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Em seu conhecido artigo publicado em 1992 sobre a relação entre história e memória (A história, cativa da memória?), Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses rejeita o senso comum que associa a memória a mecanismo de registro e retenção de informações.
Para o autor,

A a história confunde-se com a memória, pois ambas são operações ideológicas e processos psicossociais de representação do mundo.
B a memória está enraizada no passado, e seu legado, na contemporaneidade, é representado pelas instituições de custódia de documentos, como os museus, arquivos e organismos congêneres.
C a memória nacional é a somatória das memórias de diferentes grupos que, em razão de seus frágeis laços de coesão interna, acabam por se integrar à grande comunidade da nação.
D uma espécie de militância da memória como bandeira política tem estimulado movimentos sociais e mobilizado historiadores em torno de certas práticas, a exemplo da chamada história oral.
E a amnésia social é fruto da queima sistemática de arquivos e do descaso a que são relegados os bens culturais e o patrimônio histórico de determinado país.

As transformações provocadas pela Terceira Revolução Industrial, ainda que não tenham ocorrido de forma homogênea em todos os países, provocaram alterações significativas nos processos produtivos. O novo paradigma tecnológico de produção industrial, incorporando avanços da microeletrônica, da robótica e da telemática, dentre outros, tem acarretado mudanças significativas no mundo do trabalho, como

A a exigência de um nível de qualificação ampla e polivalente dos operários.
B a eliminação do trabalho terceirizado.
C a diminuição de empregos informais.
D a dinamização das ações sindicais.
E o parcelamento das tarefas, típico do “fordismo”.

Em história, tudo começa com o gesto de separar e reunir, transformando-os em documentos, determinados objetos antes dispostos de outra maneira. A frase utilizada por Michel de Certeau no livro A escrita da história (Paris, 1975) significa que

A o historiador quebra a ordem natural das coisas para colocar em seu lugar uma narrativa sobre o passado.
B é o historiador que, ao mesmo tempo em que confere estatuto documental a certos elementos, faz com que respondam a suas indagações.
C objetos tridimensionais, emblemáticos da cultura material de determinada sociedade, constituem importante fonte de pesquisa para o historiador.
D os documentos de arquivo, obedientes à lógica dos órgãos produtores, não se sujeitam aos arranjos feitos pelo historiador.
E a pesquisa histórica tem caráter aleatório, desobrigando o historiador de justificar suas opções metodológicas.

Dentre os marcos institucionais que, no âmbito das leis trabalhistas, antecederam o surgimento do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, ocorrido em novembro de 1930 por iniciativa do Governo Provisório, é correto indicar a criação

A da lei que institui o salário mínimo regionalizado, para garantir o que um trabalhador deveria receber para atender às suas necessidades básicas.
B da Carteira Profissional, de uso obrigatório para os trabalhadores do comércio e da indústria maiores de 16 anos.
C de tribunais rurais com a finalidade de dirimir os contratos de locação de serviços agrícolas com colonos estrangeiros em São Paulo.
D das Comissões Mistas de Conciliação, encarregadas da arbitragem de dissídios entre empregadores e empregados.
E da Justiça do Trabalho como órgão integrante do Poder Executivo, mais tarde integrado ao Poder Judiciário.

Costuma-se fazer a distinção entre arquivos, bibliotecas e museus a partir das diferenças observadas em suas funções primárias, nos mecanismos que adotam para a constituição dos respectivos acervos, na natureza e características predominantes dos documentos que possuem e no tipo de abordagem a que os submetem. Nesse processo comparativo, é correto afirmar:

A Os documentos de bibliotecas e museus têm caráter contingente.
B Nos arquivos predominam exemplares múltiplos.
C Os documentos de arquivo formam coleções representativas das linhas temáticas do órgão de origem.
D Transferência e recolhimento são mecanismos próprios dos museus históricos.
E Os livros e periódicos de uma biblioteca científica têm estatuto documental congênito.

Apesar da censura que vigorou no Brasil durante os governos militares (1964-1985), parte do mundo da cultura criou estratégias de comunicação para tentar resistir e manifestar seu repúdio à opressão, fazendo uso de entrelinhas, metáforas e trocadilhos. Foi o que ocorreu com

A o filme Rio 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos.
B a peça Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri.
C a música Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil.
D a música Aquarela do Brasil, de Ari Barroso.
E a música Samba de uma nota só, de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Em 1o de abril de 1977, a despeito do discurso de abertura política “lenta e gradual”, o presidente Ernesto Geisel (1974-1979), utilizando prerrogativas do Ato Institucional no 5 (AI-5), fechou o Congresso e impôs emenda constitucional e decretos autoritários conhecidos como “pacote de abril”. Dentre as medidas tomadas figurava

A a eliminação dos cargos dos chamados senadores “biônicos” do MDB, eleitos indiretamente por um colégio eleitoral.
B o adiamento, para 1982, das eleições diretas para governador, previstas para 1978.
C a prorrogação de seu mandato para seis anos, para garantir apoio do Congresso a seu sucessor.
D a determinação para que a “Lei Falcão”, que restringia a propaganda eleitoral pelo rádio e pela televisão, fosse aplicada apenas em eleições municipais.
E a alteração do quórum (de maioria simples para dois terços) para votação das emendas constitucionais pelo Congresso.

Apesar do pioneirismo de Alcântara Machado na utilização de inventários como fonte para a história (Vida e morte do bandeirante foi publicado em 1929), é nas décadas de 1960 e 1970, em razão das novas tendências da historiografia, que os pesquisadores brasileiros passam a utilizar os arquivos judiciais de modo mais sistemático. Tal fenômeno está relacionado com

A a própria natureza dos processos judiciais, cuja estrutura dialógica põe em cena litigantes de diferentes extratos sociais e estimula uma multiplicidade de versões e abordagens.
B o abandono e o descrédito de fontes discursivas e generalizantes, como a legislação, os relatórios administrativos e os relatos de viajantes.
C a criação dos cursos superiores de Arquivologia, formando bacharéis que passaram a produzir instrumentos de acesso aos arquivos do Poder Judiciário.
D as recomendações do Conselho Internacional de Arquivos e dos organismos que o representam no Brasil: associações profissionais e Conselho Nacional de Arquivos (Conarq).
E a Lei de Acesso à Informação, liberando os arquivos dos órgãos judiciais dos prazos de confidencialidade e de sigilo que incidiam sobre a grande maioria dos processos por eles acumulados.

Charles Braibant definiu o arquivo como celeiro da história e arsenal da administração. Ante essa dupla funcionalidade da instituição arquivística, cabe ao historiador que ali presta serviços

A deferir os pedidos de autorização para consulta ao acervo, depois de aprovar os temas e projetos apresentados pelos pesquisadores.
B atuar junto às comissões de avaliação, com a prerrogativa de proferir voto decisivo sobre o valor de guarda permanente dos documentos.
C analisar o conteúdo dos documentos para fixar seu grau de sigilo e estabelecer os respectivos prazos de confidencialidade.
D realizar pesquisa retrospectiva sobre os organismos que deram origem aos documentos, de modo a subsidiar os trabalhos de arranjo e descrição do acervo.
E desenvolver pesquisa sobre qualquer tema para obtenção de títulos acadêmicos.

A partir de meados da década de 1970, o combate ao regime militar acentuou-se, envolvendo políticos da oposição e diversos setores da sociedade civil no rumo da retomada democrática. Em 1978, o Ato Institucional no 5 foi revogado, e em agosto de 1979, foi sancionada a Lei da Anistia, após manifestações populares em comícios, passeatas e atos públicos. O desgaste do regime militar era visível, e as forças da oposição política, formando uma frente suprapartidária, apresentaram, em 1983, um projeto que mobilizou novamente a sociedade: a campanha pelas “Diretas Já”, para mudar as regras da sucessão do general João Batista Figueiredo, com a Emenda Dante de Oliveira. Votada em 26 de abril de 1984, sob forte clima de tensão, pois a base de apoio político à ditadura ainda não se esfacelara, a Emenda

A foi aprovada e, por isso, em 1985, Tancredo Neves foi eleito por voto popular.
B recebeu votos contrários do PDT, que anteriormente a apoiara.
C foi aprovada e, em seguida, vetada pelo presidente Figueiredo.
D obteve número insignificante de votos dos deputados presentes.
E foi rejeitada, pois não obteve a maioria necessária de dois terços dos votos.