Texto CG1A1-I
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Era o jogo da decisão final do Campeonato Mineiro: Atlético contra América. Torcíamos apaixonadamente pelo América, não só por ser o time de nossa predileção, mas porque meu irmão Gérson ia jogar de goleiro, em substituição ao famoso Princesa, que estava contundido.
Gérson me reservou a primeira surpresa: tinha me arranjado um uniforme completo do time do América, para que eu entrasse no campo como mascote.
Só o fato de sair do vestiário em meio aos jogadores de verdade já me enchia de emoção. Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência. Depois os jogadores se espalharam, fazendo exercícios de aquecimento. Fiquei por ali, ciscando entre um e outro, a viver a minha grande emoção.
Mas o meu maior momento de glória ainda estava para chegar.
Aos cinco minutos do término da partida, Jico Leite se choca violentamente com Nariz e rola no chão, contundido.
Pânico nas hostes americanas: todos os reservas já haviam entrado em campo, não sobrara ninguém para substituições. Que fazer? Segundo as regras daquele tempo, time nenhum podia jogar desfalcado.
Gérson vem correndo até o banco dos reservas, fala qualquer coisa ao ouvido do treinador, me apontando, e este se volta para mim, com ar grave:
— Você vai ter de entrar, Fernando.
Não vacilei. Pois, se o América precisava de mim, contassem comigo.
E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.
Chafir fez a cobrança da lateral, dando de presente para Negrão, que, sem perda de tempo, acionou Bezerra. Quando eu, estrategicamente colocado no setor direito, já pensava que não daria tempo sequer de intervir numa só jogada, eis que Bezerra faz com que a bola venha rolando até mim.
Depois de dominá-la, driblei Nariz e tabelei com meu companheiro. Este passou ao Jorivê, enquanto eu me deslocava para recebê-la de volta. Então disparei num pique, sob o delírio da assistência, e lá fui eu com minhas perninhas curtas, driblei um, outro, deixei para trás a defesa adversária. Kafunga abria os braços gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola. Fiz que chutava, como se fosse encobri-lo, ele pulou. Então passei com bola e tudo por entre as pernas dele e marquei o gol da vitória.
Foi aquela ovação, a torcida delirava. Logo em seguida soou o apito final, e meus companheiros de equipe correram para me abraçar e carregar em triunfo.
Fernando Sabino. O menino no espelho. Rio de Janeiro: Record, 1991 (com adaptações).
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Com relação às ideias e aos sentidos do texto CG1A1-I, julgue os itens a seguir.
Texto associado
Cada um dos itens a seguir apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada, com relação a raciocínio lógico.
Em um tabuleiro que possui quatro linhas e cinco colunas, serão distribuídas vinte fichas, numeradas de 1 a 20. Nessa situação, é possível distribuir as fichas no tabuleiro de maneira que a soma dos números das fichas em cada uma das linhas seja sempre a mesma.
Texto associado
A respeito de contratações públicas relacionadas à engenharia, julgue os itens seguintes.
Considere que o contrato referente a determinada reforma tenha sido assinado inicialmente com o valor de R$ 100 mil e que, no primeiro aditivo contratual, tenham sido suprimidos R$ 20 mil bem como acrescido o mesmo valor em outros serviços. Nessa situação hipotética, a empresa ainda está obrigada a aceitar eventual segundo aditivo de supressão de R$ 50 mil, de acordo com os limites percentuais definidos pela legislação para reformas.
Texto associado
1 ____ Reconhecer o status de mulheres brancas e homens
negros como oscilante nos possibilita enxergar as
especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da
4 realidade das mulheres negras. Por exemplo, ainda é muito
comum a gente ouvir a seguinte afirmação: “mulheres ganham
30% a menos do que homens brancos no Brasil”, quando a
7 discussão é desigualdade salarial. Essa afirmação está
incorreta? Logicamente não; mas do ponto de vista ético, sim.
Explico: mulheres brancas ganham 30% a menos do que
10 homens brancos no Brasil. Homens negros ganham menos do
que mulheres brancas, e mulheres negras ganham menos do que
todos. Segundo pesquisa desenvolvida pelo Ministério do
13 Trabalho e Previdência Social em parceria com o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 39,6% das mulheres
negras estão inseridas em relações precárias de trabalho,
16 seguidas pelos homens negros (31,6%), por mulheres brancas
(26,9%) e por homens brancos (20,6%). Ainda segundo a
pesquisa, mulheres negras representam o maior contingente de
19 pessoas desempregadas e no trabalho doméstico. Quando
muitas vezes é apresentada a importância de se pensarem
políticas públicas para as mulheres, comumente se ouve que as
22 políticas devem ser para todos. Mas quem são esse “todos”, ou
quantos cabem nesse “todos”?
Djamila Ribeiro. O que é lugar de fala? Belo Horizonte:
Letramento; Justificando, 2017 (com adaptações).
Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.
negros como oscilante nos possibilita enxergar as
especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da
4 realidade das mulheres negras. Por exemplo, ainda é muito
comum a gente ouvir a seguinte afirmação: “mulheres ganham
30% a menos do que homens brancos no Brasil”, quando a
7 discussão é desigualdade salarial. Essa afirmação está
incorreta? Logicamente não; mas do ponto de vista ético, sim.
Explico: mulheres brancas ganham 30% a menos do que
10 homens brancos no Brasil. Homens negros ganham menos do
que mulheres brancas, e mulheres negras ganham menos do que
todos. Segundo pesquisa desenvolvida pelo Ministério do
13 Trabalho e Previdência Social em parceria com o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 39,6% das mulheres
negras estão inseridas em relações precárias de trabalho,
16 seguidas pelos homens negros (31,6%), por mulheres brancas
(26,9%) e por homens brancos (20,6%). Ainda segundo a
pesquisa, mulheres negras representam o maior contingente de
19 pessoas desempregadas e no trabalho doméstico. Quando
muitas vezes é apresentada a importância de se pensarem
políticas públicas para as mulheres, comumente se ouve que as
22 políticas devem ser para todos. Mas quem são esse “todos”, ou
quantos cabem nesse “todos”?
Djamila Ribeiro. O que é lugar de fala? Belo Horizonte:
Letramento; Justificando, 2017 (com adaptações).
Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.
O termo “comum” (l.5) concorda sintaticamente com “afirmação” (l.5), de modo a qualificar como corriqueira a ideia de que ‘mulheres ganham 30% a menos do que homens brancos no Brasil’ (l. 5 e 6).
Texto associado
Texto 14A1-I
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo, a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários) daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante, isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua; a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de conceitos científicos.
Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para
fazer ciência) . In : Ciência Hoje , 1994 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto 14A1-I, julgue os itens a seguir.
As línguas são, de certo ponto de vista, totalmente equivalentes quanto ao que podem expressar, e o fazem com igual facilidade (embora lançando mão de recursos bem diferentes). Entretanto, dois fatores dificultam a aplicação de algumas línguas a certos assuntos: um, objetivo, a deficiência de vocabulário; outro, subjetivo, a existência de preconceitos.
É preciso saber distinguir claramente os méritos de uma língua dos méritos (culturais, científicos ou literários) daquilo que ela serve para expressar. Por exemplo, se a literatura francesa é particularmente importante, isso não quer dizer que a língua francesa seja superior às outras línguas para a expressão literária. O desenvolvimento de uma literatura é decorrência de fatores históricos independentes da estrutura da língua; a qualidade da literatura francesa diz algo dos méritos da cultura dos povos de língua francesa, não de uma imaginária vantagem literária de se utilizar o francês como veículo de expressão. Victor Hugo poderia ter sido tão importante quanto foi mesmo se falasse outra língua — desde que pertencesse a uma cultura equivalente, em grau de adiantamento, riqueza de tradição intelectual etc., à cultura francesa de seu tempo.
Igualmente, sabe-se que a maior fonte de trabalhos científicos da contemporaneidade são as instituições e os pesquisadores norte-americanos; isso fez do inglês a língua científica internacional. Todavia, se os fatores históricos que produziram a supremacia científica norte-americana se tivessem verificado, por exemplo, na Holanda, o holandês nos estaria servindo exatamente tão bem quanto o inglês o faz agora. Não há no inglês traços estruturais intrínsecos que o façam superior ao holandês como língua adequada à expressão de conceitos científicos.
Não se conhece caso em que o desenvolvimento da superioridade literária ou científica de um povo possa ser claramente atribuído à qualidade da língua desse povo. Ao contrário, as grandes literaturas e os grandes movimentos científicos surgem nas grandes nações (as mais ricas, as mais livres de restrições ao pensamento e também — ai de nós! — as mais poderosas política e militarmente). O desenvolvimento dos diversos aspectos materiais e culturais de uma nação se dá mais ou menos harmoniosamente; a ciência e a arte são também produtos da riqueza e da estabilidade de uma sociedade.
O maior perigo que correm as línguas, hoje em dia, é o de não desenvolverem vocabulário técnico e científico suficiente para acompanhar a corrida tecnológica. Se a defasagem chegar a ser muito grande, os próprios falantes acabarão optando por utilizar uma língua estrangeira ao tratarem de assuntos científicos e técnicos.
Mário A. Perini. O rock português (a melhor língua para
fazer ciência) . In : Ciência Hoje , 1994 (com adaptações).
Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto 14A1-I, julgue os itens a seguir.
No primeiro período do primeiro parágrafo, o termo “bem” intensifica o sentido do termo “diferentes”.
Texto associado
Julgue os itens subsequentes, com base na Lei de Regulamentação da Profissão de Assistente Social.
A designação de serviço social é privativa dos habilitados na forma da legislação vigente.
Texto associado
Acerca da teoria da pena, julgue os itens que se seguem.
O acórdão confirmatório da condenação interrompe a prescrição.
De acordo com o ordenamento jurídico pátrio, a transferência de ativos que pertencem ao patrimônio próprio de pessoa natural para pessoa jurídica da qual o alienante é sócio majoritário, sem que haja qualquer contraprestação por parte da sociedade empresária, caracteriza
Texto associado
A respeito das políticas públicas em saúde, julgue os itens subsequentes.