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Pessoas são caminhos 01 Hoje eu sei. Hoje eu entendo perfeitamente que pessoas são caminhos. Que todas nos levam 02 a algum lugar. Eu, você, o outro, cada um de nós é um caminho diferente. 03 Hoje eu sei que é muito importante saber escolher os caminhos pelos quais andamos. Que é 04 muito importante prestar atenção para onde estamos indo e ler todas as placas que avisam onde 05 cada caminho vai dar. As placas são importantes, mas quase sempre temos a estranha mania de 06 duvidar daquilo que parece óbvio. 07 Hoje eu sei, mas eu não imaginava que tem gente que é caminho que não dá em lugar algum. 08 Que tem gente que é tempo perdido. Que há quem nos faça caminhar e caminhar para nada. Daí 09 a gente tem que voltar e, de novo, escolher. Dessa vez, com sabedoria. 10 Tem caminho curto. Tem caminho que não tem fim. Tem caminho labirinto. Tem caminho que 11 é de isopor. Tipo aquele cenário que parece lindo, mas é falso e vazio. 12 Ah! Também há o contrário, felizmente. Tem gente que é jardim florido e perfumado. Tem 13 gente que é café da tarde no interior. Tem gente que é mar quentinho e sem onda. Tem gente 14 que é caminho macio e rede mansa. Tem gente que é luz e reparação. Hoje eu sei. 15 Tudo isso está lá, bem no começo. Não existe armação. Todo caminho sempre se anuncia 16 antes mesmo de começar. A gente só precisa prestar atenção e ler com cuidado. A gente só 17 precisa saber o que quer. Para quem não sabe o que quer qualquer caminho serve. Lembra? 18 Eu tenho comigo que meu próximo caminho será um repleto de pinheiros, daqueles que 19 aparecem em filmes. Que o som deles ao vento vai ser sinfonia para meus ouvidos. O meu novo 20 caminho vai ter uma floresta linda e eu vou pegar ___ pinhas do chão e fazer guirlandas de Natal 21 com elas para lembrar que sempre haverá coisas boas para celebrar. 22 Hoje eu sei o caminho que procuro. No meu caminho de pinheiros vou tirar meus calçados e 23 caminhar sentindo uma maciez delicada sob meus pés. Quero nele um chão de folhas verdes 24 farfalhando como se a vida tivesse preparado para mim um colchão amaciado de boas 25 expectativas. 26 Quero no meu próximo caminho um cheiro adossicado de livre dignidade, chuva gostosa e 27 brisa mansa que me leve até um abrigo com lareira acesa e mesa farta. Eu vou me permitir 28 então, sem culpas, o deleite de pernas esticadas e pés dentro de escalda-pés. 29 Nesse meu caminho eu serei o caminho de quem me souber amar e vou deixar que o amor 30 passeie feliz por mim. Quero que aquele que decida se enveredar por mim sinta-se seguro e feliz. 31 Que eu possa levá-lo ao encontro dos seus mais profundos anseios, ______ a gente tem que 32 saber ser caminho também. 33 Hoje eu sei, eu aprendi a ver. Eu caminhei bastante até entender. Sou grata pelo passado, 34 mas não vou negar ao meu futuro escolhas melhores e a possibilidade real de viver tudo aquilo 35 que a minha vontade alcançar. Hoje eu sei o que quero. Hoje eu venho te contar sobre os meus 36 caminhos para que você entenda que é muito importante escolher os seus com sabedoria. Que é 37 muito importante também ser um caminho bom para alguém. (Texto especialmente adaptado para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/pessoas-saocaminhos/. Acesso em 16 nov. 2018.)

Quais opções indicadas a seguir preenchem corretamente as lacunas situadas nas linhas 20 e 31 do texto?

A as – porque
B às – porque
C as – por que
D às – porquê
E há – por que
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Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. “Natal na Barca”, de Lygia Fagundes Telles 01 Depois de pensar em livros para ler nos dias de sol, “inundados de sol”, do verão, comecei 02 a pensar em livros de Natal. Não em livros para dar de presente no Natal — quase todos servem 03 para isso —, mas em livros em que o Natal apareça, ainda que só nos fundos, ou que se passem 04 em dezembro. Há os clássicos natalinos, como Um conto de Natal, de Charles Dickens, e "O 05 presente dos magos", aquele conto tristíssimo de O. Henry em que um casal paupérrimo se 06 sacrifica para comprar um presente de Natal um para o outro. Lembrei-me também de O 07 apanhador no campo de centeio, que se passa todo poucos dias antes do Natal; e de Madame 08 Bovary, porque Emma e Charles casam perto do Natal, quando a província francesa fica branca de 09 neve. Pois é, todos esses são livros sobre o Natal nevado... E o chuvoso e abafado Natal dos 10 trópicos, cadê? Vieram-me ___ memória dois contos de Lygia Fagundes Telles que li na escola: 11 “Natal na barca” e “Dezembro no bairro”. Não me lembrava dos enredos, mas presumi que 12 "Dezembro no bairro" era um conto natalino porque tudo em dezembro tem a ver com Natal. 13 Lembrei-me dos contos porque, outro dia, passei um tempo considerável namorando a 14 caprichosa antologia de Lygia que a Companhia das Letras acaba de publicar: Os contos. O livro 15 ainda traz algumas fotos de Lygia, sem dúvida uma das escritoras mais bonitas que a literatura já 16 conheceu: Lygia sorrindo, Lygia lendo, Lygia de perfil, Lygia com Hilda Hilst, Lygia encarando a 17 câmera. Numa das fotos, Lygia aparece caminhando num lugar bucólico ao lado de seu marido, o 18 crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes. Lygia encara ___ câmera; Paulo Emílio olha para ela 19 e parece sorrir. Na internet há mais fotos dos dois juntos. Lygia e Paulo Emílio no túmulo de Marx. 20 Ela sorri para a câmera; ele sorri para ela. Em outra foto, Lygia descansa a cabeça no ombro de 21 Paulo Emílio e olha para a câmera. Paulo Emílio olha para ela. E sorri, meio bobo. Enfim, vamos 22 aos contos.... Afinal este pretende ser um texto sobre contos de Natal e não sobre a beleza 23 hipnótica de Lygia Fagundes Telles. 24 “Natal na barca” é narrado por uma mulher. Decerto uma mulher elegante, como Lygia. A 25 narradora fuma (o conto é de 1958) e carrega uma pasta (de advogada?). No posfácio de Os 26 contos, a crítica literária Walnice Nogueira Galvão afirma que “ler Lygia Fagundes Telles sem 27 visualizar uma mulher é difícil” e arrisca até uma descrição dessa narradora de “Natal na barca”: 28 "Uma persona discreta, reticente e reservada, semelhante ___quela que escreve. Com o corte 29 pajem, adequado a seu cabelo liso, sem enfeites nem artifícios, blazers de linha clássica, camisas 30 claras, saias de cor cinza. Essa é a narradora que visualizamos ao ler sua ficção". No conto, a 31 narradora elegante faz uma viagem de barca, na noite de Natal, na companhia de um bêbado e 32 de uma professora pobre com um filho doente nos braços (uma imagem da Virgem Maria com seu 33 bebê divino?). 34 A narradora não quer falar com ninguém, não quer envolver-se nos "tais laços humanos", 35 mas acaba conversando com a jovem mãe, que precisa levar seu filho ao médico. A mãe conta 36 que, um ano antes, perdera seu filho mais velho, de 4 anos, e fora abandonada pelo marido, mas 37 matinha a fé: "Deus nunca me abandonou". A fé da mãe pobre desconcerta a narradora 38 requintada, que talvez depositasse sua confiança na solidez de pastas elegantes e cigarros. Ao se 39 aproximar para ver o bebê, ela o percebe imóvel e é tomada pela certeza desesperadora de que 40 estava morto e a mãe percebera. Será que sua fé simples a salvaria agora? O conto termina meio 41 ambíguo. Outra vez, o leitor (e a narradora) não sabe direito o que aconteceu. Um milagre de 42 Natal, talvez? 43 Além do Natal, esse conto apresenta o suspense, a ambiguidade. O leitor termina sem 44 saber direito o que aconteceu. Acontece mesmo um milagre em "Natal na barca" ou a narradora 45 elegante só se confundiu? O leitor chega ao fim do conto sem saber direito como chegou lá. 46 Parece que faltou alguma informação, que ele perdeu alguma coisa, que não reparou no que 47 acontecia nos fundos do conto, nas entrelinhas. A narrativa elegante e furtiva de Lygia hipnotiza o 48 leitor, prende-lhe ___ atenção com os detalhes, afasta as perguntas curiosas e o conduz até uma 49 conclusão inconclusiva, que perturba e faz pensar. "Quando foi que a narrativa tomou o rumo que 50 tomou? Será que eu me distraí?", pensa o leitor. Talvez aí ele entenda por que Paulo Emílio não 51 conseguia tirar seus olhos sorridentes de Lygia. (Ruan de Sousa Gabriel. 12/12/2018. Disponível em https://epoca.globo.com. Adaptado)

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 10, 18, 28 e 48.

A à – a – à – a
B à – à – a – a
C à – a – a – a
D a – à – à – à
E a – a – à – à
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Excesso de ordem ou de caos não nos faz bem 01 Existe uma obra do século VIII a.C atribuída ao poeta grego Hesíodo chamada Teogonia, na 02 qual ele conta sobre a origem dos deuses, e, segundo a obra, o primeiro deus a surgir foi Caos e 03 a partir dele surge Dia e Noite, daí tudo vai se desenrolando. É uma obra magnífica! Recomendo 04 a todos essa leitura. Em outras palavras, caos e ordem sempre existiram desde o início dos 05 tempos. É impossível haver só ordem ou só caos, os dois estão sempre interconectados. 06 Excesso de ordem ou excesso de caos representa a morte. Vamos entender melhor isso! O 07 caos é até estudado em Física e vem associado com um conceito interessante de entropia. Quem 08 nunca ouviu __ conhecida frase “tudo tende __ desordem…”? Sendo bem simplista, entropia é 09 essa tendência relacionada às coisas. Dou aulas de Física e sempre me utilizo de um exemplo 10 superdidático para explicar isso. Se você espatifa um ovo no chão, esse ovo jamais voltará a ser 11 bonitinho e oval como era. A única maneira de ele voltar a ser como era é você filmar a queda e 12 colocar o vídeo da filmagem rodando de trás pra frente, assim você vê aquela clássica cena de 13 filme na qual um ovo se reconstitui. Mas na mesma hora você pensa: “ah! O vídeo está rodando 14 de trás pra frente…”. Não é bacana isso? 15 O caos ou desordem está ligado a tudo que tem movimento. Já a ordem total ou absoluta está 16 ligada __ ausência de movimento. E a total ausência de movimento é a morte. Inclusive o 17 conceito filosófico de morte é bem mais amplo do que o biológico ou o conceito religioso. 18 É legal levar para a nossa vida prática. Quando uma casa está arrumada demais, essa é a 19 prova concreta de que não existe movimento dentro dela. Inclusive até psicólogos e terapeutas 20 utilizam uma frase que virou clichê hoje em dia: “uma casa muito arrumada é uma casa triste”. 21 Ou seja, um pouquinho de desordem faz bem, é sinal de que há vida, há movimento na casa. 22 Outro exemplo é nosso próprio corpo. Se ele ficar parado demais é como se estivéssemos 23 mortos. Inclusive diversas doenças surgem por conta do sedentarismo. Veja que interessante! 24 Uma das mais comuns qual é: pressão alta. Ela vem de quê? Quase sempre das artérias e veias 25 que ficam entupidas por causa da gordura que se acumula. Essa gordura impede o quê? O 26 sangue de circular. E o que o sangue representa? Vida e movimento! Essa é a metafísica da 27 saúde, que estou explicando a você da forma mais simples que eu posso transmitir! 28 Esse assunto é riquíssimo, está na Física, na Filosofia, na Psicologia, na Medicina, na Arte, na 29 natureza, nos ambientes, está até mesmo nos relacionamentos! Perceba! O que acontece quando 30 um relacionamento é harmônico demais, o casal parece que é perfeito, que nunca briga, que 31nunca discute, que nunca há discordâncias, etc? É um relacionamento de fachada! Todo bom 32 relacionamento tem lá a sua pitada de caos. Eu até me atrevo a dizer que essa pitada de caos é 33 um tempero especial nos relacionamentos! 34 Enfim, o resumo de tudo que quero dizer nesse texto é: ordem e caos são importantes, mas 35 devem estar juntos e jamais em excesso, pois o excesso dos dois representa a morte! Vou deixar 36 essa viagem filosófica por aqui. O que coloquei aqui foi apenas um grãozinho de areia na 37 imensidão desse tema… Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/excesso-de-ordem-ou-de-caos-nao-nos-faz-bem/. Acesso em 11 dez. 2018.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 08 (duas ocorrências) e 16.

A a – a – à
B a – à – a
C a – à – à
D à – à – a
E à – a – a

Assinale a frase correta quanto à acentuação gráfica e à indicação de crase

A Os críticos não deram a mínima importância aquela obra recem-lançada.
B A tendência universalizante do Romantismo contrapõe-se, sem dúvida, à tendência individualista e egocêntrica já observada.
C De norte à sul, em frente as bancas dos jornais, pessoas paravam para inteirar-se da horrível derrota atribuida ao mau desempenho da equipe de vôlei.
D Deram-me um sôco na boca do estômago e, depois de atirarem farinha a boca, me embriagaram com eter.
E Essa explicação é idêntica a anterior à essa que eu inclui no relatório enviado a superintendência.
Texto associado
Atenção: Leia a crônica a seguir para responder a questão. O substituto da vida Quando meu instrumento de trabalho era a máquina de escrever, eu me sentava a ela, punha uma folha de papel no rolo, escrevia o que tinha de escrever, tirava o papel, lia o que escrevera, fazia eventuais emendas e, se fosse o caso, batia o texto a limpo. Relia-o para ver se era aquilo mesmo, fechava a máquina, entregava a matéria e ia à vida. Se trabalhasse num jornal, isso incluiria discutir futebol com o pessoal da editoria de esporte, paquerar a diagramadora do caderno de turismo, ir à esquina comer um pastel. Se estivesse numa das fases de trabalhar em casa, ao terminar de escrever eu fechava a máquina e abria um livro, escutava um disco, dava um pulo rapidinho à praia. Só reabria a máquina no dia seguinte. Hoje, diante do computador, termino de produzir um texto, vou à lista de mensagens para saber quem me escreveu, deleto mensagens inúteis, respondo às que precisam de resposta, eu próprio mando mensagens inúteis, entro em jornais e revistas on-line. Quando me dou conta, já é noite lá fora e não saí da frente da tela. Com o smartphone seria pior ainda. Ele substituiu a caneta, o bloco, a agenda, o telefone, a banca de jornais, a máquina fotográfica, o álbum de fotos, a câmera de cinema, o DVD, o correio, a secretária eletrônica, o relógio de pulso, o despertador, o gravador, o rádio, a TV, o CD, a bússola, os mapas, a vida. É por isto que nem chego perto dele – temo que me substitua também. ?(Adaptado de: CASTRO, Ruy. A arte de querer bem . Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2018, p. 67-68)

Quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, a alternativa que apresenta um substituto correto para a expressão sublinhada é:

A Só reabria a máquina ... (2º parágrafo) / voltava à
B ... eu me sentava a ela... (1º parágrafo) / em frente à ela
C Relia-o para ver se era aquilo... (1º parágrafo) / à fim de
D ... paquerar a diagramadora... (2º parágrafo) / flertar com à
E ... entro em jornais e revistas on-line . (3º parágrafo) / faço consultas à
Texto associado
1. A ideia do triunfo da democracia ficou associada à obra de Francis Fukuyama. Em controverso ensaio publicado nos anos 1980, Fukuyama afirmava que o encerramento da Guerra Fria levaria à “universalização da democracia liberal ocidental como forma definitiva de governo humano”. O triunfo da democracia, proclamou numa frase que veio a condensar o otimismo de 1989, marcaria o “fim da história”. 2. Muitos criticaram Fukuyama por sua suposta ingenuidade. Alguns alegavam que a democracia liberal estava longe de ser implementada em larga escala, porquanto muitos países se mostrariam resistentes a essa ideia importada do Ocidente. Outros afirmavam que era cedo para prever que tipo de avanço a engenhosidade humana seria capaz de conceber: talvez a democracia liberal fosse apenas o prelúdio de outras formas de governo, mais justas e esclarecidas. 3. A despeito das críticas sofridas, o pressuposto fundamental de Fukuyama se revelou de enorme influência. A maioria dos cientistas políticos acreditava que a democracia liberal permaneceria inabalável em certos redutos, ainda que o sistema não triunfasse no mundo todo. Na verdade, a maior parte dos cientistas políticos, embora evitando fazer grandes generalizações sobre o fim da história, chegou mais ou menos à mesma conclusão de Fukuyama. 4. Impressionados com a estabilidade das democracias ricas, cientistas políticos começaram a conceber a história do pós-guerra como um processo de consolidação democrática. Para sustentar uma democracia duradoura, o país devia atingir níveis altos de riqueza e educação. Tinha de construir uma sociedade civil forte e assegurar a neutralidade de instituições de Estado fundamentais. Todos esses objetivos frequentemente se revelaram fugidios. Mas a recompensa que acenava no horizonte era tão valiosa quanto perene. A consolidação democrática, segundo essa visão, era uma via de mão única. (Adaptado de: MOUNK, Yascha. O povo contra a democracia. Trad. Cássio de Arantes Leite e Débora Landsberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, edição digital.)

Quanto à pontuação e ao emprego de crase, está plenamente correta a frase que se encontra em:

A O fim da Guerra Fria traria como forma definitiva de governo, à universalização da democracia liberal ocidental.
B Atrelada às necessidades de construir uma sociedade civil forte, havia a necessidade de assegurar a neutralidade de instituições de Estado fundamentais.
C O sistema político se estabilizava, à medida que, um país passava a ser rico e, ao mesmo tempo, democrático.
D Cientistas políticos, impressionados com à estabilidade sem paralelo das democracias ricas viram no pós-guerra um período de consolidação democrática.
E A controversa obra de Francis Fukuyama associou-se, no pensamento político, à ideais do triunfo da democracia.
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[Pai e filho] No romance Paradiso o grande escritor cubano José Lezama Lima diz que um ser humano só começa a envelhecer depois da morte do pai. Freud atribui a essa morte um dos grandes traumas de um filho. A amizade e a cumplicidade quase sempre prevalecem sobre as discussões, discórdias e outras asperezas de uma relação às vezes complicada, mas sempre profunda. Às vezes você lamenta não ter conversado mais com o seu pai, não ter convivido mais tempo com ele. Mas há também pais terríveis, opressores e tirânicos. Exemplo desse caso está na literatura, na Carta ao pai , de Franz Kafka. É esse um dos exemplos notáveis do pai castrador, que interfere nas relações amorosas e na profissão do filho. Um pai que não se conforma com um grão de felicidade do jovem Franz. A Carta é o inventário de uma vida infernal. É difícil saber até que ponto o pai de Kafka na Carta é totalmente verdadeiro. Pode se tratar de uma construção ficcional ou um pai figurado, mais ou menos próximo do verdadeiro. Mas isso atenua o sofrimento do narrador? O leitor acredita na figuração desse pai. Em cada página, o que prevalece é uma alternância de sofrimento e humilhação, imposta por um homem prepotente e autoritário. (Adaptado de: HATOUM, Milton. Um solitário à espreita . São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 204-205)

É plenamente adequado o emprego de pronomes e do sinal indicativo de crase em:

A Diante da morte do pai, o filho não apenas lhe lamenta como se vê submetido à culpas inconsoláveis e a profundos remorsos.
B Kafka escreveu uma Carta ao pai , carregando-lhe de sentimentos duros, que o leitor à muito custo acompanhará.
C Ninguém se sentirá alheio às provações que Kafka nos conta em sua carta, a propósito das dores que o pai lhe infligiu.
D As emoções que provoca no leitor à leitura da carta de Kafka ao pai devem-se ao poder da ficção que lhe captura.
E As palavras da Carta conduzem o leitor, passo à passo, pelas dores e humilhações que o pai de Kafka fez-lhe passar.

Ao analisar os hábitos de consumo, o autor do texto avalia esses hábitos de consumo contrapondo os mesmos aos hábitos de consumo que havia em épocas de maior frugalidade. Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

A os avalia - contrapondo-os - àqueles
B avalia-os - contrapondo-lhes - àqueles
C avalia-lhes - contrapondo-os - a esses
D lhes avalia - lhes contrapondo - a aqueles
E avalia a estes - contrapondo-os - a estes

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão Ai, que vergonha... Sou tímida. Já nasci assim, veio de algum gene que meus pais me transmitiram, o que não deixa de ser estranho, já que sou incomparavelmente mais tímida que os dois juntos. Só quem é tímido - e não me refiro aí aos falsos tímidos, aqueles que têm uma timidezinha boba de vez em quando, por exemplo, ao chegar a uma festa sem conhecer ninguém - sabe a dificuldade de se dizer “não” a um amigo ou de cobrar alguma coisa de alguém. E só nós tímidos sabemos também o quanto nos custa entrar em uma loja e experimentar uma roupa. O verdadeiro tímido tem vergonha de tudo e de todos. Hoje em dia, depois de anos de teatro e terapia, melhorei demais. Muita gente me afronta e diz que não sou tímida nada, que eu nunca subiria em um palco se minha timidez fosse de verdade. Eu digo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O palco possui uma parede invisível, e quando subo nele é como se não visse ninguém. Além disso, quando as pessoas vão a alguma das minhas apresentações, é esperado que eu cante. Muito diferente é ir a um churrasco e me pedirem para tocar violão. Morro de vergonha. As pessoas param de conversar e ficam me olhando, na expectativa. A minha voz nem sai direito, tamanha a vontade de desaparecer do recinto. Os psicólogos dizem que timidez, na verdade, é orgulho. O tímido seria alguém com tal mania de perfeição que não se dá o direito de errar. Não concordo. Eu digo que o tímido é alguém que tem vergonha de errar, de acertar, de ser julgado ignorante, de ser considerado inteligente, de ser taxado de prepotente... Eu tenho vergonha de tudo. Mas já descobri - até há bastante tempo - o antídoto da timidez. Quando gosto e quero realmente alguma coisa, vergonha nenhuma me impede. Aí eu finjo que sou uma outra pessoa, coloco uma base no rosto para disfarçar a vermelhidão e vou em frente. É assim inclusive com essas crônicas, que tenho vergonha de publicar, mas gosto demais de escrever para parar. (Adaptado de: PIMENTA, Paula. Disponível em: www.patio.com.br. 13/12/2006) Observe a seguinte passagem: - as pessoas vão a alguma das minhas apresentações (3º parágrafo) Considerando-se o emprego do sinal indicativo de crase, substitui corretamente a expressão sublinhada o que se encontra em:

A à qualquer uma das
B à maioria das
C à
D às
E à todas as
Texto associado
De cedo, aprendi a subir ladeira e a pegar bonde andando. Posso dizer, com humildade orgulhosa, que tive morros e bondes no meu tempo de menino. Nossa pobreza não era envergonhada. Ainda não fora substituída pela miséria nos morros pobres, como o da Geada. Que tinha esse nome a propósito: lá pelos altos do Jaguaré, quando fazia muito frio, no morro costumava gear. Tínhamos um par de sapatos para o domingo. Só. A semana tocada de tamancos ou de pés no chão. Não há lembrança que me chegue sem os gostos. Será difícil esquecer, lá no morro, o gosto de fel de chá para os rins, chá de carqueja empurrado goela abaixo pelas mãos de minha bisavó Júlia. Havia pobreza, marcada. Mas se o chá de carqueja me descia brabo pela goela, como me é difícil esquecer o gosto bom do leite quente na caneca esmaltada estirada, amorosamente, também no morro da Geada, pelas mãos de minha avó Nair. A miséria não substituíra a pobreza. E lá no morro da Geada, além do futebol e do jogo de malha, a gente criava de um tudo. Havia galinha, cabrito, porco, marreco, passarinho, e a natureza criava rolinha, corruíra, papa-capim, andorinha, quanto. Tudo ali nos Jaguarés, no morro da Geada, sem água encanada, com luz só recente, sem televisão, sem aparelho de som e sem inflação. Nenhum de nós sabia dizer a palavra solidariedade. Mas, na casa do tio Otacílio, criavam-se até filhos dos outros, e estou certo que o nosso coração era simples, espichado e melhor. Não desandávamos a reclamar da vida, não nos hostilizávamos feito possessos, tocávamos a pé pra baixo e pra cima e, quando um se encontrava com o outro, a gente não dizia: “Oi!”. A gente se saudava, largo e profundo: - Ô, batuta*! *batuta: amigo, camarada. (Texto adaptado. João Antônio. Meus tempos de menino. In: WERNEK, Humberto (org.). Boa companhia: crônicas. São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 141-143)

Os verbos e o sinal indicativo de crase estão empregados corretamente na seguinte frase, redigida a partir do texto:

A Caso você quer voltar à um dia da infância, tome chá de carqueja.
B Os bondes não se manteram com à passagem do tempo.
C Nós nos dedicávamos à criação de uma infinidade de animais.
D Na casa do tio Otacílio, proporam-se à criar filhos dos outros.
E Não era comum que um hostiliza-se à outro no morro da Geada.