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Em setembro de 1880, ocorreu um congresso internacional de educadores surdos na cidade de Milão na Itália. Esse evento ficou conhecido como o “Congresso de Milão” e teve um grande impacto na educação das pessoas surdas em todo o mundo. Algumas deliberações votadas durante o congresso impactaram drasticamente toda a história dos surdos que se beneficiavam da língua de sinais como forma de comunicação. Nesse congresso, foi realizada uma votação:

A aprovando o ensino bilingue aos alunos surdos, sempre respeitando a língua de sinais como língua materna
B promovendo a metodologia híbrida entre o oralismo e a comunicação gestual
C garantindo o direito à língua de sinais na educação de surdos em todo o mundo
D abolindo oficialmente a língua de sinais na educação de surdos comunicação e expressão da comunidade surda

O sujeito surdo tem sua identidade e cultura representada por meio de uma língua visual, a língua de sinais, em que as percepções do mundo são marcadas pelas experiências visuais. Portanto, a legislação brasileira pondera o surdo como um sujeito bilíngue, considerando que:

A deve aprender primeiramente o português escrito, sendo plenamente alfabetizado
B tem como primeira língua a Libras e o português escrito como segunda língua
C tem como forma de comunicação a Libras e o português escrito sendo facultativo
D deve conviver com pessoas surdas e ouvintes, para aprender os sinais e também interagir com o mundo ouvinte fazendo uso da leitura labial

De acordo com Strobel

( 2008 ), “cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de torná-lo acessível e habitável, ajustando-o com suas percepções visuais, que contribuem para a definição de identidades surdas e das almas das comunidades surdas.” Levando em consideração esse pensamento, é possível compreender que a Língua de Sinais é intensamente valorizada pelos sujeitos surdos porque:

A a cultura surda é constituída pela linguagem de sinais, configuração de mãos, que é o ponto de articulação que permite ao sujeito surdo falar e pensar como um ouvinte, garantindo uma igualdade entre as comunidades surda e ouvinte
B promove contato com a comunidade ouvinte a fim de possibilitar conhecimento efetivo
C a cultura surda é formada por valores, costumes, história e expressão artística instituídos na língua de sinais; a língua de sinais é a principal e mais efetiva manifestação da identidade surda
D é universal, assim, unificando as culturas e criando certo status de igualdade em relação aos ouvintes

Compreendendo os surdos como sujeitos que transitam em diferentes contextos de uma identidade comunitária, Perlin critica o saber ouvintista, isto é, o saber ouvinte em relação aos direitos e demais aspectos da vida dos surdos e ressalta as múltiplas identidades surdas: híbridas, de transição, incompletas e flutuantes; relacionando-as aos diferentes níveis de pertencimento e envolvimento com a comunidade surda e com o movimento surdo (PERLIN, 2011). O que se pretende reivindicar como uma identidade, no caso dos surdos, é:

A poder fazer parte da vida social, tendo, porém sua diferença marcada exatamente para ser respeitada, como pessoas com formas distintas de apreensão do mundo e linguagem, o que implica diferentes formas de compreensão de ideias e expressão de pensamento
B favorecer grupos minoritários e marginalizados a expressarem-se, assim a atenção se volta para a luta pelo reconhecimento, empreendida por pessoas surdas e em particular para a representação política das lideranças do movimento social dos surdos, e para as contestações em torno da definição de "bem comum" revelada pelos membros dessa coletividade
C o respeito a sua língua, identidade e cultura e a não obrigatoriedade da imposição do português escrito em sua vida cotidiana
D propor uma reflexão sobre como o surdo vê o ouvinte e sobre como ele vê seus pares numa linha dialógica entre os contrastes existentes entre o universo surdo e ouvinte

O Decreto federal nº 5626/2005 que regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, consideram a pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Lingua Brasileira de Sinais - Libras. Avalia como deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total de:

A quarenta e um decibéis (dB) ou mais
B cinquenta e um decibéis (dB) ou mais
C acima de setenta decibéis (dB)
D acima de noventa decibéis (dB)

Uma grande conquista da comunidade surda brasileira e considerada como um marco histórico, a Lei nº 10436, de 24 de abril de 2002, que reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados, dispõe, em seu Parágrafo único, que a Língua Brasileira de Sinais:

A poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa quando houver tradução em Libras
B não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa
C torna o português escrito um instrumento linguístico facultativo a comunidade surda
D deverá ser a língua majoritária nas escolas bilingues

Segundo os estudos de aquisição das línguas de sinais, há uma incidência significativa de crianças surdas que tem pais ouvintes e que não adquirem a Língua de Sinais no período comum de aquisição da linguagem. Lennenberg

( 1967 ) propôs a existência de um período crítico para a aquisição da linguagem. De acordo com o autor, defina o que é este período crítico:

A refere-se à aquisição tardia da aquisição da Língua de Sinais.
B é o período mais sensível, o pico do processo de aquisição da linguagem.
C não é possível realizar a aquisição da linguagem neste período.
D aquisição da Língua de Sinais após os 12 anos.
E é o período mais difícil para a realização da aquisição da linguagem.

Segundo a autora Gladis Perlim: “As diferentes identidades Surdas são bastante complexas, diferenciadas”. Existem surdos que são filhos de pais surdos, outros que não tem nenhum contato com a Língua de Sinais etc. Os surdos não são um grupo de identidade homogênea. Assim sendo, escolha a alternativa que melhor defina as Identidades Surdas Flutuantes.

A Seguem a representação da identidade ouvinte, estão em dependência no mundo dos ouvintes, colocam-nos acima dos princípios da Comunidade Surda, às vezes competem com os ouvintes, pois são induzidos no modelo da identidade ouvintes. Não participam da Comunidade Surda, associações e lutas políticas, desconhecem ou rejeitam a presença do profissional Tradutor Intérprete de Libras
B Surdos que nasceram ouvintes e com o tempo alguma doença, acidente etc. os deixaram surdos. Dependendo da idade em que a surdez chegou, conhecem a estrutura do português falado. Usam a língua oral ou a Língua de Sinais para captar a mensagem, esta identidade também é bastante diferenciada, alguns não usam mais a língua oral e outros usam a Língua de Sinais sempre
C Não consegue captar a representação da identidade surda, nem da identidade ouvinte. Sua comunicação é por alguns sinais incompreensíveis, às vezes, não tem condições de usar Língua de Sinais, não lhe foi ensinada, nem teve contato com mesma, são pessoas vistas como incapacitadas
D Vivem no momento de trânsito entre uma identidade para outra. No momento em que esses surdos conseguem contato com a Comunidade Surda, a situação muda e eles passam pela des-ouvintização, ou seja, rejeição da representação da identidade ouvinte
E Estão presentes entre os surdos que passam de um país a outro ou, inclusive, de um Estado Brasileiro a outro. Ela pode ser identificada como o Surdo Carioca, o Surdo Brasileiro ou o Surdo norte-americano.

De acordo com a história da Educação de Surdos em defesa de Escolas Bilíngues, teve início no ano de 2010 a maior mobilização da história de todo Movimento Surdo Brasileiro. A realização da Conferência Nacional de Educação, CONAE 2010, no período de 28/3 a 1º /4, que serviu como base para a elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE, marcou um retrocesso na Educação de Surdos, pois rejeitou a proposta que apoia a Escola de Surdos. Depois disso, a Diretoria de Políticas de Educação Especial comunicou que o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) seria fechado até o final de 2011 e os alunos surdos seriam remanejados para escolas comuns. Diante do exposto, marque a alternativa que defina por qual motivo o INES seria fechado.

A Por encaminhar a Educação de Surdos de forma segregacionista
B Falta de verba para a manutenção do Instituto Nacional de Educação de Surdos
C O Movimento Surdo Brasileiro solicitou o fechamento do Instituto Nacional de Educação de Surdos
D O Plano Nacional de Educação previu o fechamento do Instituto Nacional de Surdos
E Tal fechamento implicaria um avanço na Educação de Surdos, baseado em uma Educação Bilíngue de qualidade

O Decreto Nº 5626/2015, em seu Capítulo III, dispõe sobre a formação do professor de Libras e do instrutor de Libras. Neste sentido, podemos afirmar que:

A a formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, ensino médio e educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras Libras ou em Letras Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.
B a formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada em curso de Letras/Libras ou curso normal superior, em que Libras e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngue.
C não se admite como formação mínima de docentes para o ensino de Libras, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a formação ofertada em nível médio na modalidade normal, que viabiliza a formação bilíngue, referida no caput.
D as pessoas surdas não terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.
E a formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada em curso normal superior, em que Libras e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngue.