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Texto associado
Texto I

Banhos de mar

Meu pai acreditava que todos os anos se devia
fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão fe-
liz quanto naquelas temporadas de banhos em Olin-
da, Recife.
5 Meu pai também acreditava que o banho de mar
salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como ex-
plicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair
de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que
nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
10 De noite eu ia dormir, mas o coração se manti-
nha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu
acordava às quatro e pouco da madrugada e desper-
tava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa
e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que
15 assim devia ser: em jejum.
Saímos para uma rua toda escura, recebendo
a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.
Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se apro-
ximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e
minha felicidade começava. Atravessar a cidade es
cura me dava algo que jamais tive de novo. No bon
de mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz
trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o
mundo.
25 Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a
passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe,
um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de
deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras
da minha família, que de vez em quando me dizia
30 rindo: “Olhe, um porco de verdade.”
Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem
diária me tornava uma criança completa de alegria. E
me serviu como promessa de felicidade para o futu-
ro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me
35 agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa
ilha encantada que era a viagem diária.
LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo . São Paulo: Rocco,
1999, p. 175. Adaptado

Do trecho do Texto I “Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar” (l. 1-2), a única reescritura que emprega adequadamente os sinais de pontuação e não altera seu sentido original é:

A Meu pai acreditava que, todos os anos, se devia fazer uma cura de banhos de mar.
B Meu pai acreditava, que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar.
C Meu pai acreditava que todos os anos, se devia fazer uma cura de banhos de mar.
D Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer, uma cura de banhos de mar.
E Meu pai, acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar.
Texto associado
Texto II

Festival reúne caravelas em barcos

Dizem que o passado não volta, mas a cada
cinco anos boa parte da história marítima da Euro-
pa se reúne para navegar junto entre o Mar do Norte
e o canal de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor
5 do século passado se juntam a veleiros e lanchas
contemporâneas que vêm de vários países para um
dos maiores encontros náuticos gratuitos do mundo.
Durante o Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de
agosto, cerca de 600 embarcações celebram a arte
10 de deslizar sobre as águas.
Desde 1975 o grande encontro aquático junta
apaixonados pelo mar e curiosos às margens dos ca-
nais para ver barcos históricos e gente fazendo festa
ao longo de cinco dias – na última edição, o público
15 estimado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de
vela e de remo para adultos e crianças, além de atra-
ções musicais. [...]
Você pode até achar que é coisa de criança, mas
o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula
20 as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido
para todas as idades.
MORTARA, F. O Estado de S. Paulo , São Paulo, 4 ago. 2015,
Caderno D, p. 10. Adaptado.

Considere o parágrafo final do Texto II: “Você pode até achar que é coisa de criança, mas o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido para todas as idades.” (l. 18-21)

Se essa frase, mantendo-se o sentido original, for construída substituindo-se a conjunção mas por uma forma equivalente subordinativa, o resultado adequado será:

A Você pode até achar que é coisa de criança, porém o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido para todas as idades.
B Embora você possa até achar que é coisa de criança, o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido para todas as idades.
C Talvez você até ache que é coisa de criança, pois o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido para todas as idades.
D Admitamos que você até ache que é coisa de criança o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio, algo instrutivo e divertido para todas as idades.
E Caso até você ache que é coisa de criança o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula as tarefas a bordo de um navio, garanto ser instrutivo e divertido para todas as idades.

No contexto da Contabilidade Pública, a Unidade Contábil que representa a soma ou agregação do patrimônio de duas ou mais Unidades Contábeis Descentralizadas é classificada como

A centralizada
B consolidada
C controlada
D originária
E unificada

Em relação à actinomicose, considere as seguintes afirmativas:

I - A actinomicose é causada por um fungo, o actnomyces .
II - A actinomicose é causada por uma bactéria anaeróbica gram negativa.
III - A actinomicose é uma doença crônica com frequente envolvimento do aparelho respiratório.

É correta a afirmativa

A I, apenas
B II, apenas
C I e II, apenas
D II e III, apenas
E I, II e III
Texto associado
O suor e a lágrima

Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.

CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.

No trecho “No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão” ( ℓ . 2-3), a palavra destacada contribui para

A especificar o tipo de jornal referido.
B marcar o momento da publicação dos jornais.
C relativizar a função dos jornais.
D impessoalizar os jornais, pois qualquer um daria a notícia.
E tornar ambíguo o sentido do vocábulo “jornais”.

A convivência de pessoas de diferentes religiões é uma característica da diversidade cultural da realidade brasileira.

Em respeito a isso, o psicólogo deve sustentar diante da equipe multidisciplinar e dos usuários do serviço hospitalar que

A a qualidade e a eficácia dos serviços prestados são independentes da consideração de questões pertinentes à relação do paciente com a espiritualidade.
B a naturalização do funcionamento do organismo, ao promover a impessoalidade, facilita lidar com a inevitável intrusão dos cuidados médicos.
C o funcionamento do corpo é laico e que o hospital é um lugar onde esse corpo deve ser tratado de forma técnica e independente das crenças de pacientes e profissionais.
D o respeito ao diferente valor dado à privacidade, à alimentação, à sexualidade e aos rituais em cada fé favorece o restabelecimento da saúde.
E as questões de foro íntimo precisam se manter privadas, uma vez que as rotinas do hospital não poderiam ser adaptadas às peculiaridades de cada credo.

No trecho do Texto II “Mesmo sendo motivos prosaicos ,
isso ainda é ser feliz por muito.” (l. 15-16), a palavra destacada
pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por

A razoáveis
B apropriados
C corriqueiros
D legítimos
E verdadeiros

Em relação às escolas públicas de educação básica e aos seus professores, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), conforme disposto no Decreto no 7.219/2010, estabelece como objetivos, entre outros,

A incentivar a formação de docentes em nível médio para o aperfeiçoamento da educação básica e mobilizar os professores das escolas públicas de educação básica como protagonistas da formação dos futuros docentes.
B promover a formação de docentes em nível de iniciação científica para a melhoria da educação básica e transformar os professores das escolas públicas de educação básica em coformadores dos futuros docentes.
C incentivar a formação de docentes em nível superior para a educação básica e mobilizar os professores das escolas públicas de educação básica como coformadores dos futuros docentes.
D incorporar novos professores ao processo de formação de futuros docentes na condição de auxiliares nos projetos empreendidos pelas instituições de ensino superior.
E possibilitar que professores recém-ingressados nas redes públicas transformem suas práticas pedagógicas tradicionais, na medida em que entram em contato com novas metodologias de ensino.

Um servidor recebe ordens de seu superior hierárquico, de quem discorda frequentemente, por diferença de visão quanto ao planejamento organizacional.

Nos termos da Lei n o 8.112/1990, e suas alterações, o descumprimento de ordem superior só NÃO acarreta quebra de dever funcional quando a ordem

A se revela manifestamente ilegal.
B confronta ideologia pessoal.
C é relacionada a serviço militar.
D provoca animosidade pessoal.
E for justificada por condições excepcionais.