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Por questões higiênicas, os antigos cemitérios eram construídos fora das cidades. Contudo, esses espaços foram incorporados às cidades, bem como novos conjuntos foram inaugurados nas periferias. Os cemitérios são um risco potencial para o ambiente. Cada corpo libera em torno de 30 a 40 litros de necrochorume, uma substância que pode contaminar o solo e a água com quantidades elevadas de bactérias e vírus, causadores de doenças. (Adriano Liziero. “Cemitérios: risco potencial para o ambiente”. https://geografiavisual.com.br, 11.02.2019. Adaptado.) Embora indesejável por questões ambientais e sanitárias, a incorporação de cemitérios às cidades exemplifica

A o processo de adensamento urbano, estimulado pelo aumento populacional nas cidades.
B a estratégia de especulação imobiliária, que capitaliza sobre a refuncionalização desses espaços.
C a cisão sociedade-natureza, que demonstra o desconhecimento das pessoas sobre os espaços que habitam.
D o desrespeito às áreas de preservação permanente, percebido na ocupação urbana contígua aos cemitérios.
E o avanço do saneamento básico, que habilita a ocupação urbana em áreas anteriormente inóspitas.

No início do século XXI, a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, visando regular a transferência, a manipulação e o uso seguro de organismos vivos modificados, propôs o

A Tratado de Paris, que determina medidas de recuperação em casos de desastres ambientais.
B Tratado de Roma, que regula os direitos de propriedade sobre os organismos comercializados.
C Protocolo de Cartagena, que busca evitar a contaminação do meio ambiente e dos seres humanos.
D Protocolo de Montreal, que orienta as pesquisas biotecnológicas em suas questões éticas.
E Protocolo de Quioto, que objetiva qualificar a mão de obra responsável pelo cultivo dos transgênicos.

Iniciada há quase dois anos, a renegociação resultou em um novo acordo comercial, o chamado United States-Mexico- -Canada Agreement (USMCA). A revisão do antigo bloco econômico, um acordo trilateral de livre-comércio que remonta aos anos 1990, era um dos principais pontos da campanha presidencial de Donald Trump, que prometia recompor postos de trabalho exportados para o México, além de buscar reverter o recorrente e significativo déficit comercial com o parceiro do sul. (www.opeu.org.br, 17.04.2019. Adaptado.) O USMCA caracteriza um novo bloco econômico que substitui

A a ALADI, Associação Latino-Americana de Integração.
B a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
C a ALCA, Área de Livre Comércio das Américas.
D o MERCOSUL, Mercado Comum do Sul.
E o NAFTA, Tratado Norte-Americano de Livre Comércio.
Texto associado
Leia o poema de Paulo Henriques Britto para responder à questão. Nada nas mãos nem na cabeça, nada no estômago além da sensação vazia de haver ultrapassado toda sensação. É em estado assim que se descobre a verdade, que se cometem os grandes crimes, os gestos mais sublimes, ou então não se faz nada. É como as cobras. As mais silenciosas, de corpo mais esguio, de cor esmaecida, destilam o veneno mais perfeito. Assim também os poemas. Os mais contidos e lisos, os que menos coisa dizem, destilam o veneno mais perfeito. (Mínima lírica, 2013.)

No trecho “que se descobre a verdade, / que se cometem os grandes crimes, os gestos / mais sublimes”, o eu lírico enumera

A fatos impensáveis que causam o estado de vazio descrito na primeira estrofe.
B ações inconscientes que resultam do estado de vazio descrito na primeira estrofe.
C processos raros que precedem o estado de vazio descrito na primeira estrofe.
D acontecimentos catastróficos que sucedem o estado de vazio descrito na primeira estrofe.
E eventos extremos que ocorrem durante o estado de vazio descrito na primeira estrofe.
Texto associado
Leia o poema de Paulo Henriques Britto para responder à questão. Nada nas mãos nem na cabeça, nada no estômago além da sensação vazia de haver ultrapassado toda sensação. É em estado assim que se descobre a verdade, que se cometem os grandes crimes, os gestos mais sublimes, ou então não se faz nada. É como as cobras. As mais silenciosas, de corpo mais esguio, de cor esmaecida, destilam o veneno mais perfeito. Assim também os poemas. Os mais contidos e lisos, os que menos coisa dizem, destilam o veneno mais perfeito. (Mínima lírica, 2013.)

Segundo as duas últimas estrofes,

A o valor de um poema é medido pelos efeitos negativos que produz.
B os melhores poemas são mais produto de inspiração do que de trabalho.
C a poesia é a arte de transformar algo discreto em algo significativo.
D os poemas mais inofensivos são os que parecem mais perigosos.
E os poemas mais discretos produzem os efeitos mais contundentes.
Texto associado
Era uma vez um tempo em que literatura significava sobretudo poesia. O romance era um recém-chegado, próximo demais da biografia ou da crônica para ser genuinamente literário, uma forma popular que não poderia aspirar às altas vocações da poesia lírica e épica. Mas no século XX o romance eclipsou a poesia, tanto como o que os escritores escrevem quanto como o que os leitores leem e, desde os anos 60, a narrativa passou a dominar também a educação literária. As pessoas ainda estudam poesia — muitas vezes isso é exigido — mas os romances e os contos tornaram-se o núcleo do currículo. Isso não é apenas um resultado das preferências de um público leitor de massa, que alegremente escolhe histórias mas raramente lê poemas. As teorias literária e cultural têm afirmado cada vez mais a centralidade cultural da narrativa. As histórias, diz o argumento, são a principal maneira pela qual entendemos as coisas, quer ao pensar em nossas vidas como uma progressão que conduz a algum lugar, quer ao dizer a nós mesmos o que está acontecendo no mundo. A explicação científica busca o sentido das coisas colocando-as sob leis — sempre que a e b prevalecerem, ocorrerá c — mas a vida geralmente não é assim. Ela segue não uma lógica científica de causa e efeito mas a lógica da história, em que entender significa conceber como uma coisa leva a outra, como algo poderia ter sucedido: como Maggie acabou vendendo software em Cingapura, como o pai de Jorge veio a lhe dar um carro. (Teoria literária: uma introdução, 1999.)

Um dos motivos apontados pelo texto para a prevalência do romance sobre a poesia a partir do século XX é:

A a poesia foi abolida do currículo obrigatório das escolas, o que fez com que se tornasse menos acessível aos leitores.
B os leitores, que querem soluções práticas para seus problemas, preferem textos não ficcionais.
C a valorização da ciência pela sociedade fez com que a poesia perdesse o sentido de realidade que teve em outros tempos.
D a biografia e a crônica tornaram-se gêneros frequentes no dia a dia, o que fez com que o romance, um gênero semelhante, fosse mais acessível.
E o relato narrativo, que explica como determinados fatos aconteceram, produz mais sentidos ao leitor do que as leis científicas.
Texto associado
Era uma vez um tempo em que literatura significava sobretudo poesia. O romance era um recém-chegado, próximo demais da biografia ou da crônica para ser genuinamente literário, uma forma popular que não poderia aspirar às altas vocações da poesia lírica e épica. Mas no século XX o romance eclipsou a poesia, tanto como o que os escritores escrevem quanto como o que os leitores leem e, desde os anos 60, a narrativa passou a dominar também a educação literária. As pessoas ainda estudam poesia — muitas vezes isso é exigido — mas os romances e os contos tornaram-se o núcleo do currículo. Isso não é apenas um resultado das preferências de um público leitor de massa, que alegremente escolhe histórias mas raramente lê poemas. As teorias literária e cultural têm afirmado cada vez mais a centralidade cultural da narrativa. As histórias, diz o argumento, são a principal maneira pela qual entendemos as coisas, quer ao pensar em nossas vidas como uma progressão que conduz a algum lugar, quer ao dizer a nós mesmos o que está acontecendo no mundo. A explicação científica busca o sentido das coisas colocando-as sob leis — sempre que a e b prevalecerem, ocorrerá c — mas a vida geralmente não é assim. Ela segue não uma lógica científica de causa e efeito mas a lógica da história, em que entender significa conceber como uma coisa leva a outra, como algo poderia ter sucedido: como Maggie acabou vendendo software em Cingapura, como o pai de Jorge veio a lhe dar um carro. (Teoria literária: uma introdução, 1999.)

Advérbio é uma palavra invariável que pode modificar o sentido de um verbo, de um adjetivo, de outro advérbio ou de uma oração inteira. Um advérbio que modifica o sentido de um adjetivo ocorre em:

A “literatura significava sobretudo poesia” (1º parágrafo)
B “As teorias literária e cultural têm afirmado cada vez mais a centralidade cultural da narrativa” (2ºparágrafo)
C “sempre que a e b prevalecerem, ocorrerá c” (2º parágrafo)
D “um público leitor de massa, que alegremente escolhe histórias” (2º parágrafo)
E “próximo demais da biografia ou da crônica para ser genuinamente literário” (1º parágrafo)
Texto associado
Leia o trecho de Galvez, Imperador do Acre, de Márcio Souza, para responder à questão: Juno e Flora e outras divindades mitológicas O cabaré não primava pela decoração, mas o ambiente era simples e acolhedor. Era bem conceituado pelos anos de serviços prestados. Uma sala pequena cheia de sofás, algumas mesas redondas de mármore encardido. Meia penumbra. Fomos sentar numa mesa perto da orquestra. A casa começava a esvaziar e estavam apenas os clientes mais renitentes. Duas meninas dançavam um can-can desajeitado e deviam ser paraenses. As duas meninas suavam sem parar. Fomos atendidos por Dona Flora, gorda e oxigenada proprietária que bem poderia ser a deusa Juno. Recebemos as vênias de sempre e Trucco pediu uísque. A música já estava com o andamento de fim de festa e o garçom veio servir nossas bebidas. Trucco perguntou se Lili ainda iria apresentar-se e o garçom respondeu que o número dela era sempre à meia-noite. Havia um ar de familiaridade, e duas polacas vieram sentar em nossa mesa. Afastei a cadeira para elas sentarem e notei que eram bem velhas e machucadas. Decidi dar uma observada no ambiente enquanto Trucco trocava gentilezas com as duas cocottes 1 . (Galvez, Imperador do Acre , 1977.) 1 cocotte: mulher jovem e atraente.

O romance Galvez, Imperador do Acre

A idealiza o passado da conquista do espaço amazônico.
B desmistifica as aventuras e os aventureiros da Amazônia.
C faz uma reconstituição objetiva do passado histórico da Amazônia.
D retrata os aventureiros amazônicos como homens especiais, desinteressados da vida mundana.
E constrói um mito fundador para o povo amazônico, apoiado na miscigenação de brancos e índios.
Texto associado
Leia o trecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector, para responder à questão De dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente1 , embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio. E assim se passava o tempo para a moça esta. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela. E só eu é que posso dizer assim: “que é que você me pede chorando que eu não lhe dê cantando”? Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era. Antes de nascer ela era uma ideia? Antes de nascer ela era morta? E depois de nascer ela ia morrer? Mas que fina talhada de melancia. (A hora da estrela, 1998.) 1 iridescente: colorido como o arco-íris.

No fim do primeiro parágrafo, a expressão “café frio” é equivalente a

A simples.
B desagradável.
C desinteressante.
D superficial.
E pobre.
Texto associado
Leia o trecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector, para responder à questão De dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente1 , embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio. E assim se passava o tempo para a moça esta. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela. E só eu é que posso dizer assim: “que é que você me pede chorando que eu não lhe dê cantando”? Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era. Antes de nascer ela era uma ideia? Antes de nascer ela era morta? E depois de nascer ela ia morrer? Mas que fina talhada de melancia. (A hora da estrela, 1998.) 1 iridescente: colorido como o arco-íris.

No segundo parágrafo, a referência a um cachorro serve para afirmar que a personagem tinha

A dificuldades em se comunicar.
B pouca experiência na vida.
C pouca educação formal.
D dificuldades com temas complexos.
E pouca consciência de si mesma.