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Considerando que o público das classes de EJA é de pessoas entre 20 e 75 anos de idade, fica evidente que o termo "folhinha"
usado pela professora deve causar estranhamento ao grupo. Além disso, o uso do diminutivo relembra permanentemente ao
aluno da EJA que o lugar que ele ocupa naquela classe configura uma distorção. A organização dos conteúdos a serem
trabalhados e os modos de abordagem seguem as propostas desenvolvidas para as crianças do ensino regular, e a linguagem
utilizada pelo professorado infantiliza pessoas que, se não puderam ir à escola, tiveram e têm uma vida rica em aprendizagens
que mereceriam maior atenção.
(Adaptado de: OLIVEIRA, I. B. "Reflexões acerca da organização curricular e das práticas pedagógicas na EJA". Educar , n. 289, pp. 83-100. Curitiba,
2007)

De acordo com a situação problematizada no texto,

A os alunos deveriam expor sua experiência de vida para as crianças do ensino regular.
B o uso de uma linguagem infantil denota o desconhecimento do docente a respeito da seleção e organização de saberes para
o seu público.
C a centralidade dos conteúdos acadêmicos no currículo de EJA é motivada pela otimização do tempo: não ensinar o que os
alunos já sabem.
D a distorção (linha 3) mencionada no texto se refere à dinâmica do currículo, ao não se adaptar aos saberes do aluno adulto.
E a seleção dos saberes que devem compor um currículo precisa levar em consideração os indivíduos reais que são os
sujeitos da aprendizagem.

Depois de formada no ensino médio, no curso normal, Fernanda foi procurar emprego em uma escola de educação infantil. Para
avaliar a possibilidade de contratá-la, a diretora se baseou no artigo 62 da LDBEN e na Lei nº 3.415/2017, que determina, sobre
a formação de docentes:

A É feita exclusivamente em nível superior, em curso de licenciatura plena.
B É feita obrigatoriamente em nível médio, na modalidade normal.
C Não obriga que se tenha curso superior, para a educação infantil, exigência obrigatória apenas para quem atuar no
magistério do ensino fundamental.
D Deve ser feita obrigatoriamente em nível superior, tanto para atuar na educação infantil quanto para trabalhar no ensino
fundamental.
E É feita em nível superior, admitida como formação mínima à oferecida em nível médio, na modalidade normal.

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é
formado por recursos tributários arrecadados em estados e municípios, com complemento de 10% da União.
Criado em 2006 e previsto para se encerrar em 2020, tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) que tem por objetivo tornar o Fundeb permanente.
A percepção, hoje, é de que, mesmo que o Fundeb não seja suficiente para os saltos pretendidos na educação pública
brasileira, seu término pode decretar o fechamento de milhares de escolas.
(Adaptado de: https://www.hojeemdia.com.br )

Considerando o que se afirma no texto e o funcionamento do Fundeb no financiamento da educação,

A o encerramento do Fundeb garante maior eficiência para a educação nos estados e municípios.
B a permanência do Fundeb estará vinculada ao fechamento de milhares de escolas e sua privatização.
C os valores arrecadados pelos estados e municípios limitam o financiamento da educação nessas instâncias.
D a arrecadação de tributos varia de acordo com o custo por aluno nos estados e municípios.
E a vinculação constitucional de recursos se apresenta como um instrumento para a garantia do direito à educação.

O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar o seu modo de
vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência é, de fato, um fenômeno universal e é responsável, em seus casos
extremos, pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.
(Adaptado de: LARAIA, R.B. Cultura: um conceito antropológico . Rio de Janeiro: Zahar, 1986, p. 72)

A tendência à qual o texto se refere é considerada conceitualmente como:

A materialismo dialético.
B etnocentrismo.
C altruísmo.
D alteridade.
E relativismo cultural.

O artigo 211, da Constituição Federal de 1998, considera o princípio de descentralização ao dispor sobre a organização dos
sistemas de ensino no país. De acordo com o texto constitucional,

A incumbe à federação financiar os estados e municípios nos níveis fundamental e médio.
B os estados e o Distrito Federal atuam prioritariamente sobre os níveis fundamental e médio.
C a educação especial e supletiva é responsabilidade dos municípios.
D as instituições públicas federais se destinam exclusivamente ao ensino superior e à pesquisa.
E o âmbito municipal de ensino tem como principal objetivo a equalização de oportunidades educacionais.

De acordo com a LDBEN, Lei nº 9.394/1996, artigo 58, entende-se por educação especial a modalidade de educação escolar
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento
e altas habilidades ou superdotação. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para
atender às peculiaridades da clientela de educação especial. O atendimento educacional será feito

A exclusivamente por serviços especializados, para garantir o bom desenvolvimento do aluno em condições especiais.
B pela escola, em local a ser definido pela equipe pedagógica, de modo a evitar constrangimentos para a criança ou jovem
que necessite de cuidados especiais.
C em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for
possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
D em casa, junto à família, garantindo que atividades e avaliações sejam enviadas pela escola e possam ser feitas em
domicílio.
E nas escolas, em classes exclusivamente destinadas a alunos especiais, sempre sob a supervisão de pelo menos dois
professores.

Paula é uma pedagoga que decidiu abrir sua própria escola e, no momento de montar a matriz curricular das disciplinas que
seriam oferecidas, teve que considerar a LDBEN, Lei nº 9.394/1996, que estabelece que

A a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da educação básica e deve ser
obrigatoriamente cursada por todos os alunos.
B o ensino da Arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular facultativo da educação
básica.
C o ensino de língua estrangeira é obrigatório e deverá ser ofertado desde o início da educação básica, tornando homogênea
sua oferta em todos os níveis de ensino.
D o currículo da educação básica deve ter uma base nacional comum, a ser complementada por uma parte diversificada,
exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.
E cabe à instituição escolar elaborar o currículo, decidir quais componentes são obrigatórios e complementares, de acordo
com as características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos, preservando, assim, sua
autonomia e gestão democrática.

Os professores indígenas não possuem mais tempo para aprender as coisas de sua cultura, pois, como professores oficiais de
sua tribo, de seu grupo, precisam usar todo o tempo para aprender e dar conta dos conteúdos que seus superiores esperam que
eles desenvolvam em sala de aula. Trata-se de conteúdos que lhes chegam pela escrita em cartilhas, textos, livros, documentos.
Deixam, assim, de ter a possibilidade de ser professores interculturais, para atuar no campo das diferenças entre o mundo
indígena e a sociedade inclusiva. Não basta ensinar na língua indígena; é preciso participar, partilhar, trocar e, com isso, manter
a aprendizagem no interior da própria cultura para, como experiência, fazê-la dialogar com tudo isso que vem como exigência e
obrigatoriedade por parte da escola como instituição.
(Adaptado de: GUSMÃO, N. M. M. "Antropologia, diversidade e educação: um campo de possibilidades". Revista Ponto e vírgula , n. 10,
pp. 32-45, 2011)
Com base no conteúdo do texto,

A a educação regular resulta em maior sobrecarga de trabalho para os professores do que a educação intercultural.
B a cultura letrada formal se impõe como um recurso nefasto para as comunidades indígenas, que deixam de cultuar suas
próprias práticas.
C a língua indígena é um forte elemento cultural, mas apenas ela não garante a manutenção da cultura própria, frente à
cultura letrada formal da escola.
D os conteúdos das cartilhas, dos livros, textos e documentos impedem que o professor atue de forma intercultural.
E os conteúdos simbólicos e as práticas culturais da comunidade constituem uma dificuldade para a adaptação dos
professores.

Uma professora comunica ao diretor que um de seus alunos tem vindo à escola com marcas corporais de castigo físico e que a
criança reportou passar por maus tratos. Frente a isso, a escola deve, obrigatoriamente,

A comunicar à delegacia de polícia da localidade, para prisão imediata dos responsáveis.
B comunicar à diretoria de ensino da localidade, que tomará providências cabíveis, uma vez que é responsável pela
supervisão da escola.
C chamar os pais ou responsáveis pelo aluno, inicialmente, para conversar e procurar resolver o caso sem a necessidade de
acionar outros órgãos.
D comunicar à vara da infância e juventude, que abrirá inquérito para apurar o caso.
E comunicar ao conselho tutelar da localidade, sem prejuízo de outras providências legais.

Considere a seguinte situação:
Um aspecto que nos chama a atenção é a ação da professora em anotar no caderno de Gustavo o poema que o grupo dele
estava trabalhando. Ela faz pelo aluno aquilo que ele ainda não consegue fazer. Lembramos aqui do tão difundido conceito de
zona de desenvolvimento proximal/iminente elaborado por Vygotsky (2006) que denota a indeterminação do processo e a
abertura para novas possibilidades. E o aluno percebe ter o registro como os outros. Nessas condições, produz-se o gesto do
aluno em imitar as ações dos colegas e tentar registrar o poema escrito em seu caderno na lousa. Considerando a imitação
como uma forma de apropriação, essa situação indica-nos a possibilidade de novas formações que podem emergir no trabalho
com o conhecimento. Embora não demonstre o domínio das letras, o modo de Gustavo se envolver na atividade mostra-nos
como ele ocupa o lugar de aluno e incita-nos a pensar na criação de vias que ampliem as possibilidades de sua participação no
trabalho de leitura e escrita.

(Adaptado de: DAINEZ, D; SMOLKA, A. L. B. "A função social da escola em discussão, sob a perspectiva da educação inclusiva".
Educação e Pesquisa, vol. 45. São Paulo, abr. 2019)

A partir dessa situação observada no cotidiano de uma escola,

A o conceito de zona de desenvolvimento proximal/iminente permite inferir que Gustavo deveria estar em uma sala de aula
mais apropriada a seu nível de desenvolvimento.
B em condições escolares adequadas, diferentes modos de participação indicam a possibilidade de desenvolvimento cultural
do aluno.
C o conhecimento das teorias de Lev Vygotsky permite que o aluno se envolva nas atividades e imite seus colegas na
elaboração de um poema.
D o domínio das habilidades de leitura e escrita determina as possibilidades de participação do aluno nas atividades com
seus pares.
E a frase Ela faz pelo aluno o que ele ainda não consegue fazer sintetiza a desconfiança da professora sobre a capacidade
do aluno.