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“A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude encontra e escolhe o meio-termo. E assim, no que toca à sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo, é, porém, um extremo. (Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, Abril, 1989, 1107ª). Aristóteles contribui com a reflexão ética a partir da consideração da virtude como um elemento próprio da vida prática. Assim, a partir da passagem acima, o que poderíamos afirmar sobre a virtude?

A Por isso, a virtude não poderia ser pensada fora da vida prática ou práxis, pois ela pode ser ensinada.
B A virtude manifesta-se no equilíbrio nas ações dos indivíduos, tendo em vista a comunidade da qual fazem parte e, por conseguinte, a tornam também virtuosa.
C Aristóteles abriu escolas de ensino de ética, tendo em vista a necessidade de ensinar a mediania.
D Da mesma forma que podemos aprender um ofício de produção artesanal, também podemos aprender a ser éticos, conforme os ensinamentos de Aristóteles.
E A partir do equilíbrio nos vícios, também podemos ser virtuosos.

Thomas Kuhn é conhecido por sua filosofia da ciência que considera a estrutura das revoluções científicas, com grande destaque para o conceito de paradigma. Assim, o que significa paradigma para o autor?

A É uma abstração, distante da realidade dos laboratórios, que não necessariamente tem relação com o trabalho científico concreto.
B Como não é obrigado a ser seguido, o paradigma aparece como um modelo alternativo à comunidade científica.
C É algo que não tem relação com a prática científica.
D São modelos que se caracterizam por serem cumulativos do ponto de vista do conhecimento científico.
E É um modelo de prática científica compartilhado pela comunidade científica, no tocante a sua forma de fazer ciência. Por isso, aparece como a caracterização básica de uma comunidade.

“Há alguns anos, em relato sobre o julgamento de Eichmann em Jerusalém, mencionei a “banalidade do mal”. Não quis, com a expressão, referir-me a teoria ou doutrina de qualquer espécie, mas antes a algo bastante factual, o fenômeno dos atos maus, cometidos em proporções gigantescas – atos cuja raiz não iremos encontrar em uma especial maldade, patologia ou convicção ideológica do agente; sua personalidade destacava-se unicamente por uma extraordinária superficialidade. (Arendt, H. A dignidade da política: ensaios e conferências. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1993, p. 145) Para Hannah Arendt, a banalidade do mal é uma noção fundamental no horizonte contemporâneo da filosofia política.

A Pensar os totalitarismos é também considerar a contribuição de técnicos burocratas que justificam a realização do seu próprio trabalho, sem considerar o mal a que estão diretamente vinculados.
B Trata-se de uma teoria política do mal, mas atitudes pretensamente boas que se revelam, em última instância, na realização do mal.
C Em última instância, a reflexão política é, ao mesmo tempo, a confirmação da banalidade do mal.
D Apesar disso, no âmbito da filosofia política, todo mal é, por fim, um bem a se realizar.
E Mas Arendt não vê indícios da banalidade do mal nas democracias.

“O primeiro que, tendo cercado um terreno, ousou dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simplórias para lhe dar crédito foi o verdadeiro fundador da sociedade civil”. (Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade humana. São Paulo: Martins Fontes, parte II). “O texto do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade, publicado em 1755, é uma resposta à questão formulada em 1753 pela Academia de Dijon, ‘qual a origem da desigualdade entre os homens; ela é resultado da lei natural?’ Tais concursos eram comuns no século XVIII, sobretudo na França e na Alemanha, e, embora o texto de Rousseau não tenha obtido o primeiro lugar, tornou-se um clássico do pensamento político”. (Marcondes, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p. 95) Avalie as seguintes afirmações:

I. Rousseau analisa as origens do mal na sociedade por uma crítica da organização social.

II. A natureza humana originalmente é má, e se caracteriza pela falta de liberdade e instinto de sobrevivência.

III. O ‘bom selvagem’ é o instrumento de Rousseau para criticar o homem civilizado.

IV. O instinto de sobrevivência e o sentimento de piedade são próprios da corrupção da natureza humana. Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.

A I e II.
B II e III.
C III e IV.
D I e III.
E II e IV.

David Hume (1711-1776) é um dos principais autores da tradição empirista. A publicação do Tratado sobre a natureza humana, em 1739, traz os traços fundamentais de sua filosofia, levando o empirismo às últimas consequências. Como se caracteriza o empirismo de Hume?

A Hume era considerado cético, mas sua crítica à subjetividade cartesiana e à causalidade não prejudicavam o entendimento empirista do mundo natural.
B Se no empirismo humeano, as ideias têm sua origem na impressão sensível, então não há nada no eu que não sejam as impressões sensíveis.
C Pela lembrança e não pela memória, o eu é garantido, pois depende da experiência exterior ao mesmo eu para se constituir.
D Como as percepções não variam de acordo com a experiência, então a unidade e a permanência da razão não dependem da experiência.
E Para Hume a razão é um feixe de ideias e não percepções.

“Três questões podem ser formuladas sobre a existência de Deus: 1. A existência de Deus é uma verdade evidente? 2. A existência de Deus pode ser demonstrada? 3. Deus existe?”. (Aquino, Santo Tomás. Suma Teológica, I, questão 2, art.1). A questão da existência de Deus é central na filosofia cristã, no tocante às provas da existência de Deus pela razão.

A As cinco vias de Santo Tomás de Aquino consistem em provas irrefutáveis que Deus existe.
B O entendimento de Deus previsto nas provas partem da consideração do cosmo como criação divina.
C Para Santo Tomás, a razão procura demonstrar a seu modo o que a fé anteriormente incutiu na alma humana, como um caminho para a fé cristã.
D As marcas do Criador em sua Criação só é possível pela fé revelada.
E O mundo natural não é objeto de reflexão, pois Deus não está na natureza.

“Diz Schopenhauer que há homens que se tornam filósofos por causa do mundo. Há outros que se tornam filósofos por causa de livros. Fichte é um destes casos: virou filósofo porque leu a Crítica da Razão Pura” . (Domingues,

I. O continente e a ilha. São Paulo: Loyola, 2009, p. 91). “É bem sabido que Kant, em citadíssima passagem, afirma que não se pode ensinar filosofia, mas apenas ensinar a filosofar. O filósofo de Königsberg quer dizer outra coisa que geralmente lhe atribui; assim, por exemplo, ele jamais entenderia por filosofia ‘história da filosofia’. A oposição que lhe interessa é entre uma ciência constituída como um conjunto de verdades e uma atividade da razão”. (Porta, M. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Loyola, 2002, p. 21). Avalie as seguintes afirmações:

I. Aprender filosofia significa decorar as ideias principais da história da filosofia e repeti-las de acordo com as necessidades.

II. A tensão entre ensinar filosofia e ensinar a filosofar está relacionada ao método a ser utilizado na formação dos filósofos profissionais.

III. Filosofar é uma atividade da razão. E não se caracteriza por fazer somente repetições de ideias do passado, mas articulá-las com as questões do presente.

IV. Não há uma única forma consagrada de filosofar. Basta observarmos a história da filosofia ocidental, com sua pluralidade de modos de pensar filosoficamente. Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.

A I e II.
B II e III.
C II e IV.
D I e III.
E III e IV.

Para Gianni Vattimo, a filosofia contemporânea e suas diversas correntes caracteriza-se como uma arena de discussões, na qual a hermenêutica tem o papel de koinè , ou seja, de um modo comum de pensar, enquanto processo de leitura de textos e discussão de questões. Ao mesmo tempo, Hans-Georg Gadamer, na esteira de Martin Heidegger, pensa a hermenêutica de modo ontológico, ou seja, como um modo de se comportar. Em tempo, Paul Ricoeur também entende a hermenêutica do texto como um horizonte central no qual as narrativas ainda são possíveis. Tendo em vista esses modos de pensar a hermenêutica, qual a importância da mesma para a filosofia contemporânea?

A A corrente hermenêutica é uma tentativa de reavaliar a metafísica moderna, sem compromissos práticos, do ponto de vista da ética e política.
B Pensar hermeneuticamente é pensar contemporaneamente. Para isso, basta relermos os textos sem necessariamente relacioná-los a vida cotidiana.
C O pensamento hermenêutico é crítico à modernidade, pois revisa os limites do próprio sujeito e sua relação com a verdade.
D Ao contrário de Gadamer, Ricoeur não se compromete eticamente ao pensar as narrativas.
E Heidegger pensa a hermenêutica como um traço fundamental para pensar a questão do ser; e esta contribuição encontra bastante repercussão na filosofia contemporânea.

“Devemos tentar determinar mais exatamente a questão. Desta maneira, levaremos o diálogo para direção segura. Procedendo assim, o diálogo é conduzido a um caminho. Digo: a um caminho. Assim, concedemos que este não é o único caminho. Deve ficar mesmo em aberto se o caminho para o qual desejaria chamar a atenção, no que segue, é na verdade um caminho que nos permite levantar a questão e respondê-la”. (Heidegger, M. Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 211). “Nas últimas décadas, assistiu-se a uma multiplicidade de produções técnic s e bibliográficas sobre/em Ensino de Filosofia. Produções estas que direta ou indiretamente incidem sobre a questão da formação de professores. Embora reconheça a singularidade da experiência filosófica representada (e vivenciada) por cada pesquisador/a da área, assim como a riqueza teórica advinda dos divergentes fundamentos epistemológicos que embasam cada pesquisa. (...) Entende-se que ao dar voz àqueles e àquelas que pensam filosoficamente sobre o ensino e a aprendizagem de/em Filosofia, as linhas que se seguem compreendem, igualmente, um ato político”. (Velasco, P. O que pensamos nós, formadores/as de professores/as, sobre formação docente em filosofia? Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação, 2(34), 2020, p. 12. https://doi.org/10.26512/resafe.v2i34.35127 O papel do diálogo na formação em filosofia, do ponto de vista do processo de ensino e aprendizagem, encontra na comunidade filosófica um lugar privilegiado.

A Pensando o filosofar como um diálogo contínuo, a metáfora do caminho faz justiça ao processo de ensino e aprendizagem.
B É preciso escolher um método filosófico único que justifique o acesso aos conteúdos a serem aprendidos.
C Ainda que fosse possível dialogar na sala de aula, a filosofia não é uma disciplina que se aprende dialogando.
D O modelo tradicional de ensino e aprendizagem, no qual o professor, que domina o conteúdo, repassa o mesmo para os alunos, que ainda não sabem, é o adequado ao filosofar na sala de aula.
E Ou se filosofa sozinho, no isolamento; ou não se filosofa, pois o diálogo não parece ser um caminho adequado.

A Inteligência Artificial é um ramo da ciência da computação que busca criar sistemas capazes de simular a inteligência humana. Qual das seguintes áreas não esta diretamente relacionada a Inteligência Artificial?

A Processamento de Linguagem Natural.
B Visão Computacional.
C Robótica.
D Compiladores.
E Sistemas Especialistas.