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A riqueza e a complexidade da história da educação brasileira decorrem da interação de uma variedade de fatores históricos, culturais, sociais e políticos ao longo do tempo. Isso torna o estudo e a compreensão deste contexto educacional uma tarefa complexa, mas fundamental para o desenvolvimento do sistema educacional do país. A partir dos anos 1500, a Companhia de Jesus começou a implantar colégios por todos os continentes mais de um século antes de Comenius escrever a Didática Magna. O Brasil não ficou de fora desta ação. Linha de frente da Contrarreforma manteve no trabalho didático, em grande parte, as fontes utilizadas na época medieval. Os textos clássicos ainda alicerçavam os estudos de gramática, de humanidade, de retórica e de filosofia. No entanto, novos condicionamentos mudavam profundamente a forma de operá-los no âmbito do trabalho didático. Considerando as informações anteriores, analise as afirmativas a seguir.

I. A invenção e o avanço da imprensa de caracteres móveis, que, desde então, baratearam e difundiram o livro impresso como o suporte mais apropriado dos textos.

II. A necessidade do expurgo daqueles passos das obras clássicas que feriam frontalmente a doutrina católica. Esse controle ideológico tornava providencial o uso de extratos.

III. A forma de organização do trabalho didático difundida pelos colégios jesuíticos, na medida em que a relação educativa passava a se dar entre professor, de um lado, e discípulos de outro.

IV. A relação individual, típica do ensino preceptorial, que assegurava ao mestre controle absoluto sobre leituras do discípulo, dava lugar à relação de caráter coletivo, que limitava a ação controladora do professor.

V. O elevado número de alunos em sala de aula impunha tanto por motivos didáticos quanto por motivos ideológicos emergência de instrumento de trabalho dotado, ele próprio, de recursos de controle sobre as informações veiculadas. Está correto o que se afirma em

A I, II, III, IV e V.
B I e III, apenas.
C I, II, IV e V, apenas.
D II, III, IV e V, apenas.

Com o desenvolvimento do processo de industrialização, a partir do século XVIII, desenvolve-se a atividade de supervisão, cujo objetivo era melhorar quantitativa e qualitativamente a produção. Conforme Lima

( 2013 ), a supervisão é fruto da necessidade de melhor adestramento de técnicas para a indústria e o comércio, estendendo-se, posteriormente, aos demais campos: militar, esportivo, político, educacional, dentre outros, com o objetivo de alcançar um bom resultado do trabalho em realização. A supervisão pedagógica é assumida no âmbito educacional, conforme aponta Lima

( 2013 ), no começo do século XX, quando se verificou a utilização dos conhecimentos científicos para a melhoria do ensino e para a medida dos resultados de aprendizagens dos alunos. Sobre o exposto e, ainda, considerando o primeiro registro legal acerca da atuação do supervisor escolar no Brasil, infere-se que:

A Ocorreu na década de 1930, com a Reforma Francisco Campos – primeira reforma educacional de caráter nacional que, pelo Decreto-Lei nº 19.890, de 18 de abril de 1931, entre outras especificações, concebia a supervisão de forma diferente da qual se processava o acompanhamento educacional até o momento, substituiu-se o caráter fiscalizador pelo supervisor.
B Aconteceu em 1942, com a promulgação da Lei Orgânica do Ensino Secundário, por meio do Decreto-Lei nº 4.244, de 9 de abril de 1942, a orientação pedagógica acrescentada aos aspectos administrativos e de inspeção. O Art. 75, § 1º do referido decreto, prescrevia que “a inspeção far-se-á, não somente sob o ponto de vista administrativo, mas ainda com o caráter de supervisão pedagógica”.
C Com a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 4.024/1961, os governos estaduais e municipais ficaram responsáveis por assumir os encargos de organização e efetivação dos serviços educacionais; a supervisão escolar passou a exercer, nos sistemas educacionais, a função de controlar a qualidade do ensino e de criar condições que promovessem sua real melhoria.
D Na década de 1950, através de uma política de aliança entre o Brasil e os Estados Unidos no cenário da educação brasileira, a supervisão se inicia no país mediante cursos promovidos pelo Programa Americano-Brasileiro de Assistência ao Ensino Elementar (PABAEE), que formou a primeira leva de supervisores escolares para atuar no ensino elementar (primário) brasileiro, com vistas à modernização do ensino e ao preparo do professor leigo.

As explicações dadas à questão do fracasso escolar da escola pública brasileira, segundo estudos de Patto

( 1999 ), foram baseadas, em um primeiro momento, nas teorias racistas, por volta do ano de 1870, quando os colonizadores tinham os colonizados como seres inferiores intelectualmente e, como tais, incapazes de aprender. O auge destas ideias racistas foi o período de 1850 a 1930, em que os intelectuais brasileiros começaram a atentar para as questões da escola e da aprendizagem escolar sob a influência da filosofia e da ciência francesas. Considerando as informações anteriores, bem como a autora, nos anos 70 do século anterior, houve um predomínio de novas explicações sobre as causas do fracasso escolar; analise-as.

I. É tido como produto de professores mal qualificados; é um problema técnico: culpabilização do professor.

II. É considerado como culpa do aluno e de sua família, de problemas emocionais, orgânicos e neurológicos.

III. Apontam as causas das dificuldades de aprendizagem não no indivíduo mas, sim, nos métodos, que deveriam ser determinados pela observação do indivíduo.

IV. Ocorre em função das características biológicas, psicológicas e sociais dos alunos, em detrimento à explicação que considerava os aspectos estruturais e funcionais do sistema de ensino como determinante desse fracasso.

V. Passou a ser explicado pela teoria da carência cultural, por meio do qual se afirmava que as deficiências do ambiente cultural das chamadas classes baixas produziam a deficiência no desenvolvimento psicológico infantil. Está correto o que se afirma apenas em

A II e III.
B IV e V.
C I, II e III.
D III, IV e V.
E I, II, III e IV.

O pensamento pedagógico brasileiro começa a ter autonomia apenas com o desenvolvimento das teorias da Escola Nova, pois, até quase o final do século XIX, nosso pensamento pedagógico reproduzia o pensamento religioso medieval. Neste caminho “brasileiro” da educação, há um contexto político que o sustenta que podemos explicar dessa forma: a evolução da estrutura do poder passou por fases que se estenderam desde o predomínio quase absoluto do poder local até a supremacia do poder central, com hipertrofia do executivo. Nessa evolução, é possível vislumbrar épocas em que um equilíbrio mais ou menos estável foi detido graças às múltiplas concessões entre o poder local e o poder central – tal como se deu, por exemplo, com o pacto coronelista da política dos governadores – e momentos em que os conflitos entre uma esfera e outra se tornaram evidentes – como, por exemplo, aconteceu na época da queda da mineração. Mas, em quase todo o curso da história brasileira, as bases políticas assentaram-se mais no poder real dos donos da terra, nos interesses do latifúndio e em uma minoria aristocrática agrária. Dentro desse contexto, a ilustração dada pela escola servia também para qualificar o representante político do poder local nas esferas mais altas. O monopólio da cultura letrada dada pelas escolas era garantia de nível mais elevado de atuação, quer relativamente à prática, quer relativamente à esfera administrativa. Nexte contexto, no decorrer da História da Educação do Brasil, analise as afirmativas a seguir.

I. No Brasil, até o final da década de 1920, as camadas dominantes, com o objetivo de servir e alimentar seus próprios interesses e valores, conseguiram organizar o ensino de forma fragmentária, tomado o país como um todo, e ideal, considerado o modelo proposto de educação. Isso se deu mesmo quando essas camadas deixaram de as únicas a procurar a educação escolar.

II. Em épocas mais recentes, o remanejamento das forças na estrutura do poder ocasionou, também, certas mudanças na organização do ensino. Essas mudanças, todavia, obedeceram ao jogo dos interesses representados de forma heterogênea na política. Nos períodos em que o legislativo funcionou, as facções nele presentes utilizaram-se sempre de mecanismos tradicionais de fortalecimento de posições, quais sejam os da política de alianças. Nesse sentido, interesses conservadores conseguiram aliar-se contra interesses mais liberais e democráticos, obtendo mais vitórias.

III. Nos períodos em que se evidenciou a hipertrofia do executivo, este ditou as regras da política educacional, segundo o modelo que se pretendeu adotar, quer na política, quer na economia, quer, enfim, em ambos os setores.

IV. Nesses diferentes períodos, a organização escolar passou a organizar-se não mais de forma fragmentária por causa do avanço e do fortalecimento do regime centralizador, mas de forma que refletisse as contradições próprias de um sistema político responsável mais pela metamorfose das formas tradicionais de controle de poder do que pela criação de formas novas. Está correto o que se afirma em

A I, II, III e IV.
B III, apenas.
C I e III, apenas.
D I, II e IV, apenas.

O Brasil, país capitalista periférico, possui graves problemas educacionais e, historicamente, tem procurado resolvê-los, importando modelos e reflexões pedagógicas desenvolvidos em países centrais com características sociais e em estágios de desenvolvimento econômico completamente diversos dos seus. Passos importantes foram dados no sentido de ampliar a oferta da educação pública, ainda que por força de Lei, que torna o direito à educação um direito subjetivo do cidadão. Para considerar uma real democratização da escola pública, devemos concebê-la como uma instituição que:

( ) Transcende o acesso das camadas mais pobres da população sem condições mínimas que a assegurem, e mesmo a mudança nos processos de decisão no âmbito do sistema escolar, sendo preciso democratizar o conhecimento.

( ) Ajuda os alunos a se expressarem bem, a se comunicarem de diversas formas, a desenvolverem o gosto pelos estudos, a dominarem o saber escolar; ajuda na formação de sua personalidade social e na sua organização enquanto coletividade.

( ) Proporciona aos alunos o saber e o saber-fazer críticos como pré-condição para sua participação em outras instâncias da via social, inclusive para melhoria das suas condições de vida.

( ) Deve ser entendida como ampliação das oportunidades educacionais, difusão dos conhecimentos e sua reelaboração crítica; aprimoramento da prática educativa escolar visando à elevação cultural e cientifica das camadas populares.

( ) Contribui, ao mesmo tempo que amplia as oportunidades educacionais das camadas mais pobres, para responder às suas necessidades e aspirações mais imediatas e à sua inserção em um projeto coletivo de mudança da sociedade. A sequência está correta em

A F, F, V, V, F.
B V, F, F, F, V.
C F, V, F, F, F.
D V, V, V, V, V.

Representante da pedagogia histórico-crítica no Brasil, o professor Demerval Saviani destaca a necessidade de se elaborar uma teoria educacional a partir da prática e de tal teoria ser capaz de servir de base para a construção de um sistema educacional. Além disso, destaca a dimensão política da educação: “a importância política da educação reside na sua função de socialização do conhecimento. É, pois, realizando-se na especificidade que lhe é própria que a educação cumpre sua função política. Daí ter eu afirmado que ao dissolver a especificidade da contribuição pedagógica anula-se, em consequência, a sua importância política”. A partir deste excerto da obra “História das Ideias Pedagógicas”, as reflexões podem ser ordenadas e sistematizadas nas seguintes teses, EXCETO:

A Tese 1 : não existe identidade entre educação e política. Se é assim, a educação e política são fenômenos inseparáveis; porém, efetivamente distintos entre si; Tese 2 : toda prática educativa contém inevitavelmente uma dimensão política; e, T ese 3: toda prática política também contém, por sua vez, inevitavelmente uma dimensão educativa.
B Tese 6 : a especificidade da prática educativa se define pelo caráter de uma relação que se trava entre contrários não- -antagônicos. Em consequência, a política é, então, uma relação de dominação alicerçada, pois, na persuasão; Tese 7: a especificidade da prática política se define pelo caráter de uma relação que se trava entre contrários antagônicos. Em consequência, a política é, então, uma relação de dominação alicerçada, pois, na dissuasão.
C Tese 8: as relações entre educação e política se dão na forma da autonomia relativa e dependência recíproca; Tese 9 : as sociedades de classe se caracterizam pelo primado da política, o que determina a subordinação real da educação à prática política; T ese 10 : superada a sociedade de classes cessa o primado da política e, em consequência, a subordinação da educação. Nas sociedades de classes a subordinação da educação exclui sua margem de autonomia.
D Tese 4 : a explicitação da dimensão política da prática educativa está condicionada à explicitação da especificidade da prática educativa; Tese 5 : a explicitação da dimensão educativa da prática política está, por sua vez, condicionada à explicitação da especificidade da prática política. Estas duas teses decorrem, necessariamente da efetiva distinção entre educação e política. Com efeito, só é possível captar a dimensão política da prática educativa e vice-versa, na medida em que tais práticas forem captadas como efetivamente distintas umas das outras.

Em matéria datada de 12 de junho de 1932, quando comemorou os dois primeiros anos de sua “Página de Educação”, Cecília Meireles

( 2001 ) escreveu que o problema da educação não seria resolvido em dois ou três anos, devido à extensão das exigências que lhe eram inerentes e às dificuldades para “atender aos seus detalhes, sem prejuízo para a obra de seu conjunto”. “Os sonhos levam tempo a ganhar a sua realidade exata, principalmente quando não querem transigir em se perder uma de formação apressada.” Cecília afirmou também que aqueles dois anos foram “intensos de sinceridade, de desinteresse, de luta, de altivez e de fé. Talvez muitas vidas humanas não tenham tido dois anos assim”. Refletindo sobre estas frases, identificamos os vínculos de Cecília Meireles com o escolanovismo, tanto no Brasil quanto em outros países. Tal movimento apresentou grande dispersão de temas e abordagens, mas, ainda assim, é possível identificar algumas formulações comuns às suas várias correntes do pensamento escolanovista. Diante do exposto, analise as afirmativas a seguir.

I. Formação da personalidade integral do educando, tendo em vista não apenas o desenvolvimento de atributos individuais, mas especialmente a reordenação da sociedade, o que caracteriza uma educação socializadora/civilizadora.

II. Aproveitamento das experiências cotidianas dos alunos sem desprezar os conteúdos das matérias escolares, o que se materializa por meio da renovação dos métodos de ensino.

III. Propunha o humanismo laico com uma visão valorizadora e digna do ser humano, para a qual uma visão racionalista e cética é fundamental, embora nela também seja importante a questão ética do ser humano, algo que os racionalistas não contemplavam.

IV. Redirecionamento da mentalidade dos professores, envolvendo novas concepções morais e sintonia com os avanços da modernidade, em que se incluem as contribuições das ciências à educação e a universalização do acesso à escola. Está correto o que se afirma em

A I, II, III e IV.
B III, apenas.
C I, II e IV, apenas.
D II, III e IV, apenas.
Texto associado
Tendo como base as competências específicas e habilidades das ciências humanas e sociais aplicadas no ensino médio da BNCC, julgue os itens a seguir.

A BNCC, com objetivo de tornar a educação neutra, científica, e não partidária, não recomenda o ensinamento da teoria de Karl Marx.

C Certo
E Errado

A matrícula, no ensino superior público, historicamente tem sido alcançada apenas por um setor específico da sociedade. Porém, desde a ampliação do ingresso na escola básica e da institucionalização das cotas para diversos setores sociais, esse cenário sofreu modificações.
Nesse sentido, a Gestão do Conhecimento voltada para a ampliação do espaço universitário e do direito à educação superior deve demonstrar comprometimento com a

A evasão
B democratização
C centralização
D autocracia
E meritocracia

A respeito da relação professor?aluno, julgue os seguintes itens. Na escola tradicional, a relação professor?aluno baseia?se no respeito à competência técnica do professor, em uma perspectiva hierárquica.

A Certo
B Errado