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A formação do aluno jamais acontecerá pela assimilação de discursos, mas sim por um processo microssocial em que ele é levado a assumir posturas de liberdade, respeito, responsabilidade, ao mesmo tempo em que percebe essas mesmas práticas nos demais membros que participam deste microcosmo com que se relaciona no cotidiano. Uma aula de qualquer disciplina constitui-se, assim, em parte do processo de formação do aluno, não pelo discurso que o professor possa fazer, mas pelo posicionamento que assume em seu relacionamento com os alunos, pela participação que suscita neles, pelas novas posturas que eles são chamados a assumir. ALVES, N.; GARCIA, R, L. O sentido da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 20. O trecho em destaque faz alusão a uma concepção de ensino que

A cultiva a construção de posturas éticas através dos discursos.
B propaga saberes acumulados como meio para formar sujeitos.
C descentra a noção de instrução da capacidade criadora do aluno.
D concentra-se não apenas em saberes, mas também em atitudes e valores.
E prima pela transmissão de valores morais cristalizados na sociedade.

A noção de interdisciplinaridade consiste em um importante conceito para a solução de contradições históricas da prática educacional. A respeito dessa noção, avalie as afirmações a seguir.

I. Constitui-se como importante estratégia de combate ao processo de especialização e compartimentalização dos saberes.

II. A interdisciplinaridade consiste na articulação de conhecimentos de diferentes campos, fomentando um trânsito integrador entre os mesmos.

III. Surge como tentativa de solucionar problemas híbridos, para os quais o movimento histórico de especialização dos saberes mostrava-se ineficaz. Está correto o que se afirma em

A I, II e III.
B I e II, apenas.
C I e III, apenas.
D II e III, apenas.
E II, apenas.

O filósofo norte americano John Dewey (1859 – 1952) foi um dos grandes inspiradores do movimento cultural brasileiro no campo da educação denominado Escola Nova. Acerca do projeto pedagógico de Dewey, assinale a opção que compatível com seus princípios.

A Aprender rememorando.
B Aprender ouvindo.
C Aprender fazendo.
D Ensinar disciplinando.
E Ensinar transmitindo.

Leia o trecho a seguir do antropólogo J. G. Platvoet: Religiões consistem em noções, atitudes e emoções, comportamentos e organização social no que diz respeito aos seres e/ou uma realidade, cuja existência e atividade não podem ser verificadas nem falsificadas [por meios empíricos], mas que os fiéis acreditam existir e estar ativas em suas vidas e/ou determinar seu destino futuro. PLATVOET, J. G., 1990, ‘The Definers Defined: Traditions in the Definition of Religion’, in Method & Theory in the Study of Religion 2, 2: 1990, p. 196. Com base no trecho, assinale a afirmativa que interpreta corretamente a abordagem do fenômeno religioso pelos autores citados.

A Diferentemente de Durkheim, Platvoet considera a religião uma instituição social.
B Como Weber, Platvoet parte da demonstração da existência de uma entidade transcendente unívoca e universal.
C Platvoet e Geertz admitem a possibilidade de uma realidade não pessoal como base para a religião.
D Durkheim e Platvoet consideram a religião como um fenômeno sociocultural que estrutura as interações coletivas.
E Diferentemente de Berger e Luckmann, Platvoet critica as abordagens essencialistas ao fenômeno religioso.

Analise as afirmativas a seguir:

I. Ação social afetiva refere-se a condutas impulsionadas por sentimentos e paixões, como aquelas reações espontâneas, não racionalizadas, que ocorrem na impulsividade do instante.

II. Ação social tradicional refere-se a comportamentos moldados por desejos e identidades individuais, com uma percepção consciente de suas motivações.

III. Ação social racional refere-se a comportamentos planejados, que são orientados para obtenção de uma finalidade específica. Está correto o que se afirma em

A I, apenas.
B I e II, apenas.
C I e III, apenas.
D II e III, apenas.
E I, II e III.

Leia o trecho a seguir. O espaço também é tratado como um fato da natureza, “naturalizado” através da atribuição de sentidos cotidianos comuns. Sob certos aspectos, mais complexo do que o tempo – tem direção, área, forma, padrão e volumo como principais atributos, bem como distância – o espaço é tratado tipicamente como um atributo objetivo das coisas que pode ser medido e, portanto, apreendido. Reconhecemos que a nossa experiência subjetiva pode nos levar a domínios de percepção, de imaginação, de ficção e de fantasia que produzem espaços e mapas mentais como miragens da coisa supostamente “real”. Sob a superfície de ideias do senso comum e aparentemente “naturais” acerca do tempo e do espaço, ocultam-se territórios de ambiguidade, de contradição e de luta. Os conflitos surgem não apenas de apreciações subjetivas admitidamente diversas, mas porque diferentes qualidades materiais objetivas do tempo e do espaço são consideradas relevantes para a vida social em diferentes situações. Importantes batalhas também ocorrem nos domínios da teoria, bem como da prática, científica, social e estética. O modo como representamos o espaço e o tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como nós e os outros interpretamos e depois agimos com relação ao mundo. Adaptado de: HARVEY , David. A condição pós-moderna. Uma pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992, pp. 188 – 190. Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor

A compreende o espaço como uma realidade material que precede os processos sociais.
B entende o espaço como uma construção, portanto, não possui uma dinâmica própria na sua materialidade.
C entende o espaço como uma construção teórica cujas concepções influenciam a vida prática.
D interpreta o espaço considerando sua complexidade de apreensão, tratando-o como algo completamente abstrato.
E considera o espaço, na sua materialidade, não impacta a vida social, sendo sua influência restrita à teoria que o sustenta.

Leia a seguir a resposta de Debora Diniz à pergunta “O que querem as mulheres que pedem a descriminalização do aborto?” A descriminalização é a retirada desse dispositivo, dessa coisa do código penal que diz que se uma mulher fizer aborto ela vai presa. É uma a cada 5 mulheres aos 40 anos [que aborta]! Pelo menos meio milhão de mulheres a cada ano. Uma em cada 5 mulheres com até 40 anos que você conhece, eu conheço. Essa é uma mulher comum, ela tem filhos, ela vai à igreja, vai ao templo, trabalha, ela não tem o perfil de uma “mulher fora da lei”. É uma mulher comum que se vê diante de uma necessidade de saúde, uma necessidade de vida, e ela tem que ir à clandestinidade para fazer um aborto, seja para comprar medicamentos, buscar uma clínica ou, se ela tem mais dinheiro, pegar um avião para um país onde o aborto é legalizado. Por que a descriminalização é tão importante? Quando você retira o crime de uma prática você pode falar dela abertamente. As instituições do Estado podem desenhar políticas para prevenir, para proteger e para cuidar. Como se previne o aborto? Há estudos sistemáticos que mostram que uma mulher quando faz o aborto, alguma coisa está errada em sua vida. Seja no uso dos métodos, ou ela teve efeitos colaterais ou ela não soube usar, ou porque ela é muito jovem e sofre violência sexual dentroda própria casa. Então quando o aborto é crime essa mulher entra na situação de saúde e não fala a verdade, ela tem medo de ser denunciada. A descriminalização permite inclusive diminuir a taxa de abortos, que é o que tanto querem aqueles que querem prender as mulheres. Adaptado de: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/02/politica/1533241424_946696 .html Com base na leitura, é correto afirmar que preocupação com a busca pelo aborto clandestino destaca, na interpretação da entrevistada,

A a expressão microssocial de um procedimento exclusivo a um grupo específico, sem refletir o problema em nível nacional.
B que a saúde das mulheres se limita apenas ao período reprodutivo.
C a expressão de um problema de saúde de forma ampla, que também inclui a saúde dos homens.
D a reafirmação do direito das mulheres de decidirem sobre os procedimentos médicos aos quais desejam ser submetidas.
E a desigualdade dentro do próprio grupo afetado, que se relaciona com o procedimento de maneiras diferentes.

Na falsificação de produtos (bens e serviços), marcas e/ou patentes, esses são copiados, imitados ou reproduzidos por uma organização ou rede, sem qualquer autorização ou remuneração de quem legalmente detém direitos sobre tal patrimônio intangível e tangível, com vistas à obtenção de vantagem financeira via comercialização. A marca que vai ser falsificada é, necessariamente, bem conhecida e sobretudo valorizada por um público que a consome ou gostaria de consumi-la. É uma prática que se reveste de certas propriedades da pirataria do passado, acrescida de traços modernos. Incide uma contrafação, pois essa falsificação é fraudulenta, ao violar o direito de propriedade industrial que legalmente pertence a terceiros. Por sua vez, os compradores podem estar cientes (o que usualmente acontece) ou não da ilegitimidade daquilo que adquirem. Num astuto modo de uso, o consumidor não pretende passar, nos seus círculos, a mercadoria falsa por verdadeira, para eliminar o risco social de serdesmascarada. Em vez disso, cria para si uma narrativa algo favorável e até prestigiosa, mediante: a) a exibição de conhecimentos sobre a marca original; b) comentários sobre viagens ao exterior em que o produto foi adquirido; c) exposição de um perfil de comprador esperto. Adaptado de: STREHLAU , Suzane; André Torres; Filipe Quevedo-Silva. O valor percebido no luxo falsificado pelo cliente de artigo legítimo: uma investigação qualitativa, Revista de Administração da UNIMEP. v.13, n.3, 2015, pp. 75 – 77. As afirmativas descrevem corretamente o comportamento social em relação aos produtos falsificado, à exceção de uma . Assinale-a.

A O conhecimento sobre o produto, mesmo que falsificado, também confere prestígio ao consumidor
B A compra de produtos falsificados é uma maneira de acessar o valor simbólico por um custo inferior ao valor de mercado.
C A aquisição de produtos falsificados está relacionada com aspirações sociais do consumidor.
D O uso de produtos falsificados está ligado a outros fatores externos que influenciam o status social de quem os utiliza.
E A decisão de comprar produtos falsificados é influenciada principalmente pela percepção da qualidade do material.

Leia o trecho a seguir. A discussão sobre interseccionalidade tem ocupado um espaço importante na pesquisa de gênero. O reconhecimento de que formas sexuais de injustiça são, por um lado, análogas e, por outro, empiricamente entrelaçadas com outras formas de injustiça - como as relacionadas a "raça", etnia e religião - encontra nesse conceito sua expressão teórica. Tanto racismos quanto sexismos podem ser entendidos como fenômenos complexos de poder que operam no contexto de atribuição de diferenças categoriais. Mesmo que não seja sempre necessariamente assim, eles frequentemente funcionam por meio de referências a características corporais e, portanto, por meio de referências a supostas certezas biológicas. É por isso que atribuições de diferença de cunho racista ou sexista são geralmente atribuições de diferenças naturalizadas que exigem validade atemporal ou pelo menos por longos períodos. Nesse sentido também as formas racistas e sexistas de poder são diferentes daquelas que operam vinculadas a relações de classe ou de produção. Adaptado de: KERNER , Ina. T udo é interseccional? Sobre a relação entre racismo e sexismo. Novos estud. CEBRAP

( 93 ), 2012, pp. 45- 46. Assinale a afirmativa que descreve corretamente a interpretação da autora sobre as abordagens interseccionais nos estudos sociológicos.

A A autora entende a abordagem como uma maneira de conectar diferentes formas de injustiça social.
B A autora entende que a abordagem revela a diferenciação instransponível entre determinadas categorias sociais.
C A autora entende que a abordagem evidencia a possibilidade de mobilidade social em todas os grupos marginalizados.
D A autora entende a abordagem como uma forma de igualar as diferentes formas de marginalizações.
E A autora entende a abordagem como um procedimento de conceituação simplificada e unidimensional.

Leia o trecho a seguir. O Estado é uma ilusão bem fundamentada, uma realidade que existe essencialmente porque acreditamos que ela existe. Esta realidade ilusória, mas validada coletivamente por meio do consenso, é o lugar para o qual somos remetidos quando recuamos em vários fenômenos, como títulos acadêmicos, títulos profissionais ou o calendário. Recuando cada vez mais, chegamos a um ponto que é a origem de tudo isso. Esta realidade misteriosa existe por seus efeitos e pela crença coletiva em sua existência, que é o princípio desses efeitos. Não se pode tocá-la com as mãos ou tratá-la da maneira que um agente da tradição marxista faria, dizendo: "O Estado faz isso", "O Estado faz aquilo". Poderia citar quilômetros de textos nos quais a palavra "Estado" aparece como sujeito das ações. Trata-se de uma ficção perigosa que nos impede de pensar o Estado. Portanto, como advertência, eu diria: cuidado, todas as frases que têm o Estado como sujeito são frases teológicas, o que não significa que sejam falsas, pois o Estadoé uma entidade teológica, ou seja, uma entidade que existe devido à crença. Adaptado de: BOURDIEU , Pierre. Sobre el Estado . Cursos en el Collège de France (1989-1992). Barcelona: Anagrama, 2014, pp. 15-16. Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir e assinale a (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.

( ) O autor descreve o Estado como uma realidade fictícia, sustentada por ideias preconcebidas e construídas socialmente, cuja existência é validada coletivamente pela crença das pessoas.

( ) O autor afirma que a materialidade do Estado decorre de suas ações concretas como sujeito histórico, capaz de alterar dinâmicas sociais.

( ) O autor considera que as manifestações do Estado não têm fundamento sólido, sendo ele uma ficção e vez de uma realidade. Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

A V – V – F.
B V – F – V.
C F – F – V.
D F – V – F.
E V – V – V.