária, não se faz TRS.
II. Em paciente de 40 anos de idade, em regime de quimioterapia para neoplasia maligna de mama, internada em UTI, sem capacidade decisória (causas clínicas) e que tem Planejamento Antecipado de Cuidados documentado de abdicar da TRS, deve-se realizar a TRS.
III. Em paciente com capacidade preservada que decide tomar decisão por não realizar TRS sem compartilhar com familiares, mas compartilhou com a equipe, não se faz a TRS.
IV. O nefrologista deve aplicar ferramentas de avaliação prognóstica e de qualidade de vida para auxiliar na decisão de fazer ou não a TRS.

Entre as situações apresentadas, são Posicionamentos da Sociedade Brasileira de Nefrologia 2025 sobre a recusa e a descontinuação de diálise:

A I, II, III e IV.
B apenas I e IV.
C apenas II e III.
D apenas II, III e IV.
E apenas I, II e IV.

Paciente masculino, 40 anos, oriundo de Joinville, procura atendimento no ambulatório de nefrologia por alteração da função renal. Relata transplante renal há 10 meses e que estava bem, porém há 3 semanas iniciou aumento progressivo da creatinina (1,3 mg/dL para 2,1 mg/dL). Nega queixas. Relata ser hipertenso há 16 anos, DRC desde os 30 anos e que fez hemodiálise por 6 anos até o transplante renal. Nega outras comorbidades. Está em uso de Tacrolimo 2 mg 2x/dia, Micofenolato mofetil 1 g 2x/dia, Prednisona 10 mg/dia, Omeprazol, Ácido Fólico e AAS. Levou à consulta o doppler e a USG do enxerto normais. A dosagem de Tacrolimo estava dentro da faixa terapêutica. Urocultura negativa, Tempo de Sangramento = 4 minutos. Exame Físico: normal. Não há sinais de sangramento. PA: 160/84 mmHg, FC: 74 bpm, temperatura: 36,5 ºC, edema: ausente. Exame abdominal: enxerto em fossa ilíaca direita, sem dor à palpação. Diante da disfunção do enxerto sem causa evidente, é correto afirma que

A no período em questão, após o transplante, a biópsia é mais útil para diferenciar rejeição aguda por NTA da nefropatia pelo vírus BK.
B a hipertensão apresentada, assim como hipotensão, abscesso perinefrético, pielonefrite e anemia grave são contraindicações absolutas à biópsia renal.
C o paciente tem indicação da administração da desmopressina (DDAVP), via intravenosa, 2-3 horas, mesmo que controversa antes da biópsia (quando indicada).
D antes da biópsia, deve-se suspender medicações capazes de prolongar o sangramento, como aspirina (7 dias antes da biópsia) e anti-inflamatórios não esteroidais (24h antes da biópsia).
E após a biópsia, deve-se manter o paciente em posição supina, permanecendo em repouso absoluto no leito por, no mínimo, 24 horas. Não havendo sangramento após 24 horas, o paciente é sentado no leito e autorizado a se mexer.

Homem, 84 anos, com diagnóstico de sarcoma de alto grau de membro inferior direito metastático para pulmões, fígado e extensa massa retroperitoneal, comparece para atendimento em setor de urgência e emergência devido à piora relativa da dispneia em repouso nos últimos dois dias. Paciente afirma uso contínuo de morfina de liberação prolongada (30 mg de 12/12 horas) para dor oncológica, além de loperamida e metoclopramida para manejo de diarreia e náuseas recorrentes. Exames recentes mostram plaquetas de 27.000/mm³, sem histórico de sangramento. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientado, com saturação periférica de O2 de 94% em ar ambiente, porém refere sensação de “falta de ar” limitante. Com base no caso exposto e no manejo sintomático de pacientes em cuidados paliativos, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.

A Aumentar a dose diária total de morfina em aproximadamente 25%, adicionando doses de resgate de morfina de ação rápida, para o controle da dispneia.
B Iniciar lorazepam sublingual como primeira medida, visto que a principal causa da dispneia em pacientes com câncer avançado é a ansiedade associada.
C Adicionar budesonida oral ao esquema terapêutico, considerando que a diarreia pode estar contribuindo para o mal-estar geral e a sensação de dispneia.
D Indicar transfusão de plaquetas de forma profilática devido ao nível de plaquetas < 50.000/mm³, tendo em vista o alto risco de sangramento.
E Substituir a metoclopramida por olanzapina, pois esta tem um efeito sedativo superior que pode auxiliar no controle simultâneo da dispneia e da náusea crônica.

Paciente de 42 anos procura uma unidade básica de saúde com queixa de placa bem delimitada, vermelho-alaranjada, brilhante, de aspecto aveludado, em região da glande e da face interna do prepúcio, com surgimento há 1 ano. O paciente apresenta queixa única de desconforto local.

Em relação ao caso apresentado, assinale a alternativa correta.

A A Eritroplasia de Queyrat (carcinoma in situ) não é considerada um diagnóstico diferencial nesse caso.
B O condiloma é uma patologia frequente no homem e apresenta-se com aspecto semelhante, por isso é considerado diagnóstico diferencial.
C A Balanite de Zoon revela, em sua histologia, epitélio atrófico, infiltrado plasmocitário denso, hemossiderina e extravasamento de hemácias.
D O tratamento definitivo da Balanite de Zoon é a exerese da lesão, seguida da aplicação de 5-fluoracila.
E A Balanite plasmocitária é considerada uma infecção sexualmente transmissível e deve ser tratada com antibióticos.

A administração de agentes quimioterápicos requer um conhecimento de seus perfis de toxicidade, incluindo o potencial de dano tecidual em caso de extravasamento. A classificação desses fármacos como não vesicantes, irritantes ou vesicantes é fundamental para a prática segura. Com base nessa classificação, assinale a alternativa que apresenta exclusivamente agentes quimioterápicos considerados vesicantes.

A Doxorrubicina, doxorrubicina lipossomal e vincristina.
B Paclitaxel, carboplatina e cisplatina.
C Vincristina, epirrubicina e vinorelbina.
D Docetaxel, oxaliplatina e gencitabina.
E Mitomicina C, etoposídeo e metotrexato.

NÃO é fator de risco para neoplasia urotelial:

A exposição ocupacional – ex.: derivados do petróleo.
B radioterapia pélvica prévia.
C uso prolongado de ciclofosfamida.
D infecções urinárias crônicas e cálculos vesicais (irritação crônica).
E uso de contraceptivos orais.