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Texto

I Culpa Mario Prata Por que a culpa? É o que eu tenho perguntado à minha psicanalista. No princípio era o verbo e eu achava que só eu me sentia culpado. Com o passar do tempo (e da verba), fui descobrindo que todo criador tem culpa. Não no cartório. Mas na consciência. Vou tentar explicar. Todo mundo acha que a pessoa que vive de criar, ou seja, um criador, não faz nada o dia inteiro. Fica só pensando. É verdade. O problema é que ninguém considera o trabalho de pensar como ofício. Daí a culpa ensimesmada. Será que só pode ser considerado trabalhador o sujeito que fica o dia inteiro numa mesa de escritório, ouvindo pela janela olha a uva de Atibaia, melancia barata, melancia barata? Você vê uma frase num out-door tipo refresca até pensament o. São três palavrinhas mágicas. O sujeito que inventou isso deve ganhar uma fortuna por mês. O que ninguém entende é que ele trabalha há vinte neste ofício. Pode ser que a frase tenha saído de um estalo. Mas um estalo vinte anos depois. Não precisa ser nenhuma brastemp para se ter uma ideia dessas. Ou precisa? Mas o povo pensa: ganhar essa fortuna para escrever uma bobagem dessas? Para aliviar meu sofrimento, penso no Romário que trabalha umas dez horas por mês e ganha 100 mil dólares. Será que ele tem culpa? O Chico Buarque, que fica meses sem trabalhar , jogando futebol, será que ele acorda com culpa? E o Erasmo Carlos? Tem uma culpa tremendona? Vou almoçar fora e quase emendo com o fim do dia. Bebendo cerveja. Mas pensando. Pensando nessas besteiras que vocês estão a ler agora. Juro que eu trabalho, gente. Penso, invento, crio. E esses funcionários fantasmas, que trabalham em várias repartições e nunca comparecem? Será que eles não têm culpa? Será que só eu me sinto culpado neste país? Uma vez perguntei para o Chico Buarque, que acabava de acordar às duas da tarde, se ele não tinha culpa. Já tive. Superei . E o Caetano Veloso que nunca acorda antes das quatro (da tarde)? Foram anos e anos de culpa para conseguir escrever esta crônica. Mas saiu. Mas não adiantou nada. Continuo com culpa. Acho que eu nunca deveria ter saído do Banco do Brasil. Não bater ponto desnorteia a minha vida. Adaptado de: . Acesso em: 13 Jan. 2020. Considerando as informações e as ideias do texto de apoio, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) No trecho “Bebendo cerveja. Mas pensando.”, a relação adversativa estabelecida entre as orações revela que ele não sente culpa de beber cerveja, mas de exercer um trabalho de cunho mais mental.

( ) “Vou tentar explicar.” revela que o cronista pressupõe que suas explicações talvez não sejam suficiente, pois alguns leitores não entendem a profissão que ele exerce.

( ) O trecho “Foram anos e anos de culpa para conseguir escrever esta crônica. Mas saiu. Mas não adiantou nada.” revela que o cronista escreve menos de uma crônica por ano.

A F – F – F.
B V – F – F.
C F – V – F.
D V – V – V.
E V – V – F.
Texto associado
TEXTO I
Janeiro branco: campanha chama atenção para saúde mental dos brasileiros
Projeto de psicólogo pega carona no começo do ano para estimular pessoas a refletirem sobre seu bem-estar emocional
Marilia Marasciulo

O Brasil está no 11º lugar do ranking de países mais ansiosos do mundo: são 13,2 milhões de pessoas com algum transtorno de ansiedade por aqui. E nós já fomos os primeiros dessa lista. Dá para entender, portanto, porque o psicólogo mineiro Leonardo Abrahão decidiu criar, em 2014, a campanha Janeiro Branco. O objetivo é chamar atenção para a saúde mental e promover conhecimento e compreensão sobre temas como depressão, ansiedade e fobias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma a cada quatro pessoas vai sofrer com algum transtorno mental durante a vida. Só a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo mundo e é a principal causa de incapacidade. Mesmo assim, ainda de acordo com a OMS, os investimentos dos países no tratamento não correspondem à alta demanda.

Um dos principais focos da campanha — que conta com palestras, rodas de conversa, distribuição de folhetos informativos, entre outras ações em diferentes estados brasileiros — são os jovens. De acordo com os idealizadores, nos últimos três anos o número de atendimentos no SUS a jovens com depressão aumentou 118%.

A escolha do mês de janeiro não é por acaso: o período de fim de ano e início de um novo pode causar ou aumentar a ansiedade pela frustração de não ter cumprido metas ou anseio por mudanças.

Embora seja liderada por psicólogos e outros profissionais da área, a ideia é que, aos poucos, uma cultura da saúde mental seja fortalecida e disseminada na sociedade brasileira, com desmistificação de crenças populares sobre o assunto.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/01/ janeiro-branco-campanha-chama-atencao-para-saude-mental-dosbrasileiros. html . Acesso em: 13 jan. 2020.

A relação de sentido estabelecida pelo conectivo em destaque no trecho “Dá para entender, portanto, porque o psicólogo mineiro Leonardo Abrahão decidiu criar, em 2014, a campanha Janeiro Branco.” é a de

A explicação.
B consequência.
C conclusão.
D causa.
E concessão.

Na unidade de saúde, o assistente social foi requisitado para realizar avaliação socioeconômica, visitas domiciliares e emitir parecer para usuários que necessitam de órteses e próteses. Sobre esse tema, é correto afirmar que

A a avaliação socioeconômica dos usuários tem por objetivo ser um instrumento que funcione como critério de elegibilidade para acesso a serviços de saúde, como órteses e próteses.
B as visitas domiciliares são importantes instrumentos a serem utilizados por assistentes sociais porque favorecem a verificação de dados fornecidos pelo usuário.
C a construção do perfil socioeconômico dos usuários busca evidenciar as condições determinantes e condicionantes de saúde, com vistas a possibilitar a formulação de estratégias de intervenção por meio da análise da situação socioeconômica (habitacional, trabalhista e previdenciária) e familiar dos usuários, bem como subsidiar a prática dos demais profissionais de saúde.
D a avaliação socioeconômica e a visita domiciliar permitem ao assistente social montar o processo e o preenchimento de formulários para o fornecimento de equipamentos, órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, bem como a dispensação destes.
E a avaliação socioeconômica e a visita domiciliar são imprescindíveis para garantir que o acesso aos serviços de saúde, como órteses e próteses, atenda às suas reais necessidades e evite despesas extras injustificadas.

O acordo de colaboração entre os entes federativos para a organização da rede interfederativa de atenção à saúde deverá ser firmado por meio de Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (COAP). Sobre o COAP, assinale a alternativa correta.

A O COAP deve resultar da integração dos relatórios de despesas com saúde dos entes federativos na Rede de Atenção à Saúde, tendo como fundamento as pactuações estabelecidas pelos gestores locais de saúde.
B Embora o COAP tenha avançado em inúmeras questões relacionadas à gestão do SUS, falha ao deixar de considerar a humanização do atendimento do usuário como fator importante no estabelecimento das metas de saúde.
C O controle e a fiscalização do COAP serão feitos por meio de avaliação externa contratada pelos gestores municipais.
D Uma das disposições essenciais do COAP é a identificação das necessidades de saúde locais e regionais.
E Delimita o conjunto de municípios, entre os quais há um município-sede, habilitado em Gestão Plena do Sistema Municipal ou em Gestão Plena da Atenção Básica Ampliada.

Texto

I Culpa Mario Prata Por que a culpa? É o que eu tenho perguntado à minha psicanalista. No princípio era o verbo e eu achava que só eu me sentia culpado. Com o passar do tempo (e da verba), fui descobrindo que todo criador tem culpa. Não no cartório. Mas na consciência. Vou tentar explicar. Todo mundo acha que a pessoa que vive de criar, ou seja, um criador, não faz nada o dia inteiro. Fica só pensando. É verdade. O problema é que ninguém considera o trabalho de pensar como ofício. Daí a culpa ensimesmada. Será que só pode ser considerado trabalhador o sujeito que fica o dia inteiro numa mesa de escritório, ouvindo pela janela olha a uva de Atibaia, melancia barata, melancia barata? Você vê uma frase num out-door tipo refresca até pensament o. São três palavrinhas mágicas. O sujeito que inventou isso deve ganhar uma fortuna por mês. O que ninguém entende é que ele trabalha há vinte neste ofício. Pode ser que a frase tenha saído de um estalo. Mas um estalo vinte anos depois. Não precisa ser nenhuma brastemp para se ter uma ideia dessas. Ou precisa? Mas o povo pensa: ganhar essa fortuna para escrever uma bobagem dessas? Para aliviar meu sofrimento, penso no Romário que trabalha umas dez horas por mês e ganha 100 mil dólares. Será que ele tem culpa? O Chico Buarque, que fica meses sem trabalhar , jogando futebol, será que ele acorda com culpa? E o Erasmo Carlos? Tem uma culpa tremendona? Vou almoçar fora e quase emendo com o fim do dia. Bebendo cerveja. Mas pensando. Pensando nessas besteiras que vocês estão a ler agora. Juro que eu trabalho, gente. Penso, invento, crio. E esses funcionários fantasmas, que trabalham em várias repartições e nunca comparecem? Será que eles não têm culpa? Será que só eu me sinto culpado neste país? Uma vez perguntei para o Chico Buarque, que acabava de acordar às duas da tarde, se ele não tinha culpa. Já tive. Superei . E o Caetano Veloso que nunca acorda antes das quatro (da tarde)? Foram anos e anos de culpa para conseguir escrever esta crônica. Mas saiu. Mas não adiantou nada. Continuo com culpa. Acho que eu nunca deveria ter saído do Banco do Brasil. Não bater ponto desnorteia a minha vida. Adaptado de: . Acesso em: 13 Jan. 2020. No trecho “Pensando nessas besteiras que vocês estão a ler agora.”, a perífrase verbal em destaque pode ser substituída adequadamente pelo verbo

A lendo.
B leram.
C lerão.
D leem.
E lêm.

O quadro político e institucional que permitiu a emersão sob a égide dos Estados Unidos da América, de um modo de funcionamento específico de capitalismo, predominantemente financeiro e rentista, é denominado

A nacionalismo capitalista.
B mundialização do capital.
C populismo capitalista.
D radicalismo capitalista.
E capitalismo de terceira via.
Texto associado
TEXTO I
Janeiro branco: campanha chama atenção para saúde mental dos brasileiros
Projeto de psicólogo pega carona no começo do ano para estimular pessoas a refletirem sobre seu bem-estar emocional
Marilia Marasciulo

O Brasil está no 11º lugar do ranking de países mais ansiosos do mundo: são 13,2 milhões de pessoas com algum transtorno de ansiedade por aqui. E nós já fomos os primeiros dessa lista. Dá para entender, portanto, porque o psicólogo mineiro Leonardo Abrahão decidiu criar, em 2014, a campanha Janeiro Branco. O objetivo é chamar atenção para a saúde mental e promover conhecimento e compreensão sobre temas como depressão, ansiedade e fobias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma a cada quatro pessoas vai sofrer com algum transtorno mental durante a vida. Só a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo mundo e é a principal causa de incapacidade. Mesmo assim, ainda de acordo com a OMS, os investimentos dos países no tratamento não correspondem à alta demanda.

Um dos principais focos da campanha — que conta com palestras, rodas de conversa, distribuição de folhetos informativos, entre outras ações em diferentes estados brasileiros — são os jovens. De acordo com os idealizadores, nos últimos três anos o número de atendimentos no SUS a jovens com depressão aumentou 118%.

A escolha do mês de janeiro não é por acaso: o período de fim de ano e início de um novo pode causar ou aumentar a ansiedade pela frustração de não ter cumprido metas ou anseio por mudanças.

Embora seja liderada por psicólogos e outros profissionais da área, a ideia é que, aos poucos, uma cultura da saúde mental seja fortalecida e disseminada na sociedade brasileira, com desmistificação de crenças populares sobre o assunto.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/01/ janeiro-branco-campanha-chama-atencao-para-saude-mental-dosbrasileiros. html . Acesso em: 13 jan. 2020.

Em “Um dos principais focos da campanha — que conta com palestras, rodas de conversa, distribuição de folhetos informativos, entre outras ações em diferentes estados brasileiros — são os jovens.”, o “que”, em destaque, tem a função de

A retomar “a campanha”.
B retomar “focos da campanha”.
C introduzir uma oração que completa o sentido de “foco”.
D introduzir uma oração que indica o local onde a campanha ocorre.
E fazer referência a “ações”.
Texto associado
TEXTO II O Ano Passado Carlos Drummond de Andrade

O ano passado não passou, continua incessantemente.

Em vão marco novos encontros. Todos são encontros passados. As ruas, sempre do ano passado, e as pessoas, também as mesmas, com iguais gestos e falas. O céu tem exatamente sabidos tons de amanhecer, de sol pleno, de descambar como no repetidíssimo ano passado.

Embora sepultos, os mortos do ano passado sepultam-se todos os dias. Escuto os medos, conto as libélulas, mastigo o pão do ano passado.

E será sempre assim daqui por diante. Não consigo evacuar o ano passado.

Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/10938/o-ano-passado . Acesso em 14 jan. 2020.

Assinale a alternativa que analisa corretamente o sentido estabelecido pela oração em destaque em: “Embora sepultos, os mortos do ano passado sepultam-se todos os dias.”.

A Temporal.
B Consecutiva.
C Aditiva.
D Adversativa.
E Concessiva.

TEXTO

II Como se livrar da culpa Vivemos numa sociedade que cobra perfeição na vida pessoal e profissional, e as pessoas se sentem cada vez mais exigidas. Destrinchar as fontes de culpa tem sido um desafio dos especialistas em comportamento. Aprender a lidar com elas seria o próximo passo. Todo método que pretende ajudar a encarar as manifestações do sentimento parte de sua origem. De maneira geral, a semente está no desejo da perfeição – física, profissional, pessoal ou espiritual –, que, por ser inatingível, leva à frustração, mas no processo nos força a ultrapassar nossos limites. São muitos os exemplos que mostram quão distantes estamos de abandonar metas impossíveis. O aumento de casos da chamada síndrome burnout, uma espécie de esgotamento intelectual e físico, é um deles. Embora não haja estatísticas consolidadas sobre o tema, sabe-se que entre 1998 e 2008 o número de trabalhos acadêmicos sobre o assunto subiu de 231 para 390, segundo a TransInsight, entidade que cataloga documentos científicos. E nos consultórios também cresceu a procura por tratamento. “Não é só o diagnóstico que ficou mais fácil, o número de casos também vem aumentando”, explica Duílio Camargo, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). […] As vítimas do burnout geralmente chegam ao médico submersas em responsabilidades e metas impossíveis. Insônia, dores de cabeça crônicas e distúrbios gastrointestinais são alguns dos sintomas. “Embora o diagnóstico surja à luz do esgotamento profissional, é muito comum identificar o stress generalizado em quem sofre do mal”, afirma Camargo. Faz sentido, visto que os sintomas afetam a vida como um todo. “O mundo moderno exige super-homens e supermulheres”, diz ele. E superespécimes humanos. […] Disponível em: . Acesso em: 15 Jan. 2020. Assinale a alternativa em que o termo em destaque no seguinte excerto seja substituído adequadamente por uma variante linguística mais formal. “ Destrinchar as fontes de culpa tem sido um desafio dos especialistas em comportamento.”.

A Despedaçar minuciosamente.
B Analisar detalhadamente.
C Integrar detalhadamente.
D Repartir igualmente.
E Coadunar harmonicamente.
Texto associado
TEXTO II O Ano Passado Carlos Drummond de Andrade

O ano passado não passou, continua incessantemente.

Em vão marco novos encontros. Todos são encontros passados. As ruas, sempre do ano passado, e as pessoas, também as mesmas, com iguais gestos e falas. O céu tem exatamente sabidos tons de amanhecer, de sol pleno, de descambar como no repetidíssimo ano passado.

Embora sepultos, os mortos do ano passado sepultam-se todos os dias. Escuto os medos, conto as libélulas, mastigo o pão do ano passado.

E será sempre assim daqui por diante. Não consigo evacuar o ano passado.

Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/10938/o-ano-passado . Acesso em 14 jan. 2020.

Ao passar a oração “Escuto os medos” para a voz passiva sintética, tem-se

A escutam-se os medos.
B escuta-se os medos.
C os medos se escutam.
D os medos são escutados.
E escutados são os medos.